Inbound marketing no currículo quase sempre aparece como sinônimo de marketing de conteúdo, e isso confunde quem lê. Inbound é um funil: a pessoa entra por algum conteúdo, troca um dado por uma oferta, recebe uma sequência de mensagens e, quando está pronta, passa para o time de vendas. Este guia descreve cada etapa como uma linha de experiência, com o que você fez em cada uma e como mostrar o resultado sem prometer o que a empresa não vendeu.
O funil é uma sequência de compromissos: escreva o que a pessoa fez em cada etapa
Descreva cada etapa pelo compromisso que o visitante assumiu, não pelo nome da etapa. Atração é quando a pessoa lê. Conversão é quando ela troca o e-mail por algo. Nutrição é quando recebe mensagens e responde, ou não. Quando você descreve as três, o recrutador entende que pensou no caminho inteiro, e não só em uma peça.
Antes:“Trabalhei com funil de inbound.”
Depois:“Desenhei o funil de captação de uma consultoria de RH: o conteúdo de busca trazia o visitante, a oferta de checklist o convertia em contato e uma sequência de cinco e-mails o levava a pedir uma conversa comercial.”
Os termos de marketing digital que a triagem costuma buscar estão na página de palavras-chave do analista de marketing digital. Use as palavras da vaga para nomear as etapas, sem trocar o que você realmente fez.
Materiais ricos: descreva o problema e a troca, não só o formato
Um material rico é uma oferta com um problema concreto e um formato curto. Descreva o problema que ele resolvia, a busca que trazia o visitante e o que a pessoa deixava em troca. Se você só produziu o arquivo e outra pessoa escolheu a oferta, diga isso com clareza.
Antes:“Criei e-books e checklists para geração de leads.”
Depois:“Produzi quatro materiais ricos, cada um ligado a uma dúvida de busca sobre entrevistas; o checklist de entrevista respondeu por mais da metade dos cadastros do semestre, em troca de nome, e-mail e cargo.”
O calendário e a pauta que alimentavam esses materiais têm outra história, e está no post sobre marketing de conteúdo no currículo. Aqui o foco é a oferta e a troca que ela propunha.
A nutrição tem uma ordem de mensagens, e a ordem é o trabalho que você descreve
Escreva a sequência pela ordem das mensagens e pela chamada de cada uma. Nutrição não é disparar mais e-mails. É dar à pessoa uma razão para voltar, e cada mensagem precisa supor que a anterior foi lida. Uma sequência bem escrita tem começo, meio e uma pergunta final que leva a algum passo.
Antes:“Fiz e-mails de nutrição.”
Depois:“Escrevi a sequência de nutrição de seis mensagens em três movimentos: primeiro o problema que o material resolvia, depois um caso de uso, por último um convite para conversar com o time; cada mensagem tinha uma única chamada para ação.”
Se você não tem os números de abertura ou de resposta, não os escreva. Escreva a ordem, que é o trabalho que você fez. A entrevista costuma perguntar por que a segunda mensagem vinha antes da terceira, e a resposta precisa existir.
MQL e SQL só significam algo com a definição escrita pelos dois times
Escreva a regra de MQL e a de SQL com quem as aprovou, e não copie a definição de um livro. MQL é o lead que o marketing considera pronto para ser abordado pelo comercial. SQL é o que o time comercial aceita como oportunidade real. A distância entre as duas definições é onde o funil pode travar, então a sua linha precisa mostrar quem decidiu.
Antes:“Qualifiquei leads para vendas.”
Depois:“Propus com o time comercial a regra de MQL: lead que baixou dois materiais ou pediu contato; o SQL era o que o vendedor aceitava em até dois dias úteis após a primeira conversa.”
Se a empresa não tinha definição nenhuma e você propôs uma, esse é um dos trabalhos mais fortes que o currículo pode mostrar. Escreva a proposta e o que o comercial respondeu, mesmo que a resposta tenha mudado a regra. Se você quer passar para o outro lado dessa definição, o currículo de SDR mostra como a pré-venda descreve funil e reuniões agendadas.
A passagem para vendas mostra se o funil fechava o ciclo
Descreva a passagem como processo: o que seguia para o comercial, com que dados, e o retorno que você acompanhava. O retorno do vendedor é o dado que fecha o ciclo. Sem ele, o marketing mede o que chegou e não sabe o que valeu. Por isso a passagem é uma das partes mais úteis de descrever.
Antes:“Passei os leads para o time de vendas.”
Depois:“Montei o processo de passagem: o lead ia para o CRM com a origem e as respostas do formulário; o vendedor tinha dois dias para registrar o retorno, e eu revisava toda semana o que voltava como perdido, para ajustar a régua.”
O registro no CRM, com campos e etapas, tem o seu espaço no post sobre CRM no currículo, e um exemplo de linha dessa área está no modelo do analista de CRM.
Se a empresa não tinha funil, escreva o que você desenhou e por quê
Escreva a decisão de desenho, uma por linha: por que três etapas, por que aquela oferta, o que foi cortado. Desenhar um funil do zero é trabalho de estratégia, e a linha precisa mostrar o raciocínio. Quem escreve só a estrutura final não mostra como chegou a ela.
Antes:“Estruturei o funil da empresa.”
Depois:“Desenhei o primeiro funil de captação da empresa, com três etapas e uma oferta por etapa, a partir de um mapa das perguntas que os clientes faziam antes de comprar.”
Se o seu trabalho começou pelo desenho das páginas de captação, a etapa de conversão tem um post próprio, e vale conferir se a sua linha de funil conversa com ele.
Antes de enviar, confira se o funil aparece como sequência com decisões
A ideia central: funil é uma sequência de compromissos, com nomes e critérios. Quem escreve inbound como sinônimo de blog perde a conversa sobre lead, que é onde a vaga costuma se decidir. A linha precisa mostrar o caminho da visita até a passagem, e a decisão que você tomou em cada etapa.
Pegue a vaga e veja quais termos de funil ela usa, como MQL, SQL, nutrição ou materiais ricos. Confira se cada um tem uma linha com decisão. A análise gratuita é de graça e não pede cadastro: ela compara o seu currículo com o texto da vaga que você colar e mostra quais termos da vaga já estão no seu texto e quais faltam.
Perguntas frequentes
Inbound marketing e marketing de conteúdo são a mesma coisa no currículo?
Não. Marketing de conteúdo é a produção e a distribuição de textos, vídeos e materiais. Inbound é o funil que começa nesse conteúdo e termina numa conversa com vendas, passando por ofertas, nutrição e critérios de passagem. Uma vaga de inbound pergunta o que aconteceu com quem chegou pelo conteúdo, e esse caminho é o que o currículo deve mostrar.
O que é MQL e como escrever a regra no currículo?
MQL é o lead qualificado para marketing: o contato que atingiu um critério combinado para ser abordado pelo time comercial, como baixar uma oferta ou pedir uma conversa. Escreva a regra em uma frase e diga quem a aprovou. Se a regra não era sua, escreva que você a aplicava e acompanhava quem a cumpria. Não invente um critério só para a linha ficar mais bonita.
Preciso ter números de conversão para descrever um funil?
Não precisa, mas precisa ser honesto. Se você tinha dados de visitas, cadastros e conversas, escreva as etapas com o volume de cada uma e o período. Se tinha só parte deles, escreva a parte. Uma linha que descreve o desenho do funil e o critério de passagem já é uma prova de trabalho, mesmo sem taxa calculada.
Quem trabalhou só com nutrição de e-mail pode dizer que fez inbound?
Pode, se a nutrição fazia parte de um funil com oferta e passagem para vendas. Só fazer disparos não é inbound. Descreva a sequência, o público de cada etapa e o que acontecia quando a pessoa respondia. Se você só operava uma ferramenta de envio, diga isso com o nome da ferramenta e a tarefa, sem chamar o trabalho de estratégia de funil.
Material rico precisa ser um e-book para entrar no currículo?
Não. O formato é o menos importante. Checklist, planilha, modelo, calculadora ou webinar gravado servem, desde que você diga qual problema resolviam e para quem. O recrutador quer saber se a oferta foi pensada para uma etapa do funil, e isso se descreve em uma frase.
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