Escrever react no currículo sem mais nada é a forma mais comum de a palavra não ajudar. A vaga que pede React quer saber se você monta uma tela do zero, se mantém uma aplicação com dezenas de rotas e se escolheu Next.js ou Vite para isso. O nome sozinho não responde nenhuma dessas perguntas. Este guia mostra como escrever React com versão, ecossistema, estado e produto entregue, e quando a palavra deve ficar de fora.
Quando a versão do React merece lugar no currículo?
A versão entra quando um recurso dela fez parte do seu trabalho. Escreva o número junto com o recurso, e não como enfeite ao lado do nome. Se a vaga não menciona versão, o número sozinho não muda a triagem.
Antes: React 19, JavaScript, interfaces web.
Depois: Interfaces em React 19, com componentes de servidor no Next.js para carregar o catálogo sem enviar a biblioteca de busca ao navegador.
A segunda versão diz o que o número significa para o projeto. Se você não usou nenhum recurso específico de uma versão, escreva React e deixe o número de fora.
Diga em qual ecossistema do React você trabalhou
React é uma biblioteca para construir interfaces. Roteamento, renderização e build vêm de outras peças, e cada uma muda o que a vaga espera de você. Escreva as peças que você configurou, na ordem em que elas aparecem no projeto.
- Next.js. Framework com roteamento por arquivo e renderização no servidor. Se a vaga pede Next.js, a palavra precisa estar no currículo com o que você fez, como rotas dinâmicas ou geração de páginas.
- Vite com React Router. Combinação comum em aplicações de página única, em que o build e as rotas são responsabilidade sua. Escreva as duas, porque o recrutador entende que quem configurou o roteamento sabe mais que quem só criou componentes.
- Testes de componente. Testing Library ou ferramentas equivalentes. O guia de currículo de desenvolvedor front-end trata a parte de testes em detalhe, então aqui basta dizer o que você testou em React.
Se você não configurou nada e recebeu o projeto pronto, diga que trabalhou num projeto existente com essa estrutura. Não atribua a você uma escolha de arquitetura que outra pessoa fez.
Estado e dados do servidor são duas coisas, e a linha deve separá-las
Estado local, como abrir ou fechar um menu, e dados vindos de uma API são problemas diferentes no React. Um currículo que escreve gerenciamento de estado sem dizer qual parte da aplicação ele cobria não mostra nada. Cite a biblioteca e o tipo de dado que ela controlava.
Antes: Gerenciamento de estado com Redux e cache de requisições.
Depois: Estado dos filtros de busca no Zustand, com a seleção sincronizada à URL, e cache das listagens com TanStack Query, para que voltar a uma página não refizesse a chamada à API.
A segunda versão tem duas bibliotecas e duas funções claras. Se você usou só o contexto nativo do React para um estado simples, escreva isso. Não há vergonha em um estado pequeno resolvido com o que o React já oferece.
O produto entregue com React é a linha mais forte do currículo
A pergunta que o recrutador faz depois de ler React é o que essa pessoa entregou. Uma linha de React precisa ter a tela ou o produto, o público que a usava e o efeito do trabalho. Sem essas três partes, ela fica no nível da lista de tecnologias.
Antes: Desenvolvimento de telas em React para e-commerce.
Depois: Página de checkout em React para a loja de eletrônicos, usada por cerca de quarenta mil pedidos por mês, com validação de endereço e cupom no próprio formulário.
O número de pedidos é um exemplo inventado para mostrar a forma. Use o seu número real, e se não puder revelar, descreva o efeito em palavras, como a fila de suporte que deixou de receber dúvidas de endereço. Se o seu trabalho foi do banco de dados ao componente, o guia de currículo de desenvolvedor full stack mostra qual lado da stack deve liderar a descrição.
React Native fica em outra linha, e React para web não cobre o mobile
Quem trabalhou com React Native não deve escrever apenas React, porque a vaga de aplicativo móvel pergunta sobre a navegação nativa, o build para Android e iOS e a publicação nas lojas. Quem trabalhou só com React para web não deve listar React Native para parecer mais amplo.
Se você fez as duas coisas, escreva as duas linhas separadas, cada uma com a sua entrega. Assim o recrutador de front-end e o de mobile encontram o trecho que procuram, e nenhum dos dois precisa interpretar um item ambíguo.
O que fazer quando o React ainda é só estudo
Um projeto de estudo pode mostrar React, desde que o texto diga o que é e o que foi decidido nele. O caminho mais útil é transformar um exercício de tutorial em algo com escopo próprio: uma tela real, dados de uma API pública e uma decisão de estado que você possa explicar. O link do repositório, com um README curto, dá ao recrutador técnico uma forma de conferir sem depender do que você conta.
Se a linguagem por trás do React ainda não está clara, o guia sobre JavaScript e TypeScript no currículo separa as duas e mostra como escrever cada uma. Para ver quais termos o perfil de quem trabalha com React costuma trazer, compare com as palavras-chave de desenvolvedor full stack e confira se cada uma já aparece numa frase de experiência.
Como fechar: escreva o React que você entregou, com a versão e o ecossistema que usou
A ideia central é esta: React no currículo vale pelo que foi construído com ele. Quem escreve só o nome deixa a vaga sem resposta, e quem exagera o escopo perde a credibilidade na primeira pergunta técnica. Antes de enviar, copie da vaga os termos de framework, estado e roteamento e confira se cada um tem uma frase de experiência que o prove. A análise gratuita do AjustaCV compara o seu currículo com o texto da vaga que você colar, sem cadastro, e mostra quais termos já aparecem e quais ainda faltam para você decidir o que descrever.
Perguntas frequentes
Preciso escrever a versão do React no currículo?
Escreva a versão quando a vaga depende dela ou quando o recurso foi parte do seu trabalho, como Server Components ou um recurso de transição de estado que você usou de fato. Se a vaga pede React sem número de versão, escrever React 19 ou React 18 não muda a leitura. Versão solta, sem recurso citado, parece preenchimento. Na dúvida, escreva o nome do framework com que você levou a aplicação ao ar, porque ele diz mais sobre a versão do que o número.
React Native conta como React no currículo?
Não como sinônimo. React Native usa a mesma ideia de componentes, mas roda em aplicativo móvel com outros componentes nativos e outro ciclo de build. Se você desenvolveu com React Native, escreva React Native por extenso. Se também fez React para web, escreva os dois em linhas separadas, porque a vaga de mobile e a de front-end pedem coisas diferentes e o recrutador lê as duas.
Next.js precisa aparecer junto com o React?
Precisa aparecer se você o usou. Next.js é um framework construído sobre o React, com roteamento e renderização no servidor. Uma vaga que pede Next.js e uma que pede React puro são perguntas diferentes, e quem usou só um deles deve escrever só esse. Se você usou Vite com uma aplicação de página única, diga Vite, porque é um dado técnico que muda a conversa na entrevista.
Vale listar bibliotecas de estado, como Redux ou Zustand?
Vale quando você escolheu a biblioteca e explica por quê. Liste a que você configurou e usou no projeto, com o que ela guardava, como o estado do carrinho ou os filtros de uma busca. Não liste as que apenas comparou em artigo. Uma linha com a biblioteca e a função que ela cumpriu responde à pergunta de entrevista que quase sempre vem depois: por que vocês escolheram essa e não outra.
Um projeto de estudo em React ajuda o currículo?
Ajuda quando é um projeto completo, com tela, dados vindos de uma API e algo publicado ou disponível para ver. Um projeto que seguiu um tutorial de contador ou de lista de tarefas mostra que você começou, e a linha deve dizer isso. Se o projeto estiver no GitHub e tiver um README que explique as decisões, o recrutador técnico consegue abrir e avaliar sem depender do que você contar.
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