Uma linha de NR-35 no currículo que traz só a sigla deixa a vaga com duas perguntas: em que altura a pessoa trabalhou e o que ela fazia lá em cima. A vaga pede a norma, mas a linha não responde nenhuma das duas. A linha ganha peso quando mostra três coisas: a carga horária do treinamento, a data da última reciclagem e o trabalho real feito acima de 2,0 metros do nível inferior. Este guia explica onde colocar cada uma e o que fazer quando alguma delas ainda não existe.

Quando o que você faz conta como trabalho em altura?

A NR-35 trata do trabalho em altura, que a norma define como atividade acima de 2,0 m do nível inferior com risco de queda. As duas condições contam. Quem troca uma lâmpada em escada de um metro e meio não entra nessa definição pela altura. Quem monta estrutura metálica numa laje com borda aberta, de onde pode cair, entra, mesmo que a altura seja menor que a de um prédio.

Por isso a linha do currículo precisa descrever a altura e a atividade, e não só citar a norma. A diferença aparece em duas frases.

Antes: Experiência com trabalho em altura e uso de EPI.

Depois: Montagem de andaimes tubulares em fachadas de até 12 m, com conferência do cinturão e da ancoragem antes de cada subida, em obra de reforma comercial, em equipe de três pessoas.

A segunda linha responde o que a entrevista pergunta: onde você trabalhou, até que altura e o que conferia antes de subir. A primeira só mostra que você conhece a palavra.

Quantas horas tem o treinamento inicial e a reciclagem da NR-35?

O treinamento inicial de NR-35 tem carga horária mínima de 8 horas. A reciclagem periódica também tem 8 horas e precisa acontecer a cada dois anos. São esses os números que o recrutador procura no certificado, e eles mudam o que você deve escrever. Ao copiar o documento para o currículo, leve estes campos:

  • Nome do treinamento. Escreva como ele aparece no certificado. Se o documento diz treinamento inicial, use esse termo. Se diz reciclagem, use esse termo. A vaga pode pedir um deles, e a troca de nome é o que a entrevista desfaz primeiro.
  • Carga horária. Copie o número do documento, e não o que o site do curso anuncia. Se o número do certificado não bate com o anúncio, vale a versão do certificado.
  • Data de conclusão. Para a reciclagem, a data é a que vale. Se ela é de mais de dois anos atrás, o treinamento não está em dia, e o currículo não deve sugerir o contrário.
  • Quem emitiu. O nome da instituição ou da empresa que ministrou o curso, do jeito que consta no documento. Com ele, o recrutador consegue checar a informação antes da contratação.

O que fazer quando o certificado não mostra a carga horária?

Nem todo certificado traz as horas de forma clara, sobretudo os emitidos por empresas que treinaram a própria equipe. Nesse caso, não invente o número e não copie o de outro curso. O número errado é o tipo de erro que aparece na primeira conferência de documentos.

Procure o setor de segurança do trabalho da empresa onde você fez o treinamento, ou o SESMT, se ela tiver um, e peça o registro com a carga horária. Enquanto isso não chega, escreva o treinamento sem o número de horas e deixe a comprovação pronta para a entrevista. Uma linha sem horas e verdadeira vale mais do que uma com horas que você não consegue provar.

Em qual seção a NR-35 entra: formação, experiência ou as duas?

A formação prova que você fez o curso. A experiência prova que você usou o que aprendeu. Se a sigla aparece só na formação, o recrutador vê a matrícula e não sabe o trabalho. Se aparece só na experiência, não há como confirmar a data do treinamento.

Coloque o certificado na seção de cursos, com os campos da seção anterior, e descreva o trabalho em altura dentro da linha de cada emprego. Use a mesma forma do nome nas duas seções, para que a relação entre elas seja clara.

Antes: NR-35 concluída.

Depois: NR-35, treinamento inicial de 8 horas, com a data de conclusão e o nome da instituição que emitiu o certificado.

Se você tem mais de um emprego com altura, repita a descrição em cada um, com as alturas e as tarefas de cada período. Não junte tudo numa linha genérica no fim da seção. Se o trabalho já foi informal, o caso de trabalho sem carteira assinada no currículo mostra como comprovar a experiência sem o registro. Se você trabalha na área de segurança do trabalho, o currículo técnico de segurança do trabalho mostra como agrupar as normas numa seção só.

O que escrever quando a vaga pede NR-35 e você ainda não fez o curso?

Não escreva a sigla como se estivesse feita. Se a matrícula já existe, coloque o curso como em andamento, sem data de conclusão e sem carga horária que você ainda não cumpriu. Essa linha é verdadeira e mostra que você se preparou.

Se você já trabalhou em altura sem o certificado, descreva o trabalho e não diga que tem a norma. A primeira pergunta sobre o treinamento expõe uma linha que promete mais do que existe, e a conversa perde o rumo justamente no ponto em que você podia ter sido útil. Relate o que fez, diga que está se regularizando e siga para o que a vaga pede de fato.

Como conferir se a vaga usa o mesmo nome que você escreveu?

Leia a vaga e procure o termo exato: “NR-35”, “trabalho em altura” ou as duas formas juntas. Escreva no currículo a forma que você de fato cumpriu. Se a vaga usa a outra forma, pode incluí-la ao lado, desde que descreva a mesma coisa. Quem escreve um termo que não corresponde à sua experiência só troca a palavra, e não o conteúdo.

Essa checagem é manual, mas pode ser feita mais rápido. Na análise gratuita do AjustaCV, você cola o texto da vaga e vê quais termos dela o seu currículo já tem e quais faltam. A análise é gratuita, não pede cadastro e compara o currículo com o texto que você colou, sem avaliar se cada linha prova o que diz.


Feche a linha com o certificado na mão

A linha de NR-35 vale o que o certificado prova somado ao que você fez acima de 2,0 metros. Se o currículo diz mais do que o documento, a verificação antes da contratação é o momento em que a diferença aparece, e a vaga se perde nele. Antes de enviar, separe o certificado, confira a carga horária e a data da última reciclagem e compare cada número com o que está escrito. Depois, veja se os termos da vaga aparecem na sua versão, pela análise gratuita e sem cadastro do AjustaCV, e ajuste só o que você consegue provar. Para montar a seção de experiência com as tarefas certas, o caso de requisito obrigatório no currículo mostra como ligar cada exigência da vaga a uma linha sua.


Perguntas frequentes

A data do certificado de NR-35 precisa aparecer no currículo?

Quando a vaga pede a norma, sim. A data da última reciclagem mostra se o treinamento ainda cobre o período em que você trabalha em altura. A norma pede reciclagem a cada dois anos, então um certificado mais antigo que isso não garante que você esteja em dia. Escreva a data que consta no documento. Se não souber a data, peça a segunda via à instituição antes de enviar o currículo, porque a dúvida aparece quando o recrutador pedir o arquivo.

Quantas horas tem a NR-35 no curso inicial e na reciclagem?

O treinamento inicial tem carga horária mínima de 8 horas. A reciclagem periódica também tem 8 horas e acontece a cada dois anos. São os mínimos fixados pela norma. Se o seu certificado traz outro número, copie o que está no documento e escreva o tipo de treinamento que ele declara, sem arredondar para cima e sem trocar a palavra inicial por reciclagem.

Quem nunca subiu em andaime pode colocar a NR-35 no currículo?

Pode colocar o curso, se fez o curso. O que não pode é descrever uma experiência em altura que não teve. Quem está começando pode mostrar o treinamento concluído e descrever o que fez de fato, como apoio no transporte de material ou na conferência de equipamentos, sem transformar isso em trabalho em altura. Quando a vaga pede experiência, as tarefas reais e as datas pesam mais do que a sigla.

NR-35 em andamento pode entrar no currículo?

Pode, desde que a linha diga que está em andamento. Escreva o nome do curso, a instituição e a situação, sem data de conclusão e sem carga horária que você ainda não cumpriu. Quando terminar, atualize o currículo com a data e a carga horária do certificado. Uma linha em andamento é honesta e mostra que você se preparou para a vaga, o que é diferente de dizer que a norma já está cumprida.

Curso de NR-35 online vale para o currículo?

O formato pesa menos que o certificado. Confira no documento o nome da instituição, a carga horária, a data e o nome de quem concluiu. Antes de se inscrever, pergunte à empresa onde pretende trabalhar se ela aceita o formato. Se você já fez o curso online, escreva o formato como ele foi, porque a pergunta sobre o treinamento aparece na entrevista, e uma linha trocada se desfaz ali.

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