Pode acontecer, sim. Em algumas seleções, a empresa pede nomes de referência e entra em contato com essas pessoas antes de fechar a contratação. Quem decide se liga, para quem liga e com quais perguntas é a empresa, e você quase nunca fica sabendo na hora. O que está nas suas mãos é escolher quem indica, avisar essa pessoa com antecedência e entender o que a lei protege quando uma informação é desfavorável.

Por que a empresa faz checagem de referências?

A checagem serve para confirmar o que está no currículo e o que foi dito na entrevista: o período de trabalho, a função que você exercia e a forma como você costumava trabalhar com outras pessoas. Para o recrutador, a conversa com alguém que acompanhou o seu dia a dia é uma informação diferente da que ele tem no papel.

Nenhuma dessas conversas garante a contratação, e a decisão continua sendo da empresa. Ela pesa a referência junto com a entrevista, os testes e as demais etapas. Por isso, o mais útil para você é que a referência confirme fatos que você já escreveu, e não que tente vender uma versão nova de você.

Quem é uma boa referência?

Uma boa referência é alguém que viu o seu trabalho de perto, consegue descrever o que você entregou e não tem receio de falar sobre isso. O chefe direto costuma ser a primeira opção, mas nem sempre é possível. Um líder de projeto, um par que trabalhou em conjunto ou um cliente interno também servem, desde que conheçam o que você fazia.

Um chefe que saiu da empresa há muito tempo pode não lembrar os detalhes da sua função, e isso enfraquece a conversa mesmo quando a opinião é boa. Se você não sabe como apresentar esses nomes no papel, veja como colocar referências no currículo e o que é a carta de recomendação, que trata da forma de apresentar esses contatos.

Preciso autorizar que me liguem?

Pela Lei 13.709/2018, que criou a LGPD, o tratamento de dados pessoais precisa seguir a boa-fé e princípios como a finalidade e a necessidade (art. 6º). A finalidade exige um propósito legítimo, específico e informado ao titular. A necessidade limita a coleta ao mínimo, com dados pertinentes e não excessivos. Na prática, a empresa deve ter um motivo claro para falar com a sua referência e não deve pedir mais do que precisa.

Vale perguntar ao recrutador para que serve a checagem e o que será perguntado. Se a resposta for vaga, você tem uma informação útil sobre a conversa. Não passe nomes de pessoas que não sabem que foram citadas, porque isso coloca a referência numa situação que ela não escolheu. Checagem de antecedentes é outra coisa, com regras próprias, e está em o que o background check verifica no processo seletivo.

O que o ex-chefe pode dizer?

A CLT, no art. 29, § 4º, veda ao empregador fazer anotações desabonadoras à conduta do empregado na carteira de trabalho. Essa regra protege o registro na CTPS, e não diz tudo sobre uma ligação feita por telefone. Ela é um ponto de partida, e não uma garantia de que a conversa será neutra.

O que se pode esperar de uma boa referência é que ela fale com cuidado e com exemplos concretos, sem exagerar nem omitir. Uma referência que diz “ele cumpria prazos e trabalhava bem com a equipe de vendas” ajuda mais do que uma que só diz “era ótimo”. Se você quer que a conversa seja útil, peça à sua referência que se lembre de fatos e não de impressões.

E se a referência for ruim?

Antes de tudo, pergunte ao recrutador diretamente o que foi ouvido e se há algo que você possa esclarecer. Muitas vezes a resposta é uma dúvida simples sobre um período, e não uma objeção ao seu perfil. Se o assunto for uma informação que você considera falsa, responda com fatos, datas e documentos que tiver, sem atacar a pessoa que falou.

Se você acredita que uma informação falsa ou desabonadora causou prejuízo, a orientação de um advogado trabalhista é o caminho certo para avaliar o caso. Este texto não resolve essa questão jurídica, que depende dos fatos de cada situação. O que ele pode fazer é ajudar você a não chegar nesse ponto sem preparo.

Como avisar a pessoa que você indicou?

Avise antes, por mensagem e, se possível, por telefone. Diga qual é a vaga, em que empresa, e quando vocês trabalharam juntos. Pergunte se ela se sente confortável em falar sobre o seu trabalho. Se ela aceitar, envie um resumo com as suas principais entregas, para que ela não precise confiar só na memória. Um modelo curto pode ser este:

“Oi, tudo bem? Estou em um processo seletivo para a vaga de [cargo] e indiquei você como referência sobre o período em que trabalhamos juntos. Posso te mandar um resumo das minhas principais entregas por lá? Se preferir não ser contatado, me avise sem problema.”

Essa última frase não é formalidade. Uma pessoa que se sente pressionada costuma falar de forma mais dura ou mais vaga, e uma pessoa que pode recusar com tranquilidade fala com mais liberdade quando aceita.

E se a empresa perguntar por que você saiu?

A referência costuma ser perguntada também sobre o motivo da sua saída. Antes de chegar nesse ponto, vale ter uma resposta curta e verdadeira, e que bata com o que o seu ex-chefe vai dizer. Veja como explicar a demissão na entrevista e o motivo da saída no currículo, que cobre essa resposta com mais detalhes. O princípio é o mesmo: a versão de uma pessoa precisa bater com a versão da outra.

Como a checagem aparece na plataforma?

Cada empresa configura o próprio processo e escolhe as etapas, e a Gupy cita como exemplos cadastro, testes, vídeo, entrevistas e etapas feitas fora da plataforma. Uma checagem de referências pode entrar como uma etapa a mais ou acontecer por fora.

Quando uma etapa de teste na Gupy não traz o botão para iniciar, a plataforma avisa que ela acontece fora dela e que é preciso esperar o contato da empresa por e-mail. Se a checagem não aparecer na plataforma, a pergunta é com a empresa, pelo e-mail ou pelo recrutador que conduz a vaga. Não espere que a plataforma avise sozinha quando a ligação vai acontecer.

Como se preparar para a ligação?

Você não controla o que a referência vai dizer, mas controla o que ela tem para lembrar. Antes de mandar os nomes, releia o seu currículo como se fosse a pessoa que vai confirmar cada linha. Um preparo simples costuma incluir:

  • as datas de início e fim exatamente como estão no currículo e na carteira;
  • o cargo com que você saiu, e não apenas o último título que a empresa usou;
  • dois ou três projetos ou resultados que a pessoa pode lembrar sem consultar nada;
  • o nome do recrutador e o que a vaga pede, para que a referência saiba o contexto.

Antes de enviar nomes, rode o currículo na análise gratuita. Ela aponta, sobretudo, as palavras-chave da vaga que ainda faltam no documento. A análise não mede o que as suas referências vão dizer, mas ajuda a revisar o documento que elas vão ouvir ser mencionado.


Perguntas frequentes

Referência profissional: o que colocar no currículo?

Coloque o nome completo da pessoa, o cargo que ela ocupava na época, a empresa e um contato em que ela saiba que foi indicada. Não invente nomes e não inclua alguém que não tenha sido avisado. Se você preferir não expor os contatos logo no documento, escreva que as referências estão disponíveis mediante solicitação. Assim a informação chega à empresa no momento em que ela realmente for pedida.

A empresa é obrigada a ligar para a minha referência?

Cada empresa configura o próprio processo seletivo, e a checagem de referências é uma decisão dela. Não há um momento fixo para ela acontecer. Você pode perguntar ao recrutador se a checagem faz parte do processo e em que etapa ela entra. Se ela não fizer parte, você ganha tempo para avisar as pessoas que tinha pensado em indicar.

A minha ex-empresa pode falar mal de mim para outra empresa?

A CLT veda ao empregador fazer anotações desabonadoras à conduta do empregado na carteira de trabalho. Essa regra trata do registro na CTPS, e não de uma conversa por telefone. Por isso, não é possível afirmar, de forma geral, tudo o que um ex-empregador pode ou não dizer. Se você acredita que uma informação falsa causou prejuízo, a orientação de um advogado trabalhista é o caminho certo.

Preciso autorizar a empresa a falar com o meu ex-chefe?

Não existe um formulário padrão para isso em todos os casos. O que vale fazer é avisar a pessoa antes e perguntar ao recrutador qual é a finalidade da checagem. Pela LGPD, o tratamento de dados pessoais segue a boa-fé e princípios como finalidade e necessidade, por isso a conversa precisa de um motivo claro e de um escopo restrito ao essencial.

Quem não devo colocar como referência?

Não indique quem não sabe que foi citado, quem não acompanhou o seu trabalho de perto e quem tem um conflito pessoal com você que possa distorcer a conversa. Também não crie nomes de empresas ou de pessoas. Uma referência que confirma o que você escreveu no currículo tem mais utilidade do que alguém que apenas diz que você é ótimo.

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