Para montar o currículo com a Carteira de Trabalho Digital, entre com a sua conta gov.br, abra o histórico de vínculos e copie, para cada emprego, o nome da empresa, o cargo registrado, a data de admissão e a data de saída. Essas informações são o que o recrutador confere na entrevista. Se o seu texto diz uma coisa e o registro diz outra, a diferença vira pergunta. Um vínculo que falta se resolve com o ex-empregador, não com um currículo que inventa a experiência.
Onde ver o histórico de vínculos na Carteira de Trabalho Digital
A Carteira de Trabalho Digital é um serviço do governo federal em que o trabalhador acompanha os contratos registrados em seu nome. Você pode usar o aplicativo ou o site. Os nomes das telas mudam com as atualizações, então procure a área de contratos ou de vínculos e siga o que estiver na tela.
Para conferir a descrição oficial do serviço, use a página da carteira de trabalho no gov.br. O que importa para o currículo é o conteúdo do histórico, que é a fonte mais confiável das suas datas. Quem lembra de memória costuma trocar meses e anos, e uma troca de poucos meses já muda a leitura de uma sequência de empregos curtos. Por isso o histórico vem antes da lembrança, sempre.
O que aparece em cada vínculo e o que copiar para o currículo
Cada vínculo traz, em geral, o nome da empresa, o cargo registrado, um código de ocupação (CBO), a data de admissão e, quando já houve, a data de saída. O salário aparece somente se o empregador o informou, então não conte com esse dado. Copie para um bloco de notas as quatro informações que importam para o currículo: empresa, cargo, admissão e saída.
O código de ocupação é uma classificação para o governo e para o registro da empresa. O recrutador lê o título do cargo, e é por ele que a vaga procura. Por isso você escreve o título, e não o código, no currículo.
Modelo de entrada (dados inventados):
Auxiliar de estoque, Distribuidora Exemplo Ltda.
03/2019 a 01/2021
Separação de pedidos, conferência de notas fiscais e controle de validade em depósito de 600 metros quadrados.
A última linha do modelo é a que você escreve sozinho. O histórico diz quando você trabalhou e em que cargo. As tarefas e os números vêm da sua memória do dia a dia, e precisam ser verdadeiros, porque podem virar pergunta na entrevista.
Como usar as datas exatas no currículo
Use mês e ano exatamente como estão no histórico. Datas arredondadas, como “2019 a 2021”, funcionam para um currículo de anos, mas escondem intervalos. Quando o recrutador compara o currículo com o registro, um intervalo que sumiu vira dúvida, e dúvida costuma virar dispensa.
- Use a mesma ordem. Do emprego mais recente para o mais antigo, como a maioria dos modelos pede.
- Escreva “atual” só para o vínculo em aberto. Se a saída está no histórico, ela vai no currículo, mesmo que você ache que não importa.
- Não some períodos parecidos. Dois empregos no mesmo mês, em empresas diferentes, são duas linhas. Juntar os dois mostra uma experiência que você não teve.
Todos os empregos entram no currículo? Em geral, sim, sobretudo os registrados nos últimos dez a quinze anos. Empregos muito antigos e sem relação com a vaga podem virar uma linha só, como “Outras experiências em comércio, 2008 a 2012”. Assim a sequência de datas continua batendo com o registro, e o espaço do currículo fica com o que importa para a vaga. Não apague nada do histórico, apenas do texto.
Se há um intervalo sem vínculo entre dois empregos, não tente preenchê-lo. O jeito de explicar uma lacuna está em lacuna no currículo: como escrever um período desempregado.
Quando o cargo da carteira é diferente da função que você exercia
Essa é a situação mais comum e a que mais assusta. Um título que mistura o registro com a função costuma funcionar bem na leitura do ATS e na entrevista, desde que o termo do registro continue visível.
Modelo de título (dados inventados): Auxiliar administrativo (atendimento ao cliente e cadastro de pedidos)
Essa é a situação mais comum e a que mais assusta. Se a carteira diz “auxiliar administrativo” e você passou o período no atendimento ao cliente, escreva o cargo registrado no título da experiência e descreva as tarefas que realmente fazia logo abaixo. O registro é o que a empresa anotou, e as tarefas são o que você fez dentro dele.
Quando a diferença entre o cargo e a função é grande, a orientação geral é confirmar com o RH da empresa ou com o sindicato da sua categoria antes de mudar o título oficial. O caso está explicado em cargo da carteira diferente no currículo, com o que levar em conta antes de escrever o título.
Como comprovar experiência na admissão
Na admissão, o empregador precisa do seu registro. Pela regra da carteira digital, a versão eletrônica vale como a física para os fins da CLT, e, para empregadores no eSocial, informar o CPF equivale a apresentar a carteira. Na prática, você pode não precisar levar o papel, mas precisa saber o CPF e ter o histórico à mão.
Leve a identidade e a lista de documentos que a empresa pediu. A relação completa, com a forma de envio, está em documentos para admissão: lista completa e como enviar. Quem chega com as datas do currículo batendo com o histórico economiza a conversa que mais atrasa a admissão.
O que fazer quando um vínculo não aparece
Um vínculo sem registro é um problema do registro, e não do seu currículo. Se o emprego é recente, espere o processamento, porque o contrato só fica visível depois que as anotações são processadas. Se o emprego é antigo e continua sem aparecer, peça ao ex-empregador que confira o envio ao eSocial e, havendo erro, que faça a correção.
Enquanto isso, não escreva o vínculo como se estivesse registrado. Se o trabalho foi sem carteira assinada, descreva a função e o período com cuidado, como explica trabalho sem carteira assinada no currículo. Um vínculo que você só consegue provar com uma conversa é melhor do que um vínculo que não sobrevive a uma pergunta.
Digital ou física: o que cada uma comprova
A versão digital é a referência principal do seu histórico de trabalho. Ela não serve como documento de identidade, e isso precisa ficar claro em qualquer admissão. O RG ou outro documento oficial continua sendo a identificação.
Se a empresa pedir uma das duas versões, pergunte qual aceita e leve a identidade em qualquer caso. Antes de mandar qualquer arquivo por e-mail, confirme o que a vaga pede: o histórico é um dado seu, e não precisa ir para a empresa se o currículo já traz as datas corretas e a empresa aceita o registro digital.
Vale também guardar uma cópia do histórico em PDF, com a data em que foi consultado. Se um vínculo mudar de status depois, você tem a referência do que estava registrado naquele dia, e pode comparar com o que a empresa recebeu.
Como fechar o currículo com o registro e a vaga
O histórico diz o que você fez e quando. A vaga diz como isso deve ser escrito. Antes de enviar, confira se o cargo do anúncio aparece no seu título e se as tarefas da vaga aparecem nas suas experiências. Cole a vaga e o currículo na análise gratuita do AjustaCV para ver a pontuação por categoria, as palavras da vaga encontradas e as que faltam, e se o título bate com o cargo.
Se você ainda está montando o currículo do zero, o caminho do cadastro público está em SINE e Emprega Brasil: como cadastrar currículo, e a forma de descrever cada experiência com resultados está em como descrever experiência no currículo com resultados e números. Use as datas do histórico, as tarefas da sua rotina e as palavras da vaga, nessa ordem.
Perguntas frequentes
Como acessar a carteira de trabalho digital?
Você acessa a Carteira de Trabalho Digital pelo aplicativo ou pelo site do governo federal, em geral com a sua conta gov.br. Depois de entrar, procure a área de contratos ou vínculos de trabalho. Os nomes das telas mudam com as atualizações, então siga o que aparecer na tela. Se o acesso não entrar, confira o login e a validação da conta gov.br antes de qualquer outra coisa.
Carteira de trabalho digital não entra, o que fazer?
Primeiro, confira se o login da conta gov.br está correto e tente de novo mais tarde, porque o sistema pode ficar instável em horários de pico. Se o problema continuar, procure o atendimento oficial pelos canais do gov.br. Enquanto isso, anote as empresas, os cargos e as datas que você já sabe de cabeça, para o currículo não parar.
A carteira de trabalho digital vale como documento?
Ela vale como a carteira física para os fins da CLT, segundo a Portaria SEPRT nº 1.065/2019, mas não serve como documento de identidade. Para se identificar em uma empresa, leve o RG ou outro documento de identidade oficial, junto com o número do CPF. A versão digital comprova os empregos, mas não substitui a identidade.
Emprego antigo não aparece na carteira digital, o que fazer?
Um emprego recente pode não aparecer ainda, porque o contrato só fica visível depois que o empregador envia e o registro é processado. Se um emprego antigo não aparece, peça ao ex-empregador que confira o envio ao eSocial e, se houver erro, a correção. Até lá, não invente o vínculo: liste o que pode comprovar e explique o período no texto ou na entrevista.
Posso colocar no currículo o cargo que está na carteira digital?
Sim. O cargo registrado é a referência principal, porque é o que a empresa anotou. Se a função que você exercia foi outra, descreva as tarefas reais dentro do mesmo registro e confirme com o RH ou com o sindicato da categoria antes de mudar o título oficial. Assim o currículo e a carteira não contradizem um ao outro.
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