Vendas no currículo costuma ser uma frase vazia: “experiência em vendas”, “foco em resultados”, “metas batidas”. Quem contrata para vendas quer uma meta, um percentual, um período e a sua parte no resultado. Mostrar metas batidas no currículo é possível sem exagero: basta escrever o número que você tem, com a base que o gerou. Este guia mostra como fazer isso mesmo quando o seu cargo não tinha vendas no nome.
Qual meta você tinha, e qual era a base dela?
Um percentual sem base não diz nada. “Superei a meta em 300%” pode significar que a meta era de dez vendas e você fez quarenta, ou que a meta era de uma venda por mês e você fez três. O recrutador quer saber contra o que você foi medido, e a resposta vem antes do percentual.
Antes: Superei metas de vendas em todos os meses.
Depois: Bati 112% da meta mensal de vendas de uma loja de calçados, com meta de R$ 80 mil definida pela matriz, em cinco meses seguidos.
A segunda versão tem três partes que se conferem: a meta, o percentual e o período. Se você não pode citar o valor da meta por confidencialidade, escreva apenas o percentual e a unidade, como “meta mensal de unidades vendidas”. O que não pode faltar é a unidade. Sem ela, 112% não diz o que foi vendido. Se a sua meta vinha de um OKR, o guia de OKRs no currículo mostra como escrever o objetivo e o resultado-chave.
Meta batida, meta perto e meta não batida: como escrever cada uma
Nem todo período teve meta batida, e a vaga não espera que tenha. O que ela espera é que o número seja verdadeiro e que você saiba explicá-lo. Há três situações comuns, e cada uma pede uma forma diferente de escrever.
- Meta batida.Escreva o percentual e o período, e pare. Um número alto não precisa de adjetivo, e acrescentar “excelente desempenho” só tira credibilidade.
- Meta perto. Escreva o percentual abaixo de cem com o contexto que explica a distância, como uma região com menos clientes ou uma mudança de produto. O contexto é a parte que mostra que você sabia o que estava acontecendo.
- Meta não batida em um período, batida em outro. Escolha o período que mostra o seu melhor trabalho, desde que ele seja real e esteja identificado. Um trimestre com dados completos vale mais que um ano com média vaga.
O erro de quem não bateu a meta é esconder o número. O recrutador espera ver algum percentual, e a ausência dele é lida como ausência de resultado.
Quando não havia meta de vendas, o que você pode medir?
Muitos cargos vendem sem ter meta formal. Um caixa de loja, um atendente de loja de móveis ou um analista que negocia condições com fornecedores pode não ter uma meta escrita. Nesses casos, escreva o que você mede de fato: volume de vendas, ticket médio quando você souber e a frequência com que vendia um item ou serviço.
Antes: Atuei em vendas e atendimento ao cliente.
Depois: Vendia serviços de agendamento e pacotes de manutenção na recepção de uma oficina, com cerca de quinze fechamentos por semana e o pacote mais caro vendido em um de cada três atendimentos.
A segunda versão não usa a palavra meta, mas mostra volume, produto e frequência. Se a vaga pede meta batida e você não tinha meta, a resposta honesta é a própria descrição. Não crie uma meta retroativa para parecer que ela existia. Se a venda era de campanhas ou de captação de contatos, o currículo de marketing e vendas mostra como separar esses números de um resultado comercial direto.
Ticket médio e carteira: os dois números que dizem o tipo de venda
Ticket médio é o valor médio de cada venda. Carteira é o conjunto de clientes que você atendia ou acompanhava. Os dois dizem se você fazia venda de volume, com muitas vendas pequenas, ou venda de conta, com poucos clientes grandes. A vaga costuma deixar claro qual dos dois perfis ela procura, e o currículo deve responder a esse perfil.
Se você sabe os dois números, escreva-os. Se sabe só um, escreva o que souber. Se não sabe nenhum, escreva a faixa de produto ou de serviço que vendia, como “contratos de até R$ 2 mil por mês”, e não invente uma média. No varejo, as palavras-chave de vendedor de loja mostram como meta, ticket médio e atendimento aparecem juntos nas vagas de loja.
Ranking só entra com a base, e a base vem junto
Posição em ranking é um número que chama atenção, e por isso precisa do tamanho do grupo. “Primeiro lugar” sozinho pode significar primeiro de dois. “Primeiro lugar entre doze vendedores da loja no mês” diz quanto o resultado vale.
Para as vagas de vendas externas e consultivas, o currículo de consultor de vendas mostra como o funil e o ciclo de venda ajudam a dar contexto a esses números. Se o seu trabalho foi em varejo, o ranking e o ticket médio costumam ser suficientes. Se a vaga é de promotor em loja, o currículo de promotor de vendas mostra como falar de gôndola e ruptura sem inventar número.
Quando a carteira era de contas grandes e você a acompanhava por mais de um período, o caso de executivo de contas e key account mostra como escrever a retenção dessa carteira, que é um número diferente da venda do mês.
Onde achar o número que você esqueceu?
A maior parte dos números de vendas existe em algum lugar, e a busca rende mais do que a memória. Comece pelo que o seu trabalho já registrava: o relatório mensal que o gestor recebia, o painel do sistema de vendas ou do caixa, o extrato da comissão, quando havia parte variável no salário, e as mensagens com o gestor sobre a meta do mês.
Se nada disso existe mais, peça a informação ao antigo gestor ou ao setor de recursos humanos, que costuma guardar o valor da meta ou o percentual de comissão. Um número confirmado por alguém é mais forte do que um número lembrado com boa vontade. Se ainda assim não houver registro, escreva o volume em faixas, com “cerca de”, e siga em frente.
Quais linhas de vendas conferir antes de enviar?
Releia cada linha de vendas e pergunte três coisas: contra qual meta ou base o número foi medido, qual era o período e qual foi a sua parte. Se alguma resposta falta, complete a linha ou tire o número. Um currículo com duas linhas de vendas verdadeiras e completas vale mais do que cinco com percentuais que não se explicam.
Depois, compare as palavras da vaga com o que você escreveu. A análise gratuita do AjustaCV aceita o texto da vaga e o seu currículo, sem cadastro, e mostra quais termos da vaga já estão no seu texto e quais faltam. Os termos que faltarem são uma lista de coisas para descrever, se você as fez, ou para deixar de lado, se não fez.
Perguntas frequentes
Posso escrever que bati a meta se a meta era da equipe?
Pode, se a meta era da equipe e você contribuiu para ela. Escreva a meta da equipe e a sua parte: “equipe de seis vendedores bateu 104% da meta de março, com 22% das vendas feitas por mim”. Se a meta era da equipe e você não tem a sua parte, diga só o resultado da equipe. Atribuir a si o total do grupo é o tipo de exagero que a entrevista desfaz.
Se eu não bati a meta, vale colocar o número?
Vale, e é mais útil do que omitir. Um percentual abaixo de cem, com o período, mostra quanto você chegou perto e permite perguntar o que aconteceu. “Atingi 91% da meta do trimestre numa região com queda de visitas” é honesto e explicável. Omitir o número faz o recrutador imaginar o pior, e a vaga pode pedir justamente quem fechava perto da meta.
Ranking de vendedores entra no currículo?
Entra quando é verdadeiro e você sabe o tamanho do grupo. “Primeiro lugar entre doze vendedores da loja no mês” tem valor. “Top vendedor” sem a base não tem. Se você ficou entre os primeiros, escreva a posição e o total. Se o ranking existia mas você não ficou nele, não o cite.
Como mostrar vendas quando meu cargo não é de vendas?
Descreva o que você vendia e para quem, sem trocar o cargo. Um caixa que fazia venda casada, um analista financeiro que negociava condições com fornecedores ou uma recepcionista que fechava agendamentos de serviço têm vendas no currículo. Escreva o volume, o ticket médio quando souber e o resultado em relação à meta da função, se havia uma.
Ticket médio é obrigatório no currículo de vendas?
Não é obrigatório, mas ajuda a dizer que tipo de venda você fazia. Um ticket alto indica venda consultiva ou de contrato. Um ticket baixo, com muitas vendas por dia, indica venda de balcão ou de volume. Se você não sabe o valor, escreva a faixa de produto que vendia. A vaga costuma deixar claro qual dos dois perfis ela procura.
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