Um portfólio de social media serve para mostrar como você pensa, não só o feed que você publicou. Monte três a cinco cases, cada um com contexto, objetivo, sua parte e um resultado com período. Hospede o conjunto em um lugar que abra sem login e cite o endereço no currículo, escrito por extenso. O recrutador que chega ao link precisa entender em um minuto o que você fez e por que a conta cresceu ou não cresceu.

Três a cinco cases bem contados valem mais do que vinte peças

Um case é uma situação com começo, meio e fim: um lançamento, um mês de calendário editorial, uma campanha de crescimento de base, a reconstrução de uma conta parada. Uma peça isolada mostra que você sabe editar. Um case mostra que você sabe escolher o que publicar e por quê, e é isso que a vaga de social media paga.

Escolha cases de tipos diferentes. Um de conteúdo para vender, outro de relacionamento com a comunidade e um de crescimento, se você tiver, dão ao recrutador três perguntas respondidas. Três cases do mesmo tipo repetem a mesma resposta.

Cada case tem quatro partes, nesta ordem

O recrutador lê um case de cima para baixo e procura quatro coisas. Se alguma falta, ele passa para o próximo link, que é o que acontece com a maioria dos portfólios.

  1. Contexto: o tipo de negócio, o porte da conta e a situação em que ela estava. Uma linha basta.
  2. Objetivo: o que a conta precisava fazer naquele período, como vender mais, responder mais rápido ou ganhar seguidores da cidade certa.
  3. Sua parte: as decisões e as entregas que você fez, com o formato, a cadência e a ferramenta usada.
  4. Resultado: o número que mudou, com a data de início e de fim, e uma frase sobre o que você faria diferente.

Escreva a sua parte, não o trabalho do time inteiro

Muitos cases contam o que a agência fez. Quando o recrutador não consegue separar a sua contribuição da do time, o case não prova nada sobre você. Diga o que foi seu: o calendário que você montou, as legendas que escreveu, a decisão de trocar o formato dos reels.

Antes: Case de lançamento de loja de roupas, com campanha nas redes e aumento das vendas pelo Instagram.

Depois: Lançamento de loja de roupas femininas com pequeno porte. Montei o calendário de 6 semanas, escrevi as legendas e gravei 12 reels. Em 6 semanas, o perfil passou de 900 para 1.400 seguidores e 35 pedidos vieram por link na bio.

A segunda versão deixa claro o que é seu. Cada número tem prazo, e quem lê consegue perguntar sobre qualquer um deles na entrevista.

Resultado com período e print com contexto

O resultado é a parte que mais gera desconfiança, porque é a mais fácil de inflar. Escolha a métrica que a conta de fato usava para decidir, e explique como ela foi medida. O guia de métricas de redes sociais no currículo lista as que se sustentam em entrevista.

Print de painel é uma prova válida quando mostra a data do período e não expõe nada de terceiros. Recorte o nome da conta, tire e-mails, nomes e dados de seguidores e deixe só o gráfico ou a tabela com o período visível. Acompanhe o print com uma frase: o que mudou, em quanto tempo, e o que você fez para mudar.

Onde hospedar: PDF, site, Drive ou Behance, e o que cada um resolve

O lugar do portfólio depende do que ele mostra. Behance funciona bem para trabalho visual, com feed em grade e cada peça com legenda. Se a sua parte visual pesa mais que a estratégia, o guia de portfólio de designer gráfico mostra como organizar essas peças. Uma pasta de Drive com permissão de visualização serve para cases com vídeo, roteiro e planilha de calendário, que não cabem numa grade. Um site próprio dá controle total, mas exige manutenção. Um PDF anexado ao currículo é o plano de reserva, porque abre em qualquer lugar.

Qualquer que seja o lugar, verifique três coisas antes de enviar: o link abre numa janela anônima, não pede login e não expira. Se o arquivo está numa pasta de rascunho, o recrutador não vê nada. Como escrever o endereço no currículo para que ele seja lido, veja como colocar links no currículo.

Cliente que não autoriza: quatro saídas que não expõem a marca

Nem todo cliente quer o nome no seu portfólio, e isso é uma condição de trabalho comum, não um defeito do seu case. Há quatro saídas que mantêm a sua experiência visível sem expor a marca.

  • Descreva o setor e o porte: loja de cosméticos de bairro ou clínica odontológica de médio porte dizem o suficiente para a vaga entender o contexto.
  • Mostre o processo, não a conta: um calendário modelo, um briefing em branco e a estrutura de legenda. São entregas reais, sem nenhum dado do cliente.
  • Recorte as peças: o formato e a composição do post mostram o trabalho, e você pode tirar o logotipo e o nome do produto quando eles não estão liberados.
  • Use um case de conta própria: se você administra um perfil seu, ele vira um case completo, com objetivo e resultado de tudo que você decidiu.

Peça permissão por escrito quando puder. Uma frase de e-mail dizendo que você pode mostrar o trabalho sem o nome, ou com o nome, resolve a dúvida de uma vez e protege você se o cliente mudar de ideia depois.

Sem cliente, monte um case real antes de montar o portfólio

Quem está começando tem dois caminhos honestos. O primeiro é um projeto para um negócio pequeno que você conhece, com briefing, calendário e peças publicadas durante um período combinado. O segundo é a sua própria conta, tratada como um projeto, com objetivo escrito no início e métrica escolhida antes de começar. Nos dois, o resultado só entra se aconteceu.

Um portfólio com dados inventados é o pior caso possível, porque qualquer pergunta de entrevista sobre o número derruba o resto. Se o seu case ainda não tem resultado forte, mostre o processo com clareza. Recrutador de vaga júnior lê processo com mais atenção do que lê um número bonito sem história.

Antes de mandar o link, teste-o como um recrutador

Abra o portfólio no celular, numa janela anônima, e leia o primeiro case como se não conhecesse você. Se em um minuto você não sabe o que a conta era, o que você fez e o que mudou, o case precisa de mais contexto. Depois, confira se o endereço do portfólio está escrito no currículo em texto e se a URL resiste ao teste.

Para ver como o texto do seu currículo se compara com a vaga de social media que você quer, use a análise gratuita do AjustaCV. Ela é gratuita, não exige cadastro e mostra, a partir do texto da vaga que você colar, quais termos a vaga pede que o seu currículo já tem e quais faltam.


Perguntas frequentes

Quantos cases um portfólio de social media precisa ter?

Três a cinco são suficientes. Três cases bem contados, cada um com contexto, objetivo, sua parte e resultado com período, valem mais do que vinte peças soltas. Se você está começando, dois cases de projeto próprio ou voluntário já servem, desde que mostrem um processo completo, do calendário à publicação.

Posso mostrar o portfólio de um cliente que não autorizou?

Não como ele é. Descreva o setor e o porte, mostre o processo e o formato das peças, e recorte as imagens para tirar nome de marca e números que o cliente não liberou. Se a conta do cliente é o case inteiro, não publique. Escolha outro trabalho ou crie um projeto próprio.

Print de painel com alcance e engajamento serve como prova?

Serve, quando mostra a data do período, o nome da conta recortado e nenhum dado pessoal de seguidores. Um print sem data, com a conta inteira à mostra e sem legenda explicando o que aparece, é fácil de contestar. Acompanhe o print com uma frase que diga o que mudou e em quanto tempo.

Behance ou Google Drive: qual usar para o portfólio de social media?

Behance funciona melhor quando o seu trabalho é visual e você quer uma vitrine de feed. Um Drive com pasta de visualização aberta serve para cases com vídeo, roteiro e planilha de calendário. Em qualquer dos dois, teste o link numa janela anônima antes de enviar, porque pedido de login costuma fazer o recrutador desistir.

Portfólio de social media sem cliente: o que colocar?

Um projeto próprio ou para um pequeno negócio conhecido, com briefing, calendário, peças e um resultado medido no período. Não invente números. Se a conta ainda é pequena, mostre o processo e o crescimento real, com datas, em vez de um resultado que não aconteceu.

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