Endomarketing é a comunicação planejada que uma empresa faz com os próprios funcionários: uma campanha de saúde, a divulgação de um benefício ou um programa de metas. Quem trabalha com isso costuma escrever a palavra no currículo e pouco mais, porque a campanha não tem nome, canal e número. Este guia mostra como descrever uma campanha interna para que o recrutador de RH e o de marketing entendam o que você fez, por qual canal, com que alcance e com que resultado.

O que conta como endomarketing no currículo, e o que não conta

Endomarketing exige objetivo, público interno, canal e prazo. Um mural com avisos soltos é rotina administrativa, e uma campanha com essas quatro partes é um projeto. A diferença importa porque o recrutador lê a palavra como sinal de planejamento, e a linha precisa justificar esse sinal.

Se a sua atividade era só postar avisos, descreva a frequência e o público, e não use a palavra endomarketing. Se você planejou uma campanha, mesmo pequena, a linha deve dizer qual era o objetivo e o que a pessoa precisava fazer depois de ler.

Quais canais internos você operou e como descrevê-los

Cada canal tem uma função própria, e a escolha dele é uma decisão que vale mencionar. Liste apenas os que você realmente usou, com uma frase sobre o motivo. Se a sua função toda é de comunicação interna, o currículo de analista de comunicação interna mostra como montar a experiência inteira com resultado.

  • Intranet. Serve para conteúdo que fica disponível por tempo, como políticas, benefícios e calendário de eventos. Se você manteve uma seção com atualização periódica, a linha deve dizer quantas páginas mantinha e com que frequência.
  • Mural. Útil em lojas, fábricas e operações sem computador para todos. Uma campanha no mural precisa de um cartaz com chamada clara e de um ponto de passagem obrigatório, como a entrada do turno.
  • WhatsApp corporativo. Chega rápido e atinge quem não tem e-mail de trabalho. Por isso mesmo exige mensagens curtas e uma lista de envio que a empresa tenha autorizado. Descreva o canal pelo alcance, e não pelo volume de mensagens enviadas.
  • E-mail interno. Bom para quem tem caixa de trabalho e para um texto que precisa de contexto, como a explicação de um programa. A medida mais comum aqui é a abertura, e a linha deve citá-la como tal.

Campanha de adesão: a linha que mostra objetivo, canal e resultado

Campanha de adesão é aquela em que a empresa quer que os funcionários façam algo concreto, como se inscrever num plano, entrar num programa de metas ou participar de um treinamento. Essa é a campanha mais fácil de descrever, porque o resultado tem uma contagem.

Antes: Campanhas de endomarketing para engajar os colaboradores.

Depois: Planejei a campanha de adesão ao plano de saúde para 400 colaboradores de três unidades (números inventados), com e-mail, mural da fábrica e apresentações nas reuniões de turno. A adesão passou de 31% para 58% dos elegíveis em seis semanas (números inventados, para o exemplo).

A segunda linha tem objetivo, público, canais e a conta de adesão, com o denominador indicado. A palavra engajamento não aparece, e nenhum recrutador precisa de explicação para entender o que foi feito. Se o resultado não pode ser divulgado, descreva o escopo, como o número de unidades e de turnos, e deixe a contagem para a entrevista.

Pesquisa de clima: descreva a sua parte, não o resultado geral

Pesquisa de clima é um instrumento com dados sensíveis. Por isso, o currículo raramente deve trazer o índice geral ou as respostas por área. O que você pode descrever é o trabalho em volta da pesquisa: a comunicação para incentivar a participação, o acompanhamento das respostas e a ação que veio depois.

Essa última parte é a mais importante. Uma pesquisa sem plano de ação é uma pesquisa que a empresa fez para si mesma, e a linha que mostra a ação mostra o seu papel. Escreva o problema que apareceu com a mesma clareza com que escreveria um indicador, e diga o que você propôs para resolvê-lo.

Se você ainda não sabe o que pode divulgar, peça orientação ao RH antes de colocar a linha. Ela é a área que decide o que sai da empresa, e uma linha aprovada evita problemas na entrevista.

Como medir leitura, participação e adesão sem inflar o número

Cada campanha interna tem três medidas possíveis, e nenhuma delas deve ser usada sem o denominador. Escolha a que corresponde ao objetivo e diga qual foi a base de comparação.

  • Leitura. Quantas pessoas abriram ou acessaram o conteúdo, dividido por quantas deveriam recebê-lo. Um e-mail aberto por metade dos destinatários é um dado diferente de um e-mail aberto por dez pessoas de uma lista de dez mil.
  • Participação. Quantas pessoas foram à reunião, responderam ao formulário ou se inscreveram no evento, dividido pelo público convidado.
  • Adesão. Quantas pessoas concluíram a ação pedida, como inscrever-se no programa, dividido pelo número de elegíveis. É a medida mais forte porque mostra a decisão, e não só a atenção.

Se você usou mais de uma medida, escolha a que mostra o objetivo da campanha e cite as outras só se elas ajudarem a entender o resultado. Quem trabalha ao lado de gestores pode ver como essa escolha aparece no currículo de business partner de RH. Uma linha com três percentuais sem contexto obriga o recrutador a adivinhar qual deles importa.

Quando a campanha teve pouca adesão: o que escrever mesmo assim

Uma campanha que não funcionou ainda pode virar linha, desde que você descreva o que mudou depois. O erro mais comum é esconder a campanha fraca e mostrar apenas as boas, o que o recrutador de RH percebe rápido, porque ele também lida com esses números.

Antes: Campanha de engajamento com resultados abaixo do esperado.

Depois: A primeira campanha de inscrição em um programa de desenvolvimento teve adesão de 12% dos elegíveis (números inventados). Ao ouvir as equipes, percebi que o formulário exigia dados que ninguém tinha à mão. Simplifiquei o formulário e apresentei a mudança nas reuniões, e a segunda rodada chegou a 34%.

A segunda linha fala do problema e da correção, que é exatamente o raciocínio que o recrutador busca. Se a segunda rodada não existiu, não a invente: descreva a análise e o plano, e diga que a campanha ainda estava em andamento.

Antes de enviar, confira se cada campanha tem objetivo, canal e conta

A regra que resume o guia é esta: endomarketing no currículo é uma campanha com objetivo, público interno, canal e uma medida que tem denominador. A palavra sozinha é só um nome, e o recrutador não sabe se você planejou ou apenas publicou avisos. Se a sua linha não traz pelo menos um desses quatro elementos, reescreva antes de enviar.

Para a vaga de RH, os termos de palavras-chave de analista de RH ajudam a conferir o vocabulário. A linha sobre comunicação como habilidade complementa este guia, porque trata de como provar a sua escrita em apresentações e documentos. Veja também o guia de treinamento e desenvolvimento se a sua campanha era de adesão a um programa de formação. Antes de enviar, cole o anúncio da vaga na análise gratuita do AjustaCV, sem cadastro, para ver quais termos da vaga o seu currículo já tem e quais ainda faltam.


Perguntas frequentes

Endomarketing e comunicação interna são a mesma coisa no currículo?

Na prática, sim, e as duas expressões aparecem nas vagas. Endomarketing costuma se referir a campanhas com objetivo definido, como adesão a um programa ou divulgação de um benefício. Comunicação interna é o termo mais amplo, que inclui avisos e informes do dia a dia. Se você planejou uma campanha, use endomarketing. Se cuidou dos informes, use comunicação interna e descreva a rotina.

Vale colocar pesquisa de clima no currículo?

Vale, quando você fez parte do processo, como a divulgação, o acompanhamento da participação ou o plano de ação depois dos resultados. Os números brutos da pesquisa costumam ser confidenciais, e a empresa decide o que pode ser divulgado. Na linha, descreva a sua função e a ação que a pesquisa gerou, sem expor o resultado geral.

Como medir campanha interna se a empresa não tem ferramenta própria?

Use o que existe: a lista de quem recebeu o e-mail e quem respondeu, a presença numa reunião, o número de inscritos numa planilha. A medida pode ser simples, desde que tenha um denominador claro, como o total de pessoas que deveriam ver a campanha. Diga na linha qual foi a base e qual foi a contagem, para que o recrutador entenda a conta.

Campanha que não teve adesão pode entrar no currículo?

Pode, e costuma ser uma das linhas mais úteis numa entrevista. Descreva o que você planejou, a adesão que veio e o que mudou depois, como um novo canal ou uma nova mensagem. O recrutador de RH procura quem sabe aprender com o resultado, e uma campanha fraca bem analisada diz mais do que uma campanha perfeita que ninguém mediu.

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