Quem pergunta o que colocar em informações adicionais no currículo costuma ter uma seção que diz “gosto de futebol, sou dedicado, tenho facilidade de aprender”. A resposta é que essa seção existe para fatos que um filtro confere, como a CNH, a disponibilidade, o veículo próprio e o regime de contratação, e não para personalidade. O que descreve você vai nas experiências, com números. O que decide se você pode ser contratado vai aqui.
Informações adicionais é a seção dos fatos que decidem se você pode ser contratado
O recrutador chega a essa seção com uma pergunta prática: essa pessoa cabe na vaga? Cada item a seguir responde a uma dessas perguntas em poucas palavras.
- CNH e categoria:obrigatória em vagas com deslocamento. Escreva “CNH categoria B”, sem número. O post sobre a CNH no currículo mostra os casos.
- Disponibilidade: horário, escala, viagens e mudança de cidade, escritos com precisão. O post sobre disponibilidade no currículo entra nos detalhes.
- Veículo próprio: só se existe e a vaga conta com ele, como no trabalho de campo e nas entregas.
- Regime de contratação: CLT, PJ ou os dois. Evita a conversa que termina quando a empresa descobre que você só aceita um deles.
- Início: imediato, se você está desempregado, ou em trinta dias se há aviso prévio para cumprir. Escreva o que é real.
- Pessoa com deficiência: apenas se você quiser declarar, porque a informação alimenta as vagas afirmativas. A decisão, e o quanto detalhar, é sua, como explica o post sobre currículo PcD, CID e laudo.
- Registro em conselho ou entidade: se a função exige inscrição regular (contador, advogado, engenheiro), o número ou a sigla vai no cabeçalho, e a filiação a entidades da área pode entrar aqui.
Uma seção reescrita mostra o que sai e o que fica
Veja a seção de um candidato hipotético, com quatro itens que parecem informação e um que é fato. A reescrita corta os adjetivos, vira cada ideia em dado conferível e move o que sobra para onde pertence.
Antes:“Informações adicionais: gosto de futebol. Sou dedicado. Tenho facilidade de aprender. Disponibilidade imediata.”
Depois (exemplo):“Informações adicionais: CNH categoria A e B, moto própria. Disponível para escala 6x1, turnos manhã e tarde. Início imediato. Regime CLT.”
O “antes” tem um fato (a disponibilidade) e três frases sem prova. O “depois” tem cinco fatos em duas linhas. O futebol, o “dedicado” e a “facilidade de aprender” saem.
Autoelogio não entra em lugar nenhum, e a prova vai nas experiências
“Dedicado” e “facilidade de aprender” são afirmações que qualquer candidato escreve, e por isso nenhum recrutador as lê como informação. O que os substitui é um fato dentro de um item de experiência: em vez de “facilidade de aprender”, “aprendi o sistema de estoque da loja em duas semanas e passei a treinar os novos funcionários”.
A regra é a do post sobre as habilidades que entram no currículo: traço de caráter só existe no currículo quando alguém consegue conferir um resultado dele. Se você não tem o resultado, o adjetivo não ajuda, e o espaço rende mais com outra coisa.
Um hobby só fica quando prova algo que a vaga procura
O teste é simples: alguém que lê esse interesse consegue deduzir uma habilidade da vaga? Uma competição de programação para uma vaga de desenvolvedor passa, porque prova raciocínio sob pressão, e o mesmo vale para a participação num grupo de estudos de dados para um analista. Maratona para uma vaga que pede disciplina, dificilmente: parece prova, mas o recrutador precisa fazer a ligação por conta própria, e a ligação costuma ser fraca.
Futebol, música, viagens e séries sem ligação com a função ficam de fora. Isso não os torna sem valor: eles rendem uma boa conversa na entrevista, onde é a pessoa que decide o que contar. No papel, cada linha é espaço que a vaga poderia estar preenchendo. Para o resto do que deve sair, o post sobre o que não colocar no currículo completa a lista.
Local, data e assinatura no fim do currículo vieram do papel e podem sair
O currículo que terminava com “São Paulo, 12 de março, e a assinatura” era entregue em mão, impresso, e a data e a assinatura tinham função. Hoje a candidatura é digital, o arquivo carrega a data em que foi enviado e a assinatura não valida nada. Se você ainda termina com essas linhas, elas são as últimas que o recrutador lê e as que menos informam. Remova.
Cada linha do fim do currículo precisa responder a uma pergunta da vaga
O que sobra depois da limpeza é curto e verificável, e é isso que o filtro e o recrutador leem. Quem mantém a seção com gostos e adjetivos gasta a última tela da candidatura com o que nunca decide a seleção, e deixa de fora o dado que decidiria. Para conferir se a sua seção cobre o que a vaga pede, a análise gratuita do AjustaCV lê o currículo com a vaga colada, do jeito que um ATS leria. A otimização completa custa R$ 7,80 via PIX em /checkout.
Perguntas frequentes
O que colocar em informações adicionais no currículo?
Fatos de elegibilidade que a vaga confere: categoria da CNH, disponibilidade de horário, de viagens e de mudança, veículo próprio, regime de contratação (CLT ou PJ), data possível de início, registro em conselho e, se você quiser, a condição de pessoa com deficiência. Traços de personalidade e gostos ficam de fora, porque nenhum filtro procura por eles.
Posso colocar hobbies e interesses no currículo?
Só quando o hobby prova algo ligado à vaga. Uma competição de programação para uma vaga de desenvolvedor prova raciocínio e disciplina, e um blog sobre finanças pessoais serve para uma vaga de analista financeiro. Futebol, música e viagens, sem ligação com a função, ocupam a linha sem informar nada e podem ir para a conversa da entrevista.
Informações complementares e informações adicionais são a mesma seção?
São. Os nomes se alternam nos modelos de currículo (informações adicionais, informações complementares, dados complementares), e o sistema de triagem trata todos como a mesma seção de detalhes. Escolha um título e use o mesmo em todas as candidaturas. O que muda a leitura é o conteúdo da seção, não o nome dela.
Preciso colocar data e assinatura no fim do currículo?
Não. Local, data e assinatura vêm do tempo do currículo impresso, entregue em mãos, e hoje não têm função: a candidatura é digital, e o arquivo já carrega a data em que foi enviado. Cada linha do fim do currículo deve carregar uma informação que a vaga procura, e uma linha de assinatura não carrega nenhuma.
Posso escrever disponibilidade imediata no currículo?
Pode, se for verdade. Quem está empregado costuma ter aviso prévio, e dizer disponibilidade imediata nessa situação gera uma promessa que a empresa vai cobrar depois. Escreva o que é real: início imediato para quem está desempregado, ou início em trinta dias quando há aviso a cumprir. A precisão poupa a proposta de ser refeita no meio do processo.
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