Um currículo de jornalista que diz “redação, apuração e reportagens” descreve a profissão, não o trabalho feito. A triagem de assessoria, comunicação e marketing de conteúdo procura formatos e funções com nome, como release, pauta, matéria, mídia espontânea e assessoria de imprensa. Para escrever o seu currículo de jornalista, nomeie o formato de cada peça, o canal onde ela saiu e quantas foram publicadas. Este guia mostra quais termos a vaga pede, como medir o trabalho e o que fazer quando você ainda não tem algum deles.
Formato, função e canal: três partes de cada entrega
Cada entrega do jornalista tem três partes, e a vaga costuma pedir pelo menos duas. Escreva as três sempre que couberem, porque cada uma delas é um termo que a triagem reconhece. O glossário de palavras-chave do currículo de jornalista reúne os termos mais pedidos.
- Formato. É o tipo de texto que você produziu: release, pauta, matéria, nota de posicionamento, boletim interno. A vaga de assessoria usa release e pauta. A de redação usa matéria e reportagem. Use o nome que a vaga usa.
- Função. É o trabalho que o formato cumpria: apuração, redação jornalística, assessoria de imprensa, mídia espontânea, comunicação interna. Uma pauta serve à apuração, e um release serve à assessoria. Não escreva as duas funções como se fossem uma só.
- Canal. É onde o texto saiu: site, revista impressa, veículo nacional, boletim da empresa, redes sociais. O canal diz para quem o texto foi escrito, e isso é a primeira pergunta de quem contrata.
Assessoria e redação pedem currículos com ênfases opostas
Assessoria mede quanto o cliente apareceu, e redação mede o que publicou e como foi apurado. Se você trabalhou nos dois lados, o currículo precisa escolher uma ênfase e não misturar as duas no resumo. Quem lê uma vaga de assessoria quer ver inserções e relacionamento com veículos. Quem lê uma vaga de redação quer ver matérias e checagem.
O exemplo pronto de jornalista mostra uma dessas escolhas no resumo e nos bullets, com o formato e o canal de cada entrega nomeados. Se a vaga for de comunicação digital, em que o texto divide espaço com redes sociais e campanhas, o currículo de marketing digital mostra como organizar essa mistura sem diluir o que você fez como jornalista.
Veja a diferença na prática. Um bullet como o de baixo fala com o recrutador de redação, porque mostra volume e apuração.
Antes: Escrevia matérias para o site da editora.
Depois: Escrevi 40 matérias por mês para o site de uma editora regional, com apuração em duas fontes por reportagem e revisão final antes da publicação.
Se a vaga é de assessoria, o mesmo trabalho ganha outra forma: o número de inserções e o veículo que publicou, não o número de textos escritos. Um texto só conta como resultado de assessoria quando alguém o publicou. O currículo de assessor de imprensa mostra como pautas e clipping provam esse trabalho.
Mídia espontânea se conta em inserções publicadas, não em releases enviados
Release enviado é produção. Inserção publicada é resultado. A diferença importa, porque a vaga de assessoria pede o que saiu, e um currículo que conta releases enviados parece ter escrito e torcido. Escreva as inserções com o cliente ou o setor, o período e o tipo de veículo.
Antes: Redigi releases para clientes da área de saúde.
Depois: Conquistei 18 inserções de mídia espontânea em 10 meses para um cliente de saúde, com uma pauta publicada em veículo nacional.
Se você não tem um número de inserções, conte o que tem: quantos veículos atendeu, quantas notas foram aprovadas pelo cliente e em quanto tempo. Um prazo medido convence mais do que uma estimativa de alcance.
Apuração e checagem são o trabalho que a vaga não vê sem nomear
Apuração é a parte do trabalho em que você procurou fontes, conferiu dados e montou a informação antes de escrever. A vaga de redação pede o termo, e a de assessoria também, porque a credibilidade de um release depende de quem o checou. Escreva o que você fez em cada etapa.
- Entrevista de fontes. Diga quantas pessoas você ouviu para uma reportagem ou uma pauta, e para qual tipo de texto. Entrevistar três fontes para uma nota é diferente de entrevistar nove para um caderno.
- Checagem de dados. Diga o que você conferiu: números de pesquisa, nomes, datas e cargos. Se a checagem era uma etapa formal, escreva isso, porque é o que a redação procura.
- Revisão em etapas. Se o texto passava por revisão antes de publicar, diga quantas etapas havia e quem fazia cada uma. Um processo com duas revisões mostra cuidado com o erro publicado.
Não escreva reportagem investigativa se você só fez notas. A entrevista vai perguntar pela fonte mais difícil, e uma apuração que não existiu cai ali. Escreva o tipo de texto que você apurou de fato.
Marketing de conteúdo e SEO entram com número e canal
Se você escreveu para o site, o blog ou a newsletter de uma empresa, mostre a medida do texto, não só a palavra SEO. Escrever um artigo é uma tarefa. Escolher a palavra-chave, publicar e acompanhar as visitas é um ciclo de trabalho, e é esse ciclo que a vaga de conteúdo procura.
Antes: Produzi conteúdo com SEO para o blog da empresa.
Depois: Escrevi 25 artigos com palavra-chave definida antes da redação e medi as visitas de cada um no Google Analytics, com ajuste de título em 9 deles após os primeiros 30 dias.
Se você é jornalista e foi para a área de conteúdo, o currículo de redator com portfólio mostra como levar essa ponte para o currículo sem perder o vocabulário de redação. Se o seu trabalho se parece mais com campanhas pagas, o currículo de gestor de tráfego pago é o próximo passo na leitura.
O registro profissional é um dado da vaga, não um título automático
O registro profissional entra no currículo quando você o tem e quando a vaga o pede. O STF, no julgamento do RE 511.961, declarou inconstitucional a exigência de diploma de curso superior de jornalismo para exercer a profissão. Isso não significa que toda vaga aceita qualquer formação, porque a exigência de graduação pode existir como requisito da contratante.
Se você tem registro no Ministério do Trabalho (MTb), escreva o número ao lado do nome, sem inventar um. Se a vaga pede o registro e você não tem, não o escreva como se tivesse. Veja antes se a vaga aceita experiência no lugar, e a resposta fica mais clara ao ler o requisito com atenção.
O que fazer agora com o seu currículo de jornalista
A ideia central é esta: cada texto que você publicou tem um formato, uma função e um canal, e o currículo que escreve os três cabe na triagem de qualquer vaga da área. Se você escreve só “comunicação” ou “redação”, a vaga de assessoria passa por cima de você, e a vaga de redação não encontra o que procura. Antes de se candidatar, copie os termos de formato e de função da vaga e confira se eles aparecem no seu texto, com o seu papel ao lado. A análise gratuita do AjustaCV compara o seu currículo com o texto da vaga que você colar, sem cadastro, e mostra quais termos dela já estão no currículo e quais faltam. Faça isso para cada vaga, porque release, pauta e matéria não pesam igual em todas.
Perguntas frequentes
O que o ATS procura em um currículo de jornalista?
Procura os nomes das peças e das funções que a vaga descreve: release, pauta, matéria, assessoria de imprensa, apuração, mídia espontânea. Procura também o canal onde o trabalho foi publicado, como site, revista, boletim ou redes sociais. Um currículo que diz só jornalista e comunicação deixa essa leitura para quem recebe, e a triagem não faz essa dedução por você.
Preciso ter diploma de jornalismo para me candidatar?
Não é uma exigência geral da profissão, porque o STF declarou inconstitucional a obrigação de diploma de curso superior de jornalismo para exercê-la. Mas vagas podem pedir graduação, e nesse caso o requisito é da vaga. Se você tem o curso, escreva o nome e a instituição. Se não tem, não invente, e veja se a vaga aceita experiência no lugar.
Assessoria de imprensa e redação precisam de currículos diferentes?
Precisam de ênfases diferentes, sim. Assessoria pede release, pauta, mídia espontânea e relacionamento com veículos. Redação pede matéria, apuração, checagem e prazo de fechamento. Se você fez os dois, mostre os dois, mas comece pelo lado da vaga. O resumo profissional deve dizer para qual lado você está se candidatando.
Como escrever resultado de jornalismo quando o cliente não deixa divulgar o nome?
Descreva o tipo de cliente e o número de peças, sem o nome. Diga, por exemplo, cliente do setor de saúde ou empresa de tecnologia, com 18 inserções em 10 meses. O número e o tipo de veículo cabem no texto sem revelar a conta. Não use o nome de um veículo que não publicou a sua pauta.
Vale colocar marketing de conteúdo e SEO no currículo de jornalista?
Vale, se você fez esse trabalho de verdade. Escreva o que mediu: visitas, tempo de leitura, cliques em uma newsletter, palavras-chave escolhidas para cada texto. Se você só escreveu textos e alguém cuidou da publicação e da análise, diga isso. Um currículo com SEO e alcance medido pede um repertório que a entrevista confirma.
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