Manutenção no currículo costuma aparecer como “manutenção de equipamentos”, e o recrutador não sabe se a pessoa apertava parafuso ou se planejava as paradas de uma linha inteira. A diferença está em duas palavras. A preventiva é o trabalho feito antes da falha, com intervalo definido. A corretiva é o que acontece depois dela. Escreva qual das duas você fez, quantos equipamentos cobriu e o que mudou com o seu trabalho.

Preventiva e corretiva são trabalhos diferentes, e a linha diz qual você fez

Cada uma pede uma rotina diferente, e a vaga costuma separá-las. A preventiva exige planejamento e disciplina de registro. A corretiva exige diagnóstico rápido e capacidade de decidir sob pressão. Quem fez as duas tem uma linha por tipo, e quem fez só uma não deve escrever as duas.

  • Preventiva. Revisões, lubrificação, troca de peças por intervalo de tempo ou de uso. O que importa é a periodicidade e quantos equipamentos estavam no plano.
  • Corretiva. Atendimento depois da falha, com diagnóstico, reparo e retorno à operação. O que importa é o tempo de resposta e se a mesma falha voltou.

Antes: Manutenção preventiva e corretiva de máquinas.

Depois: Execução do plano de preventiva em 38 bombas e compressores de uma linha de envase, com revisões mensais e registro em ordem de serviço, e atendimento de corretivas nos turnos da noite.

Se você é engenheiro, a mesma divisão aparece no papel de planejamento. O guia de currículo de engenheiro de manutenção e automação mostra como separar o trabalho de planejamento do de execução. Se a manutenção é de veículos, o currículo de mecânico automotivo mostra como separar oficina, concessionária e frota.

Um plano de preventiva se descreve pelo que ele cobriu

Um plano de manutenção é uma lista de equipamentos com a rotina de cada um e a periodicidade. Escrever “elaboração de plano de manutenção” sem dizer o que estava no plano não prova nada. Descreva o escopo: quantos equipamentos, quais tipos e com que intervalo cada um era revisado.

Se o plano tinha checklist, cite-o. O checklist é a prova de que a revisão foi feita da mesma forma toda vez, e é o documento que a entrevista pede primeiro. Se você só executou o que outra pessoa planejou, diga isso e descreva a execução com a mesma precisão.

Antes: Elaboração de plano de manutenção preventiva.

Depois: Criei o plano de revisão de 22 equipamentos de ar-condicionado de três prédios, com checklist por equipamento e periodicidade trimestral, registrado no sistema de ordens de serviço.

MTBF e MTTR entram no currículo só com o cálculo que você fez

MTBF é o tempo médio entre falhas. MTTR é o tempo médio para reparar. Os dois são indicadores clássicos de manutenção, e aparecem em vagas de planejamento e de confiabilidade. Eles só fazem sentido quando você sabe de onde saiu o número: o período, o tempo de operação e a quantidade de falhas.

Um exemplo de conta: um equipamento operou 2.160 horas num trimestre e teve 4 falhas. O MTBF é 2.160 dividido por 4, ou 540 horas. Se o seu registro tem esses dados, o indicador é uma linha forte. Se você não tem esses dados, a palavra fica de fora. Para o caminho desses indicadores, o guia de KPIs e indicadores no currículo mostra como escrever cada um sem confundir.

Antes: Acompanhamento de indicadores de manutenção.

Depois: Acompanhei o MTBF e o MTTR de três prensas numa planilha mensal. Com a troca de um rolamento por intervalo fixo, o MTBF da prensa mais crítica subiu de 540 para 690 horas em seis meses.

Disponibilidade é a conta do tempo que a máquina produziu

Disponibilidade é a parcela do tempo em que o equipamento esteve pronto para produzir. A conta é o tempo disponível dividido pelo tempo total do período. Se um equipamento ficou 36 horas parado num mês de 720 horas, ele ficou disponível em 684 horas, e a disponibilidade foi de 95%.

Essa conta é a que o gestor de operação mais entende, porque fala de produção. Quando você escreve a disponibilidade, diga o equipamento, o período e a fórmula que usou, se a vaga perguntar. Um número sem período é um número que ninguém consegue conferir.

Equipamento precisa ser nomeado pelo tipo, pelo porte e pela quantidade

“Equipamentos industriais” é uma palavra que cabe em qualquer currículo. Nomear o equipamento mostra que você conhece a rotina dele. Escreva o tipo, o porte ou a capacidade, e a quantidade atendida.

  • Tipo. Bomba centrífuga, compressor, esteira, prensa, caldeira, quadro elétrico. Cada tipo tem uma rotina e uma falha típica, e a vaga conhece as duas.
  • Porte. Potência, capacidade ou dimensão, quando isso muda a rotina. Um compressor de grande porte pede outra checagem que um de bancada.
  • Quantidade. Quantos equipamentos você atendeu no plano ou no turno. Um número concreto é o que transforma a lista em experiência.

Se a sua experiência é elétrica, a mesma regra vale para quadros e circuitos. O guia de currículo de eletricista predial mostra como nomear o trabalho de manutenção elétrica sem perder a precisão.

Manutenção sem ser de chão de fábrica também tem plano e corretiva

O mesmo raciocínio serve fora da indústria. Um analista de licitações que monta o cronograma de contratos de manutenção preventiva de prédios está trabalhando com o plano, e não com a execução. Escreva o escopo dos contratos e o que o cronograma controlava.

Antes: Experiência com contratos de manutenção.

Depois: Controlei o cronograma de cinco contratos de manutenção preventiva de prédios, com 60 chamados corretivos por mês registrados e cobrados conforme o contrato.

O que fazer agora com a linha de manutenção

A linha que vale diz se a manutenção foi preventiva, corretiva ou as duas, quantos equipamentos você cobriu e qual indicador mudou. Sem isso, a palavra fica no currículo como um item que todo técnico escreve, e a entrevista pergunta o que você fez numa parada. Antes de enviar, pegue a vaga e marque os termos de manutenção que ela pede: preventiva, corretiva, MTBF, disponibilidade, plano. Depois, cole o texto da vaga e o currículo na análise gratuita do AjustaCV, que não pede cadastro e mostra quais termos da vaga o seu currículo já tem e quais faltam. Para cada termo que faltar, pergunte se você fez aquilo. Se fez, escreva o número. Se não fez, deixe de fora.


Perguntas frequentes

Manutenção preventiva e preditiva são a mesma coisa?

Não. A preventiva troca ou revisa peças em intervalos definidos, de tempo ou de uso, antes de a falha acontecer. A preditiva decide o momento da intervenção a partir de medições, como vibração, temperatura ou análise de óleo. No currículo, escreva a que você executou. Se fez a coleta de medições e a decisão de parar a máquina foi sua, a preditiva entra com esse detalhe.

Preciso saber calcular MTBF para escrever no currículo de manutenção?

Não é obrigatório, mas, se a vaga pede o termo, você precisa saber de onde vem o número. MTBF é o tempo médio entre falhas, calculado pelo tempo de operação dividido pelo número de falhas no período. Se você acompanhou esse indicador numa planilha ou sistema, escreva o resultado e o período. Se nunca calculou, deixe o termo de fora da linha.

Quando a vaga pede manutenção corretiva, a preventiva conta?

Conta, porque a corretiva é mais rápida quando o histórico de preventiva existe. Se você executou os dois, descreva os dois separados e mostre como a preventiva reduziu as falhas que chegavam à corretiva. Se fez só preventiva, a vaga de corretiva pede uma leitura honesta: você conhece a rotina que evita a emergência, mas não necessariamente o atendimento de emergência.

Como escrever disponibilidade sem ter o número exato?

Use a conta com os dados que você tem. Disponibilidade é o tempo em que o equipamento esteve disponível para produzir, dividido pelo tempo total do período. Se você lembra as horas paradas do mês, faça a conta e escreva o resultado aproximado, indicando que é estimativa. Um número estimado e explicado vale mais que um número exato que você não consegue defender.

Experiência de manutenção residencial ou predial conta na vaga industrial?

Conta como base, desde que a linha mostre o trabalho com plano e registro. Uma rotina predial de revisão de bombas, de elétrica ou de ar-condicionado com cronograma e checklist já tem a lógica da preventiva. Para a vaga industrial, acrescente o porte dos equipamentos e o tipo de parada que você atendeu, se houve.

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