Um currículo de assessor de imprensa que diz “comunicação corporativa” e “relacionamento com a mídia” não mostra o que a vaga compra. Quem contrata quer saber quantas pautas você levou a um veículo, qual porta-voz preparou e como agiu quando um tema saiu do controle. Este guia mostra quais termos a triagem procura nessa função, onde colocar cada um e o que escrever quando você ainda não tem clipping para mostrar.

Release, pauta e porta-voz são entregas diferentes, e cada uma precisa aparecer

Use os nomes do ofício no currículo: assessoria de imprensa, release, pauta, porta-voz, media training e clipping. Cada um descreve uma entrega, e a vaga pode pedir qualquer uma delas.

  • Release. É o texto que apresenta uma notícia da empresa ao jornalista. Diga quantos você redigiu no período e os temas que cobriam.
  • Pauta. É o assunto que você propõe ao veículo. Diga quantas propôs e quantas viraram matéria, porque são duas contagens diferentes.
  • Porta-voz. É a pessoa da empresa que fala com a imprensa. Diga quantos preparou e para que tipo de entrevista.
  • Clipping. É o registro das notas publicadas sobre a empresa. A próxima seção detalha como descrevê-lo.

Não escreva um termo que você não exerceu. Se nunca conduziu um media training, não coloque a expressão como habilidade. Escreva o que fez perto dele, como montar perguntas difíceis para um executivo treinar.

O glossário de assessor de imprensa reúne as palavras por entrega, e o exemplo pronto de assessor de imprensa mostra essas entregas no resumo e nas experiências. Use o exemplo como referência de forma, e não copie os números. Para o básico de como a comunicação aparece no texto, o guia de comunicação no currículo cobre a parte geral, e este aqui fica na função.

Pauta sem veículo e data é intenção, então escreva onde ela saiu

A pauta é a ação mais específica do assessor, e a forma mais comum de escrevê-la é a mais fraca: “propunha pautas para a imprensa”. Escreva o assunto, o veículo e o que aconteceu depois. Assim a pauta aparece como fato, e não como esforço.

Antes: Propunha pautas para jornalistas sobre os resultados da empresa.

Depois: Propus 14 pautas por trimestre sobre resultados e expansão para cinco veículos de economia, e seis viraram matéria no mesmo trimestre.

Se a pauta não saiu, não a esconda. Diga quantas propôs e quantas foram aceitas. Um assessor com muitas propostas e poucas matérias tem outro perfil de trabalho, e a entrevista vai perguntar qual era o critério de escolha dos veículos. Tenha essa resposta pronta.

Clipping com tipo de veículo e ritmo mostra cobertura que a vaga pode conferir

O clipping é o registro da cobertura, e é a parte do currículo que quem lê consegue conferir sem depender da sua palavra. “Gerei cobertura” não se confere. Descreva a cobertura em três campos.

  • Tipo de veículo. Diga se a nota saiu em jornal, portal setorial, rádio, TV ou revista. Cada tipo serve a uma meta diferente, e a diferença importa para quem contrata.
  • Tema da nota. Escreva o assunto em poucas palavras, como lançamento de produto ou resultado trimestral. O tema mostra o que você sabia pautar.
  • Ritmo. Uma contagem mensal ou trimestral mostra constância. Um número solto, sem período, não mostra nada.

Antes: Geração de clipping para a empresa.

Depois: Montei o clipping mensal, com de 40 a 60 notas em portais de negócios e dois jornais regionais, e entreguei um resumo de tema e tom para a diretoria.

Se você também acompanhava medidas do clipping, como alcance estimado ou tom das notas, diga como fazia a medição. Para transformar contagens desse tipo em números que se leem sem explicação, veja o guia de KPIs e indicadores no currículo.

Gestão de crise precisa do que você fez na primeira hora, não do tamanho do caso

Gestão de crise é um termo que puxa o currículo para o drama, e o drama não é o seu trabalho. Descreva a sua etapa: o que você redigiu, quem aprovou, em quanto tempo a nota saiu e o que aconteceu nos dias seguintes.

Antes: Participei da gestão de crises de reputação da empresa.

Depois: Redigi a nota de resposta a uma reclamação pública sobre um produto, aprovei o texto com a diretoria em duas horas e acompanhei a repercussão nos dois dias seguintes.

Não cite cliente, produto que ainda não foi anunciado nem pessoa envolvida. Se o caso era sigiloso, descreva o tipo de crise e a sua etapa, sem identificar a empresa. Se você nunca conduziu uma crise, não escreva o termo. Escreva a parte que fez em um dia de pressão, como organizar as respostas prontas para a equipe de atendimento.

Media training e porta-voz: escreva quantos você preparou, não só que assistiu

Media training é o treino em que uma pessoa aprende a responder à imprensa. Se você conduziu o treino, escreva quantos porta-vozes preparou e para qual tipo de entrevista: coletiva, ao vivo, por telefone ou com perguntas por escrito. Se apenas participou como aluno, escreva o curso, a instituição e a carga horária. A diferença entre conduzir e participar precisa estar clara no texto, porque a entrevista vai perguntar exatamente essa parte.

Antes: Preparação de porta-vozes para entrevistas.

Depois: Preparei três membros da diretoria para entrevistas em rádio e TV, com roteiro de perguntas difíceis e uma simulação gravada antes de cada uma.

Se a sua experiência é mais de comunicação dentro da empresa, com foco em funcionários e não em jornalistas, o guia de analista de comunicação interna mostra a outra metade do ofício.

A decisão do STF sobre diploma responde a uma pergunta, não à sua formação inteira

Quem está em dúvida sobre formação precisa separar duas coisas. No julgamento do RE 511.961, o STF declarou inconstitucional a exigência de diploma de curso superior de jornalismo para o exercício da profissão. A notícia do próprio STF sobre a decisão está no link.

Essa decisão trata do direito de exercer a função. Ela não diz o que a sua formação deve mostrar no currículo, nem o que a vaga escreveu sobre ela. Se você tem diploma de jornalismo, coloque-o na seção de formação com o nome da instituição e o ano de conclusão. Se não tem, não escreva diploma nem curso como se fosse diploma.

Quando a vaga lista formação, leia se o pedido é obrigatório ou desejável, e mostre a experiência de redação e de relacionamento com a imprensa que você tem. Para ver como um currículo de jornalista organiza essa parte, o guia de currículo de jornalista é o próximo passo.

Escreva só o que você fez e confira os termos da vaga antes de enviar

A regra que resume este guia é simples: cada termo do seu currículo precisa de uma entrega que você consegue explicar na entrevista. Pauta sem veículo, clipping sem tipo de veículo e porta-voz sem entrevista são palavras bonitas, e a triagem não tem como conferir o que elas escondem. Sem essa revisão, o termo fica no papel e a primeira pergunta da entrevista o derruba. Reescreva uma linha de cada experiência com a entrega e o resultado, e deixe de fora o que não consegue sustentar.

Antes de enviar, cole o texto da vaga na análise gratuita do AjustaCV. Ela não pede cadastro e compara o seu currículo com o texto da vaga que você colar, mostrando quais termos da vaga o currículo já tem e quais faltam. Use o resultado para decidir o que escrever, e não para encher o currículo de palavras.


Perguntas frequentes

Preciso ter diploma de jornalismo para ser assessor de imprensa?

No julgamento do RE 511.961, o STF declarou inconstitucional a exigência de diploma de curso superior de jornalismo para o exercício da profissão. Essa decisão responde à pergunta sobre o direito de exercer a função. Se a vaga lista formação, leia se o pedido é obrigatório ou desejável, e, se você tem o diploma, escreva-o na seção de formação.

Preciso listar todas as notas que já saíram sobre a empresa no meu clipping?

Não. Mostre um recorte com as três ou quatro notas mais relevantes para a vaga, cada uma com o veículo, o tema e o mês em que saiu. Se existe um acervo completo, diga que ele está disponível sob pedido. Dezenas de links colados no currículo não ajudam quem tem pouco tempo para ler.

Posso escrever que fiz media training se só assisti a um curso?

Escreva o curso, a instituição e a carga horária, e diga que foi participação, não condução. Media training conduzido é quando você preparou um porta-voz para entrevistas. A entrevista vai perguntar o que você fez no treino, e a resposta precisa bater com o que está escrito.

Assessor de agência e assessor de empresa escrevem o mesmo currículo?

Não exatamente. Na agência, costuma ser útil mostrar os clientes atendidos e o número de pautas por cliente. Na empresa, o tema de cada pauta e a relação com a área interna pesam mais. Se você trabalhou nos dois lados, use a agência para a experiência de volume e a empresa para o histórico de porta-voz ou de crise.

Como mostrar gestão de crise sem expor um caso confidencial?

Descreva o tipo de crise, a etapa que você conduziu e o resultado, sem o nome da empresa nem detalhes que a identifiquem. Por exemplo: reclamação pública sobre um produto, nota de resposta aprovada em duas horas, acompanhamento da repercussão nos dois dias seguintes. Não invente um caso que não existiu.

Exemplo pronto

Veja um currículo de Assessor de Imprensa que passa no ATS

Gestão de crise, media training e clipping, com veículos atendidos e pautas publicadas contados.. Score ATS 97, renderizado nos mesmos modelos do editor, com o botão para criar o seu a partir dele.

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