Um currículo da área de operações diz: responsável pelos KPIs da linha de produção. O recrutador lê a frase, não encontra número nenhum e segue para o próximo. Um KPI no currículo ganha peso quando traz quatro coisas: o nome do indicador, o valor antes, o valor depois e o período da mudança, além da sua parte nesse resultado. Este guia mostra como montar cada uma dessas partes com fatos que você consegue defender numa entrevista.
KPI é o nome do indicador, não a sigla da sua função
Escreva o indicador pelo nome que ele tem na operação. A sigla KPI sozinha não diz nada, porque o recrutador não sabe se você acompanhou um índice de entregas no prazo, um tempo de atendimento ou uma taxa de devolução. KPI é a sigla de indicador-chave de desempenho, uma medida ligada a uma meta. Por isso a linha precisa dizer qual medida era essa.
Se a empresa usa um nome interno para o indicador, use o nome interno e acrescente, entre parênteses, o que ele mede. O recrutador de outra empresa não conhece a sigla de vocês, e uma explicação curta resolve a dúvida.
Quatro partes que toda linha de indicador precisa ter
Uma linha de indicador completa traz quatro informações. Sem uma delas, ela vira opinião. Com as quatro, ela vira um fato que o entrevistador pode perguntar como você mediu.
- Nome do indicador. É a medida exata, como percentual de pedidos entregues no prazo e completos, ou tempo médio de atendimento. Precisa ser algo que se conta ou se calcula, não um sentimento sobre o trabalho.
- Valor de partida. É o número do início, quando você entrou na função ou quando o processo começou. Sem ele, o valor final não tem com o que ser comparado.
- Valor final. É o número depois da sua ação ou no fim do período. Um número isolado, como 96%, diz pouco se o leitor não sabe de onde ele veio.
- Período. Escreva em quantos meses ou semanas a mudança aconteceu, como em seis meses. Assim o leitor entende o ritmo da melhora sem precisar de data.
A quarta parte costuma faltar. Sem o período, uma melhora de 81% para 88% pode ter levado uma semana ou um ano, e a entrevista vai perguntar qual foi.
Quando o número não está na sua mão, de onde tirá-lo?
Procure o número nos relatórios que você já recebe antes de pensar em estimar. Quase toda operação gera algum histórico: um painel do sistema, uma planilha mensal, a ata de uma reunião de resultados ou o relatório que o gestor manda para a diretoria.
Se o número não existe em lugar nenhum, peça ao gestor a série dos últimos meses ou pergunte se alguém da equipe anotou. Em último caso, descreva o fato sem percentual. “Reduzi o retrabalho da linha de embalagem” é verdadeiro e pode ser explicado. Uma porcentagem inventada não é.
Antes: Responsável pelos KPIs de atendimento da equipe.
Depois: Acompanhei o tempo médio de atendimento de uma equipe de seis pessoas, que caiu de 9 para 6 minutos em quatro meses, depois que organizei a lista de respostas prontas para as dúvidas de cobrança.
A versão útil traz também a causa. Ela não diz só que o número caiu, diz o que você mexeu, e é isso que a entrevista vai querer ouvir.
Quais indicadores aparecem em cada área?
Os indicadores mudam com a função, e a lista abaixo serve para lembrar do que existe. Não copie um nome que você nunca acompanhou, porque a primeira pergunta da entrevista costuma ser sobre a fórmula.
- Logística. Acuracidade de estoque, percentual de pedidos entregues no prazo e completos e tempo de ciclo do pedido. O detalhe de cada um aparece no guia de currículo de analista de logística.
- Atendimento e customer success. Tempo médio de atendimento, índice de resolução no primeiro contato e retenção da carteira de clientes. A própria ferramenta de atendimento costuma gerar esses números, o que facilita achar o valor de partida.
- Vendas. Percentual de atingimento da meta, ticket médio e tempo do ciclo de venda. O percentual sozinho engana, porque 120% de uma meta pequena vale menos que 95% de uma meta grande. Escreva a meta em reais ao lado do percentual. O guia de currículo de consultor de vendas mostra como essa linha se organiza junto com o pipeline.
- Produção e engenharia. Taxa de retrabalho, índice de refugo e percentual de projetos entregues no prazo. Na fábrica, a linha ou o turno costumam ser a unidade certa para mostrar a melhora, porque é o nível em que você conseguia agir. Quem coordena uma linha encontra o mesmo raciocínio no currículo de supervisor de produção.
- Marketing. Custo por lead, taxa de conversão do formulário e taxa de abertura dos e-mails. A lista de palavras-chave de analista de marketing digital ajuda a conferir quais desses termos a vaga costuma pedir.
Se a sua área não aparece aqui, a regra é a mesma: procure o número que a sua área já reporta à liderança. É essa medida que o gestor vai querer ver no currículo.
Como escrever o indicador de uma equipe sem levar o mérito de todos?
Quando o indicador é do time, use a palavra “contribuí” e diga qual foi a sua parte. O recrutador não espera que um candidato sozinho mude o número de uma operação inteira. Ele quer saber se você fez algo que aparece no número.
Antes: Melhorei os indicadores de entrega do centro de distribuição.
Depois: Contribuí para a melhora do percentual de pedidos entregues no prazo e completos, de 81% para 88% em oito meses, ao assumir a conferência de carga antes da saída dos caminhões.
A segunda versão não reivindica o resultado inteiro. Ela aponta a sua ação, e isso protege você na entrevista, porque a pergunta seguinte, sobre como funcionava a conferência, você consegue responder.
Em que ordem colocar os indicadores em cada experiência?
Coloque primeiro o resultado que veio da sua ação e deixe as atribuições da função para depois. Duas ou três linhas de indicador por emprego bastam, porque mais que isso faz o leitor duvidar de todas.
- O resultado mais forte vem primeiro. É a linha que o recrutador lê antes de decidir se continua. Se ela for uma melhora que você causou, melhor ainda.
- As atribuições vêm depois, em uma frase. Elas dizem o que a função exigia, e o cargo já informa isso. Uma frase curta basta.
- Indicador que você não explica fica de fora. Se um número mostra uma queda que você não sabe justificar, não o coloque só para encher a seção.
Antes de enviar, confira se cada número tem fonte
Um indicador só ajuda quando diz de onde veio. Se você não lembra da origem de um número, tire-o da linha, porque ele será a primeira coisa que alguém vai perguntar. O que sobra, com nome, partida, chegada, período e a sua parte no resultado, é o que o recrutador consegue conferir. Sem isso, a linha de KPI fica igual à de todos os outros candidatos. Depois de conferir, cole o texto da vaga na análise gratuita do AjustaCV. Ela não pede cadastro e compara o seu currículo com os termos do anúncio, mostrando quais já aparecem nele e quais faltam. Se um indicador que a vaga pede não está no seu currículo, veja antes se ele existe na sua experiência. Inventá-lo é o caminho que a entrevista desfaz.
Perguntas frequentes
KPI no currículo precisa ser o indicador oficial da empresa?
Não precisa ser o painel oficial, mas precisa ser uma medida real, que você acompanhou ou que alguém registrou. Se a empresa tem um indicador com nome próprio, use esse nome. Se você só conhece o resultado da sua ação, descreva a ação e o resultado observado, sem batizar um indicador que ninguém usava. Na entrevista, a pergunta costuma ser como a medida era calculada, e você precisa saber responder.
Posso escrever uma meta como se fosse um KPI?
Pode, desde que diga que é meta e qual foi o resultado em relação a ela. Escrever que você bateu 110% da meta de vendas é um indicador de atingimento. Escrever só a meta, sem o resultado, mostra o que você deveria fazer e não o que fez. A forma mais clara é a meta em reais, o resultado em reais e o percentual entre eles, na mesma linha.
Quantos indicadores colocar em cada experiência?
Dois ou três bastam para quem tem alguns anos de função. Mais que isso dilui o que importa, e o recrutador passa a desconfiar de números que não consegue conferir. Se você tem cinco resultados fortes, escolha os dois mais parecidos com o que a vaga pede e deixe os outros para a entrevista. Experiência curta, como estágio, pode ter só um indicador, e isso não é fraqueza.
Resultado de equipe conta como meu?
Conta, desde que a sua parte esteja escrita. Use “contribuí”, “participei” ou “assumi”, e descreva a tarefa que foi sua. Resultado de equipe sem a sua parte parece cópia do relatório do gestor. Com a sua parte escrita, mesmo que a equipe tenha sido grande, a linha mostra algo identificável, e a entrevista pode se aprofundar nela.
E se a empresa não permite divulgar números?
Pergunte ao seu gestor o que pode ser divulgado. Se a empresa aceitar, escreva a variação em percentual, sem o valor absoluto. Se a informação for sigilosa, não a publique. Nesse caso, escreva o efeito do trabalho, como uma fila de atendimento menor, e deixe o número para uma conversa em que você possa dizer o que a empresa autoriza.
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