Escrever “inglês intermediário” no currículo não informa nada, porque a palavra significa uma coisa para quem escreve e outra para quem lê. A resposta prática para o nível de inglês no currículo é trocar o adjetivo por uma referência que o recrutador reconheça: o nível do quadro europeu (A1 a C2), uma frase do que você faz na língua e, quando existir, a nota de um teste. A versão honesta também vence por um motivo prático: muita empresa confere o seu inglês antes de assinar a proposta.

Básico, intermediário e fluente não querem dizer nada sem uma régua

Pergunte a três pessoas o que é “inglês avançado” e você recebe três respostas. Para uma, é ler manual técnico. Para outra, é entender série sem legenda. Para o recrutador, é a pessoa que vai atender um cliente estrangeiro na segunda-feira. O rótulo é sempre o mesmo, e é por isso que ele não filtra nada: cada leitor lê o seu.

A régua que o mundo inteiro usa para resolver isso é o Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR, em inglês), criado pelo Conselho da Europa. Ele divide o conhecimento de um idioma em seis níveis, de A1 a C2, e cada um descreve o que a pessoa consegue fazer, não quantos anos estudou. Escolas de idiomas, exames internacionais e RHs de multinacionais falam essa língua. Um recrutador que lê B2 não precisa interpretar nada.

Cada nível do quadro europeu tem uma tradução para o dia de trabalho

A tabela abaixo traduz os seis níveis para a rotina de escritório. As descrições de trabalho são leituras práticas, não texto oficial: o quadro define capacidades gerais, e traduzir isso para a reunião de segunda-feira é trabalho de quem escreve.

NívelNome comumO que costuma significar no trabalho
A1InicianteFrases muito simples, apresentação pessoal. Ainda não sustenta e-mail nem reunião.
A2BásicoEntende avisos, mensagens curtas e rotina conhecida. Precisa de tradutor para qualquer documento.
B1IntermediárioLê e-mails simples e conversa sobre assuntos conhecidos, mas se perde quando a conversa acelera.
B2Intermediário superiorParticipa de reunião, lê textos da própria área e conversa sem esforço excessivo. É o nível que a maioria das vagas com “inglês avançado” realmente usa.
C1AvançadoNegocia, escreve relatórios e argumenta com flexibilidade. Erra pouco e corrige sozinho.
C2ProficientePróximo de quem usa a língua desde a infância. Raro fora de quem viveu no exterior ou trabalha com o idioma.

Repare no detalhe que a tabela esconde: “fluente” não é um nível. É uma sensação. Quem escreve fluente quer dizer C1 ou C2, e quem lê desconfia de qualquer um que use a palavra sem prova.

Você provavelmente tem dois níveis, e o currículo pode dizer os dois

Quem estudou em escola de idiomas e assiste a séries sem legenda quase nunca tem um nível único. Entende bem, lê bem e trava para falar. Colocar “intermediário” em tudo apaga essa diferença, e ela importa para a vaga: quem lê contratos e e-mails em inglês precisa de compreensão, não de sotaque.

Antes:“Inglês intermediário”

Depois (exemplo):“Inglês: leitura e compreensão oral B2, conversação B1. Leio documentação técnica e e-mails sem tradutor; converso em reuniões curtas sobre tema conhecido.”

A segunda versão tem 24 palavras a mais e responde a três perguntas que o recrutador faria na entrevista. Também desarma a pior parte da conversa, que é a hora em que ele pede “vamos falar um pouco em inglês?” e o que você entrega bate com o que você escreveu.

Uma nota de teste vale mais do que três anos de curso

“Curso de inglês, 3 anos” conta que você frequentou aulas, não a que nível chegou. Um resultado de teste responde à pergunta certa. O caminho mais curto é o EF SET, gratuito, com uma versão de 50 minutos (leitura e compreensão oral) e uma de 90 (que inclui escrita e conversação), resultado alinhado ao quadro europeu e um certificado online que você pode colocar no currículo e no LinkedIn.

Se a vaga exigir um exame oficial, como TOEFL, IELTS ou os exames Cambridge, eles são pagos e existem para isso: quando uma empresa pede um deles, não aceita substituto. Para todas as outras candidaturas, o teste gratuito é uma prova suficiente de que o nível informado saiu de uma medição, não de um palpite.

Escreva o resultado na mesma linha do idioma: Inglês, B1, EF SET 2026. Ano e nome do teste bastam. Um certificado antigo perde valor, porque o nível de quem não usa a língua cai.

O nível inflado costuma cair na entrevista ou no teste, e leva o processo junto

Vagas que pedem inglês raramente confiam só no currículo. O idioma é conferido na entrevista, num teste online enviado antes ou numa conversa de dez minutos com alguém da área. Quem colocou fluente e não sustenta a conversa perde mais do que a vaga: o recrutador passa a duvidar do resto do currículo, e o que estava verdadeiro ali some junto.

O mesmo vale para o campo de idioma dos formulários de candidatura. Em muitas vagas ele funciona como filtro eliminatório, como mostra o post sobre as perguntas eliminatórias da Gupy. Responda com o nível real. Se a vaga pede C1 e você é B1, o filtro pode barrar, mas a alternativa (marcar avançado e cair na primeira conversa) só adia a mesma rejeição e ainda gasta a sua semana de preparação. Procure as vagas que pedem o seu nível de verdade: é nelas que o currículo honesto passa sem susto.

Espanhol e outros idiomas seguem a mesma régua, e o lugar no currículo é o mesmo

Brasileiro que lê espanhol sem esforço tende a escrever “espanhol avançado”, e o problema é o mesmo do inglês: leitura fácil não é conversação. Use o mesmo quadro, com a mesma separação entre compreensão e fala, e o mesmo teste antes de escrever a palavra “fluente”.

Quanto ao lugar, uma seção curta chamada Idiomas, perto do fim, com o português (nativo) primeiro, o idioma que a vaga pede em seguida e os demais depois. Para vagas em empresas estrangeiras, o currículo inteiro muda de língua e de formato, o que o post sobre currículo em inglês para vagas internacionais detalha. E se o inglês é o que abre as vagas remotas que pagam em moeda forte, vale ler antes o que essas vagas pedem do currículo brasileiro.

O nível certo escrito em uma linha ganha das três palavras de sempre

O que muda a sua candidatura é trocar o adjetivo por um nível e uma prova. Quem continua escrevendo “intermediário” em tudo corre dois riscos: ser lido como B1 quando é B2 e perder a vaga que pediria isso, ou ser lido como B2 quando é B1 e cair na entrevista. Para ver como o texto do seu currículo se compara à vaga que você quer, a análise gratuita do AjustaCV lê os dois com a vaga colada, do jeito que um ATS leria, de graça. Se quiser o currículo inteiro reescrito para a vaga, a otimização custa R$ 7,80 via PIX em /checkout.


Perguntas frequentes

Como colocar o nível de inglês no currículo?

Numa linha da seção Idiomas, com o nível do quadro europeu (A1 a C2), uma frase do que você faz na língua e, se existir, a nota de um teste. Por exemplo: Inglês, B1 (leio e-mails e documentos sem tradutor, converso em reuniões curtas), EF SET 2026. A palavra sozinha, sem essa referência, não diz ao recrutador nada que ele possa comparar.

Posso colocar inglês fluente se eu consigo me virar numa conversa?

Não. Conseguir se virar numa conversa costuma corresponder ao nível B1 ou B2, e a palavra fluente sugere C1 ou mais. Se a empresa testar o seu inglês na entrevista, o que conta é a distância entre o que o currículo prometeu e o que você falou. Escrever o nível real e detalhar leitura, escrita e conversação separadamente protege a candidatura.

Inglês básico no currículo atrapalha a candidatura?

Só atrapalha quando a vaga exige inglês intermediário ou mais, e nesse caso o filtro tende a barrar de qualquer jeito. Quando a vaga não pede o idioma, uma linha honesta de inglês básico (ou A2) não pesa contra e mostra que você está estudando. Omitir o idioma também é uma opção legítima, se ele não muda nada para a função.

Fiz três anos de curso de inglês mas não tenho certificado. O que escrever?

Escreva o nível que a escola atribuiu a você no fim do curso, se ele existir, ou refaça o nível num teste gratuito como o EF SET e registre o resultado. Um curso concluído diz que você frequentou as aulas, não que chegou a um nível. O número do teste responde à pergunta que o recrutador realmente faz.

O teste EF SET serve como comprovante de inglês no currículo?

Serve como referência, não como certificação de exame oficial. O EF SET é gratuito, tem versões de 50 e de 90 minutos, devolve um nível alinhado ao quadro europeu e gera um certificado online que pode ir ao currículo e ao LinkedIn. Empresas que exigem TOEFL, IELTS ou Cambridge por política interna vão pedir esses exames à parte.

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