Ajustar currículo

Estudo com 12.833 Currículos: Nota Média no ATS é 70/100

·9 min de leitura

Uma pessoa roda o currículo sozinho na análise gratuita e a nota vem alta. Ela cola a vaga que está de olho, no mesmo currículo, sem trocar uma vírgula, e a nota despenca. Isso não é um defeito da ferramenta, é o retrato mais comum que aparece quando se olha para milhares de currículos brasileiros de uma vez, e é o ponto de partida deste estudo.

A AjustaCV reuniu os dados anônimos de 12.833 análises feitas na ferramenta gratuita em /ats entre setembro de 2025 e setembro de 2026 e organizou o que eles mostram sobre a nota média, a distância entre currículo bom e currículo aderente a uma vaga, o efeito do celular, e as diferenças por área, senioridade e estado.

Currículo brasileiro analisado pelo ATS tira, em média, 70 pontos em 100, e apenas 2,0% passa de 90 (AjustaCV, análise de 12.833 currículos, set/2025 a set/2026). A distância fica maior quando uma vaga específica entra na conta: o mesmo tipo de currículo cai de 72,7 para 65,0 pontos quando o candidato cola o texto da vaga antes de rodar a análise.

Regra da Nota Dupla: todo currículo tem duas notas, a nota sozinho e a nota contra uma vaga específica, e só a segunda importa para a candidatura que está aberta agora. Um currículo com nota alta sozinho e nota baixa contra a vaga perde para outro currículo mais modesto nas duas medidas, porque é a nota contra a vaga que decide a triagem.

Este estudo agrega 12.833 análises anônimas feitas na ferramenta gratuita entre set/2025 e set/2026

Todos os números deste artigo vêm do evento que a AjustaCV registra sempre que alguém completa uma análise em /ats, a ferramenta gratuita de verificação de ATS do site. A base cobre 12.833 análises com nota, no período de setembro de 2025 a setembro de 2026, e é tratada como agregado anônimo: nenhum texto de currículo, nome ou e-mail entra nesta contagem, só a nota, o dispositivo, a presença ou não de uma vaga colada e o estado inferido pelo IP no momento da análise, o que mantém a agregação dentro do que a LGPD permite para estatística sem dado pessoal identificável.

A nota é a heurística própria da AjustaCV, que soma pontos por palavra-chave, estrutura de seções, formato e conteúdo do currículo. Não é a nota de nenhum ATS comercial específico, como a Gupy ou o Greenhouse, cada um com sua própria lógica interna e fechada. Área de atuação e senioridade são detectadas automaticamente a partir do texto do currículo apenas para uma fração dos casos (519 e 506 currículos, respectivamente, de um total de 12.833), então todo número quebrado por área ou senioridade neste estudo carrega uma amostra pequena e deve ser lido como indício, não como conclusão fechada.

A limitação mais importante é sobre quem está nesta base: são pessoas que escolheram rodar uma análise gratuita de ATS, o que já é um sinal de que estão cuidando do próprio currículo, não uma amostra aleatória de todo trabalhador brasileiro. A comparação entre currículo sozinho e currículo com vaga colada também compara dois grupos de pessoas diferentes (quem colou a vaga e quem não colou), não o mesmo currículo rodado duas vezes. E nenhuma relação entre nota e estado ou área neste texto é tratada como causa, só como padrão observado nos dados.

Só 2,0% dos currículos passam de 90 pontos

A distribuição completa das 12.833 notas, em faixas de 10 pontos, mostra uma concentração pesada na faixa intermediária e uma faixa alta estreita:

  • De 10 a 19 pontos: 1 currículo (menos de 0,1%).
  • De 20 a 29 pontos: 33 currículos (0,3%).
  • De 30 a 39 pontos: 169 currículos (1,3%).
  • De 40 a 49 pontos: 614 currículos (4,8%).
  • De 50 a 59 pontos: 1.529 currículos (11,9%).
  • De 60 a 69 pontos: 3.461 currículos (27,0%).
  • De 70 a 79 pontos: 3.791 currículos (29,5%).
  • De 80 a 89 pontos: 2.975 currículos (23,2%).
  • De 90 a 100 pontos: 260 currículos (2,0%).

Agrupadas, essas nove faixas batem com os três blocos que a AjustaCV acompanha internamente: 203 currículos abaixo de 40 (1,6%), 5.604 entre 40 e 69 (43,7%) e 7.026 com 70 ou mais (54,7%). Em outras palavras, pouco mais da metade dos currículos analisados já cruza a linha dos 70, mas a faixa de 90 ou mais, a que qualquer recrutador chamaria de currículo muito forte, tem 260 currículos em 12.833.

A ilusão do currículo bom: a nota cai de 72,7 para 65,0 quando a vaga entra na conta

Só 3.210 das 12.833 análises, ou 25,0% (um em cada quatro), incluíram o texto de uma vaga colada junto com o currículo. É esse grupo que revela a distância entre parecer bom e ser aderente a uma vaga real.

No grupo de desktop, quem analisou o currículo sozinho, sem vaga nenhuma, teve média 72,7 (7.766 currículos). Quem colou uma vaga antes de rodar a análise, também no desktop, teve média 65,0 (2.877 currículos), uma queda de 7,7 pontos. Nesse segundo grupo, faltavam em média 7,5 palavras-chave da vaga no texto do currículo, e o número de problemas apontados pela análise subiu de 4,68 para 7,27 por currículo.

A queda não significa que o currículo piorou. Significa que a nota sozinha mede estrutura e vocabulário genérico da área, enquanto a nota contra a vaga mede se o texto usa os termos exatos daquele anúncio específico, e são coisas diferentes. Currículo sem vaga colada nunca mostra a nota que vai valer quando alguém realmente se candidatar. Para fechar essa distância vaga por vaga, o processo prático está em como adaptar o currículo para cada vaga em 15 minutos.

Currículos analisados pelo celular pontuam 5,6 pontos abaixo, mas só quando não há vaga colada

Sem vaga colada, o grupo do celular teve média 67,1 (1.834 currículos) contra 72,7 do desktop (7.766 currículos), uma diferença de 5,6 pontos. É a maior variação por dispositivo que aparece nos dados.

Com vaga colada, essa diferença se inverte de tamanho: o celular fica em 66,1 (331 currículos) contra 65,0 do desktop (2.877 currículos), praticamente empatado e levemente acima. O evento registra o dispositivo usado para rodar a análise, não o dispositivo em que o currículo foi escrito, então o dado aponta para uma coisa específica: quem analisa pelo celular tende a rodar a checagem sem colar nenhuma vaga, e é aí que a nota fica mais baixa, não no aparelho em si.

Tecnologia, marketing e RH têm as médias mais baixas entre as áreas com amostra razoável, contábil e design as mais altas

A AjustaCV detecta a área de atuação automaticamente pelo texto do currículo, o que só funciona para uma fração das análises, 519 currículos de 12.833. Dentro desse subconjunto, três áreas aparecem no fim da tabela: tecnologia (média 64,9, n=113), marketing (média 63,1, n=37) e RH (média 60,8, n=26). No topo estão contábil (média 76,2, n=103) e design (média 73,6, n=17).

Saúde (média 60,9) e educação (média 59,9) têm médias ainda mais baixas que RH, mas com apenas 7 currículos cada, uma amostra pequena demais para tratar como padrão da área. É por isso que este estudo nomeia tecnologia, marketing e RH como as áreas mais fracas: são as com amostra grande o bastante (26 currículos ou mais) para sustentar a comparação.

Para quem está nas áreas de nota mais baixa, os guias por cargo trazem o vocabulário exato que a vaga costuma pedir: currículo de TI e desenvolvimento e currículo de marketing e vendas. Quem está em contábil, a área com a média mais alta do estudo, ainda assim tem espaço para revisar detalhes em currículo de contador para o ATS.

Currículos de nível júnior pontuam 64,3, 6,5 pontos abaixo dos de liderança (70,8)

No subconjunto em que a senioridade foi detectada automaticamente (506 currículos de 12.833), a nota sobe de forma quase linear com o nível: estágio (média 64,7, n=49), júnior (média 64,3, n=99), pleno (média 67,7, n=75), sênior (média 69,1, n=24) e liderança (média 70,8, n=259).

A diferença entre júnior e liderança, 6,5 pontos, é grande o bastante para custar uma triagem em vagas concorridas. Boa parte dela vem de currículos juniores com menos seções preenchidas e menos palavras-chave específicas da área, não da falta de experiência em si, já que a nota não mede tempo de carreira diretamente. Para quem está nessa fase, o caminho mais direto para fechar a diferença está em o que mudar quando o score do currículo vem baixo.

São Paulo concentra 46,7% das análises, Ceará tem a média mais alta e Paraná a mais baixa

Por estado, inferido pelo IP no momento da análise, São Paulo sozinho responde por 5.996 das 12.833 análises, ou 46,7% do total, seguido de Rio de Janeiro com 2.060 (16,1%). Juntos, os doze estados com mais volume somam 11.274 análises, 87,9% do total, e o restante se distribui entre os demais estados do país.

Entre os estados com volume relevante, o Ceará tem a média mais alta, 72,5 pontos em 626 análises, acima até de São Paulo (70,5) e Rio de Janeiro (70,3). Entre os estados com mais de 300 análises, o Paraná tem a média mais baixa, 66,7 pontos em 348 análises. Nenhum desses números indica uma causa geográfica: o estudo não controla para tipo de vaga, área de atuação ou perfil de quem está buscando emprego em cada estado, só registra a média observada.

O que esses números pedem que você mude no currículo

Cada achado deste estudo aponta para uma ação concreta, não para uma reflexão genérica sobre o mercado de trabalho:

  1. Cole a vaga antes de confiar na nota: como a nota sozinha (72,7) e a nota contra a vaga (65,0) medem coisas diferentes, rode sempre a análise com o texto da vaga colado. O processo passo a passo está em como adaptar o currículo para cada vaga em 15 minutos.
  2. Substitua sinônimo por termo literal: a queda de 7,7 pontos ao colar a vaga vem, em boa parte, de palavras-chave que existem no currículo com outro nome. A lista do que o filtro não reconhece como equivalente está em sinônimos e palavras-chave que o ATS não entende.
  3. Se a nota geral está abaixo de 70, comece pela estrutura: quase metade da base (45,3%, somando as faixas abaixo de 70) ainda perde pontos em seção, formato ou conteúdo básico antes mesmo de chegar em palavra-chave. O roteiro de correção está em o que mudar quando o score vem baixo.
  4. Não confie na análise feita sem vaga, ainda mais pelo celular: o grupo do celular só fica atrás quando analisa o currículo sozinho. Depois de colar a vaga, garanta também que o formato exportado é de coluna única, o mais seguro para qualquer parser, como detalhado em o melhor formato de currículo para ATS.
  5. Ajuste o vocabulário pela sua área, não por um modelo genérico: tecnologia, marketing e RH tiveram as médias mais baixas entre as áreas com amostra razoável, o que costuma vir de termos técnicos escritos de forma genérica. Os guias por cargo trazem os termos exatos que essas vagas usam: currículo de TI, currículo de marketing e vendas e, para quem já está na área com a média mais alta do estudo, currículo de contador.

Rode a análise gratuita agora em /ats, sempre com o texto da vaga colado, para ver a sua nota real, não a nota sozinha. Se o resultado vier abaixo de 70, a otimização completa custa R$ 7,80 via PIX em /checkout, com entrega por e-mail em minutos.

Como citar este estudo

Este estudo é aberto para citação por jornalistas, blogs de carreira, universidades e qualquer publicação que precise de um número real sobre currículo e ATS no Brasil. O uso é livre, sem necessidade de autorização prévia, desde que a fonte seja citada com um link para esta página.

AjustaCV. Estudo: score ATS de 12.833 currículos brasileiros, 2025-2026. Disponível em https://ajustacv.com/blog/estudo-12-mil-curriculos-score-ats-brasil-2026

Para quem precisa da tabela agregada completa, com as quebras por faixa, dispositivo, área, senioridade e estado usadas neste texto, basta pedir por e-mail em [email protected].


Perguntas frequentes

Qual é a nota média de um currículo brasileiro no ATS?

Na análise de 12.833 currículos feita pela AjustaCV entre set/2025 e set/2026, a nota média foi 70 (mediana 71), em uma escala de 0 a 100. É uma nota calculada pela heurística própria da AjustaCV (palavras-chave, seções, formato e conteúdo), não pela nota de nenhum ATS específico como a Gupy.

Quantos currículos passam de 90 pontos no ATS?

Apenas 260 dos 12.833 currículos analisados, ou 2,0%, tiraram mais de 90 pontos. Do outro lado, 5.807 currículos, ou 45,3%, ficaram abaixo de 70, faixa em que a maioria das vagas com concorrência alta costuma cortar antes da leitura humana.

Por que a nota do meu currículo cai quando eu colo a vaga?

Porque sem uma vaga colada o sistema só avalia estrutura, formato e palavras-chave genéricas da área, e com a vaga ele passa a comparar seu texto com os termos exatos daquele anúncio. No estudo, a mesma ferramenta, no mesmo grupo de desktop, deu média 72,7 para quem não colou vaga nenhuma e 65,0 para quem colou, uma queda de 7,7 pontos, com cerca de 7,5 palavras-chave da vaga ausentes do currículo em média.

Currículo analisado pelo celular tem nota mais baixa que no computador?

Sim, mas só quando não há vaga colada: 67,1 no celular contra 72,7 no computador, uma diferença de 5,6 pontos. Com a vaga colada essa diferença some, e o grupo do celular fica levemente à frente (66,1 contra 65,0), então o problema do celular parece ser menos preencher a vaga certa e mais deixar de personalizar o currículo para nenhuma vaga específica.

A nota do ATS varia por área de atuação ou por estado?

No subconjunto em que a área foi detectada automaticamente (519 currículos, uma fração pequena do total), tecnologia, marketing e RH tiveram as médias mais baixas, enquanto contábil e design tiveram as mais altas. Por estado, São Paulo concentra 46,7% de todas as análises, Ceará tem a média mais alta entre os estados com volume relevante e Paraná a mais baixa, sem que isso indique uma causa geográfica.

Quanto custa melhorar a nota do meu currículo no ATS?

A análise ATS gratuita da AjustaCV, em /ats, mostra o score atual e quais termos da vaga estão faltando, sem custo. A otimização completa custa R$ 7,80 via PIX, com entrega por e-mail em minutos, e o reajuste para outra vaga custa R$ 3,40.

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