Quem manda o mesmo currículo para dezenas de vagas e quase não recebe resposta costuma culpar o modelo do documento. Antes de trocar o layout, vale olhar o que as vagas pedem no currículo. Nas 375 vagas que as pessoas colaram no AjustaCV ao pedir ajuda com o currículo, as palavras-chave mais pedidas nas vagas incluem inteligência artificial, banco de dados, Excel e atendimento ao cliente, além de termos que descrevem o modo de trabalho. O currículo costuma citar as ferramentas. Com frequência, deixa de fora o jeito de trabalhar.
Python, React e JavaScript quase sempre estão no currículo
Nas 43 vagas que pediam Python, o currículo não trazia o termo em 9% dos casos. Em React, a falta foi de 6% das 34 vagas, e em JavaScript, de 15% das 47. Quem lista ferramentas costuma listar as que a vaga pede, então a pergunta muda de lugar. O que costuma faltar é o que a pessoa fez com essas ferramentas, e isso só aparece quando você lê a vaga com outros olhos.
Faça a conferência em uma tarde. Pegue uma vaga e separe os termos em duas colunas. Na primeira ficam as ferramentas, aquilo que você instalou, configurou ou operou. Na segunda ficam os modos de trabalho, a maneira como você revisa, testa, mede, planeja ou entrega. Depois procure cada termo da segunda coluna no seu currículo. Os que não aparecem formam a sua lista de trabalho.
Para uma vaga de analista de dados, a divisão fica assim:
- Ferramentas: Python, SQL e Power BI. São coisas que se instalam e se operam, e um currículo costuma citá-las sem dificuldade.
- Modos de trabalho: análise de dados, KPIs e apresentação de resultados. Esses termos descrevem o que a pessoa fez com as ferramentas, e KPIs faltou em 37% das 35 vagas que o pediam.
Se um desses termos não tem nenhuma história sua por trás, ele fica de fora. Anote-o como lacuna, com o estado real: em curso, em projeto pequeno ou ainda para aprender. Escrever o que não se fez é o atalho que a primeira pergunta de detalhe na entrevista desfaz.
Boas práticas e melhoria contínua faltam porque descrevem uma atitude
Boas práticas faltou em 67% das 43 vagas que a pediam. Melhoria contínua faltou em 59% das 51. São frases amplas o bastante para caber em qualquer currículo, e por isso não provam nada em nenhum. Uma atitude só vira prova quando alguém escreve o que fez com ela.
Troque a atitude pelo ato. Pergunte-se qual gesto concreto a frase descreve, e escreva esse gesto junto com o que mudou por causa dele. Os exemplos desta seção são inventados, e o que importa é o padrão.
Antes: “Aplico boas práticas e busco melhoria contínua nos projetos.”
Depois: “Revisei em pares todos os pedidos de mudança do time de cobrança e propus o padrão de nomes que o time adotou. O tempo entre abrir e aprovar uma mudança caiu de três dias para um.”
Use o nome da vaga só quando ele descreve o que você fez. Se a vaga pede boas práticas de código e você fez revisão em pares, escreva revisão em pares. O guia de boas práticas de código no currículo trata do termo com mais detalhe.
Para melhoria contínua, o ato tem três partes: você viu um problema, mudou alguma coisa e mediu o efeito. Escreva as três. A medida pode ser simples, como dias, reclamações ou retrabalho. O guia de melhoria contínua no currículo cobre o termo, e sem medida a frase continua sendo uma atitude.
Antes: “Busco melhoria contínua nos processos da equipe.”
Depois: “Mapeei o fechamento mensal, que levava quatro dias com conferência manual, e troquei a conferência por uma checagem automática das contas. Desde então o fechamento sai em dois dias.”
Testes automatizados e CI/CD somem quando o currículo não diz onde rodam
Nas 141 vagas de pessoas da área de tecnologia, testes automatizados faltou em 42% das 33 que o pediam. CI/CD faltou em 43% das 30, e metodologias ágeis em 46% das 24. Os três são processos, e um processo só vira prova quando o currículo diz onde aconteceu, com que ferramenta e com que rotina.
Para testes, diga o que foi testado, com que ferramenta e em que momento a suíte rodava. Para CI/CD, diga o que o pipeline fazia, por exemplo compilar, rodar os testes e publicar. Se você só usou um pipeline pronto, diga isso, sem transformar o uso em montagem. O guia de testes automatizados no currículo cobre o termo, e o guia de CI/CD no currículo cobre o pipeline.
Antes: “Testes automatizados e CI/CD.”
Depois: “Escrevi testes de integração para a API de pedidos com Jest e configurei o pipeline do time para rodá-los a cada pedido de mudança, bloqueando publicações com falha.”
Para metodologias ágeis, a prova é a rotina: quantas sprints você acompanhou, quais reuniões conduziu e o que elas mudaram no planejamento. Sem essas três informações, o termo nomeia um método sem mostrar em que ele entrou na sua semana. O guia sobre metodologias ágeis no currículo trata do tema.
Coloque também a prova dentro da experiência em que ela aconteceu, e não só numa lista de competências no fim da página. A lista diz que você conhece o termo. A linha da experiência diz onde você o usou, e é isso que a pergunta da vaga quer saber.
Inteligência artificial e análise de dados só contam com tarefa e resultado
Inteligência artificial foi o termo mais pedido entre os que a análise contou: aparece em 60 das 375 vagas coladas, e faltou em 55% delas. Análise de dados faltou em 47% das 34 vagas que a pediam, e pacote Office em 58% das 36. Cada uma dessas frases descreve uma categoria, e a categoria sozinha não diz o que a pessoa fez dentro dela.
Escreva tarefa, ferramenta e resultado na mesma linha. Os exemplos abaixo são inventados e mostram a estrutura.
Antes: “Conhecimento em inteligência artificial e análise de dados.”
Depois: “Uso o ChatGPT para rascunhar respostas de atendimento, revisadas por mim antes do envio. Montei no Power BI o painel mensal de vendas por região, que a diretoria usa no fechamento.”
Pacote Office pede outro tipo de prova, que é o arquivo. Diga qual planilha de controle você montou, qual apresentação preparou e para quem ela servia.
A análise conta “IA” e “AI” como o mesmo termo que inteligência artificial, então a sigla é aceita. Mas a sigla sozinha tem o mesmo problema da frase sozinha: não diz o que você fez.
Se você ainda não usou inteligência artificial em uma tarefa de trabalho, não escreva a frase. Use a ferramenta numa tarefa real primeiro e escreva depois o que aconteceu. O guia de inteligência artificial no currículo trata do termo, e como citar ChatGPT e Copilot no currículo tem um post próprio. Para análise de dados, o guia sobre o termo segue a mesma lógica.
Os números deste texto dizem o que as vagas pedem, não o que as empresas fazem
As contagens vêm de pedidos concluídos no AjustaCV até 30 de outubro de 2026 em que a pessoa colou o texto completo da vaga: 375 vagas ao todo. Para cada termo, a pergunta foi a mesma: o termo, ou um dos sinônimos listados na análise, estava no texto do currículo enviado com aquela vaga?
Por que só esses pedidos? Só quem colou o texto da vaga permite comparar termo a termo com o currículo. Pedidos com o campo vazio, só com o cargo digitado ou só com um link ficaram fora da conta.
Três limites mudam a leitura. Primeiro, “não encontrado” quer dizer que o termo não estava no texto, e não que a pessoa não tinha a habilidade. Segundo, para boas práticas a análise não listou sinônimos, então um currículo que descreve a prática com outras palavras entra como faltante. Terceiro, são pessoas que procuraram ajuda para o currículo, e 141 das 375 vagas vieram de pessoas da área de tecnologia, mais de um terço da base.
Os números não dizem o que recrutadores fazem com essas palavras, nem o que o mercado pede em geral. As áreas fora da tecnologia têm amostras pequenas demais para percentuais, por isso este texto não os cita.
A palavra que falta é a que descreve o seu trabalho
Nas vagas analisadas, a palavra que faltava era, na maior parte das vezes, a que descreve o trabalho, e não a ferramenta. Ferramentas costumavam estar no currículo. O que faltava era o que a pessoa revisou, testou, mediu ou entregou com elas. É esse trecho que responde ao que a vaga pergunta de fato: o que você fazia com isso?
Enquanto o currículo listar só o inventário, cada candidatura responde a metade da vaga, e a outra metade fica para uma entrevista, se ela chegar. Antes da próxima candidatura, cole o texto da vaga e o seu currículo na análise gratuita. Não precisa de cadastro. Ela compara os dois textos e mostra quais termos da vaga o currículo já tem e quais faltam. Use essa lista como roteiro de perguntas para você, e não como palavras para colar no fim do texto.
Perguntas frequentes
Quais são as palavras-chave mais pedidas nas vagas?
Entre os termos que a análise contou, inteligência artificial foi o mais pedido: apareceu em 60 das 375 vagas coladas. Vêm depois banco de dados (56), Excel (55) e atendimento ao cliente (55). Python, React e JavaScript também aparecem com frequência, e costumam estar no currículo. Os termos sobre o modo de trabalho, como boas práticas e melhoria contínua, estão entre os que mais faltam.
Quais palavras-chave que faltam no currículo são as mais comuns?
Nas vagas coladas, boas práticas faltou em 67% das 43 que a pediam, e melhoria contínua em 59% das 51. Em todas as áreas, metodologias ágeis faltou em 55% das 31 vagas, e análise de dados em 47% das 34. O padrão se repete: a vaga pede uma atitude ou um processo, e o currículo traz a ferramenta sem a frase que mostra como ela foi usada.
Posso escrever inteligência artificial no currículo se só uso ferramentas de IA no trabalho?
Pode, desde que a frase diga o que a ferramenta faz no seu trabalho, com a tarefa e o resultado. “Uso IA generativa para classificar pedidos de suporte por urgência, e confiro a classificação antes de encaminhar” é uma frase que você consegue sustentar numa entrevista. “Conhecimento em inteligência artificial” não é, porque deixa a pergunta de detalhe sem resposta. Se você ainda não usou a ferramenta em uma tarefa real, faça isso antes de escrever.
Devo copiar a palavra da vaga exatamente como ela está escrita?
Não é esse o objetivo. O texto do currículo precisa mostrar o que você fez. Se a vaga pede metodologias ágeis e você trabalhou com Scrum, escreva Scrum e diga qual rotina seguia, como as reuniões de planejamento ou a revisão das entregas. Use o seu nome para a coisa e deixe claro o que ela era. A palavra da vaga entra quando também for o nome do que você fez.
O que fazer quando a vaga pede um termo que eu nunca usei?
Não escreva como se tivesse usado. Escreva o que você tem mais perto e, se estiver estudando, marque o estado real: em curso, em projeto pequeno ou concluído. Um termo sem história por trás pode passar pelo papel, mas é o primeiro ponto que uma entrevista testa, quando alguém pede um exemplo. Anote o termo como lacuna para estudar e volte a ele quando tiver algo real para contar.
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