A redação aparece em processos seletivos que querem ver como você organiza as ideias por escrito. Ela costuma ter tempo limitado e um tema apresentado na hora, e em geral convive com outras etapas. O que mais pesa é um texto que responda ao tema, tenha começo, meio e fim e seja claro do primeiro ao último parágrafo. Antes de escrever, confira a extensão pedida e os critérios da prova, quando a instrução trouxer algum.

Onde a redação aparece no processo seletivo?

Ela pode aparecer em seleções de programas de trainee, em concursos internos e em vagas que exigem muita comunicação escrita. Um exemplo público ajuda a entender a forma. Um edital de trainee do Sebrae de Goiás prevê, na segunda etapa, uma avaliação de conhecimentos com prova objetiva e prova discursiva, e na terceira uma defesa de currículo em entrevista por competências. O comunicado do edital mostra que a parte escrita tem o nome de prova discursiva, e não necessariamente de redação.

Já a lista de testes que a própria Gupy desenvolve não traz uma redação. Quando ela aparece em uma candidatura pela plataforma, costuma ser um teste criado pela empresa para aquela vaga, como a central de ajuda explica em os tipos de testes da Gupy. Se a redação faz parte de um programa de trainee, o currículo que chega até ela tem regras próprias, em currículo para programa de trainee.

Como entender o tema antes de escrever?

Leia o tema duas vezes antes de qualquer rascunho. Na primeira leitura, identifique o assunto. Na segunda, procure o verbo de comando, como discorra, argumente, descreva ou analise, porque ele diz o formato que a banca espera. Um tema que pede argumentação não se responde com uma descrição, e o contrário também é verdade.

Em seguida, decida a sua posição. Um texto sem tese fica andando em círculos, mesmo quando as frases estão bonitas. Escreva para você mesmo, em uma frase, o que pensa sobre o assunto. Essa frase vai virar a espinha dorsal do texto, e não é preciso que ela seja original, só clara.

Qual estrutura cabe no tempo disponível?

Uma estrutura simples resolve a maioria dos temas. A introdução apresenta o assunto e responde ao tema em uma ou duas frases. O desenvolvimento traz dois ou três argumentos, e cada um deles precisa de uma explicação e de um exemplo. A conclusão é curta e retoma a tese com outras palavras, sem repetir a introdução palavra por palavra.

Reserve a maior parte do tempo para o desenvolvimento, que é onde a sua capacidade de argumentar aparece. Se o tempo acabar, a conclusão pode ser mais simples, mas nunca deve faltar. Um texto sem fechamento parece inacabado, mesmo que o raciocínio esteja certo.

Na introdução, evite começar com uma frase genérica sobre a importância do tema. Vá direto ao ponto: diga qual é a sua resposta e o que vai sustentá-la. Quem lê muitos textos de prova precisa encontrar a tese logo nas primeiras linhas, e não depois de três frases de preparação.

Como planejar o texto em poucos minutos?

O planejamento acontece no rascunho, e não na folha final. Anote, em tópicos, a tese e os dois ou três argumentos, com uma palavra-chave para cada exemplo. Escreva também a ordem em que eles aparecem, porque essa ordem é o que dá lógica ao texto. Quando o planejamento estiver pronto, a escrita fica mais rápida, e você não precisa pensar no que vem a seguir enquanto escreve.

Um cuidado prático: não comece pelo parágrafo mais bonito. Comece pela tese, que é o ponto de partida de tudo. Se você sentir que o tempo está acabando, o rascunho já tem a estrutura pronta, e basta completar as frases.

Quais erros mais atrapalham uma redação?

Alguns problemas aparecem em quase todas as redações fracas, e vale conferi-los antes de entregar:

  • Fugir do tema. O texto fala de algo vizinho, bem escrito, mas que não responde à pergunta.
  • Repetir a mesma ideia com outras palavras. O texto parece longo, mas não avança.
  • Frases longas demais, que perdem o sujeito no meio do caminho.
  • Exemplos genéricos, que poderiam servir para qualquer tema e por isso não provam nada.
  • Conclusão que apenas copia a introdução.
  • Mudança de assunto no último parágrafo, quando a tese já foi abandonada.

Esses erros têm uma causa comum: escrever sem planejar. Quando o rascunho tem a tese e os argumentos, a maior parte deles desaparece sozinha.

Outro sinal de alerta é o tom. Um texto que se explica demais, pede desculpas antes da hora ou afirma o óbvio com ênfase perde autoridade. Escreva com a segurança de quem tem uma tese e a sustenta com argumentos, sem precisar convencer o leitor de que é competente.

Como revisar sem tempo sobrando?

Releia primeiro a introdução e a conclusão, porque são os trechos que a banca lê com mais atenção. Depois confira a concordância entre o sujeito e o verbo nas frases mais longas, a pontuação antes de conectivos como “porém” e “portanto” e a grafia de nomes próprios e termos técnicos. Não reescreva parágrafos inteiros nessa etapa, apenas corrija o que está errado.

Uma revisão útil também testa a lógica. Leia cada parágrafo e pergunte se ele responde a uma parte da tese. Se a resposta for não, o parágrafo sai ou precisa ser ligado ao argumento principal com um conectivo claro. Essa checagem demora menos do que parece e evita que o texto perca força no fim.

Se a seleção também pede um currículo, vale revisá-lo com a descrição da vaga ao lado. A análise gratuita de currículo compara o texto com a vaga e mostra quais palavras da descrição aparecem no documento e quais faltam.

E se a prova for sobre uma área específica?

Nesse caso, o vocabulário da área pesa tanto quanto a estrutura. Use os termos com precisão e apenas quando souber o que eles significam. Um termo técnico usado de forma errada passa uma impressão pior do que uma palavra simples usada com segurança. Se o tema pede a solução de um caso, descreva o caso antes de propor a solução, e mostre o raciocínio que levou até ela.

O raciocínio para resolver um caso é parecido com o de uma entrevista de estudo de caso, que tem um texto próprio sobre como resolver. Em ambos, a estrutura do pensamento importa mais do que a resposta final.

Um exemplo bem escolhido vale mais do que três exemplos vagos. Pense em uma situação que você viveu ou conhece bem, descreva o contexto em uma frase, mostre a decisão tomada e o resultado. Quando não houver experiência direta, use um caso hipotético claro e diga que ele é hipotético. A banca quer ver raciocínio, e não uma biografia.

Posso reaproveitar uma redação de outra seleção?

Um texto pronto raramente resolve o tema de outra vaga. A redação avalia a resposta àquela pergunta, e não um texto guardado. Na Gupy, a regra de reaproveitamento tem detalhes próprios: segundo a central de ajuda, testes customizados só podem ser reaproveitados entre vagas da mesma empresa, e nesses casos o reaproveitamento é uma escolha da pessoa, como detalha o artigo sobre reaproveitar notas.

Se a dúvida é se vale refazer uma prova que já fez, o assunto tem um texto próprio em posso refazer o teste da Gupy. Aqui, o conselho é mais simples: escreva sempre para o tema proposto, mesmo que você já tenha um rascunho parecido na cabeça.


Perguntas frequentes

Redação de processo seletivo é eliminatória?

Depende da seleção. Em alguns processos ela tem peso decisivo, e em outros é só uma das informações avaliadas. A instrução da prova costuma dizer como ela entra. Quando não disser, pergunte à empresa antes de começar. Ainda assim, trate a redação como se valesse muito, porque ela mostra a clareza do seu raciocínio.

Quantas linhas uma redação precisa ter?

A extensão vem na instrução, e esse é o parâmetro mais importante. Quando a instrução não traz número, escreva o suficiente para desenvolver dois argumentos com exemplo e uma conclusão. Texto curto demais parece raso, e texto longo demais costuma atrapalhar a revisão. Confira o tempo disponível antes de se preocupar com a quantidade.

Posso usar listas ou tópicos na redação?

Em geral, não. Uma redação é um texto corrido, com parágrafos ligados entre si. Tópicos ajudam no rascunho, mas no texto final costumam tirar a sequência das ideias. Se a instrução pedir um formato específico, como uma carta ou um ofício, siga esse formato.

O que muda se a redação for digitada?

O cuidado com o conteúdo é o mesmo, mas a revisão muda. Textos digitados pedem atenção a correções automáticas e a frases que ficaram pela metade depois de um corte. Antes de enviar, leia o texto inteiro uma vez, sem corrigir nada, para perceber a ordem das ideias. Depois faça a revisão de pontuação e de palavras.

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