Treinamento no currículo pode significar duas coisas que quase nunca se separam na linha: você foi treinado, ou você treinava outras pessoas. As duas aparecem com a palavra “treinamento”, e o recrutador só entende qual é a sua quando você escreve horas, pessoas e resultado. Este guia separa as duas situações e mostra como medir o que você entregou sem transformar uma lista de cursos em experiência de desenvolvimento de pessoas.

Curso que você fez: carga horária e aplicação, não só o certificado

Cursos feitos por você entram como formação, e a seção certa para eles existe em quase todo modelo de currículo. Cada linha precisa de tema, carga horária e instituição. O certificado, sozinho, mostra que a pessoa se matriculou e terminou. A aplicação mostra que ela usou.

Antes: Curso de liderança e gestão de equipes.

Depois: Curso de liderança e gestão de equipes, 40 horas, concluído. Apliquei o modelo de feedback quinzenal com a equipe de atendimento, descrito na minha experiência de supervisão.

Se o curso não tem aplicação ainda, a frase honesta é a de conclusão, sem nenhum verbo de domínio. O erro que a entrevista desfaz é escrever o curso como se fosse a experiência. O que você ainda não aplicou pode virar uma atividade própria, como um projeto pequeno no trabalho atual, e isso é mais útil do que um certificado a mais.

Quando você treinava colegas, escreva horas, pessoas e o que mudou

Treinamento como atividade de quem ensina é o que mais diferencia um currículo de T&D. Ele tem três números que você deve conhecer: quantas horas você ministrou, quantas pessoas passaram por ele e qual mudança aconteceu depois. A mudança é a parte difícil, e é ela que o recrutador procura.

Antes: Ministrei treinamentos para a equipe de vendas.

Depois: Ministrei 64 horas de treinamento de produto para 32 vendedores em seis meses. Depois do ciclo, o tempo médio para o primeiro orçamento sem revisão caiu de cinco para dois dias.

Se a mudança não foi medida, descreva a observação. “Passei a acompanhar as ligações da equipe na primeira semana e notei a queda de dúvidas sobre condição de pagamento” é uma frase que a entrevista pode confirmar com um exemplo. Um número sem origem é pior do que uma observação que você consegue detalhar.

Guarde as listas de presença, as avaliações preenchidas e as datas de cada turma enquanto estiver no cargo. Quando a entrevista pedir um exemplo com números, você vai precisar de um caso com data e quantidade, e a memória costuma arredondar para pior ou para melhor. Se o treinamento fazia parte de uma função de RH com várias rotinas, o texto sobre currículo de analista de RH generalista ajuda a separar a atividade de capacitação das demais.

Integração de novos funcionários é treinamento com prazo

A integração é uma das formas mais comuns de treinamento em empresas, e costuma aparecer no currículo como uma frase solta: “recepção de novos colaboradores”. Ela tem um objetivo mensurável, que é levar a pessoa ao ponto de trabalhar sem apoio em uma tarefa, e um prazo para isso. Escreva o prazo.

Um programa de integração bem descrito tem o conteúdo, a duração e a forma de acompanhamento. O conteúdo pode ser o sistema, o processo e a cultura. A duração é o número de dias ou semanas. O acompanhamento é o que você fazia ao fim de cada etapa, como uma conversa com o gestor ou uma avaliação prática. Se a integração era parte do seu cargo de operação, veja também o texto de currículo de treinamento e desenvolvimento, que trata a mesma atividade de outro ângulo.

Medir resultado é mais que contar presença

Contar presença mostra que o treinamento aconteceu, e não que ele serviu para alguma coisa. Um modelo clássico para avaliar treinamento tem quatro níveis: reação dos participantes, aprendizagem medida, comportamento no trabalho e resultado para o negócio. Você não precisa medir os quatro. Escolha o nível que você realmente conseguia observar e diga qual era.

Se você chegou até o comportamento, a linha é a mudança de prática. Se chegou ao resultado do negócio, a linha é o indicador afetado. Quem diz apenas que avaliou a satisfação dos participantes descreve um nível importante, mas o recrutador vai perguntar o que veio depois, e vale ter a resposta pronta antes da entrevista.

O plano de treinamento é a parte que mostra a função de T&D

Quem trabalhava na área de treinamento e desenvolvimento costuma ter um plano anual, com o levantamento do que a empresa precisava e a ordem em que os treinamentos aconteciam. Esse plano é o trabalho mais estratégico da área, e é o que o currículo precisa mostrar quando a vaga é de T&D.

Escreva o plano com três informações: o levantamento de necessidades que você conduzia, o número de treinamentos que o plano previa e quantos foram executados no prazo. Se a empresa tinha um sistema de gestão de aprendizagem, cite-o pelo que você fazia nele, como matrícula, controle de frequência ou emissão de certificados. O guia sobre ATS e HRIS e suas diferenças ajuda a não confundir esses sistemas com o sistema de recrutamento. Para quem treina operação, vale olhar os exemplos de currículo da área de RH para ver como a atividade de capacitação aparece em outros cargos.

A linha que mostra que você desenvolveu pessoas

A ideia que mais pesa é esta: treinamento no currículo só é experiência quando alguém aprendeu algo por causa do que você fez. Um curso feito, uma carga horária e uma lista de temas não mostram isso sozinhos. O que mostra é a sequência: quem foi treinado, quantas horas, o que mudou depois e como você sabia que mudou. Se você tem essa sequência, escreva-a na ordem. Se você tem só o curso, escreva-o como formação e não o transforme em atividade. Para conferir os termos da vaga contra o seu texto, cole o anúncio na análise gratuita do AjustaCV, que não exige cadastro e mostra quais termos da vaga já aparecem no seu currículo e quais ainda faltam.


Perguntas frequentes

Certificado de curso entra no currículo?

Entra, com nome do curso, instituição, carga horária e ano de conclusão. Mas o certificado comprova a matrícula, não a aplicação. Coloque o curso na seção de formação complementar e, na experiência, mostre onde você usou o que aprendeu. Se você fez o curso e ainda não aplicou o conteúdo, escreva que concluiu, e não que domina o assunto.

Como colocar treinamento no currículo quando eu só participei como aluno?

Escreva o treinamento como formação, com carga horária e tema, e só leve para a experiência o que você aplicou no trabalho. Participar de um treinamento interno sem uma função de instrutor não é experiência de T&D. Se você levou o que aprendeu para a sua rotina, como um procedimento novo que passou a seguir, essa aplicação é a linha que vale.

Treinamento entra no Lattes ou só em currículo comum?

O Lattes é um currículo de formato acadêmico, com campos próprios para cursos e atividades de ensino. Um currículo para vaga de empresa usa o formato corrente, em que a carga horária e o resultado do treinamento contam mais do que a lista de eventos. Se a vaga é acadêmica, use o Lattes; se é de empresa, adapte as mesmas informações para o formato do anúncio.

Quantas horas de treinamento devo informar?

Informe as horas que você ministrou ou coordenou, e o total de pessoas que passaram pelo treinamento. A carga horária é o número que o recrutador confere com facilidade. Se você não tem o total exato, escreva uma média mensal e diga o período de referência, porque um número aproximado com origem explicada é melhor do que nenhum.

Vale mencionar treinamento para um cargo que não é de RH?

Vale, quando você treinava pessoas como parte do trabalho. Um gerente comercial que preparava a equipe para um produto novo, ou um enfermeiro que conduzia a capacitação de técnicos em um protocolo, tem experiência de treinamento dentro de outra função. Escreva a função principal primeiro e o treinamento como atividade que você conduzia.

Quer otimizar seu currículo para uma vaga específica?

O AjustaCV reescreve seu currículo para passar nos filtros ATS da vaga que você escolher. Pronto em minutos.

AJUSTAR MEU CURRÍCULO — R$9,90