Hard skills por área não se escolhem pela lista mais famosa da sua profissão. Escolhem-se pelo que a vaga nomeia, a ferramenta, o sistema ou a técnica com nome próprio, e pelo que você consegue usar sem ajuda na primeira tarefa. A resposta curta é essa: as ferramentas nomeadas no anúncio que você domina entram na lista, e o resto vai para a experiência como contexto. Este texto mostra como separar, ordenar e posicionar cada uma delas.

Separe o que a vaga nomeia do que ela só descreve

Um anúncio costuma misturar dois tipos de frase. Uma nomeia a ferramenta, como SQL, SAP ou AutoCAD. A outra descreve a tarefa, como montar relatórios de vendas ou controlar o estoque no sistema. A tarefa é um indício de hard skill, mas só a ferramenta nomeada é o termo que você deve escrever com o nome exato.

Quando a vaga diz controlar o estoque no sistema sem dizer qual, o nome costuma estar em outro lugar do próprio anúncio, na descrição da empresa ou nos requisitos. Se não estiver em lugar nenhum, a ferramenta não entra na lista de habilidades. Ela pode aparecer na experiência, descrita pela tarefa, até você saber o nome exato.

Pergunte qual ferramenta a função não consegue fazer sem

Entre as ferramentas nomeadas, quase sempre uma é o núcleo do cargo. Sem ela, o trabalho para: um analista de dados sem a extração não tem base para o painel, e um técnico de manutenção sem o sistema de ordens de serviço não registra a parada. Esse núcleo sobe para o topo da lista e para o resumo profissional. As demais ferramentas da vaga são de apoio e podem vir depois.

Vaga: analista de vendas, com extração de dados em SQL, painel mensal em Power BI e planilhas de metas.
Leitura: SQL é o núcleo, porque sem a extração não há painel nem meta conferida. Power BI e planilhas são apoio e entram depois na lista.

Quando a vaga cita duas ferramentas para o mesmo trabalho

Anúncios dizem Power BI ou Tableau, Protheus ou SAP, Google Sheets ou Excel. Nesse caso a regra é simples: escreva a ferramenta que você usa, com o nome exato, e não liste a outra só porque ela aparece na vaga. Listar as duas sem ter usado as duas é o tipo de excesso que a entrevista desmonta na primeira pergunta técnica.

Se você usou as duas em momentos diferentes, separe por experiência e diga em qual cargo usou cada uma. Uma linha como Power BI no painel de vendas e Tableau em um projeto anterior mostra as duas sem fingir o mesmo nível de domínio. Para comparar as duas no contexto de cada vaga, veja Tableau e Looker no currículo.

Diferencie quem usou de quem só viu alguém usar

A diferença entre usar e ver é a que mais derruba candidatos na entrevista, e o currículo não deve afirmar mais do que você consegue mostrar. Um teste simples resolve a dúvida: você consegue fazer a primeira tarefa básica da ferramenta, sozinho, sem consultar tutorial? Se sim, ela entra na lista. Se você só acompanhou um colega, ela fica de fora da lista de habilidades.

Um curso feito por conta própria também tem lugar, mas na seção de cursos, com a carga horária real. Não é uma prova de uso profissional, e o currículo não deve tratá-lo como tal.

Escreva o nome exato, com o módulo ou a versão que você usou

Quando a vaga diz SAP MM, SAP FI ou TOTVS Protheus, o módulo ou a linha do produto faz parte do nome que o recrutador procura. Se você trabalhou com compras no SAP, escreva o módulo de compras, e não apenas SAP. O mesmo vale para a versão quando ela muda a tarefa, como uma planilha que só funciona em outra versão do programa.

Antes: Experiência com SAP no controle de compras.
Depois: Emiti pedidos de compra no SAP MM, com aprovação em três níveis, para uma base de 40 fornecedores ativos.

A segunda versão tem o nome que a vaga cobra e uma tarefa que a entrevista pode explorar. Para o caso específico de ERPs, o post sobre ERP TOTVS e Protheus no currículo mostra como o nome do sistema e do módulo aparecem em vagas reais.

Onde cada ferramenta entra: a lista dá o nome, a experiência dá a prova

A seção de habilidades guarda o nome exato da ferramenta. A experiência mostra o que você fez com ela. Uma ferramenta sem frase de experiência parece decorada, e uma frase de experiência sem o nome da ferramenta perde a palavra que a vaga procura. Por isso, cada ferramenta do núcleo precisa aparecer nos dois lugares, e as de apoio podem aparecer só na lista, se a experiência não tiver espaço para elas. O mesmo vale para o comportamento, e o guia de soft skills mais pedidas nas vagas mostra como provar cada uma numa frase de experiência.

O bullet mais recente é o lugar da prova. Coloque nele a tarefa, a ferramenta e um número ou um resultado observável. A lógica do campo de habilidades, que é separado do texto livre, está em habilidades da Gupy: como preencher, e a visão geral do que entra nessa seção está em habilidades para colocar no currículo.

Por onde seguir, área a área

Depois de escolher o núcleo e a forma de escrever, vale abrir o post da ferramenta quando a vaga a puxa com ênfase. O vocabulário completo de cada área está em palavras-chave para o currículo por área, e as sugestões abaixo servem para decidir quando ir até cada uma.

  • SQL no currículo: quando a vaga depende de extrair dados de uma base, e não apenas de consumir um relatório pronto.
  • Power BI no currículo: quando o painel é o entregável do cargo e você precisa dizer para quem ele serve.
  • Excel avançado no currículo: quando a vaga usa o nível de planilha como critério, e não como sinônimo de digitação.
  • SAP no currículo: quando a vaga nomeia um módulo e você precisa diferenciar o módulo que operou dos demais.
  • Python no currículo: quando a vaga pede automação ou análise e a linguagem aparece como ferramenta principal do cargo.
  • CRM no currículo: quando o cargo depende de manter o funil dentro de um sistema e a vaga diz qual.
  • AutoCAD no currículo: quando o desenho técnico é o produto do trabalho, e não um anexo dele.
  • Figma no currículo: quando a vaga pede protótipo ou fluxo de tela e você precisa mostrar o que entregou.

O que fazer com a lista antes de enviar a próxima candidatura

A regra cabe em uma frase: escolha o núcleo a partir da tarefa de que as outras dependem, escreva o nome exato que a vaga usa e prove cada ferramenta no bullet mais recente. Quem pula essa escolha entrega uma lista longa, com ferramentas que a entrevista vai pedir para explicar, e o currículo perde a clareza de que aquela pessoa faz aquele trabalho.

Cole a vaga em /ats para ver quais das ferramentas dela já aparecem no seu currículo e quais faltam. A análise é gratuita, não pede cadastro e roda na hora, comparando o texto do seu currículo com o texto da vaga que você colar.


Perguntas frequentes

Devo listar uma ferramenta que aprendi só em curso?

Pode, desde que o currículo diga que foi curso e não experiência de trabalho. Coloque a ferramenta na seção de cursos, com o nome da instituição e a carga horária real, e não na lista de habilidades como se fosse uso profissional. Se a vaga pedir experiência, deixe claro que o conhecimento vem do curso e, se possível, mostre um projeto feito com ela.

Se a vaga pede duas ferramentas e eu tenho apenas uma, o que escrevo?

Escreva a que você tem, com o nome exato, e a deixe visível no resumo profissional, porque é a primeira leitura. Não invente a segunda nem escreva algo como conhecimento básico em ferramentas parecidas, porque a entrevista costuma testar justamente a que falta. Se você estiver estudando a outra, diga isso em um curso em andamento, com a data de conclusão real.

Como saber qual é a ferramenta principal de uma vaga?

Procure a tarefa de que as outras dependem. Se o anúncio descreve uma extração de dados que alimenta um painel, a extração é o núcleo e o painel vem depois. Vagas parecidas da mesma área costumam repetir esse núcleo com outras palavras, e comparar duas ou três delas ajuda a confirmar qual ferramenta sustenta o cargo.

O que fazer quando a vaga usa um nome diferente do que eu escrevi?

Escreva primeiro o nome que a vaga usa, porque é o termo que ela procura. Se você conhece o nome atual da mesma ferramenta, acrescente-o entre parênteses, no formato nome da vaga (nome atual). Assim o currículo continua legível para o recrutador e cobre a variação de nome que a vaga pode trazer.

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