Curtidas são o número que mais aparece em um painel de redes sociais e o que menos prova alguma coisa. Um post com 800 curtidas pode ter vendido zero produtos. Um post com 30 comentários de quem pediu o orçamento pode ter sido o mais importante do mês. Na hora de escrever as métricas de redes sociais no currículo, a escolha não é de quantos números você tem, é de quais aguentam a pergunta seguinte.
Este texto não repete a lista de métricas com as definições de cada uma. Ele trata do que vem depois: como escrever o período e a base, qual métrica sustenta qual afirmação, como citar um perfil que não é seu e o que guardar para não ficar sem prova na entrevista.
Uma métrica só vale com período e base ao lado
Um número solto no currículo é uma afirmação sem contexto. O recrutador precisa saber quando, em comparação com o quê, e sobre quantas pessoas ou quantas publicações. Sem esses três dados, a linha é a mesma para um mês ótimo e para um mês de férias coletivas.
Antes: Taxa de engajamento de 6% nas redes da marca.
Depois: Taxa de engajamento média de 6% em 24 publicações de março a maio, sobre um alcance médio de 4.200 contas por post.
A segunda versão tem período, quantidade de publicações e a base do alcance. Ela permite que alguém confira a conta de cabeça, e isso é exatamente o que acontece em entrevista. Se você não sabe a base, troque a taxa por algo que você sabe contar, como o número de publicações e de respostas no período.
Cada afirmação precisa de uma métrica que a prove
O erro mais comum é escrever um verbo forte e colocar um número que não o sustenta. A frase diz que você aumentou vendas, e o número é de alcance. Antes de publicar a linha, faça a pergunta: se alguém duvidar, qual dado eu mostro para provar essa frase?
- Se a frase diz que trouxe pessoas para a loja ou para o site, a prova é o número de cliques ou de contatos vindos das publicações, com o período. Alcance mostra quantos viram, não quantos foram até o fim. Se o clique termina no site, a medição vem do painel de Google Analytics, e a linha precisa dizer qual dos dois você usou.
- Se a frase diz que o conteúdo foi bem recebido pela audiência, a prova é a taxa de resposta e de comentários sobre o alcance. É o indicador de quem reagiu de fato, e ele resiste melhor do que curtidas.
- Se a frase diz que você fez a base crescer, a prova é o saldo de seguidores no período, com o ponto de partida. O total sozinho não diz em quanto tempo ele chegou lá.
- Se a frase diz que você produziu muito conteúdo, a prova é a contagem de peças publicadas, com o formato. Isso não diz se funcionou, e não precisa dizer. Quem contrata para produção quer saber do volume entregue.
Escolha a janela antes de olhar o número
Uma métrica bonita numa semana específica quase sempre é a melhor semana do período, e o recrutador costuma perguntar por que você escolheu aquela. A saída é definir a janela antes de abrir o painel e mantê-la para todas as linhas parecidas.
Uma janela de três meses, por exemplo, cobre um ciclo de publicação e mostra tendência. Uma semana de promoção mostra o pico, e é útil como exemplo separado, desde que você diga que é um pico. Escreva a janela dentro da própria linha, para que ela não dependa de você estar na sala para explicar.
Como citar o perfil de um cliente sem expor o cliente
Muita gente que trabalhou com redes sociais administrou contas de terceiros: uma clínica, uma loja, um escritório, uma escola. O número dessas contas é do cliente, e o currículo não deve revelar o que ele não quer revelar. Ainda assim, você pode citar o que fez.
- Descreva o negócio pelo tipo e pelo porte. Uma clínica de estética em cidade média diz mais do que o nome da clínica e não expõe ninguém.
- Use percentual ou faixa quando o número exato for sensível. Crescimento de cerca de 30% no período funciona quase tão bem para o recrutador e não entrega o tamanho da operação.
- Cite a parte que foi sua. Ritmo de publicação, peças criadas e taxa de resposta às mensagens são suas, mesmo que o resultado final pertença ao cliente.
Antes de usar qualquer número de terceiros, confirme com quem o contratou. Se a conta ainda existe e o cliente aceita, o número pode entrar com o nome do negócio. Se não aceita, use a versão anônima e guarde a versão completa para a entrevista, desde que o cliente também concorde com isso.
Guarde a prova antes de sair do trabalho
Depois da saída, o painel da conta pode não estar mais acessível para você, e a métrica que ficou só na sua cabeça não serve de prova. Por isso, o momento de guardar os números é o fim de cada período, não a hora de montar o currículo.
- Exporte ou faça captura do relatório mensal. Ponha a data e o período no nome do arquivo, para saber o que é cada um.
- Anote a janela e a base em uma planilha simples. Três colunas bastam: período, métrica e de onde veio o número.
- Peça permissão antes de levar qualquer dado. Se o material tem informação de cliente ou da empresa, o uso precisa ser combinado. Sem isso, guarde só o que é seu.
Como responder quando a entrevista pede o número
Quando o recrutador pergunta a métrica, ele quer ouvir três coisas: o número, o período e como você acompanhava. Quem decora o número e não sabe de onde ele veio perde a credibilidade no minuto seguinte. Quem responde com a janela e a fonte parece alguém que sabe o que faz.
Escreva, antes da entrevista, uma frase pronta para cada linha do currículo que tenha número. Ela pode ser simples: no período tal, esse dado veio do relatório mensal, e a conta tinha tal porte. Se você não consegue escrever essa frase, a linha ainda não está pronta para ir ao currículo.
O que fazer agora com as métricas do seu currículo
A ideia central é esta: uma métrica só entra no currículo quando você consegue dizer a janela, a base e a frase que ela prova. O resto é ruído, por mais alto que o número esteja no painel. Se você não fizer essa revisão, a linha com o número mais bonito é justamente a que a entrevista vai derrubar.
Para começar, cole o texto da vaga na análise gratuita em /ats. Ela mostra se os termos de resultado da vaga já aparecem no seu currículo e quais faltam, sem cadastro. Se a sua experiência é mais de criação de conteúdo do que de análise, o texto dessa área está em currículo de social media, e as métricas de desempenho em geral estão em KPIs no currículo. Os termos que as vagas de social media usam, para conferir quais métricas o seu texto precisa nomear, estão em palavras-chave de social media. Para ver onde as métricas entram ao lado das outras competências da área, o mapa de habilidades de marketing digital no currículo agrupa cada uma pelo que a vaga quer ver.
Perguntas frequentes
Qual métrica de redes sociais devo escrever primeiro no currículo?
Aquela que responde à afirmação que você fez. Se a linha diz que você aumentou a procura pela loja, a prova é o número de contatos recebidos no período. Se diz que a campanha chegou a mais gente, a prova é o alcance. Escolha pela pergunta que o recrutador vai fazer, não pela métrica que está mais alta no painel.
Posso escrever crescimento percentual sem dizer o tamanho inicial da conta?
Não é honesto, e a primeira pergunta de entrevista é justamente essa. Um crescimento de 40% em uma conta com 300 seguidores e em uma com 30.000 são coisas bem diferentes. Escreva o ponto de partida junto com o percentual, ou troque por um número absoluto com período, como 210 novos seguidores em três meses.
Como citar métricas de um perfil que eu administrava para outra empresa?
Descreva o tipo de negócio e o porte, sem o nome, e use faixas ou percentuais quando os números exatos forem sensíveis. Confira com o dono se pode usar os dados. Se ele pediu sigilo, cite só o que é seu: o ritmo de publicação, a taxa de resposta e a parte que você executou.
Por que curtidas não servem como prova no currículo?
Porque mostram que alguém reagiu, não que alguma coisa mudou. Curtida não tem valor de venda, de contato ou de decisão, e não diz quem viu o conteúdo. Use curtidas só como apoio, depois que a linha já tem uma métrica que liga o post a um resultado de negócio.
Se eu não tiver os números guardados, ainda consigo escrever as métricas?
Em parte. Você pode escrever o que tem: a frequência, o período e o tipo de peça. Para os números, veja se ainda consegue o painel da conta, que costuma mostrar parte do histórico, ou se o contato de quem administra hoje guarda os relatórios. Sem número, não invente. Descreva o trabalho e deixe a métrica para a entrevista, com a explicação de como você acompanhava.
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