Quem operou o RD Station no dia a dia costuma colocar a ferramenta no currículo como uma palavra na lista de habilidades, e pronto. O recrutador lê “RD Station” e não sabe se você disparava e-mails em lote ou se desenhou um fluxo que alimentou o time de vendas durante meses. Este guia mostra como transformar o que você fez na ferramenta em linhas que dizem o quê, para quem e com que resultado, sem inflar o que não aconteceu.

Descreva o fluxo de automação com gatilho, condição e ação

Descreva o fluxo em três partes: o gatilho que o iniciava, a condição que separava um caminho do outro e a ação que ele executava no fim. Um fluxo de automação é a sequência que a ferramenta roda sozinha quando alguém entra numa lista, abre um e-mail, clica num link ou preenche um formulário.

Antes:“Experiência com automação de marketing no RD Station.”

Depois:“Montei o fluxo de boas-vindas para três listas de leads: quem baixava um material recebia cinco e-mails em oito dias, e quem não abria o terceiro saía para a lista de reengajamento.”

A segunda versão mostra que você pensou em caminhos, e não só em disparos. Se o fluxo era de outra pessoa e você apenas ajustava um texto, escreva o ajuste. O recrutador prefere uma linha verdadeira e pequena a uma linha grande que a entrevista desmonta.

Para conferir os termos que a sua área costuma usar, veja a página de palavras-chave do analista de marketing digital. Quando a vaga chama o mesmo fluxo por outro nome, espelhe o nome dela.

Lead scoring só conta quando a regra de pontuação aparece na linha

A linha precisa dizer quem definiu a regra e o que a pontuação significava na prática. Pontuação de leads, ou lead scoring, é a soma de pontos que a ferramenta dá a cada ação: abrir um e-mail vale pouco, pedir uma demonstração vale muito. Quem apenas viu o número subir não tem a história da decisão. Quem definiu os pesos tem.

Antes:“Trabalhei com lead scoring.”

Depois:“Defini a pontuação de leads com o time comercial: visita à página de preços somava 20 pontos, pedido de demonstração somava 50, e o lead passava para vendas ao chegar a 80.”

Se a regra foi escrita por outra área e você só a aplicava, diga isso com as palavras certas: aplicava a pontuação e acompanhava quem a atingia. Operar uma regra também é trabalho. O problema é atribuir a si a decisão que não foi sua.

Páginas e formulários da ferramenta: escreva a função de cada um no funil

Escreva para que cada página ou formulário servia, e não só que você os publicou. O RD Station publica páginas de captura e formulários ligados à lista de contatos. A ferramenta é o meio. O que o recrutador quer saber é quem a página captava e com que oferta.

Testes e taxa de conversão dessas páginas são assunto do post sobre landing pages no currículo, e vale ler antes de escrever essa parte.

Antes:“Criei landing pages no RD Station.”

Depois:“Publiquei a página de captura do checklist de entrevistas, ligada a uma lista de candidatos, com formulário de três campos e confirmação automática por e-mail.”

Se você publicou várias páginas, liste as duas ou três que tiveram função diferente. Duas páginas quase iguais contam como uma, e a segunda linha só enfraquece a primeira.

Volume de leads precisa de período, origem e o que aconteceu depois

Escreva o volume com o período e a origem, e acrescente o destino dos leads. Um número solto não diz nada sobre você. Um número com período e origem diz quanto você produziu e de onde veio. A parte que separa quem operou de quem gerenciou é o caminho desses leads: quantos seguiram para a etapa seguinte e por qual caminho.

Antes:“Gerei milhares de leads.”

Depois:“Gerei 1.240 leads em seis meses por campanhas de busca e de conteúdo; 310 deles avançaram para contato com vendas, a partir de uma régua de nutrição que eu desenhei.”

Se você não sabe quantos leads a operação gerou, não arredonde para parecer grande. Escreva o que acompanhava, por exemplo, o volume semanal do formulário principal. É verdade, e você consegue sustentar na entrevista. Para o caminho de conteúdo que trazia esses contatos, veja o post sobre marketing de conteúdo.

A passagem de MQL para SQL só entra no currículo com a definição de cada etapa

Escreva a taxa entre as duas etapas somente se você sabe quem definiu cada uma e como a passagem era registrada. Na ferramenta, um lead muda de etapa quando a pontuação ou uma ação o empurra para lá. Essa é a etapa de marketing qualified lead, o MQL. Quando o time comercial aceita o lead como oportunidade, ele vira SQL.

O conceito e o modo de montar essa definição estão no post sobre inbound marketing no currículo. Aqui fica a parte que cabe à ferramenta.

Antes:“Taxa de conversão de MQL para SQL.”

Depois:“Acompanhei a passagem de MQL para SQL com o time comercial: de 180 leads qualificados, 54 viraram oportunidades nas duas semanas seguintes ao primeiro contato, com a etapa atualizada no CRM.”

Se você não tinha o número, não invente uma taxa. Escreva o processo: quem decidia a passagem, com que frequência o time conferia e onde o registro ficava. O registro no CRM, com campos e etapas, tem o seu próprio guia, em CRM no currículo.

Se você montou a operação do zero, escreva as decisões e não só os cliques

Quem configurou a conta e desenhou os fluxos deve escrever as decisões, uma por linha, com o efeito de cada uma. Quem entrou numa conta pronta descreve o que fazia nela. Quem montou do zero tem a história das escolhas: que segmentação definiu, que ação mudou a pontuação, por que um fluxo tinha três ramos e não cinco.

Essas são as perguntas que aparecem na entrevista, e a linha do currículo deve responder a elas antes. Organize em duas ou três linhas bem escritas, cada uma com a decisão e o resultado dela. Uma lista de dez ferramentas sem verbo nenhum conta menos do que isso. Se a sua experiência com a ferramenta veio de um curso ou de um projeto próprio, diga onde ela aconteceu, sem apresentá-la como trabalho.

Antes de enviar, confira cada linha da ferramenta contra a vaga

A ideia central é esta: a ferramenta é o nome, e a decisão que você tomou com ela é a competência. Se a linha não tem uma decisão, um volume com período ou uma consequência, o recrutador a lê como lista de cliques, e a candidatura perde força antes da entrevista.

Pegue a vaga, copie o nome da ferramenta como ele aparece no texto e veja se a sua experiência usa o mesmo nome e mostra uma decisão. A análise gratuita não pede cadastro: ela compara o seu currículo com o texto da vaga que você colar e mostra quais termos da vaga já estão no seu texto e quais faltam.


Perguntas frequentes

Como escrever RD Station no currículo se eu só usei a ferramenta?

Escreva o que você fazia com ela, com o verbo da sua função: acompanhava, respondia, organizava listas, publicava e-mails. Depois acrescente um volume com período ou uma consequência, se você tiver. Uma linha como “Organizava as listas de leads e acompanhava os disparos semanais de e-mail” já diz mais do que “Experiência no RD Station”, e você consegue explicá-la na entrevista. Não escreva que desenhou fluxos ou definiu pontuações se essas decisões foram de outra pessoa.

RD Station e RD Station CRM são a mesma coisa no currículo?

Não. O RD Station Marketing cuida de automação, e-mails, páginas de captação e pontuação de leads. O CRM cuida do pipeline comercial e das oportunidades. Quando a vaga pede as duas, escreva as duas e diga como elas se conectavam, por exemplo, quando um lead qualificado virava um negócio no CRM. O lado do CRM tem um post próprio sobre como escrevê-lo.

Devo listar a ferramenta na seção de habilidades ou só na experiência?

Nas duas, com papéis diferentes. A seção de habilidades serve para a busca encontrar o termo. A experiência mostra o que você fez com ele. Quem só lista a ferramenta nas habilidades e não aparece em nenhuma linha de experiência deixa o recrutador sem prova. Se você aprendeu a ferramenta num curso ou num projeto próprio, diga isso na linha do projeto, sem apresentá-lo como trabalho.

Preciso calcular uma taxa de conversão para ela constar?

Não precisa ser uma taxa, mas precisa ser verdadeira. Se você tem os dois números, de quem entrou e de quem chegou ao próximo passo, escreva os dois com o período. Se tem só um deles, escreva o volume e a etapa que você acompanhava. Nunca escreva uma porcentagem que você não consegue reconstruir na entrevista.

MQL e SQL são o mesmo que lead?

Não. Lead é qualquer contato que entrou na lista. MQL é o lead que a pontuação ou uma ação levou a um patamar combinado para o marketing. SQL é o que o time comercial aceitou como oportunidade de venda. A definição de cada etapa muda de empresa para empresa, então escreva a sua, e não a de um livro.

Preciso mencionar as landing pages se a vaga não pede?

Só se elas fizeram parte do que você entregava. Uma página publicada na ferramenta é uma linha de execução e vale quando se liga a um anúncio, a um formulário ou a uma oferta. Quando a vaga pede landing page especificamente, o detalhamento de ferramentas e testes está no post sobre o tema.

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