Quem escreve Power BI no currículo e para aí fica na mesma posição de quem escreve Excel: a palavra existe, a vaga pede, e ninguém sabe o que a pessoa fez com ela. Power BI no currículo ganha peso quando mostra o que foi construído: quais camadas você montou, quais medidas escreveu, quem abria o painel e qual decisão ele sustentou. Este guia mostra como escrever cada parte com fatos que você consegue defender numa entrevista.

Quais camadas do Power BI você fez, e quais só viu de longe?

Escreva as camadas que você realmente montou. Power BI tem quatro partes que o recrutador reconhece, e cada uma diz um tipo diferente de trabalho.

  • Power Query. É a etapa de limpar e juntar as fontes antes do painel, como unir uma planilha de vendas ao cadastro de clientes e tratar datas que chegam em formatos diferentes. Diga quais fontes você juntou, e não só que usou o editor.
  • Modelo de dados. São as relações entre tabelas de fatos e de dimensões, geralmente num esquema estrela. Cite o modelo quando você criou as relações. Arrastar um campo para um gráfico não conta como modelagem.
  • Medidas em DAX. São cálculos que mudam conforme o filtro, como receita do mês ou taxa de cancelamento por plano. A seção seguinte explica como escrevê-las.
  • Segurança e publicação. A segurança em nível de linha (RLS) define o que cada grupo enxerga. A publicação no serviço, com atualização agendada, ou pelo gateway quando a fonte fica na rede da empresa, mostra que o painel saiu do arquivo e passou a ser usado.

Você não precisa ter feito as quatro. Um analista de controladoria que montou o modelo e publicou o painel, sem escrever medida complexa, tem um currículo honesto com essas duas camadas. O que não funciona é listar as quatro quando só uma foi feita.

Como escrever uma medida em DAX sem virar lista de funções?

Cite a medida pelo que ela calcula, e o nome da função só quando ela foi a parte difícil. Um recrutador entende “taxa de cancelamento por plano” sem ajuda. Uma lista de funções sem contexto não diz o que você resolveu.

Antes: Criei medidas em DAX com CALCULATE, SUMX e FILTER.

Depois: Criei a medida de receita recorrente por cliente, com filtro de período, para o painel de retenção da diretoria comercial, com 18 medidas no total.

A segunda versão diz o que a medida responde. Se a vaga pede DAX, a função entra depois do resultado, como explicação: “com CALCULATE para ignorar o filtro de mês no total anual”. O resultado vem primeiro e a técnica depois.

Quem abre o painel, e qual decisão ele sustentou?

Um painel sem usuário e sem decisão é só um arquivo. A linha do currículo precisa dizer quem o usava e o que mudou por causa dele, porque é isso que separa quem montou o painel de quem só o abriu.

Antes de escrever a linha, responda três perguntas: quem abre o painel (a diretoria, o time de vendas, você mesmo), com que frequência, e qual decisão ele embasou. Se a última resposta for “nenhuma”, procure a mais próxima, como uma reunião que ficou mais curta porque os números já estavam no painel, ou um erro de cadastro que passou a aparecer antes do fechamento. Em RH, o mesmo painel vira indicador de turnover ou de absenteísmo, e o caso de currículo de people analytics mostra como escrever essa versão. Se o painel acompanhava metas trimestrais da área, o guia de OKRs no currículo mostra como escrever o resultado-chave que ele media.

Antes: Desenvolvimento de dashboards no Power BI para acompanhamento de indicadores.

Depois: Painel de inadimplência usado pela gerência financeira toda segunda-feira para decidir quais contratos seguem para cobrança. O prazo médio de recebimento caiu de 52 para 41 dias em seis meses.

A segunda linha tem um número, um usuário e um intervalo de tempo. Não precisa de adjetivo. Se o número for confidencial, escreva a variação em percentual, ou descreva o efeito sem cifra.

A certificação PL-300 entra no currículo, e como escrevê-la?

A certificação oficial da Microsoft para Power BI é a Microsoft Certified: Power BI Data Analyst Associate, obtida com o exame PL-300, de nível intermediário. A página oficial da certificação descreve o que o exame cobre.

Escreva o nome da certificação ou a sigla PL-300 na seção de certificações, com a Microsoft como emissora. Só escreva como certificado se fez o exame e foi aprovado. Se você estudou pela trilha oficial sem ter feito a prova, a linha correta é formação ou trilha concluída. Dizer que tem a certificação, sem tê-la, é o tipo de frase que a verificação na entrevista desfaz.

Se a certificação aparece como requisito literal da vaga, confirme antes se ela é obrigatória ou apenas desejável. O guia sobre como comprovar um requisito obrigatório mostra como tratar esse caso sem forçar a palavra.

E quando você só manteve um painel que outra pessoa criou?

Escreva o que foi seu. Atualizar uma fonte, corrigir uma medida, criar um filtro novo ou manter a atualização diária são trabalhos reais, e o recrutador entende a diferença entre manter e criar.

Antes: Trabalhei com relatórios de Power BI da área.

Depois: Mantive o painel de estoque de três centros de distribuição. Corrigi a atualização diária, que falhava quando a senha da fonte expirava, e incluí o filtro de validade pedido pela operação.

Se você nunca publicou nada, o caminho é um projeto próprio. Pegue uma base pública, faça a limpeza no Power Query, monte o modelo, escreva três ou quatro medidas que respondam a uma pergunta real e publique o painel. O ponto aqui é outro: o projeto só conta se você consegue explicar cada medida em voz alta. O que fazer com ele no currículo está no guia de currículo de analista de dados.

Quais linhas de Power BI conferir antes de enviar?

A linha que mais pesa é a que diz o que o painel fez e para quem: a camada, a medida, o usuário e a decisão. Sem ela, o painel existe para você e não para quem lê o currículo. Antes de enviar, copie da vaga o que ela pede sobre Power BI, como DAX, modelagem, publicação ou certificação, e confira se cada item tem uma frase de experiência que o prove. Se faltar algum, decida se a candidatura ainda faz sentido.

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Perguntas frequentes

Preciso saber DAX para colocar Power BI no currículo?

Só se a vaga pede modelagem ou cálculo. Para um painel de acompanhamento, o que mais pesa é o modelo de dados e a publicação. Se você escreveu medidas, cite-as pelo que calculam, como margem por canal ou taxa de cancelamento. Se usou só visualizações prontas e filtros, não escreva DAX como se fosse seu, porque na entrevista a pergunta costuma ser como você chegou ao número de uma medida, e quem não escreveu não consegue explicar.

Curso de Power BI vale colocar no currículo?

Vale, na seção de formação ou de cursos, com a instituição e a carga horária, desde que você já tenha feito pelo menos um painel com o que aprendeu. Um curso sem painel próprio mostra só a matrícula. Se ainda está cursando, escreva que está cursando, e não que concluiu. Quando a vaga pede Power BI como requisito, o curso ajuda, mas é a linha de experiência que comprova.

Um painel feito só em Excel conta como Power BI?

Não. Painel com tabela dinâmica e gráfico em planilha é Excel, e a vaga de Power BI pergunta sobre modelo, medidas e publicação. Se o seu trabalho foi em Excel, descreva-o como Excel e cite o painel como resultado. Trocar o nome da ferramenta para bater com a vaga é o tipo de ajuste que a primeira pergunta técnica desfaz.

Posso escrever Power BI como nível avançado?

Pode, se o trabalho exige. Avançado se prova pela complexidade: um modelo com mais de uma tabela de fatos, medidas que mudam com o contexto de filtro, segurança em nível de linha e atualização automatizada. Se você cria painéis com modelo simples e medidas básicas, escreva intermediário. O nível que o recrutador confere é o que você consegue explicar.

Quando a vaga pede Power BI e Excel, qual escrever?

Os dois, se você usa os dois, mas em linhas diferentes. Excel é a planilha que você monta antes de chegar ao painel, ou a análise de um caso pontual. Power BI é o painel que se atualiza sozinho e que outras pessoas consultam. Escrever os dois na mesma frase, como Power BI e Excel avançado, não diz qual deles você usou para quê.

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