Brigadista no currículo costuma aparecer como uma linha perdida no fim da página, sem data, sem local e sem o que a pessoa fez quando a emergência veio. Para a vaga, esse é o ponto: uma brigada só serve se alguém sabe onde ela atua, com que treinamento e em que tipo de ocorrência. Este guia mostra como escrever o treinamento, a atuação real e a função de primeiros socorros, para que o recrutador entenda o que você consegue fazer no dia em que for preciso.
O que a vaga quer saber quando pede brigadista
A pergunta do recrutador é simples: se algo acontecer no local, essa pessoa sabe o que fazer e tem treinamento para isso? A resposta sai de três informações: o treinamento concluído, a função dentro da equipe e os exercícios ou atendimentos reais. Sem elas, a palavra brigadista não diz nada além de que a pessoa leu o nome do curso.
Antes: Brigadista de incêndio e primeiros socorros.
Depois: Integrante da brigada de emergência do condomínio residencial, com treinamento de combate inicial e de primeiros socorros concluído, participante de dois simulados de abandono do prédio durante o contrato.
A versão depois não promete que a pessoa salvou alguém. Ela diz onde atuou, com que treinamento e o que fez nos exercícios. Isso é o que a entrevista consegue confirmar.
Primeiros socorros e combate ao incêndio: duas linhas, não uma
O treinamento de brigada costuma reunir duas frentes. Uma é o combate inicial e o abandono de área, que trata do fogo e da evacuação. A outra é o atendimento inicial a uma pessoa ferida ou passando mal, que trata da vítima antes do socorro chegar. Quem tem as duas diz isso em linhas separadas.
- Combate inicial e abandono. Escreva o que você sabe fazer no começo de um princípio de incêndio e como conduz as pessoas para a saída. É a frente que a vaga de prédio, fábrica ou comércio pede com mais frequência.
- Primeiros socorros. Escreva o atendimento inicial que você é treinado a dar, como verificar a respiração e controlar um sangramento, sem prometer o que só um profissional de saúde faz.
Se você tem só uma das duas frentes, escreva só ela. Juntar as duas para parecer completo é o que faz a segunda linha ser conferida com mais atenção.
Quando o certificado não traz carga horária ou validade
Este é o ponto em que o post não pode dar número. Não há, aqui, uma carga horária ou um prazo de validade que você possa copiar para o currículo como regra. O que vale é o que está no seu certificado e no plano de brigada da empresa onde você atua ou atuou.
Quando o certificado traz horas, copie o número como ele está. Quando traz validade, escreva a data de emissão junto com o prazo impresso, e não o prazo que você acha que vale. Quando o documento não diz nada disso, procure o responsável pela brigada na empresa, que deve ter o registro do treinamento e do plano. Enquanto isso não chega, escreva a brigada sem horas e sem prazo, e deixe a comprovação pronta para a entrevista.
Quando a função importa: porteiro, educador, vigilante e outras
Em algumas funções a brigada muda a candidatura, porque o cargo já coloca a pessoa perto de uma emergência. Em escola e creche, a Lei nº 13.722/2018, a Lei Lucas, torna obrigatória a capacitação em noções básicas de primeiros socorros para professores e funcionários de estabelecimentos de educação básica, públicos e privados, e de recreação infantil. Por isso a linha do certificado é a primeira que o recrutador procura. Em prédios e portarias, quem já atendeu uma ocorrência no local tem uma experiência que a vaga valoriza, como no caso do currículo de porteiro.
Em outras funções, a brigada é um acréscimo. Um auxiliar administrativo que integra a equipe de emergência do escritório não precisa transformar a candidatura em outra coisa. Ele coloca a brigada numa linha própria, abaixo da experiência da função, com o treinamento e a data.
Antes: Participação em brigada.
Depois: Integrante da brigada de emergência do escritório, com treinamento de primeiros socorros concluído e participação em simulado de evacuação do andar.
O que escrever quando a vaga pede brigadista e você nunca atuou
Escreva o treinamento que você tem e não diga que atuou em emergências reais. Se você fez um curso de primeiros socorros ou de combate inicial, ele entra na seção de formação, com a carga horária e a data do certificado. Se participou de um exercício, ele entra na experiência, com o local e o papel que você teve. Se a brigada vem junto de um trabalho em altura, como em obras e manutenção, o caso de NR-35 no currículo mostra como separar as duas linhas.
Quando a vaga exige brigada como requisito e você não tem o treinamento, a saída honesta é fazê-lo antes da entrevista, se a vaga permitir, ou dizer que está disposto a fazer o curso que a empresa indicar. Nos dois casos, o que você descreve precisa ser verdade no dia em que a conversa acontecer.
Como conferir se a vaga pede o mesmo termo que o seu currículo tem?
Procure na vaga os termos exatos: brigada, brigadista, primeiros socorros, combate a incêndio, abandono de área, simulado. Cada um que aparecer precisa de uma linha sua que o sustente. Se a vaga usa “brigada de emergência” e você escreve “brigadista”, use a forma da vaga, desde que a linha descreva o mesmo papel.
A checagem fica mais rápida quando você cola a vaga na análise gratuita do AjustaCV. Ela não exige cadastro e mostra quais termos da vaga o seu currículo já tem e quais faltam. Se a vaga pede também a parte de segurança do trabalho, o currículo técnico de segurança do trabalho mostra como separar essa frente da brigada.
Escreva a brigada com o treinamento, o papel e o registro
O que a vaga precisa ver é simples: brigadista no currículo se prova com o treinamento que você concluiu, com o papel que exerceu na equipe e com os exercícios ou atendimentos reais que fez. Sem o registro, a linha vira promessa, e a primeira pergunta sobre o que você faria numa emergência a desfaz. Antes de enviar, confira a carga horária e a data no certificado, separe primeiros socorros de combate inicial e verifique se cada linha descreve algo que você fez de fato. Para checar como esses termos se comparam com a vaga, cole o texto dela na análise gratuita e sem cadastro do AjustaCV, e veja quais termos ela pede e quais o seu currículo já tem.
Perguntas frequentes
Brigadista no currículo precisa de carga horária?
Se o seu certificado de brigada traz a carga horária, copie o número exato. Se não traz, não invente um valor e não copie o de outro curso. Peça a declaração ou o registro do treinamento à instituição ou à empresa que o deu, e escreva a brigada com as tarefas que fez enquanto isso não chega. Um número errado na primeira linha do currículo é o tipo de erro que a conferência de documentos encontra.
Primeiros socorros e brigada de incêndio são a mesma coisa?
Não. Primeiros socorros é o atendimento inicial a uma pessoa ferida ou passando mal. Brigada de incêndio é a equipe organizada para agir numa emergência no local, inclusive com combate inicial e abandono. Uma empresa pode pedir os dois, ou só um. No currículo, escreva o que você recebeu como treinamento e o que fez de fato, em linhas separadas, para que a vaga consiga identificar qual você tem.
Quem trabalha em escola ou creche precisa ter primeiros socorros?
Sim, pela Lei nº 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas. Ela torna obrigatória a capacitação em noções básicas de primeiros socorros para professores e funcionários de estabelecimentos de ensino de educação básica, públicos e privados, e de estabelecimentos de recreação infantil. Se você trabalha ou pretende trabalhar nesses lugares, o certificado desse treinamento é uma linha que a vaga espera ver.
Simulado de brigada conta como experiência?
Conta como participação, quando você tem a data e a função que exerceu no exercício. Escreva o simulado como simulado, com o local e o papel que você teve. Ele não equivale a um atendimento real, e não deve ser apresentado como tal. Na entrevista, a pergunta costuma ser o que você faria num incidente de verdade, e o simulado ajuda a responder se você lembrar do que fez no exercício.
Brigadista sem experiência real pode escrever a função?
Pode escrever o treinamento concluído, com o certificado, e a disposição para integrar uma brigada, desde que isso esteja dito como disposição e não como função exercida. Não escreva que atuou em emergências se não atuou. Se a vaga pede a brigada como requisito, a linha de treinamento é o que você tem para mostrar, e a conversa sobre o que faria é a parte que você consegue preparar.
Quer otimizar seu currículo para uma vaga específica?
O AjustaCV reescreve seu currículo para passar nos filtros ATS da vaga que você escolher. Pronto em minutos.
AJUSTAR MEU CURRÍCULO — R$9,90