AutoCAD aparece no currículo de engenheiro, arquiteto, desenhista e técnico como item de uma lista de softwares, e o recrutador lê a palavra como sinal de que você sabe abrir o programa. A vaga, porém, pede outra coisa: que tipo de desenho você entrega, em que volume e com qual norma. Este guia mostra como escrever o AutoCAD com esses três dados, para que o currículo responda o que a vaga pergunta.
Escreva o tipo de desenho antes de escrever o nome do programa
O tipo de desenho diz o que você sabe fazer melhor do que o nome do software. Uma planta baixa de reforma exige outra habilidade que um detalhamento de ferragem, e o recrutador separa os dois na leitura.
- Plantas, cortes e fachadas. O desenho arquitetônico básico de uma edificação. Cite o tipo de edificação e a fase do projeto, como estudo preliminar ou projeto executivo.
- Detalhamento. Desenhos de execução de elementos específicos, como esquadrias, armaduras ou instalações. A vaga de obra costuma pedir esse termo, e ele diz mais que a palavra desenho.
- Layout e arranjo de máquinas. Comum em indústria, em engenharia de processos e em manutenção, quando o desenho mostra a linha de produção ou o posicionamento de equipamentos.
- Modelagem 3D. Peças ou ambientes em três dimensões, com ou sem renderização. Escreva a modelagem só se você fez modelos, porque 2D e 3D são trabalhos diferentes.
Antes: AutoCAD (avançado).
Depois: Plantas, cortes e detalhamento executivo de reformas residenciais e comerciais em AutoCAD, com cotas, legendas e quadro de áreas conforme o padrão do escritório.
Se você é desenhista, a diferença entre cadista e projetista muda o que vai à frente da linha. O guia de currículo desenhista projetista explica essa escolha, e este aqui cuida da frase do programa em si.
Volume de pranchas é o número que prova que você desenhou de verdade
Quantas pranchas você entregou, por mês ou por projeto, é a informação que separa quem desenhou de quem abriu o arquivo para revisar. Não precisa ser um número exato. Um intervalo honesto, como cerca de 30 pranchas por mês, serve, desde que você consiga reconstituir a conta na entrevista.
Conte pelo que foi entregue, e não pelo que foi aberto. Uma prancha que foi revisada três vezes conta como uma. Um projeto com doze folhas conta como doze, e você pode citar o total.
Antes: Experiência com desenho técnico em AutoCAD.
Depois: Entreguei em média 30 pranchas por mês de projetos de edificações residenciais, com revisão final antes do envio à prefeitura.
Normas entram pelo número, e só quando você aplicou a norma
Cite a norma pelo número quando ela apareceu no seu trabalho. A NBR 6492 trata da representação de projetos de arquitetura, e a NBR 10068 cuida do leiaute e das dimensões da folha de desenho. Se você seguiu uma delas na rotina, o número é a prova, e dispensa adjetivo.
O erro é listar normas que você apenas estudou. Escrever “conhecimento em normas ABNT” sem número não diz nada, e escrever o número de uma norma que você nunca aplicou é o tipo de frase que a entrevista desfaz com uma pergunta sobre a escala. Se você conhece a norma de um curso, a linha certa está na formação.
Antes: Conhecimento em normas ABNT de desenho.
Depois: Desenhos seguindo a NBR 10068 para o leiaute e as dimensões da folha, e a NBR 6492 para a representação de projetos de arquitetura, em todas as entregas da equipe.
Versão do programa e nível se escrevem pelo trabalho, não pela sensação
O nível de AutoCAD é a parte mais discutida do currículo, e a mais subjetiva. Por isso, defina o nível pelo que você fez, e não pelo que sente. Quem desenha com comandos simples e revisa com ajuda está no básico. Quem organiza camadas, blocos e cotas sozinho e entrega com escala certa está no intermediário. Quem monta modelos padrão ou automatiza partes do desenho está no avançado.
A versão do programa raramente é o que decide a vaga. Escreva o nome do software e a versão só se a vaga pedir, e use a versão que você domina. A conversa na entrevista vai para os comandos e para o fluxo de trabalho, e não para o número da release.
Projeto de faculdade ou pessoal entra quando tem escopo e entrega
Um projeto acadêmico ou pessoal pode servir de experiência quando você consegue descrever o que foi entregue. O que conta é o escopo: o imóvel ou equipamento desenhado, o número de pranchas e o tipo de desenho. Uma frase com essas três partes vale mais do que um título de projeto genérico.
Antes: Projeto de conclusão de curso em AutoCAD.
Depois: Projeto executivo de uma casa de 120 m² para a disciplina de projetos, com 14 pranchas de plantas, cortes, fachadas e detalhes de esquadria, entregues no padrão da turma.
Se o projeto tem arquivo que você pode mostrar, vale incluir o link no cabeçalho do currículo. A pergunta de quem lê é se o desenho existe, e um arquivo publicado responde isso melhor que qualquer frase. Se o desenho veio de uma linha de produção, o guia de currículo de engenheiro de processos e qualidade mostra como descrever a entrega nesse caso.
AutoCAD sozinho não cobre BIM, e a vaga que pede BIM precisa de outra linha
Quando a vaga pede BIM, o AutoCAD não é a resposta completa. BIM é um processo de modelo de informação, e o programa que o representa é outro. Se você só desenha em 2D e a vaga pede BIM, não escreva BIM na linha do AutoCAD. Descreva o 2D que faz, e cite BIM só se tiver usado.
Se você tem experiência com modelagem em outro programa, descreva essa experiência separada. Uma frase que diga o que foi modelado e para qual entrega vale mais que a lista de softwares. Para o caminho de quem está migrando de desenho para projeto, o guia de currículo técnico em edificações mostra como organizar essa passagem.
O que fazer agora com a linha do AutoCAD
A linha que vale diz o tipo de desenho, o volume e a norma que você aplicou. Sem isso, o AutoCAD vira um item de lista que qualquer pessoa que já abriu o programa poderia escrever, e a entrevista fica com a pergunta sobre o que você entregou. Antes de enviar, pegue a vaga e marque cada termo de desenho que ela pede: planta, detalhamento, 3D, BIM, norma. Depois, cole o texto da vaga e o currículo na análise gratuita do AjustaCV. Ela não pede cadastro e mostra quais termos da vaga o currículo já tem e quais faltam. Para o que faltar, escreva só o que você fez, e, se for o caso, o guia de palavras-chave de engenheiro civil ajuda a conferir os termos da sua área.
Perguntas frequentes
Preciso citar a versão do AutoCAD no currículo?
Só se a vaga pedir a versão, e nesse caso escreva a que você realmente usou no dia a dia. Não é preciso citar ano nem número de release. O recrutador quer saber se você lida com camadas, blocos, cotas e escalas, e isso aparece melhor na descrição do trabalho do que numa numeração. Se você conhece mais de uma versão, escreva só a principal.
AutoCAD em 2D basta para vaga de engenharia?
Depende da vaga. Em muitas funções de obra e de projeto executivo, o desenho bidimensional é o trabalho principal, e isso é uma competência real. Quando a vaga pede modelagem 3D ou BIM, o 2D não cobre o pedido, e a linha precisa dizer o que você fez em 3D, ou não escrever que faz. Escreva o tipo de desenho que você entrega, sem puxar a sua experiência para um termo que ela não cobre.
Curso de AutoCAD conta como experiência?
Não como experiência. O curso entra na seção de formação, com a instituição e a carga horária. Para contar como experiência, ele precisa ter virado desenho entregue: uma planta de reforma feita para um conhecido, um projeto de faculdade com escopo definido ou um exercício de detalhamento que você consegue explicar. Cite o escopo, como o número de pranchas e o tipo de desenho.
Como escrever o nível de AutoCAD: básico, intermediário ou avançado?
Pelo que você fez, e não pela sensação de domínio. Básico quando você desenha com comandos simples e revisa com ajuda. Intermediário quando organiza camadas, blocos e cotas sozinho e entrega com a escala certa. Avançado quando monta modelos padrão, automatiza partes do desenho ou ensina outros. Se a vaga pede avançado e você está no intermediário, escreva o que faz e deixe a decisão para o recrutador.
Como o ATS trata AutoCAD junto com outros programas de CAD?
Cada programa é lido como um termo. Por isso, escrever AutoCAD, SolidWorks e Inventor na mesma linha não diz qual deles você usa para quê. Separe por tipo de trabalho: o programa de desenho 2D numa linha, o de modelagem 3D na outra, com o que cada um produziu. Assim a vaga encontra cada termo no contexto em que você o usou.
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