Muita gente com perfil ativo trava nesta dúvida sobre o número de seguidores no currículo. A resposta curta é que ele depende de duas coisas: se a conta é sua e se a vaga tem alguma relação com audiência. Um número de 12 mil seguidores pode abrir uma porta numa vaga de criação e fechar outra numa vaga de estoque, porque o recrutador de estoque não sabe o que fazer com ele. Este texto mostra quando o número ajuda, quando atrapalha e o que escrever no lugar.

O número total ajuda quando a audiência é o trabalho

Se você cria conteúdo para viver, a audiência é parte do produto que você entrega. Nessa situação, o número total é uma informação de mercado, parecida com o tamanho de uma carteira de clientes para um vendedor. Ele ajuda o recrutador a imaginar o alcance que você já provou.

Mesmo assim, o total sozinho não basta. Ele mostra o tamanho da conta hoje, não o que você fez para chegar lá. Por isso ele precisa vir acompanhado do nicho, do formato principal e do período em que a base cresceu. Sem isso, a pergunta seguinte é sempre a mesma: esse número comprado, herdado ou construído?

Quando o total atrapalha: vaga sem relação com audiência

Numa vaga de auxiliar financeiro, de estoquista ou de assistente jurídico, o número de seguidores não responde a nenhuma pergunta da vaga. Ele ocupa espaço no cabeçalho e cria uma leitura errada: parece que você tem uma marca pessoal e não um trabalho. O recrutador precisa de outra coisa.

Há um segundo efeito, menos óbvio. Quando o perfil pessoal é grande e mistura assuntos, o recrutador pode se perguntar em qual área você realmente quer trabalhar. Um número alto de seguidores em uma conta de opinião sobre tudo não ajuda a candidatura de quem busca um cargo específico.

Troque o total por crescimento no período e resultado do perfil

Se a conta tem relação com a vaga, o que o recrutador quer é a trajetória, não o tamanho. O crescimento num período definido mostra capacidade de fazer a conta crescer, e um resultado ligado ao perfil mostra para que essa audiência serviu.

Antes: Instagram com 12.000 seguidores.
Depois: Conta de conteúdo sobre conservação de alimentos: 2.300 novos seguidores em quatro meses, com 3 vídeos por semana, e 180 pedidos de receita enviados pelo direct.

A segunda versão cabe numa linha e responde três perguntas de uma vez: quanto cresceu, em quanto tempo e para que serviu. Os números do exemplo são inventados, e o seu precisam ser verdadeiros e ter a mesma estrutura. Se a sua conta não cresceu, troque a linha por algo que você fez, como a frequência e o formato das peças.

Para as métricas que sustentam esse tipo de linha e como escrever o período e a base, veja métricas de redes sociais no currículo.

O perfil pessoal também vai para a triagem

Colocar o link do perfil no currículo é uma decisão sobre o que o recrutador vai encontrar. Muitas pessoas pensam no número e esquecem que a conta inteira está a um clique. O perfil pode ter uma foto de festa, uma opinião forte ou uma briga antiga, e tudo isso faz parte da leitura.

  • Decida o que é público. Se a conta é pessoal e você não quer que ela seja vista pela empresa, deixe-a privada e não coloque o link. Um número de seguidores sem o link também conta.
  • Crie um perfil profissional, se precisar. Uma conta dedicada ao trabalho, com nome claro e conteúdo da área, pode ser o link do currículo, desde que o conteúdo exista de verdade.
  • Confira o que aparece na busca pelo seu nome. O recrutador faz essa busca antes de ligar. O que ele vê ali é o que conta, e vale conferir com a mesma atenção que você dá ao currículo.

Para entender o que costuma aparecer quando alguém pesquisa o seu nome, leia o que o recrutador encontra ao pesquisar o seu nome.

Conta de cliente ou de empresa: o número não é seu

Muita gente que tem o número mais alto no currículo administrava o perfil de outra pessoa ou de outra empresa. Nessa situação, o número é do dono da conta. Escrever como se fosse seu é o erro que mais derruba um candidato na entrevista, porque o recrutador pode checar com o próprio dono ou simplesmente abrir o perfil.

O certo é descrever o papel: administrava o perfil de uma loja, cuidava das publicações e respondia o direct. Se o dono aceitar, o número total pode aparecer com o nome do negócio. Se não aceitar, o crescimento em percentual ou em faixa resolve sem expor a base.

Quando não há número para mostrar

Se você não tem conta, ou a conta é pequena e não cresceu, a melhor decisão é deixar o número de fora. Não há vergonha nisso. O currículo não precisa de todas as informações que você tem, e uma linha sem número é melhor do que uma linha com um número que não resiste a uma pergunta.

Isso não impede de mostrar o que você fez. Quem cuida de redes sociais de uma loja pode escrever a frequência e o formato das publicações, e quem produz conteúdo pode escrever os temas e o ritmo. Para escrever essa experiência dentro da função que você exerceu, leia redes sociais no currículo para quem não é do marketing.

O que fazer agora com o número de seguidores

A regra que resume o texto é esta: o número entra no currículo quando a conta é sua, tem relação com a vaga e vem com crescimento e resultado. Fora disso, ele é ruído, e o recrutador pode lê-lo como vaidade. Se você não tem como provar de onde veio o número, deixe-o fora da candidatura.

Antes de enviar, rode o texto da vaga na análise gratuita em /ats. Ela compara o currículo com os termos da vaga e mostra quais já aparecem e quais faltam. Os termos de social media que costumam aparecer em vagas da área estão em palavras-chave de social media.


Perguntas frequentes

Devo colocar o número de seguidores no currículo?

Depende da vaga e de quem é o dono da conta. Se você cria conteúdo para vagas de criação ou de marca pessoal, o número pode ser parte do trabalho. Se a vaga é de outra área, ele costuma distrair. Em qualquer caso, coloque o número só se a conta for sua ou se você souber explicar de onde ele veio.

Como escrever seguidores no currículo quando o número é pequeno?

Não escreva o total isolado. Troque por crescimento no período e pelo que a conta produziu, como publicações feitas, respostas recebidas ou pedidos vindos do perfil. Um número pequeno com um resultado claro convence mais do que um número grande sem explicação.

Seguidores de uma conta que eu administrava para a empresa podem entrar no meu currículo?

Podem entrar como parte do que você fez, com o nome do negócio ou com a descrição do porte, mas não como um número seu. Escreva que você administrava o perfil, o período e o ritmo de trabalho. Se o dono pediu sigilo sobre a base, não cite o total exato.

O recrutador vai abrir meu perfil de Instagram ou TikTok?

Pode abrir, sobretudo se o currículo traz o link. Por isso o que está público na conta faz parte do currículo. Antes de colocar o perfil, percorra as últimas publicações e veja o que aparece para quem não te segue. Se o conteúdo não deve estar na triagem, não coloque o link.

Vale colocar o número de seguidores no LinkedIn e no currículo ao mesmo tempo?

O LinkedIn tem outro público e outro formato, e ali o número pode aparecer de forma diferente. No currículo, ele precisa ter contexto e data. Use o mesmo dado nos dois lugares apenas se ele estiver com a mesma janela e a mesma explicação, para que ninguém encontre números que não batem.

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