Período de experiência é o contrato por prazo determinado que a CLT permite para conhecer o trabalho antes de uma contratação mais longa. Ele dura no máximo 90 dias, e a lei não exige que você passe em prova: no fim do prazo, a empresa decide se segue com você, se prorroga uma única vez ou se encerra. Para chegar bem aos 90 dias, conheça o que o gestor observa, peça feedback no dia 30 e no dia 60 e registre suas entregas desde a primeira semana.
Quanto tempo dura o período de experiência e o que a lei permite?
A CLT limita o contrato de experiência a 90 dias e permite uma única prorrogação, sem que o total passe desse limite. Na prática, os dois formatos mais comuns são 45 mais 45 dias e 30 mais 60 dias. Uma segunda prorrogação descaracteriza o contrato de experiência, o que muda a natureza do vínculo. Por isso o número de dias escrito no contrato merece leitura cuidadosa antes da assinatura. Antes de dizer sim à proposta, vale seguir o roteiro sobre o que conferir na proposta de emprego, que inclui o prazo e a data de início.
O que acontece no fim dos 90 dias?
Quando o prazo chega ao fim sem prorrogação, o contrato se encerra na data prevista. Se houver prorrogação, ela precisa estar dentro do limite de 90 dias e ser feita uma única vez. Em qualquer caso, o RH comunica a decisão, e é nessa conversa que vale pedir por escrito qualquer combinação sobre cargo, salário ou benefícios, porque o que não está escrito é difícil de provar depois. Se a sua admissão ainda está em andamento, a lista de documentos para admissão mostra o que entregar para o RH registrar o contrato sem atraso.
Se você não tiver certeza de como fica a rescisão ou a continuidade do contrato, confirme com o RH ou com o sindicato da sua categoria. Cada caso depende do contrato assinado e da convenção coletiva. Se o contrato veio de uma vaga temporária, o texto sobre como ser efetivado depois do contrato temporário mostra como conversar sobre essa continuidade sem perder tempo.
O que o gestor observa nos primeiros 90 dias?
O gestor observa quatro coisas: pontualidade, aprendizado, relação com a equipe e entrega. Nenhuma delas exige talento raro. Todas exigem que o gestor consiga ver você fazendo o trabalho, por isso a avaliação costuma se apoiar no que foi visto e no que foi combinado.
- Pontualidade: chegar no horário, avisar com antecedência quando algo atrasar e cumprir os combinados de agenda.
- Aprendizado: anotar as orientações, repetir o processo com as próprias palavras e pedir ajuda com uma pergunta precisa, em vez de esperar para errar.
- Relação: responder bem às demandas dos colegas, não atropelar processos já existentes e dizer quando não consegue atender a um pedido.
- Entrega: terminar o que foi atribuído, no prazo, e mostrar o resultado com números sempre que houver como medir.
O gestor julga o conjunto, não uma semana isolada. Um dia difícil não define os 90 dias, mas um padrão de atraso sem aviso ou de tarefas sem fechamento pesa mais do que um erro pontual. Por isso o plano serve menos para impressionar e mais para deixar o padrão visível: cada entrega fechada, cada erro corrigido e cada dúvida respondida ficam anotados, e quem avalia enxerga a curva de aprendizado sem precisar procurá-la.
Como montar um plano semana a semana?
Um plano cabe numa página e tem uma meta por semana. A ideia é que, na semana 4, você já consiga responder sozinho às tarefas básicas, e na semana 8, já assuma uma entrega completa. O plano não precisa ser formal, basta um caderno com o que aprendeu e o que entregou.
- Semana 1: entender a rotina, os sistemas usados e quem decide o quê. Anote os nomes e os papéis.
- Semana 2: executar tarefas simples com supervisão e registrar cada erro e como foi corrigido.
- Semana 3 e 4: assumir tarefas do dia a dia de forma autônoma e pedir o primeiro feedback no dia 30.
- Semana 5 a 8: entregar um projeto ou uma melhoria pequena, com o resultado medido, e preparar a conversa do dia 60.
- Semana 9 a 12: consolidar, documentar o que construiu e combinar com o gestor o que ficou pendente.
Cada entrega com número vira uma linha do seu próximo currículo. Se você quer checar se essa experiência recente aparece bem para o filtro, a análise gratuita do ATS mostra a pontuação por categoria e as palavras-chave da vaga que faltam no texto.
Como pedir feedback no dia 30 e no dia 60?
Peça uma conversa de quinze minutos e diga o motivo: você quer alinhar expectativas antes do fim do contrato. Quem pede feedback de forma específica recebe respostas úteis, e quem pergunta “está tudo bem?” recebe um sim que não ajuda ninguém.
Oi, Marina. Estou no 30º dia e quero entender o que você espera de mim nas próximas quatro semanas. Podemos marcar 15 minutos? Quero saber o que está indo bem e o que eu deveria ajustar.
(Modelo com nome inventado, para adaptar ao seu gestor.) No dia 60, a pergunta muda: pergunte o que falta para a avaliação final ser positiva e peça a meta escrita para os últimos 30 dias. Anote a resposta, porque ela vira o critério que o gestor vai usar.
Se quiser entender como pedir devolutiva em outros momentos do processo, o guia de como pedir feedback de processo seletivo traz modelos que servem para a mesma conversa.
Quais sinais de alerta pedem uma conversa cedo?
Sinais de alerta aparecem antes do fim do contrato, e é melhor responder a eles na hora. Atraso repetido sem explicação, tarefas devolvidas sem comentário, reuniões em que o gestor não olha para você e ausência de feedback depois de duas semanas são os mais comuns.
Uma conversa cedo costuma resolver o problema. Diga o que você percebeu em fatos, por exemplo: “Recebi duas tarefas devolvidas sem comentário na semana passada. O que eu deveria ter feito diferente?”. Essa pergunta é objetiva, não acusa ninguém e dá ao gestor a chance de ajustar o combinado.
Se a resposta vier vaga, como “está indo”, peça o próximo passo: qual é a meta da semana seguinte e como ela será medida. Uma meta escrita, com data, é a melhor prova para os dois lados. Se mesmo assim o combinado não se cumprir, registre as conversas por escrito, com data e assunto, e não deixe o problema chegar ao último mês do contrato sem aviso.
A gestante no contrato de experiência tem estabilidade?
Tem, segundo o entendimento do TST. A Constituição protege a empregada gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, e o TST reconhece essa proteção também no contrato de experiência, que é por prazo determinado (Súmula 244, item III). O detalhe que muda o resultado é a comunicação: avise o RH por escrito e guarde o comprovante.
A regra é clara no conceito, mas a aplicação depende do caso, por isso confirme com o sindicato ou com um advogado antes de tomar qualquer decisão sobre o contrato. Quem está nessa situação e não quer esperar pode buscar a orientação antes de qualquer conversa com o gestor.
Um contrato bem começado é o melhor caminho para a efetivação
A decisão é simples: monte o plano antes da primeira semana, anote entregas com números e peça feedback nos dias 30 e 60. Se o contrato for encerrado, a mesma rotina vale para a próxima vaga, porque o que você mostrou em 90 dias é a sua história profissional mais recente. Ao chegar ao último dia, você terá uma lista de entregas, feedbacks e metas, que é exatamente o material de uma boa conversa sobre continuidade. Para organizar o currículo com essa experiência, o editor de currículo gratuito do AjustaCV permite montar o texto em modelos prontos antes de enviar para a próxima candidatura.
Perguntas frequentes
O período de experiência pode ser menor que 90 dias?
Pode. A CLT fixa 90 dias como o máximo do contrato de experiência, não como uma duração obrigatória. Por isso o contrato pode ser de 30, de 45 dias ou de outro prazo, desde que a soma com a prorrogação não ultrapasse 90 dias. O prazo escrito no contrato é o que vale, então confira esse número antes de assinar.
O período de experiência de 90 dias pode ser prorrogado?
Sim, mas apenas uma vez. A CLT permite uma prorrogação, e o total não pode passar de 90 dias: 45 mais 45 dias é válido. Uma segunda prorrogação, como 30 mais 30 mais 30, transforma o contrato de experiência em contrato por prazo indeterminado, segundo a regra da CLT.
Como calcular os 90 dias do período de experiência?
Os 90 dias são corridos, o que quer dizer que sábados, domingos e feriados entram na conta. A contagem começa na data de início registrada no contrato. Para não se perder, anote a data inicial e a data do último dia no calendário, e confirme com o RH qual é a data de término escrita no documento.
Grávida durante o contrato de experiência pode ser dispensada?
A Constituição protege a empregada gestante contra a dispensa arbitrária ou sem justa causa desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. O TST reconhece essa estabilidade também no contrato por prazo determinado, como o de experiência. Comunique a gravidez ao RH por escrito e guarde o comprovante, e confirme os detalhes com o sindicato ou um advogado.
Quais sinais indicam que o período de experiência pode não dar certo?
Os sinais mais comuns são atrasos repetidos, tarefas que voltam sem avanço, pouco retorno do gestor e a sensação de que as conversas sobre o trabalho ficaram mais curtas. Nenhum deles decide sozinho o resultado. Quando aparecem juntos, a melhor resposta é pedir uma conversa curta e objetiva, com metas e prazos escritos.
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