Em muitos currículos, o Figma aparece como uma palavra ao lado de Canva e Photoshop. O recrutador que abre um arquivo de design, porém, procura telas, componentes e protótipos, e quer saber o que você fez em cada um. Escrever Figma no currículo é descrever essas entregas e também o uso da ferramenta para validar ideias com o time, que vale para quem não é designer. Os exemplos abaixo mostram o texto de cada etapa e o limite do que pode ser escrito.
Quais etapas do trabalho com Figma você executou?
Um arquivo do Figma pode conter etapas muito diferentes, e cada uma diz um tipo de trabalho. Escreva as que você fez, e não o arquivo inteiro.
- Esboço e fluxo. São as telas em baixa fidelidade que mostram a ordem das ações antes de qualquer cor ou fonte. Cite quando você desenhou o fluxo de uma funcionalidade, porque é o trabalho que define o resto.
- Componentes e sistema de design. São os elementos que se repetem, como botões, campos e cartões, organizados numa biblioteca. Cite a biblioteca só se outras telas passaram a usá-la.
- Protótipo. São as telas ligadas por interações para simular o uso. Cite o protótipo quando ele foi usado para testar algo, e não apenas para apresentar uma tela bonita.
- Entrega para o desenvolvimento. É o arquivo com medidas, estados e regras que o desenvolvedor consegue implementar sem perguntar tudo. Cite as especificações que você documentou.
Se a sua função era de uma etapa só, escreva só ela. Um desenhista cadista que montou telas de um sistema de cadastro no Figma, sem fazer protótipo nem biblioteca, tem uma experiência honesta de desenho de telas. Para comparar a linha com a vaga, use as palavras-chave de designer UX/UI. Se o seu trabalho é de experiência de usuário, o guia de currículo de UX designer cuida do que o portfólio precisa mostrar. Se o seu trabalho foi mais de peças gráficas que de telas, o guia de currículo de designer gráfico trata desse caso.
Como descrever um design system que você realmente manteve?
Design system é uma biblioteca de componentes que várias telas e equipes aplicam sem redesenhar. A linha só se sustenta se outras pessoas usaram o que você montou. Diga quantos componentes existem, quais estados eles cobrem e quem os consome.
Antes: Criei um design system no Figma para o produto.
Depois: Organizei 46 componentes numa biblioteca compartilhada, com variantes para estados e tamanhos. Três equipes de produto passaram a montar as telas novas com esses componentes, em vez de copiar telas antigas.
Se você só aplicou um design system que já existia, escreva “apliquei o design system da empresa”, e acrescente o que você fez com ele, como criar um componente novo que faltava. Não reivindique a biblioteca inteira como sua.
O protótipo serviu para testar, ou só para mostrar?
Protótipo é teste de fluxo. Uma tela alta fidelidade sozinha mostra gosto visual, e o recrutador de produto pergunta o que o protótipo descobriu. Se você testou com pessoas, descreva o número de testes e o que mudou por causa deles.
Antes: Fiz protótipos de alta fidelidade para o cadastro.
Depois: Prototipei o cadastro em duas versões e testei com seis pessoas que nunca tinham usado o serviço. A validação no campo, e não só no envio, reduziu os abandonos observados no teste, e a versão escolhida foi a que seguiu para o time de desenvolvimento.
Se você não testou, escreva o protótipo como ferramenta de alinhamento e diga com quem alinhou. Não escreva que o teste validou uma hipótese que ninguém testou.
Como escrever a entrega para o desenvolvimento sem jargão?
O handoff é a entrega que o desenvolvedor consegue usar sem chamar você a cada tela. Descreva o que ele recebeu: medidas, espaçamentos, estados de erro e vazio, comportamento em telas menores e a forma de nomear os componentes. Quem trabalhou com a aba de desenvolvimento do Figma pode citar isso, desde que tenha de fato entregue por ela.
Antes: Entreguei os arquivos para o time de desenvolvimento.
Depois: Documentei os estados de erro, vazio e de carregamento de 12 telas do painel financeiro no próprio arquivo, e reduzi as perguntas de implementação que chegavam ao time a uma por sprint.
O número é uma estimativa de quem acompanhou o time. Se você não tem contagem, descreva a entrega, sem o número. Um desenvolvedor que lê a linha vai perguntar o que foi documentado, e a resposta precisa caber na sua memória. Se a entrega incluiu contraste e ordem de foco, o tema tem um guia próprio, o de acessibilidade digital no currículo.
E se você não é designer, mas usa o Figma no trabalho?
Gerentes de produto, analistas de negócio e pessoas de atendimento usam o Figma para desenhar uma tela e levar a ideia ao time. Esse uso conta quando há uma decisão associada. Descreva a ferramenta com o resultado dela: uma proposta que foi validada, uma mudança aprovada, uma dúvida resolvida antes de a equipe começar a codificar.
Antes: Usei o Figma para apresentações.
Depois: Prototipei a nova tela de agendamento para validar o fluxo com a equipe de atendimento antes de pedir a implementação. A equipe apontou duas etapas desnecessárias, que saíram do fluxo final.
Essa linha é honesta porque o trabalho existiu e teve efeito. Não escreva que você é designer se a sua função principal é outra. Se a vaga pede protótipo como requisito, a linha correta é a que mostra o uso real.
O que conferir no Figma do currículo antes de enviar?
Cada linha sobre Figma responde a três perguntas do recrutador: em que etapa você trabalhou, o que saiu dela e onde ele pode ver o resultado. Se a última resposta for nenhuma, a linha ainda pode ficar, desde que a descrição seja algo que você sustenta numa conversa de vinte minutos. Não declare um nível que não consegue demonstrar.
Copie da vaga os termos de design que ela pede, como protótipo, componentes, handoff, testes com usuários ou sistema de design, e marque os que você já praticou. Depois cole a vaga e o currículo na análise gratuita do AjustaCV, sem cadastro, e veja quais desses termos o texto já traz e quais estão ausentes. Os que faltarem pedem um projeto pequeno, e não uma linha inventada.
Perguntas frequentes
Preciso de certificação para colocar Figma no currículo?
Não. O Figma é citado pelo trabalho que você fez nele, e não por um certificado. Escreva o que construiu: telas, componentes, protótipos ou a entrega para o desenvolvimento. Se houver uma certificação que você de fato concluiu, escreva o nome exato e a instituição emissora. Mas ela só complementa a experiência, nunca a substitui.
Como colocar Figma no currículo sem experiência profissional?
Com um projeto de redesenho de um aplicativo que você usa. Desenhe o fluxo principal, monte o protótipo com as telas conectadas, teste com três ou quatro pessoas e registre o que mudou depois do teste. Na linha, diga o aplicativo, o fluxo e o número de testes. Deixe o arquivo público para que o recrutador possa abrir, e lembre que ele precisa estar organizado.
Modelo de currículo feito no Figma é uma boa ideia?
Para o currículo que vai para o sistema de triagem, não. Modelos com texto dentro de imagens, colunas e formas são difíceis de ler para qualquer leitor automático. Use um arquivo com texto selecionável, e reserve o visual do Figma para o portfólio, que é lido por uma pessoa.
Figma ou outra ferramenta de design: qual escrever no currículo?
Escreva a que você usou no trabalho. Se a vaga pede Figma e você trabalhou com outra ferramenta, diga qual usou e que o fluxo é parecido, sem trocar o nome para bater com o anúncio. A primeira pergunta técnica sobre componentes ou protótipos revela a diferença.
Quais níveis de Figma devo escrever?
Básico, se você desenha telas e exporta arquivos. Intermediário, se monta protótipos e usa componentes. Avançado, se mantém uma biblioteca compartilhada com variantes e layout automático, ou se organiza a entrega para o desenvolvimento. O nível se prova pelo que você consegue explicar sobre a biblioteca ou o protótipo, e não pelo tempo de uso.
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