Marketing de conteúdo no currículo costuma aparecer como uma frase de efeito: “criei conteúdo estratégico para a marca”. O recrutador lê, e não sabe o que foi publicado, para quem, com que frequência nem o que aconteceu depois. Escrever bem essa área é descrever o sistema que você operou: o calendário que manteve, os formatos que produziu, os canais que escolheu e os contatos que cada peça trouxe. Este guia mostra como montar cada uma dessas linhas com um fato que você consegue sustentar numa entrevista.

Quais etapas do marketing de conteúdo você fez de ponta a ponta?

A área tem quatro etapas, e o recrutador espera que você diga em qual delas atuou. Escreva só as suas, com o trabalho que fez em cada uma.

  • Pauta e calendário. É decidir o que será publicado, quando e por quê. Se a pauta saiu de perguntas de clientes ou de termos que as pessoas buscam, diga isso, porque mostra que o tema não foi escolhido só pelo gosto de quem escreveu. O lado de palavras-chave dessa pauta está no guia de SEO no currículo. Se a vaga é de SEO, o currículo de analista de SEO mostra o vocabulário completo da função.
  • Produção. É fazer o material em cada formato: texto, carrossel, roteiro de vídeo curto, e-mail, artigo. Cite os formatos e a quantidade produzida, porque é isso que o recrutador consegue comparar com a vaga.
  • Distribuição. É colocar cada peça no canal certo e no momento em que o público está. Cite os canais em que publicou e a razão de cada escolha, como um público de compradores que lê e-mail ou um público de engenheiros que consome o LinkedIn.
  • Medição. É acompanhar o que aconteceu com cada peça e ajustar a seguinte. Sem medição, a área termina na publicação, e a linha deve parar onde o seu trabalho parou.

Quem produziu, mas não montou a pauta nem mediu, tem uma experiência real de produção, e é essa linha que deve aparecer. Se a produção foi para redes sociais, o guia de currículo de social media mostra como apresentar o portfólio. Para comparar o que você fez com os termos da área, use as palavras-chave de social media.

Como escrever um calendário que você manteve de fato?

Constância é o que o recrutador consegue checar. Cite a cadência, o período e quem aprovava a pauta, porque isso mostra que o calendário existia além de um documento guardado no computador.

Antes: Criei calendário editorial para as redes da empresa.

Depois: Mantive o calendário de 12 publicações por mês no LinkedIn e no Instagram de uma consultoria contábil durante oito meses. Cada pauta era aprovada pelo sócio com duas semanas de antecedência.

Se o calendário foi entregue e depois abandonado, diga até quando durou. Um calendário que funcionou por três meses e parou é uma experiência real e uma explicação honesta. Um calendário que nunca saiu do documento não é experiência, por mais bem desenhado que estivesse.

Quais formatos entram na linha, e com que volume?

Liste os formatos que você produziu e acompanhe cada um com a quantidade. Um nome de formato sem número não mostra o tamanho do trabalho. Carrossel, roteiro de vídeo curto, newsletter e artigo de blog pedem tipos diferentes de trabalho, e cada um tem um problema próprio: o carrossel exige clareza de estrutura, o roteiro exige ritmo, a newsletter exige constância.

Antes: Produzi conteúdo em vários formatos para redes sociais.

Depois: Produzi 40 carrosséis, 25 roteiros de vídeo curto e 6 edições de newsletter para uma marca de equipamentos de pesca, com pauta mensal aprovada pelo gerente comercial.

Não precisa listar todos os formatos que já viu. Escolha dois ou três em que você é bom e que a vaga pede. O formato que você testou uma vez fica melhor fora da lista, porque a entrevista costuma seguir para ele.

Alcance mostra quem viu, e lead mostra quem quis conversar

Alcance e curtidas dizem quanta gente passou pela peça. Lead é um contato que pediu alguma coisa, como preencher um formulário, baixar um material ou responder a uma mensagem. Quando você tem o número de leads, use-o, e diga de qual peça ele veio.

Antes: Alcancei mais de 100 mil pessoas com os posts da marca.

Depois: Gerei 58 leads com o formulário de um material sobre prazos de obra, divulgado em três peças. O time comercial agendou 22 reuniões com esses contatos em um trimestre.

Quando não houve lead, cite a interação que você mediu e o que ela significou. Comentários com pergunta sobre preço que chegaram ao time de vendas já são um sinal útil, desde que você diga que foram encaminhados e não que viraram venda. Nunca apresente alcance como se fosse venda.

Como descrever conteúdo em áreas técnicas, como obra ou direito?

Em áreas técnicas, o conteúdo costuma ser o próprio trabalho mostrado de forma didática: um projeto concluído, uma obra acompanhada, uma norma explicada em linguagem simples. O recrutador reconhece quando a peça saiu do trabalho real, e a linha ganha força quando nomeia o que foi mostrado.

Antes: Criei conteúdo para o Instagram do escritório de arquitetura.

Depois: Publiquei 18 posts sobre obras concluídas do escritório, com fotos do canteiro, um memorial simplificado e a decisão de projeto explicada em três slides. Duas dessas publicações geraram pedido de orçamento.

Se a informação for de norma ou de procedimento técnico, não a apresente como opinião. Cite o documento e não deixe o texto afirmar o que a norma não diz. Um erro de conteúdo técnico em público é uma conversa que o recrutador não quer ter com você.

Como descrever um projeto próprio quando nunca houve vaga na área?

Se você nunca trabalhou com conteúdo, o caminho é um projeto pessoal com método. Escolha um tema que você domina, faça uma série de doze peças, publique em um canal aberto e registre o alcance, as respostas e o que mudou entre a primeira e a última publicação.

A linha fica honesta quando descreve o projeto como projeto: a série, o tema, o período e o que foi registrado. Não escreva que a conta tem seguidores fiéis ou que o projeto gerou clientes sem ter gerado. O recrutador de marketing faz perguntas sobre cada número, e um projeto pequeno, descrito com exatidão, se sustenta melhor do que um grande descrito com adjetivos.

O que conferir no currículo de conteúdo antes de enviar?

Um currículo de conteúdo fica crível quando cada linha aponta para uma pauta, um formato, um canal e um número acompanhado, ainda que pequeno. Linha com só o substantivo, como conteúdo ou estratégia, não sobrevive a uma pergunta sobre as últimas publicações. Sem resultado para mostrar, escreva a produção e o acompanhamento que existiram, e nada além disso.

Ao ler a vaga, separe os termos de conteúdo, como calendário editorial, geração de leads ou métricas de alcance, e pergunte a cada um onde está a prova no seu histórico. Cole o anúncio e o currículo na análise gratuita do AjustaCV para ver quais desses termos já aparecem e quais faltam, sem cadastro. Para comparar como outras áreas de marketing apresentam números, o guia de currículo para marketing e vendas é o próximo passo.


Perguntas frequentes

Marketing de conteúdo no currículo sem experiência: o que colocar?

Um projeto próprio com começo, meio e número. Escolha um tema que você domina, publique uma série curta, por exemplo doze peças em dois meses, e registre a pauta, o formato, o canal e o que chegou de volta. Na linha, diga o tema, a quantidade e o período. Se ainda não há resposta do público, escreva o que foi publicado e o que você mediu, sem inventar alcance.

Posso escrever marketing de conteúdo se só mantive um blog pessoal?

Pode, se o blog teve pauta, cadência e alguma medição. Diga a frequência de publicação, o número de textos e o que você acompanhou, como visitas de busca ou inscrições para a newsletter. Um blog que você escrevia quando tinha tempo não entra como experiência de marketing, por mais que o texto tenha sido bom.

Qual a diferença entre marketing de conteúdo e social media no currículo?

Social media é a operação de um canal: publicar, responder, acompanhar a comunidade. Marketing de conteúdo é o plano que liga as peças a um objetivo do negócio, como gerar contatos ou vender um serviço, e pode passar por vários canais. Se você fez as duas coisas, descreva a pauta como planejamento e a publicação como execução.

Devo colocar ferramentas de agendamento no currículo?

Só se você as usou para organizar o calendário e consegue dizer o que mudou com elas. Uma ferramenta de agendamento sem processo por trás é só comodidade. A linha fica mais forte quando diz o que passou a acontecer, por exemplo publicações que saíam no horário certo e uma revisão antes de cada envio.

Quais números de conteúdo valem mais do que alcance?

Os que mostram ação do público: contatos gerados por uma peça, pedidos de orçamento, inscrições em um evento, respostas que chegaram ao time comercial e quantas pessoas voltaram a consumir uma série. Alcance mostra quantas pessoas passaram pela peça, e por isso sozinho diz pouco sobre o seu trabalho. Use-o como contexto, nunca como resultado.

Quer otimizar seu currículo para uma vaga específica?

O AjustaCV reescreve seu currículo para passar nos filtros ATS da vaga que você escolher. Pronto em minutos.

AJUSTAR MEU CURRÍCULO — R$9,90