“Trabalhei com branding” é a frase que mais aparece em currículo de design e de marketing, e a que menos ajuda quem lê. Branding é um trabalho com entregas concretas: um manual de marca que alguém usou, uma identidade que apareceu em todos os canais, um posicionamento que mudou o texto de um site. O recrutador não sabe qual dessas coisas você fez. Este guia mostra como nomear cada entrega e descrever o resultado sem inventar um número de lembrança que ninguém mediu.

Manual de marca só conta se você escreveu o que ele decidia

Descreva o manual pelas regras que ele fixava, não pelo fato de existir. Um manual de marca é o documento que define logotipo, cores, tipografia, usos corretos e usos proibidos. Escrever que você criou o manual diz que o documento existe. Escrever o que ele decidia diz que você entendia de marca: a área de proteção do logotipo, a paleta para fundos escuros, a regra de quando usar a versão reduzida.

Antes:“Criei o manual de marca da empresa.”

Depois:“Escrevi o manual de marca de 40 páginas, com regras de logotipo, paleta para fundos claros e escuros e tipografia para e-mail e apresentações; o time comercial passou a usar o modelo oficial de proposta.”

Se o manual já existia e você só o aplicou, diga isso. Aplicar um manual em peças novas também é trabalho de marca, e o recrutador entende a diferença quando a frase é honesta. Os termos que a triagem procura para a área de design estão na página de palavras-chave do designer gráfico.

Identidade visual se descreve pelo escopo, não pela beleza

Escreva a identidade pelo tamanho do trabalho: quantos canais, quantas peças, quem aprovava. Identidade visual é o conjunto de elementos que aparece em tudo o que a marca publica. O que pesa no currículo é o escopo. Um projeto para uma empresa de dez pessoas e outro para uma rede com filiais são trabalhos diferentes, e o texto precisa deixar essa diferença visível.

Antes:“Desenvolvi identidade visual para clientes.”

Depois:“Desenvolvi a identidade visual de uma rede de clínicas com seis unidades: logotipo, papelaria, sinalização e modelos para redes sociais, entregues em um pacote aprovado pela diretoria de marketing.”

Se o trabalho foi como freelancer, cite quantos clientes e o tipo de marca, sem nomear quem não autorizou. A parte de portfólio e de layout tem o seu espaço no post sobre currículo de designer gráfico, e aqui o assunto é o trabalho em si.

Posicionamento aparece no texto que a marca publica

Prove posicionamento com o texto que mudou, não com a reunião em que ele foi discutido. Posicionamento é a decisão sobre o lugar que a marca ocupa e para quem ela fala. Ele não fica num slide. Fica no texto do site, na forma como o atendimento responde e na escolha do que a marca deixa de fazer. Por isso, a melhor prova é um antes e depois do texto que o time passou a usar.

Antes:“Trabalhei no posicionamento da marca.”

Depois:“Reescrevi a proposta de valor da página inicial e dos anúncios para falar com clientes de primeira compra, em vez do público geral; o formulário de contato passou a pedir o porte da empresa.”

Se você participou de uma reunião de posicionamento sem escrever o texto, diga o que levou para ela: uma pesquisa, uma análise de concorrentes, uma recomendação que foi aceita ou recusada.

Naming é um processo de escolha, então escreva as etapas

Descreva o naming como sequência: opções geradas, critérios de filtro, teste com pessoas do público e decisão final. Criar nome de produto ou de marca tem etapas que o recrutador consegue entender. Quem escreve apenas “criei o nome do produto” deixa de fora a parte que mais importa, que é como o nome foi escolhido e quem o aprovou.

Antes:“Criei o nome da nova linha de produtos.”

Depois:“Conduzi o naming da nova linha: gerei 60 opções com o time, filtrei por clareza e pronúncia em português, testei três finalistas com 20 clientes e levei a recomendação à diretoria.”

Se o nome foi decidido por outra pessoa e você só sugeriu opções, a linha correta é essa: sugeriu, filtrou, apresentou. Não transforme sugestão em decisão, porque a entrevista costuma perguntar quem bateu o martelo.

Consistência entre canais é a prova mais fácil de defender

Escreva os canais e o que você padronizou em cada um. Consistência é quando a mesma marca parece a mesma no site, no e-mail, na assinatura do vendedor e no post da rede social. É a parte mais verificável do trabalho de marca, porque qualquer pessoa pode abrir os canais e conferir.

Antes:“Garanti a consistência da marca.”

Depois:“Apliquei o manual no site, nos e-mails automáticos, nas apresentações e em nove perfis de rede social, e reduzi de cinco para um os modelos de apresentação em uso no time comercial.”

Quando a consistência chega aos e-mails automáticos, a ferramenta de envio entra na linha, e o guia sobre RD Station no currículo mostra como descrever esses fluxos sem listar a ferramenta como um nome solto.

Essa linha responde à pergunta que vem na entrevista: como você fez as pessoas usarem o padrão? Pense na resposta antes de escrever. Se foi com um modelo pronto, uma reunião de alinhamento ou uma revisão de peças, diga isso. Se você conhece a ferramenta de criação que o time usava, cite-a como ferramenta, e não como habilidade que você não tem.

Pesquisa de lembrança e adoção do manual: o que medir e o que não inventar

Escreva as medidas que você acompanhou, com a fonte e o período. São três medidas que dão prova ao trabalho de marca: a pesquisa de lembrança, que mede se o público se recorda da marca; a adoção do manual, que mede quantas peças seguem as regras; e o retrabalho, que mede quantas peças voltaram para correção. Nem todo projeto teve as três.

Antes:“Aumentei o reconhecimento da marca.”

Depois:“Acompanhei a adoção do manual: a proporção de peças enviadas à diretoria fora do padrão caiu de quase metade para menos de uma em cinco, em dois trimestres.”

Se você não mediu lembrança, não escreva que aumentou o reconhecimento. Uma pesquisa feita por você, com dez respostas, já é uma fonte, desde que você descreva o tamanho da amostra e o período. Número sem fonte não resiste à primeira pergunta de quem entrevista.

Rebranding se escreve como antes e depois da operação

Descreva o rebranding pelo que mudou na operação: canais trocados, duração da transição e o que ficou para trás. Rebranding é a troca de uma identidade por outra, às vezes com mudança de nome e de posicionamento. Quem participou tende a escrever a troca como se fosse uma entrega. O recrutador quer saber o que de fato mudou no dia a dia.

Antes:“Participei do rebranding da empresa.”

Depois:“Coordenei a troca de identidade de uma marca com 14 pontos de venda: mapeei os materiais em uso, priorizei o que era visível ao cliente e concluí a troca em etapas, sem parar a operação.”

Se a sua parte foi a de conteúdo que acompanhou a mudança, o post sobre marketing de conteúdo mostra como descrever calendário e peças sem repetir o que aqui fica de fora.

Antes de enviar, confira se cada linha de marca tem escopo e decisão

A ideia central é esta: marca não é uma palavra no currículo. É um conjunto de decisões que você tomou ou executou, com um escopo que alguém pode conferir. Se a linha não mostra o que você entregou, para quem e com que alcance, o recrutador lê como gosto pessoal, e a candidatura perde força antes da entrevista.

Pegue a vaga e veja quais termos de marca ela pede, como manual, posicionamento, identidade ou consistência. Depois confira se cada termo tem uma linha de experiência por trás. A análise gratuita compara o seu currículo com o texto da vaga que você colar, sem cadastro, e mostra quais termos da vaga já estão no seu texto e quais ainda faltam.


Perguntas frequentes

Como escrever trabalho de marca no currículo sem parecer vago?

Nomeie a entrega, o escopo e a decisão. “Criei manual de marca” é vago. “Escrevi o manual com regras de logotipo e paleta para fundos claros e escuros, adotado por quatro áreas” é uma linha que você consegue sustentar. Se o trabalho foi em equipe, diga a sua parte. Quem só revisou peças não escreve que criou a marca, mas pode escrever que aplicou e revisou o manual.

Preciso ter um manual de marca oficial para listar no currículo?

Não é preciso. Se você fez um guia de uso para o time, com regras de logotipo, cores e tipografia, ele é um manual de escopo menor, e pode ser descrito assim. O que não pode é chamar de manual oficial um material que nunca foi aprovado nem usado por ninguém.

Pesquisa de lembrança é obrigatória para provar trabalho de marca?

Não. Ela é uma das formas de medir, e exige uma amostra que você consiga descrever. Outras provas servem: adoção do manual, redução de peças fora do padrão, menos retrabalho na aprovação, um texto novo que o time passou a usar. Escreva a medida que você acompanhou, com o período, e não escreva resultados que não foram medidos.

Branding é coisa de designer ou de marketing?

As duas áreas, com ênfases diferentes. O designer costuma entregar o sistema visual: logotipo, paleta, tipografia e aplicações. Quem trabalha com marketing costuma entregar o posicionamento, a mensagem e a consistência entre canais. A vaga deixa claro qual dos dois perfis ela quer. Use os termos dela e descreva a sua parte, sem reivindicar o trabalho do outro.

Rebranding precisa aparecer como experiência própria?

Só se você participou de forma clara. Estar numa reunião de rebranding não é o mesmo que conduzir a troca. Se a sua parte foi específica, como o mapeamento dos materiais ou a aplicação em um canal, descreva essa parte com o escopo. Se você esteve apenas como revisor, diga isso, que também é experiência.

Quer otimizar seu currículo para uma vaga específica?

O AjustaCV reescreve seu currículo para passar nos filtros ATS da vaga que você escolher. Pronto em minutos.

AJUSTAR MEU CURRÍCULO — R$9,90