Um currículo de desenvolvedor mobile que lista Kotlin, Swift e React Native sem dizer em quais apps trabalhou deixa a vaga com a mesma dúvida de antes, que é saber se o candidato programou ou só estudou. O recrutador de mobile procura a plataforma, a linguagem e a loja onde o app foi publicado, e a leitura automática procura os mesmos nomes. Para o currículo de desenvolvedor mobile, a regra é ligar cada tecnologia a um app real, com número de usuário, de crash ou de release. Este guia mostra a ordem do texto, os termos e antes e depois.

A vaga pode estar em Android, em iOS ou em multiplataforma com React Native ou Flutter. Cada uma exige uma leitura diferente do mesmo trabalho, e o currículo precisa dizer qual delas é a sua, logo no início, antes que o leitor tenha que deduzir.

Qual plataforma deve aparecer primeiro no currículo?

A plataforma aparece antes da linguagem, porque é ela que decide a vaga. Um desenvolvedor Android com Kotlin não é lido como desenvolvedor iOS só por ter escrito algumas telas em Swift. Se você trabalhou nas duas, a primeira linha deve dizer as duas. Se trabalhou em uma e usou multiplataforma na outra, a ordem deve refletir o tempo de cada uma.

Antes: Desenvolvedor mobile com experiência em Kotlin, Swift e React Native.

Depois: Desenvolvedor mobile Android e iOS, com dois apps nativos em Kotlin e Swift e um módulo compartilhado em React Native.

O segundo texto diz onde você trabalhou e com que tipo de código. Se a vaga é de uma plataforma de tecnologia que tem formato próprio de candidatura, leia a comparação em Gupy vs Revelo: qual currículo de tecnologia usar antes de decidir a ordem das seções. Os termos de plataforma da área estão em palavras-chave para desenvolvedor mobile, e um currículo pronto da função, para comparar a estrutura, está em o exemplo de desenvolvedor mobile.

Como ligar cada linguagem a um app que você publicou?

Uma linguagem sozinha numa lista não prova que você a usou em produção. O que prova é a frase que liga a linguagem a um app, a uma função e a um resultado. Você não precisa de um app grande para isso. Precisa de um app em que a linguagem foi usada para algo que existe e funciona.

Antes: Programei em Kotlin e Swift em projetos de aplicativos.

Depois: Programei em Kotlin o módulo de login de um app de agendamento com 30 mil usuários ativos por mês, publicado na Google Play.

A segunda frase tem linguagem, módulo, tamanho de uso e loja. A primeira tem só a linguagem e a palavra projetos, que serve para qualquer pessoa que tenha passado por um curso. O leitor não precisa acreditar em você quando vê o módulo e o número.

Onde o app está publicado, e como escrever isso?

Para publicar um app Android, o desenvolvedor usa o Google Play Console. Para iOS, usa o App Store Connect da Apple. Esses dois painéis são o lugar onde a publicação, as versões e a revisão da loja acontecem. Quando o currículo cita a loja e o painel, ele mostra que você conhece o caminho do código até o usuário, e não só a parte de desenvolver a tela.

Escreva a loja e o processo na mesma linha, sem separar em duas listas. A linha abaixo mostra como fica quando há mais de um app e mais de uma loja.

Antes: Experiência com publicação de aplicativos nas lojas.

Depois: Publiquei três apps na Google Play e na App Store, com oito releases por ano, enviadas pelo Google Play Console e pelo App Store Connect.

Se você não publicou em uma das lojas, não escreva a outra como se tivesse feito. A vaga que pede publicação na App Store pergunta sobre a revisão da Apple, e quem nunca passou por ela não consegue responder com detalhe.

Firebase, API REST e CI/CD: o que escrever de cada um?

Essas três ferramentas aparecem em quase toda vaga de mobile, e cada uma se escreve de um jeito diferente. O que vale é dizer para que você as usou no app, e não apenas que as conhece.

  • Firebase, para monitorar falhas, enviar notificações ou medir uso. Diga qual dessas funções você usou, porque o nome do produto não indica o que o app fazia com ele.
  • API REST, para integrar o app com um serviço. Escreva quantos endpoints você consumiu e se havia cache offline, porque é o que diferencia uma integração simples de uma integração que aguenta uma rede ruim.
  • CI/CD, para o pipeline que compila, testa e envia a versão. Diga o que o pipeline faz, por exemplo rodar testes a cada alteração, e quantas versões ele entregou, porque “CI/CD” sem detalhe é um termo que todo mundo copia.

Se você programa em React Native a partir de JavaScript e TypeScript, a lógica de escrever o que fez também vale para a parte web, como mostra o currículo de desenvolvedor front-end, que trata de como o JavaScript precisa aparecer ligado a um produto.

Quais medidas de qualidade o mobile precisa mostrar?

O trabalho de mobile é medido por falha, por avaliação de loja e pelo ritmo de entrega. Se você acompanhou alguma dessas medidas, escreva o número. Se não acompanhou, diga qual medida existia no time e o que você fez para melhorá-la.

Antes: Preocupado com qualidade e performance dos aplicativos.

Depois: Reduzi em 22% a taxa de falhas de um app com 60 mil usuários ativos, medida no painel de falhas, com correções em Swift e revisão de código antes de cada versão.

A cobertura de testes também conta, desde que você diga o que foi testado. “85% de cobertura” sem a parte do código coberta não diz nada. Se a cobertura foi calculada pela ferramenta do projeto, escreva a ferramenta e o escopo, para que a entrevista não encontre um número que ninguém sabe explicar.

E se você está começando na área mobile?

Um app publicado na loja, mesmo sem muitos usuários, é a prova mais forte que um iniciante tem. Ele mostra que você passou por todo o ciclo, da tela ao envio, e que entendeu a revisão da loja. Escreva o nome do app, a loja em que ele está, a stack e o que você resolveu nele, em uma seção de projetos.

O repositório também conta, quando está organizado. Se o seu código está no GitHub com um README que explica o app, o guia de currículo de programador sobre GitHub e projetos mostra como apresentar esse material sem exagerar. A regra é a mesma para qualquer projeto: escreva o que existe e o que você fez, sem inflar downloads ou usuários que não existem.

Quais erros mais derrubam o currículo de desenvolvedor mobile?

Alguns erros aparecem tanto que vale conferi-los antes de enviar, porque são fáceis de corrigir e custam a vaga com frequência.

  • Plataforma escondida no meio do texto. A vaga procura Android ou iOS na primeira leitura, e se o termo não aparece no título ou no resumo, a pessoa que escreveu a plataforma com clareza passa à frente.
  • Lista de linguagens sem app. Dez linguagens em uma linha, sem nenhuma frase de uso, são lidas como conhecimento de curso, mesmo que você tenha usado todas.
  • Número de download inventado. Além de ser fácil de checar em loja, ele some na primeira pergunta da entrevista sobre o app.
  • React Native ou Flutter escritos como nativos. A vaga nativa testa a plataforma, e o candidato que trocou uma pela outra costuma travar nessa parte.

O que fazer antes de enviar o currículo de desenvolvedor mobile?

A regra que resume o guia: diga a plataforma logo no começo, ligue cada linguagem a um app com função e resultado, e cite a loja e o painel em que a publicação aconteceu. Quando o texto faz isso, o recrutador entende a sua experiência em uma leitura, e não precisa adivinhá-la.

A consequência de não fazer isso é deixar a vaga com a dúvida: você programou para o usuário ou só escreveu código para um professor? Essa dúvida costuma ser resolvida em favor de quem mostrou o app. Antes de enviar, cole o texto da vaga na análise gratuita do AjustaCV. Ela compara o seu currículo com o texto da vaga e mostra quais termos ele já tem e quais faltam, sem cadastro. Use o resultado para achar as lacunas e preencha-as só com o que você construiu.


Perguntas frequentes

O que o ATS procura em um currículo de desenvolvedor mobile?

Procura a plataforma da vaga, Android, iOS ou React Native, as linguagens, como Kotlin, Swift ou TypeScript, e as ferramentas de integração e publicação, como Firebase, API REST e CI/CD. Procura também o nome da loja onde o app está publicado. Um currículo que diz só “programação mobile” não corresponde a nenhuma dessas buscas, mesmo quando o candidato tem anos de app em produção.

Preciso escrever Android e iOS se só trabalhei com uma plataforma?

Escreva a plataforma em que você trabalhou e não declare a outra. Se a vaga pede as duas e você conhece só uma, diga isso no currículo ou na conversa inicial. Quem escreve Android e iOS sem ter feito as duas costuma cair na primeira pergunta técnica sobre o ciclo de vida de uma tela na outra plataforma.

Como colocar um app publicado na loja no currículo?

Escreva o nome do app, a loja em que foi publicado, Google Play ou App Store, a sua função e o que você entregou nele. Se você publicou o app sozinho, diga isso. Se não há número de downloads, não invente um. Um app publicado sem download registrado ainda é prova de que você conhece o processo de publicação.

Vale colocar React Native se a vaga pede Swift ou Kotlin?

Coloque React Native com o que você fez com ele, e não como equivalente de Swift ou Kotlin. A vaga nativa e a vaga multiplataforma exigem coisas diferentes, e a entrevista costuma testar o trabalho com a plataforma nativa. Se você tem as duas experiências, escreva as duas com os apps em que cada uma apareceu.

Um app pessoal conta como experiência de desenvolvedor mobile?

Conta como projeto, e pode ser a principal prova para quem começa. Descreva o app, a loja, a stack e o que você resolveu nele, com o link de publicação se houver. Escreva em uma seção de projetos, separada da experiência profissional, para que a leitura não confunda o trabalho pago com o estudo.

Exemplo pronto

Veja um currículo de Desenvolvedor Mobile que passa no ATS

Kotlin, Swift e React Native com apps publicados nas lojas, medidos em crashes e releases.. Score ATS 97, renderizado nos mesmos modelos do editor, com o botão para criar o seu a partir dele.

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