ERP aparece em currículo de administrativo, financeiro, logística e compras, quase sempre como uma palavra solta. Quem lê a vaga da área quer saber qual sistema você usou, em qual módulo e com que tarefa. Um currículo que escreve ERP e para aí não responde nenhuma dessas perguntas. Este guia mostra como citar o sistema, o módulo e o verbo exato do que você fez, seja no TOTVS, no SAP ou em outro ERP, sem transformar uso de rotina em implantação.
ERP sozinho não diz nada: escreva o sistema e o módulo
Escreva o nome do sistema e do módulo em que você trabalhou. O módulo é a parte do ERP que responde a uma área, como faturamento, financeiro, compras, estoque ou folha. Com o nome dele, o recrutador sabe se você lidou com contas a pagar ou com a cadeia de suprimentos, e a sigla ERP deixa de ser uma palavra de enfeite.
Antes: Experiência com ERP e rotinas do sistema.
Depois: Emissão de notas fiscais e conciliação de contas a receber no TOTVS Protheus, nos módulos de faturamento e financeiro, para uma distribuidora com cerca de 1.200 pedidos por mês.
A segunda versão não cita o nome do cliente, e não precisa. Os números da operação, como o volume de pedidos, mostram a escala do trabalho sem expor a empresa. Se o nome do sistema é confidencial por contrato, o módulo e a tarefa já bastam.
Usuário, parametrizador ou implantador: qual verbo é o seu?
O verbo deve corresponder ao nível em que você trabalhou no sistema. Há três níveis comuns, e o recrutador reconhece a diferença entre eles pela escolha das palavras.
- Usuário.Você operava o sistema nas rotinas do dia a dia, como emitir notas, lançar pagamentos ou dar entrada no estoque. O verbo certo é “operei” ou “registrei”, e não há nada de errado nisso, porque a maior parte das vagas é de usuário.
- Parametrizador.Você definiu as regras do sistema, como tabelas de preço, tributos cadastrados, fluxo de aprovação de compras por valor ou perfis de acesso. O verbo é “parametrizei” ou “configurei”, sempre com o que foi configurado.
- Implantador.Você participou da entrada do sistema em operação, com migração de dados, testes, treinamento dos usuários e suporte depois do início. O verbo é “participei da implantação” ou “conduzi”, e só cabe se você fez alguma dessas partes.
Antes: Configurei o TOTVS para a equipe financeira.
Depois: Parametrizei a aprovação de pagamentos por alçada de valor no TOTVS Protheus, com três níveis de aprovação, e treinei seis analistas no novo fluxo antes da virada.
A primeira versão usa um verbo que pode significar qualquer coisa. A segunda diz qual regra você criou e quem você treinou, e essas são perguntas que a entrevista faz.
Quanto de uso mostrar: usuários, filiais e volume
Escala é a informação que separa uma linha de sistema de uma linha genérica. Diga quantos usuários dependiam do módulo, quantas filiais ou unidades ele atendia e qual era o volume de tarefas por mês. São três números que você sabe ou consegue levantar com um relatório do próprio sistema.
Se o volume for confidencial, use a frequência. Uma rotina diária ou semanal, dita com clareza, já informa o peso do trabalho. “Fechei a folha de pagamento de 140 funcionários todo mês” é uma frase que o recrutador entende sem precisar de mais dados.
E quando a vaga pede outro sistema, como SAP, se você conhece o seu?
Não troque o nome do sistema para bater com a vaga. O currículo deve descrever o que você usou. Se a vaga pede SAP e você trabalhou com Protheus, a linha correta é Protheus, com a tarefa, e a aproximação entre os dois fica para a conversa. Se você de fato trabalhou com SAP, o guia de SAP no currículo mostra como citar módulo, transação e tempo de uso.
Há um passo útil entre a troca de nome e o silêncio. Escreva na linha o conceito que vale nos dois sistemas, como ciclo de compras, conciliação bancária ou contas a pagar, desde que você tenha feito a tarefa. O recrutador vê que a base existe, e o nome do sistema continua verdadeiro. O guia de currículo de assistente administrativo mostra como organizar esse tipo de tarefa em uma função de rotina.
Sistema interno e planilha integrada: o que descrever
Nem toda empresa roda um ERP de fornecedor grande, e muitas operações controlam compras e estoque em um sistema próprio. Descreva esse sistema pelo que ele faz, como controle de estoque com entrada e saída por nota ou compras com aprovação por e-mail, em vez de chamá-lo de ERP.
A regra vale também para planilhas conectadas a um banco de dados. Se o seu trabalho foi montar a planilha que alimentava o controle de estoque, escreva isso. Quem lê o currículo de estoquista ou almoxarife encontra o guia de estoquista e almoxarife com esse tipo de sistema descrito em detalhe.
Onde entram os cursos e as certificações de ERP
Curso de ERP entra na seção de formação, com instituição e carga horária. Certificação do fabricante entra na seção de certificações, mas só se você fez a prova e foi aprovado. Um curso que você ainda está fazendo deve aparecer como em andamento, e não como concluído.
Se a vaga da área de pessoal pede o sistema de folha que você usou, o caminho é o mesmo de qualquer outro módulo. O currículo de departamento pessoal mostra como escrever a folha com volume e prazo sem depender do nome do sistema.
Por que o módulo errado derruba a candidatura
Um currículo que promete ERP financeiro, mas descreve só cadastro de clientes, cria um problema na triagem e na entrevista. A triagem compara o texto com a vaga, e a entrevista confirma o que está escrito. Quando o módulo da linha não bate com o que você sabe fazer, a conversa termina antes de começar.
Por isso o módulo deve ser o que você operou de fato, mesmo que seja menor do que o da vaga. Uma experiência honesta em compras, com um módulo claro, é mais forte que uma lista de sete módulos que você só viu de longe.
Antes de enviar, cole o texto da vaga na análise gratuita do AjustaCV. Ela não pede cadastro e compara o seu currículo com os termos do anúncio, mostrando quais já aparecem nele e quais faltam. Se o sistema que a vaga exige estiver na lista de faltantes, confira primeiro se você o usou de fato. Se não usou, a candidatura pode continuar pelo que você sabe fazer, sem o nome que não lhe pertence.
Perguntas frequentes
Preciso escrever o nome do ERP se a vaga não pede?
Escreva se você usou o sistema no dia a dia, mesmo que a vaga não cite o nome. Uma linha que diz só “sistema ERP” é o tipo de frase que o recrutador ignora. Se a experiência foi em um sistema com nome, como TOTVS Protheus ou SAP, o nome é a informação mais concreta que você tem para mostrar. Não cite um sistema que você não usou, porque a primeira pergunta técnica expõe a diferença.
Posso colocar ERP em uma linha só, como habilidade?
Pode, mas a linha só vale como resumo. A habilidade precisa aparecer também na experiência, descrita com o módulo e a tarefa. Uma lista de habilidades com ERP e nenhuma linha de emprego que o comprove não convence quem lê. O mais útil é uma linha de habilidade curta, como ERP com módulo financeiro, e a descrição completa dentro do emprego em que você fez o trabalho.
Curso de TOTVS ou de SAP vale no currículo?
Vale na seção de formação, com o nome do curso, a instituição e a carga horária. Não vale como experiência. Se você fez um curso oficial do fabricante e tem certificado, pode citar a certificação, desde que a tenha de fato. Um curso sem uso prático é uma base de estudo, e a entrevista costuma separar bem quem só assistiu aulas de quem configurou o sistema.
Sistema interno da empresa conta como ERP?
Conta, mas descreva o que ele faz em vez de chamá-lo de ERP. Um sistema interno que controla compras, estoque e pagamentos merece uma frase sobre essas funções. Se ele roda em planilhas ligadas a um banco de dados, escreva isso com honestidade. Quem lê o currículo prefere uma descrição precisa a um nome que soa grande e que a entrevista não sustenta.
Como escrever SAP se só tive contato com ele em treinamento?
Treinamento não é experiência de sistema. Escreva o curso na seção de formação, com carga horária e instituição. Se a vaga exige o sistema como requisito, diga no currículo o que você fez no treinamento, como registrar um pedido de compra simulado, e não sugira uso em rotina de trabalho. Assim você mostra a base sem inflar a experiência.
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