CRM aparece em currículo de vendas, marketing, atendimento e customer success, e na maioria das vezes sem o nome da ferramenta nem a função que a pessoa tinha nela. O recrutador que lê a vaga pergunta qual CRM, qual pipeline e qual etapa você mais mexia. Um currículo que escreve CRM e para aí não responde nada disso. Este guia mostra como nomear a ferramenta, descrever o pipeline e escrever a higiene dos dados, para que o currículo de quem usa um CRM de verdade se diferencie de quem só conhece a sigla.
Nomeie o CRM e a função que você tinha dentro dele
Escreva o nome da ferramenta e, logo depois, a função que você exercia. Há três funções comuns, e a diferença entre elas muda o peso da linha. O usuário registra as atividades do dia. O administrador configura campos, etapas, permissões e automações. O dono do pipeline responde pelo número que a carteira entrega.
Antes: Experiência com CRM Salesforce na área comercial.
Depois: Administrei o Salesforce da equipe comercial de 18 vendedores, criei as etapas do funil e os campos obrigatórios por produto, e mantive as permissões de cada gerente de região.
A segunda versão deixa claro que você configurava a ferramenta, o que é mais raro e mais valorizado do que o uso diário. Se você só registrava atividades, escreva “registrava” ou “mantinha” e acrescente o que você fazia com esses registros, como consultar o funil antes de cada reunião.
Pipeline: escreva as etapas e a conversão, não só que você o usava
Um pipeline se descreve pelas etapas e pelo que acontece entre elas. Liste as etapas em uma frase curta e diga quanto da carteira passava de uma para a outra. A lista mostra que você entende o funil, e o número mostra que você o acompanhou.
Antes: Gerenciei o pipeline de vendas no HubSpot.
Depois: Gerenciei um pipeline de seis etapas no HubSpot para uma carteira de 90 contas. Com a revisão da etapa de proposta, a conversão de proposta para venda subiu de 22% para 31% em cinco meses.
A revisão da etapa é a parte que a entrevista vai perguntar. Se a conversão subiu porque você criou um campo que obrigava a registrar o motivo de perda, descreva o campo. Se ela subiu por outro motivo, diga o que você fez de verdade, e não atribua ao CRM uma mudança que veio do time.
Higiene de dados é a competência que quase ninguém escreve
Higiene de dados é o trabalho de manter a base limpa: remover duplicados, padronizar campos, preencher o que é obrigatório e fechar negócios antigos que ninguém atualizou. Quase nenhum currículo escreve isso, e por isso a linha ganha destaque quando aparece com número.
Antes: Mantive a base de contatos atualizada.
Depois: Limpei a base de contatos do CRM, removendo 1.300 duplicados e padronizando o campo de origem do lead, o que permitiu medir de onde vinham as vendas pela primeira vez.
A segunda versão tem uma consequência que o gestor entende, que é poder medir a origem. Se você não tem o número de duplicados, descreva a regra que criou, como um campo de origem obrigatório, e diga o que ela permitiu.
Relatório e previsão: o que o gestor comercial lê
O relatório que mais pesa numa vaga de vendas é o que alimenta uma decisão. Se você montava o relatório semanal de previsão e ele era usado na reunião de pipeline, escreva a reunião e a decisão que ela tomava. Um relatório que ninguém lia não sustenta a linha.
Previsão de vendas é a estimativa do que vai fechar no período. Se você acompanhava a previsão e comparava com o resultado, diga a diferença entre as duas, como o erro de previsão caiu de um mês para o outro. Essa comparação mostra que você olhava o funil com disciplina, e não apenas o alimentava. Se a previsão servia para acompanhar metas, o guia de currículo de consultor de vendas mostra como ligar o pipeline ao resultado da meta.
Marketing e atendimento usam o CRM com outros campos
Em marketing, o CRM organiza o ciclo de vida do contato, de lead a cliente, e as campanhas associadas a cada um. A linha útil mostra a taxa de virada de lead para oportunidade e a origem que mais trazia negócios. O guia de palavras-chave de analista de marketing digital ajuda a conferir os termos que a vaga pede nessa área.
Em atendimento e customer success, o CRM guarda o histórico de cada cliente e os tickets abertos. O número que interessa é o tempo de resposta ou o volume tratado por pessoa, e a ferramenta costuma gerar esses dados sem esforço. O currículo de operador de telemarketing mostra como esse tipo de número entra numa função de atendimento.
Se você só consultava o CRM, escreva isso sem inflar
Nem todo uso é de administração ou de dono de funil, e isso não precisa ser escondido. Se você registrava retornos de clientes e consultava o funil antes das reuniões de carteira, a função é de usuário, e o currículo deve dizer isso com precisão.
Antes: Usei CRM para acompanhar clientes.
Depois: Registrava o retorno de cada cliente no Pipedrive e consultava o funil antes das reuniões de carteira, sem permissão para alterar as etapas.
A segunda versão não promete o que você não fazia, e ainda assim mostra um hábito de trabalho que o gestor procura. Não confunda o CRM de vendas com o CRM de recrutamento, que é outra ferramenta com outra função.
Antes de enviar, confira se a linha de CRM tem fonte
O que o recrutador precisa encontrar é a ferramenta, a função, uma etapa do pipeline e um número ligado a ela. Se a sua linha tem os quatro, ela responde à pergunta que a entrevista faz primeiro. Se não tem, a candidatura fica sem prova, por mais que o CRM apareça na lista de habilidades. Vale conferir o número no relatório da ferramenta antes de escrevê-lo, porque é a primeira coisa que alguém pode pedir para ver. Depois de conferir, cole o texto da vaga na análise gratuita do AjustaCV. Ela não pede cadastro e compara o seu currículo com os termos do anúncio, mostrando quais já aparecem no texto e quais faltam. Se o CRM da vaga não aparece na sua experiência, a diferença fica visível antes de você enviar.
Perguntas frequentes
Preciso saber usar Salesforce para escrever CRM no currículo?
Não. Escreva o CRM que você usou, seja HubSpot, Pipedrive ou outro. O que não pode é escrever Salesforce porque a vaga pede, se você só viu a tela em um treinamento. Os conceitos de funil, etapa e campo obrigatório são parecidos entre as ferramentas, e a entrevista costuma checar esses conceitos antes do nome do produto. Mostre o que você fazia no pipeline, e a ferramenta fica como detalhe.
CRM é a mesma coisa que ATS?
Não. CRM de vendas organiza clientes e negócios em um funil. ATS é o sistema que a empresa usa para receber e triar candidatos. Um currículo de vendas fala de CRM no sentido comercial, com pipeline e conversão. Já a ferramenta que o recrutador usa para filtrar candidatos é outra coisa, e misturar as duas no texto confunde quem lê.
Curso de CRM vale no currículo?
Vale na seção de formação, com o nome do curso, a instituição e a carga horária. Certificado de curso oficial do fabricante pode entrar como certificação, desde que você tenha concluído a avaliação. Um curso sem uso prático, porém, mostra que você estudou a ferramenta e não que a usou no trabalho. Se o curso for a sua única experiência com CRM, deixe isso claro.
Quantos números colocar sobre o CRM em uma experiência?
Dois ou três bastam, escolhidos entre volume de contatos, taxa de conversão por etapa e tamanho da carteira. Um número só, como carteira de 90 contas, mostra escala, mas não resultado. Dois números, como o antes e o depois da conversão de proposta para venda, mostram o que você fez. Escolha os que você consegue explicar a partir do relatório da ferramenta.
Posso escrever CRM se eu só usava uma planilha de clientes?
Planilha de acompanhamento não é CRM, e o recrutador de vendas reconhece a diferença. Descreva a planilha pelo que ela fazia, como acompanhar etapas de negociação e retornos de clientes, e não a chame de CRM. Se a planilha tinha etapas, datas e responsáveis, ela já mostra disciplina de funil, e isso vale mais que um nome de ferramenta que você não operou.
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