Quando o cargo da carteira é diferente do que você faz, o currículo leva os dois: o título registrado e a função real, lado a lado. O erro está nos dois extremos. Quem escreve só o cargo registrado esconde o trabalho que a vaga procura, e quem escreve o cargo que gostaria de ter arrisca ser confrontado com a carteira numa checagem. Paulo, no nosso exemplo, é auxiliar administrativo há três anos e faz análise de vendas para a diretoria. A linha honesta é “Auxiliar Administrativo (atuação em análise de dados)”.

Um título que você nunca teve pode ser conferido e derrubar o currículo inteiro

Muitas empresas confirmam cargo e período com o antigo empregador antes de contratar, e o registro do vínculo é o que existe de oficial. Um currículo que diz “Analista de Dados” quando o registro diz “Auxiliar Administrativo” cria uma divergência que ninguém vai ler como generosidade com a própria função. Lê como fraude, e a fraude contamina as outras linhas.

O caso inverso custa em silêncio. O currículo que só diz “Auxiliar Administrativo” não aparece nas buscas por analista, porque o título é o primeiro campo que um sistema de recrutamento e um recrutador procuram. O trabalho real, que está descrito lá embaixo, fica sem leitura.

O cargo registrado com a função real ao lado é o formato que aguenta a checagem

A solução é manter o título verdadeiro e dizer, na mesma linha ou logo abaixo, o que você faz. Há duas formas que funcionam, e as duas deixam o dado oficial intacto:

Forma 1: Auxiliar Administrativo (atuação em análise de dados de vendas), Empresa Exemplo, mar/2023 a atual

Forma 2: Auxiliar Administrativo | Análise de Dados, Empresa Exemplo, mar/2023 a atual

Nas duas, o recrutador que confirma o cargo encontra o cargo registrado, e o sistema que procura “análise de dados” encontra a expressão logo no título. Depois, as linhas de resultado precisam provar que a função real existe, com o que Paulo faz: as planilhas, as ferramentas, os relatórios e para quem apresenta.

Antes:“Apoio às rotinas administrativas e emissão de relatórios.”

Depois:“Consolido semanalmente os dados de vendas de 6 regiões em Excel e SQL, monto os dashboards no Power BI e apresento a leitura para a diretoria. Um dos relatórios apontou a queda de 9% em uma região e levou à revisão da tabela de preços.”

Esse texto vale para qualquer pessoa em situação parecida. O título diz o que consta, e a linha de resultado diz o que aconteceu. O guia de currículo de analista de dados mostra quais ferramentas e termos essa vaga busca, e o texto de transição de carreira cobre o que fazer quando a mudança de função ainda não tem cargo.

Desvio de função é um tema trabalhista, e o currículo não é o lugar para resolvê-lo

Desvio de função é o nome, no direito do trabalho, para a situação em que a pessoa exerce de forma habitual atividades diferentes da função contratada, normalmente mais complexas e sem o salário correspondente. Quem está nessa situação pode ter direito a diferenças salariais, mas isso depende do caso: das atividades, do tempo e do que o contrato e o plano de cargos dizem.

Este texto não é orientação jurídica. Se você se reconhece nessa descrição, procure um advogado trabalhista ou o sindicato da sua categoria antes de tomar qualquer atitude. E mantenha as duas coisas separadas: o currículo descreve o que você faz, e o direito trabalhista é uma conversa à parte. Levar essa discussão para uma entrevista, se ninguém perguntou, costuma soar como queixa contra a empresa atual.

Um cargo interno que só existe na sua empresa precisa de tradução

O outro lado do mesmo problema é o título registrado que não significa nada fora dali: “Analista III”, “Especialista Pleno N2”, “Colaborador Sênior”. Nenhuma vaga pede isso. A solução é escrever o título de mercado equivalente na linha do cargo e citar o oficial uma vez na descrição, com uma frase como “cargo formalmente registrado como Analista III”.

O critério da tradução é o nível de responsabilidade e o nome que a função tem em vagas parecidas. Se você lidera duas pessoas e reporta ao gerente, “Analista III” costuma equivaler a pleno ou sênior. Olhe cinco vagas da sua área, veja como elas nomeiam o mesmo trabalho e use o título mais frequente. A regra vale para o formulário da Gupy também, como mostra o texto sobre o título do currículo e o objetivo profissional.

A função real vai no currículo, e o título que você não teve fica fora

O ponto principal é este: o cargo registrado fica na linha, a função real acompanha e as linhas de resultado provam. Se você mantiver só o título da carteira, o trabalho de análise de Paulo continua invisível para quem procura um analista. Se trocar o título, uma checagem transforma três anos de experiência real em suspeita. Cole o currículo e a vaga na análise gratuita em /ats e veja quais termos da vaga o seu texto ainda não cobre. Se o resultado pedir ajuste, a otimização completa custa R$ 7,80 via PIX em /checkout.


Perguntas frequentes

Qual cargo colocar no currículo, o da carteira ou o que eu realmente faço?

Coloque o cargo registrado e descreva a função real ao lado: “Auxiliar Administrativo (atuação em análise de dados de vendas)”. O título da carteira é o que uma empresa confirma numa checagem, e a função real é o que a vaga procura. Escrever só o cargo que você gostaria de ter pode parecer fraude, e escrever só o registrado esconde o que você sabe fazer.

Posso escrever “Analista de Dados” se faço análise de dados mas sou registrado como auxiliar?

Não como cargo. Analista de Dados é um título que você nunca ocupou formalmente, e uma checagem de referências pode comparar o que está no currículo com o que a empresa informa. Escreva o cargo registrado, acrescente a função real entre parênteses ou depois de uma barra e prove o trabalho de análise nas linhas de resultado.

O que é desvio de função?

É quando o trabalhador passa a exercer, de forma habitual, atividades diferentes das da função para a qual foi contratado, geralmente mais complexas e sem o ajuste de salário correspondente. Trata-se de uma questão trabalhista: quem se enxerga nessa situação pode ter direito a diferenças salariais e deve procurar um advogado trabalhista ou o sindicato da categoria.

Devo falar sobre desvio de função na entrevista?

Só se perguntarem. Uma entrevista de emprego não é lugar para discutir direitos trabalhistas com a empresa atual, e o recrutador pode entender como queixa. Se a pergunta vier, diga com neutralidade: “meu cargo é de auxiliar, e nos últimos dois anos assumi as análises de vendas, que é o trabalho que quero seguir fazendo”. Conte o que fez, sem acusar ninguém.

O que fazer com um cargo interno como “Analista III” no currículo?

Traduza para o nome que o mercado reconhece e preserve o oficial uma vez. Uma vaga nunca pede “Analista III” ou “Especialista Pleno N2”, mas pede “Analista Financeiro Sênior”. Escreva o título de mercado na linha do cargo e, na descrição, uma menção como “cargo formalmente registrado como Analista III”, para que ninguém estranhe numa checagem.

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