Java no currículo costuma aparecer como uma palavra de três letras que pode significar desde um script de integração até um sistema bancário com vinte anos de código. A vaga de back-end corporativo quer distinguir essas duas coisas, e o texto precisa mostrar em qual delas você trabalhou. Este guia mostra como escrever a versão do Java, o framework Spring, o sistema em que você atuou e a mensageria, sem transformar tudo numa lista.

Escreva a versão do Java quando ela mudou o que você fazia

A versão do Java entra no currículo quando ela define o trabalho. Uma vaga que pede Java 17 ou Java 21 costuma usar a versão como filtro, e o recrutador quer ver se você trabalhou com ela. Se você só manteve um sistema antigo, escreva a versão que ele roda, porque ela também diz algo sobre o trabalho.

Antes: Java avançado, orientação a objetos, Spring.

Depois: Manutenção de API de faturamento em Java 8 com Spring Boot, com correções de integração com o sistema fiscal e atualização de dependências.

A segunda versão não finge uma versão moderna. Ela descreve o sistema real e o que foi feito nele. Se você já migrou para uma versão mais nova, essa migração é uma linha própria, com seção mais adiante.

Spring Boot é o nome que a vaga procura, e os módulos mostram o resto

Spring é o ecossistema de framework mais citado em vagas de Java corporativo, e Spring Boot é a forma mais comum de montar uma aplicação com ele. Escrever apenas Spring deixa de fora a parte que o recrutador quer ver: os módulos que você configurou no projeto.

  • Spring Web. Controladores REST e tratamento de erros. Diga quantos endpoints você criou ou manteve, ou qual área de negócio eles atendiam.
  • Spring Data JPA. Repositórios e mapeamento de entidades com JPA e Hibernate. Mencione quando você escreveu consultas personalizadas ou resolveu um problema de desempenho em uma delas.
  • Spring Security. Autenticação e autorização em rotas. Se você configurou o controle de acesso por perfil, escreva o perfil e o tipo de recurso protegido, e não só a palavra segurança.

Se você não configurou algum desses módulos, deixe-o de fora. A pergunta técnica seguinte costuma ser sobre o que você fez no módulo, e quem apenas o viu no projeto não tem resposta. Se o anúncio marca um desses módulos como requisito obrigatório, o guia sobre requisito obrigatório mostra como comprovar o item sem forçar a palavra.

Um sistema corporativo se descreve pelo papel, pelo volume e pelo cliente interno

Em back-end corporativo, o nome do sistema pouco diz para quem não trabalha nele. O que o recrutador procura é o papel que a aplicação tinha na operação: quem a usava, quanta informação passava por ela e o que acontecia quando falhava. Essas três informações cabem em uma linha.

Antes: Desenvolvimento de sistema de cadastro em Java.

Depois: Serviço em Java e Spring Boot que recebia cerca de doze mil cadastros de fornecedores por mês das lojas e os validava antes de chegarem ao ERP, reduzindo os retornos de cadastro incompleto que o time de compras devolvia.

Os números são exemplos inventados para mostrar a forma. Use os seus, e se não puder revelá-los, troque o volume por uma comparação, como o número de pessoas que consultavam a informação ou a frequência de atualização.

Mensageria e integração: escreva o tópico, a fila e o que ela transporta

Em Java corporativo, a integração entre sistemas quase sempre passa por uma fila ou um tópico. O nome da ferramenta importa, mas o que a vaga quer saber é o que trafegava, quem produzia e quem consumia. O guia de currículo de desenvolvedor back-end trata o contexto dessas ferramentas com mais detalhe.

No Java, a diferença entre usar a mensageria e saber operá-la aparece na lógica de consumo: o que acontece com uma mensagem que falha, se houve reprocessamento ou fila de erro. Se você implementou isso, diga. Se apenas publicou mensagens que outra equipe consumia, diga que foi o produtor.

Antes de escrever essa seção, compare o seu texto com as palavras-chave de desenvolvedor back-end e separe o que você operou do que apenas leu na documentação. Os termos que sobrarem são os que devem aparecer em frases de experiência.

Migrar de uma versão antiga do Java é uma conquista que cabe em uma linha

Atualizar um sistema de Java 8 para uma versão mais nova é um trabalho que o recrutador entende bem, porque envolve risco, testes e dependências antigas. Quem fez a migração tem um fato forte para o currículo, desde que descreva o que mudou e o que foi testado.

Antes: Atualizei o sistema para uma versão mais recente do Java.

Depois: Migrei o serviço de faturamento de Java 8 para Java 17, atualizando doze dependências e cobrindo a integração fiscal com testes de contrato antes de colocar em produção.

A versão depois mostra escopo e método. Não escreva que a migração melhorou o desempenho se ninguém mediu, porque a pergunta seguinte será como você mediu.

Microsserviços em Java precisam de escopo, e a palavra sozinha não basta

Muitas vagas de Java pedem microsserviços, mas o termo cobre desde um serviço separado até uma arquitetura inteira com dezenas de componentes. O currículo deve dizer quantos serviços você manteve, como eles se comunicavam e se você participou de uma separação de sistema maior. O guia sobre microsserviços no currículo mostra como descrever essa arquitetura sem inflar a palavra.

Como fechar: o Java que você escreveu, na versão e no sistema em que rodou

A ideia central é que Java no currículo vale pela versão, pelo framework e pelo sistema em que você trabalhou. Quem escreve só a linguagem perde a pergunta que a vaga faz, e quem escreve uma versão nova sem tê-la usado perde credibilidade logo na primeira entrevista técnica. Antes de enviar, copie os termos de versão, framework e mensageria da vaga e confira se cada um aparece numa frase de experiência verdadeira. A análise gratuita do AjustaCV compara o seu currículo com o texto da vaga que você colar, sem cadastro, e mostra quais termos já estão lá e quais faltam.


Perguntas frequentes

Java 8 ainda vale colocar no currículo?

Vale, se é a versão que você usou no trabalho. Muitos sistemas corporativos ainda rodam em Java 8, e a vaga pode pedir justamente essa experiência para manutenção. O erro é escrever uma versão mais nova do que a que você usou. Se você trabalhou com Java 8 e está estudando as versões seguintes, diga as duas coisas: a versão do trabalho e o estudo em andamento, sem misturar.

Spring Boot e Spring Framework são a mesma coisa?

Não exatamente. Spring Framework é a base, com injeção de dependência e os módulos de web e dados. Spring Boot é uma forma de montar a aplicação com configuração padrão e servidor embutido. Na maioria das vagas corporativas, quem diz Spring Boot diz o conjunto. Escreva Spring Boot se você o usou, e liste os módulos que configurou, como Spring Data JPA ou Spring Security.

Devo listar Maven ou Gradle no currículo?

Liste o que você usou no dia a dia, porque o gerenciador de dependências aparece na rotina de build e de publicação. Se o projeto usa Maven e a vaga pede Gradle, não é preciso fingir familiaridade: escreva Maven e confirme se a diferença aparece no anúncio. Quem usou os dois em projetos diferentes pode escrever os dois em linhas separadas, cada uma com o projeto correspondente.

Trabalhar só com manutenção de Java conta como experiência?

Conta, e costuma pesar mais do que parece. Manter um sistema em produção envolve corrigir incidentes, ler código alheio, escrever testes para mudanças e planejar atualizações. Descreva o sistema, o seu papel e o tipo de manutenção feita. Não tente transformar manutenção em criação de produto. A descrição honesta de um sistema grande convence mais do que uma lista de tecnologias de um projeto pequeno.

Quantos frameworks Java devo colocar?

Os que você usou com regularidade no trabalho. Para a maioria das vagas de back-end, Spring Boot, um banco relacional e uma ferramenta de testes cobrem o essencial. Liste mensageria e cloud somente quando você desenvolveu ou operou algo com elas. Uma lista longa de bibliotecas sem contexto não diz em quais você é forte, e a entrevista costuma começar pela que você mais citou.

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