Um currículo de analista de BI passa na triagem quando mostra o trabalho por trás do painel: o modelo de dados, as medidas, os indicadores e quem decidiu com base neles. A lista de ferramentas sozinha não diz isso. Este guia mostra os termos que a vaga de BI costuma pedir, como escrever modelagem, DAX e atualização com resultado, e o que escrever sobre a certificação do Power BI. Veja o exemplo de currículo de analista de BI e as palavras-chave da área.

O analista de BI é medido pelo painel que alguém usa

Um painel bonito que ninguém abre não é entrega. A vaga de BI quer saber quem usa o que você construiu, com que frequência e para qual decisão. Por isso a primeira pergunta do currículo é de uso, e não de ferramenta: quantas pessoas consultavam o painel e o que elas passaram a fazer diferente depois dele.

Escreva o uso antes do visual. Um painel de vendas usado toda segunda pela diretoria comercial, que mudou a alocação de verba de um canal, conta uma história de negócio. Um painel com dez gráficos e nenhum uso registrado não conta história nenhuma, por mais técnico que seja.

Antes: Criação de dashboards de vendas no Power BI para a equipe comercial.
Depois: Criou o painel de vendas por canal que a diretoria comercial consulta toda semana, e a revisão de verba passou a ser feita com base nele, em vez de planilhas separadas por área.

Os números são ilustrativos. Se o painel tem uso mensurado, coloque o número de usuários. Se não tem, descreva a decisão que mudou, que já basta para a triagem e para a entrevista.

Modelo de dados: a palavra que separa quem monta visual de quem modela

Modelagem é o termo que a vaga de BI mais gosta de pedir, e o que mais separa um analista de um montador de gráficos. Ela descreve como as tabelas se relacionam: uma tabela de fatos, com as transações, ligada a tabelas de dimensão, como cliente, produto e calendário. Quem modela dessa forma organiza o painel para que ele aguente crescer sem quebrar.

Escreva a modelagem com o tamanho do modelo e a sua parte nele. Se você criou um modelo com tabelas de fatos e dimensões, diga quantas tabelas tinha e quantas fontes ele unia. Se você recebeu um modelo pronto e só o ampliou, escreva a ampliação.

  • Tabela de fatos e dimensões: diga quantas fontes o modelo unia e qual era a granularidade das transações, como pedido ou venda por item. A granularidade é o detalhe que a entrevista pergunta primeiro.
  • Relacionamentos: diga se você corrigiu relações ambíguas ou duplicadas, e o efeito disso nos números do painel. Um painel que somava duas vezes e passou a somar uma é uma linha forte.
  • Calendário: diga se o modelo tinha uma tabela de datas própria, usada para comparar períodos. Essa tabela é o que sustenta as comparações do painel.

DAX: escreva a medida que o negócio define, não a função

DAX é a linguagem das medidas do Power BI, e a vaga costuma pedi-la pelo nome. A sigla sozinha diz pouco. O que mostra domínio é a medida que você escreveu e o que ela calculava, porque a medida é a regra do negócio virando número.

Antes: Conhecimento em DAX e Power BI.
Depois: Escreveu as medidas de receita líquida e de margem por canal, com o cálculo do período anterior para comparação mensal, usadas pela diretoria comercial.

O guia de Power BI no currículo mostra como escrever as ferramentas em conjunto. Aqui o ponto é mais simples: a medida é a prova. Se você só fez curso de DAX, escreva o curso e deixe a medida de fora. A entrevista pede a fórmula, e a fórmula de um curso não convence.

Atualização e fonte: o painel que atualiza sozinho é um termo de entrega

Um painel que depende de alguém copiar um arquivo toda manhã não é um produto de BI, é uma rotina manual. A vaga quer saber se o seu painel atualizava sozinho, de qual fonte e com que agendamento. Esses termos são de entrega, e cabem na experiência, junto com o painel.

Escreva a fonte pelo nome e a atualização pela frequência. Se você configurou um gateway para uma fonte local, diga isso. Se a atualização dependia de você, escreva a rotina com o tempo que ela tomava e o que mudou quando a atualização foi automatizada, se foi.

Vale também dizer quem confiava no número e como você validava a atualização antes de publicar. Um painel com conferência contra o sistema de origem, feita por você, mostra que o número foi tratado como responsabilidade, e não como resultado de um clique. Se o processo de validação era de outra área, escreva a sua parte nele.

PL-300: a certificação tem nome, exame e renovação, e o currículo precisa dizer isso

A certificação do Power BI tem um nome oficial, e o currículo deve usá-lo. A Microsoft chama a prova de Microsoft Certified: Power BI Data Analyst Associate, obtida com o exame PL-300, de nível intermediário. A certificação é renovada a cada 12 meses, por uma avaliação online e gratuita, segundo a página oficial da Microsoft.

Escreva o nome exato na seção de certificações, com o mês de conclusão. Se a renovação estiver em atraso, a certificação não está ativa, e você deve escrevê-la como obtida, não como vigente. Um currículo que escreve “certificado em Power BI” sem o nome da prova deixa a triagem sem como conferir.

Vale a regra de sempre: se você não fez a prova, não escreva a certificação. Um curso preparatório é um curso, e a seção de cursos é o lugar dele.

Quem vem de planilha: escreva a passagem para o modelo

Muita gente chega ao BI a partir de planilha, de controladoria ou de operação. O currículo de quem vem de planilha precisa mostrar a passagem da planilha para o modelo: o que era feito à mão e o que passou a ser um modelo com fonte e atualização. Essa passagem é a história que a vaga quer ouvir.

O guia de Tableau e Looker mostra o vocabulário das outras ferramentas de visualização, para quem já trabalhou com mais de uma. E os indicadores e KPIs que o painel mede devem aparecer com a definição, porque a vaga de BI pergunta como cada número é calculado.

Para os termos de SQL e para a diferença entre analista de dados, analista de BI e engenheiro de dados, o guia de analista de dados trata do assunto com mais profundidade. Este guia fica no painel e no modelo, que é onde a vaga de BI costuma começar.

O que fazer com o seu currículo de analista de BI esta semana

A ideia central é uma só: escreva o painel pelo uso e pela decisão que ele mudou, e depois o modelo, a medida e a atualização por trás dele. Sem isso, o seu currículo parece o de quem fez gráficos num curso, e a vaga de BI procura quem sustentou um número que alguém decide com ele. Antes de enviar, cole a descrição da vaga na análise ATS gratuita. Ela não exige cadastro, compara o seu currículo com o texto da vaga e mostra quais termos dela já estão no documento e quais faltam. Para cada termo faltante, pergunte se você fez aquilo de verdade. Se fez, escreva a entrega com o seu papel. Se não fez, deixe de fora e planeje a prova antes da próxima vaga.


Perguntas frequentes

O que o ATS procura em um currículo de analista de BI?

Procura as ferramentas que a vaga cita, como Power BI, Tableau ou Looker, e os termos do trabalho de BI: modelagem de dados, medidas, indicadores, dashboards e atualização. Procura também o nome exato de uma certificação, quando a vaga pede uma. Um currículo que diz só “visualização de dados” não corresponde a esses termos, porque a vaga quer o trabalho que está por trás do painel.

Power BI ou Tableau: qual escrever no currículo?

Escreva a ferramenta que você usou no trabalho principal. Se a vaga pede as duas, diga em qual delas você fez o modelo e os painéis mais importantes, e em qual apenas consumiu. Listar as duas sem projeto em nenhuma faz o currículo parecer um catálogo, e a entrevista confirma qual você domina.

A certificação PL-300 vale mais que um curso?

São coisas diferentes. A PL-300 é uma certificação da Microsoft, obtida com exame de nível intermediário, e precisa de renovação a cada 12 meses por avaliação online gratuita. Um curso sem exame mostra estudo. Escreva a certificação na seção própria, com o nome exato, e o curso como curso, cada um com o seu nome.

Como descrever um dashboard sem colar o link ou o arquivo?

Descreva quem usa o painel, com que frequência e a decisão que mudou por causa dele. Se você tem o número de usuários, coloque-o. Não cole o link de um painel confidencial no currículo, e não descreva dados de cliente ou de empresa que a sua saída do emprego proíbe. A descrição do uso basta para a triagem.

Analista de BI precisa de DAX?

Quando a vaga pede DAX, nomeie a medida em que você trabalhou, como um cálculo de período anterior, uma margem ou uma taxa de conversão. Sem uma medida real por trás do termo, DAX fica como ferramenta, e a vaga espera o cálculo. Se você só fez curso, escreva o curso e não a experiência com a linguagem.

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