Uma vaga de técnico em automação industrial pede CLP, IHM, SCADA e inversores de frequência, e o currículo que chega à triagem diz “manutenção de linhas automatizadas” e pouco mais. A frase é verdadeira e não serve. Quem lê não sabe se você programa o controlador, ajusta uma malha ou troca um contator. Este guia mostra como escrever o currículo de técnico em automação industrial com os equipamentos pelo nome da vaga, o trabalho medido em paradas e malhas, e a formação e as normas no lugar em que a leitura as encontra.
O equipamento que você programa ou mantém é o assunto da vaga
Em vagas de automação, o equipamento é o que o recrutador procura primeiro. Um currículo que nomeia o controlador, a tela de operação ou o sistema de supervisão diz de imediato em que tipo de linha você trabalha. A vaga escreve o nome do equipamento, então o currículo deve escrever o mesmo nome, sem trocá-lo por sinônimo.
- CLP e IHM. O CLP roda a lógica da máquina, e a IHM é a tela em que o operador acompanha e altera parâmetros. Diga em qual plataforma você programou e em que linha, porque uma programação em linha de envase e uma em célula robotizada pedem habilidades diferentes.
- Sistema supervisório e SCADA. É a camada que junta as máquinas numa tela de processo, com alarmes e histórico. Escreva o nome que a sua empresa usa e acrescente quantas células ou operadores ele atendia.
- Inversores de frequência. Controlam a velocidade de motores. Descreva o que você ajustou, como rampas de aceleração ou malhas de controle, e em quantos motores.
Veja a diferença numa linha de experiência:
Antes: Responsável pela manutenção e programação de linhas automatizadas de produção.
Depois: Programação de CLP e IHM no TIA Portal em três linhas de envase, com ajustes de malhas de controle e diagnóstico de falhas pelo sistema supervisório.
A segunda versão diz o equipamento, a tarefa e o escopo. Se você não programou o CLP, a primeira linha continua valendo, mas sem o nome dos equipamentos que você de fato operou.
Um exemplo pronto para a mesma função, com CLP, SCADA e NR-10 nas linhas de experiência, está em o exemplo de currículo de técnico em automação industrial. As palavras que a vaga costuma repetir estão reunidas em palavras-chave para técnico em automação industrial.
Qual número prova o seu trabalho? Paradas, malhas e painéis
O técnico de automação é medido pelo que a linha deixou de fazer: a parada que não aconteceu, o ciclo que ficou mais curto, o painel que não precisou ser refeito. Escolha o número que a sua função produz de verdade, e descreva com a linha, o período e o equipamento. Se você não tem o dado exato, conte o que tem: quantas malhas configurou, quantos painéis montou ou manteve por mês, quantas células entraram em operação.
Duas regras para o número. Ele vem no começo da frase, antes da lista de equipamentos. E o período fica junto dele: em 8 meses, por trimestre, por turno. Um percentual sem prazo pode significar qualquer coisa, e a entrevista vai perguntar de qual prazo se trata.
Antes: Realizava manutenção em linhas de produção e melhorou o funcionamento das máquinas.
Depois: Reduziu em 15% as paradas não programadas de duas células de embalagem em 8 meses, com diagnóstico de falhas em CLP e IHM.
Se a sua trajetória começou na engenharia de manutenção, a frente de automação aparece de outro jeito no currículo. Como migrar para automação sem mentir sobre a formação é o assunto de outro guia, e vale ler antes de reescrever o resumo.
Redes industriais: escreva o protocolo, não a palavra rede
Quando a vaga pede redes industriais, ela quase sempre pensa num protocolo específico. Profinet e Profibus são nomes próprios, e cada um diz o que você configurou. Escrever “redes industriais” sem o protocolo deixa o recrutador sem saber se você trabalhou numa rede de linha de envase ou num barramento de planta inteira.
- O protocolo pelo nome. Diga Profinet ou Profibus e, na mesma frase, os equipamentos de cada ponta, como um CLP e três inversores. Assim a rede deixa de ser um conceito e vira um trabalho.
- O que você fez na rede. Configuração de endereços, diagnóstico de uma falha de comunicação ou ampliação de uma rede que já existia. Escolha a ação que você executou pessoalmente, e não a que a equipe fez.
- O tempo ou o número. Quanto levou para achar a falha, ou quantos nós entraram na rede. Se você nunca mediu, não invente o tempo: descreva a ação e siga em frente.
NR-10 e NR-12 com a carga horária, não só com a sigla
A NR-10 trata da segurança em instalações e serviços em eletricidade, e a NR-12 trata da segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. Quase toda vaga de automação cita uma das duas, e muitas citam as duas. A sigla sozinha parece enfeite. Escrita com a carga horária e a instituição que deu o treinamento, vira prova.
Para a NR-10, o dado que importa é a carga. O treinamento inicial Básico tem carga horária mínima de 40 horas, no Quadro I da norma, e é isso que separa uma linha de um certificado de fim de semana. Se você tem essa formação, escreva o nome completo e as horas. Se a sua trajetória começou pela parte elétrica de prédios, o formato é o mesmo, e o currículo de eletricista com NR-10 mostra como posicionar essa linha.
Para a NR-12, a norma atribui ao empregador a capacitação dos trabalhadores que operam, mantêm, inspecionam ou intervêm em máquinas, compatível com a função (item 12.16). Se você recebeu essa capacitação, diga qual máquina ou família de máquinas ela cobriu. Uma linha como “NR-12, operação de prensas e injetoras” é mais útil que a sigla no meio de uma lista de dez siglas.
Se ainda não fez o treinamento, escreva o curso em andamento e a previsão de conclusão, sem tratá-lo como concluído. Quem lê a vaga com cuidado vai perguntar pelo certificado na entrevista.
O registro no CRT vai no cabeçalho, e só se você o tem
A Lei nº 13.639/2018 criou o Conselho Federal dos Técnicos Industriais e os conselhos regionais, e lista Automação Industrial entre as modalidades de técnico industrial, ao lado de Eletrônica, Eletrotécnica e Mecânica. Isso dá ao cargo um nome oficial e um conselho próprio. Se você tem o registro no conselho regional, o número vai no cabeçalho, ao lado do cargo, porque confirma a modalidade sem que o leitor precise supor nada.
Se você não tem o registro, a seção de formação faz o trabalho sozinha. Escreva o curso técnico com o nome que a escola usa, a instituição e a cidade. Se a vaga marca o registro como obrigatório, o texto da vaga manda, e a regra para comprovar um requisito assim está em como comprovar um requisito obrigatório no currículo.
Pacote Office e Java não dizem em que máquina você trabalhou
Pacote Office, Excel, gestão de estoque e manutenção corretiva aparecem em currículos de muitas áreas, e não dizem em que linha você trabalhou. Eles não são proibidos, mas ocupam as linhas que deveriam ter o CLP, a malha ou o protocolo. Se a vaga pede Excel para controlar paradas, escreva a ferramenta dentro da tarefa: o relatório de paradas da linha em planilha, por exemplo, em vez de uma lista solta.
O mesmo vale para o desenho. Se você desenha o esquema do painel em AutoCAD ou em outro software de elétrica, diga isso ao lado do painel, com a quantidade. Um software sem objeto vira item de lista. Com o painel ao lado, vira uma habilidade que a vaga pode conferir.
Formação: o curso técnico é a base, e a outra formação vem depois
A seção de formação tem uma função simples: mostrar que o curso técnico é a base da modalidade. Escreva o nome do curso como a escola o chama, a instituição e a cidade. Se você fez outra formação técnica, como mecânica ou eletrotécnica, o título muda o que a vaga lê, e o caso está em o título técnico que a vaga lê.
Cursos livres de CLP, redes ou programação entram em certificações, com o nome exato e a carga horária. Um curso de 40 horas concluído é uma linha que a vaga consegue conferir. Um curso que você começou e não terminou não é uma linha: é uma pergunta na entrevista, e é melhor deixá-lo fora até a conclusão.
Nomeie o equipamento, meça a parada e prove a norma
A regra que resume este guia: a vaga de automação lê o equipamento, o resultado e a norma, nessa ordem, e o currículo precisa ter os três em frases curtas e verdadeiras. Se o texto não nomeia o CLP, a malha ou o protocolo que a vaga pede, a leitura não encontra o que procura, mesmo que você saiba fazer o trabalho. Se você não fez, o currículo não deve dizer que fez.
Antes de enviar, cole o texto da vaga na análise gratuita da AjustaCV. Ela compara o seu currículo com os termos do anúncio e mostra quais termos da vaga o currículo já tem e quais faltam. É gratuita, não pede cadastro e roda na hora. O termo que faltar só entra no currículo se você tiver feito o trabalho que ele descreve.
Perguntas frequentes
O que o ATS procura em um currículo de técnico em automação industrial?
Procura os nomes dos equipamentos e das normas que a vaga pede: CLP, IHM, SCADA, inversores de frequência, redes industriais, NR-10 e NR-12, além do software de programação que o anúncio citar. Procura também o resultado do trabalho, como paradas evitadas ou malhas configuradas. Um currículo que diz só “manutenção de automação” corresponde a poucas dessas buscas, porque a vaga quase sempre escreve o nome do equipamento.
Preciso ter o registro no CRT para ser contratado como técnico em automação?
Depende da vaga, e o seu currículo não decide isso. A Lei nº 13.639/2018 criou o Conselho Federal dos Técnicos Industriais e os conselhos regionais, e lista Automação Industrial entre as modalidades de técnico industrial. Se a vaga pedir o registro, ele vira requisito obrigatório e vai no cabeçalho. Se você não tem o registro, não escreva a sigla CRT.
Como escrever a experiência de um técnico que fazia mais manutenção do que programação?
Descreva a manutenção pelo equipamento e pelo número: quantos painéis, quantas máquinas, quantas intervenções por mês e que tipo de falha. Se a vaga usa o termo manutenção preventiva ou corretiva, use-o no lugar exato da frase. O que não pode é escrever programação de CLP se você só fez a troca do componente.
A NR-10 precisa estar no currículo se eu já fiz o treinamento básico?
Sim, se você tem o certificado. O treinamento inicial Básico da NR-10 tem carga horária mínima de 40 horas, segundo o Quadro I da norma, e é com a carga horária e a instituição que a linha se prova. Escreva o nome completo do treinamento. Se ainda não fez, escreva o curso em andamento e a previsão de conclusão, sem tratá-lo como concluído.
Devo listar o curso técnico ou a graduação na seção de formação?
Liste os dois, se você tem os dois, com o nome do curso e a instituição. O curso técnico é o que comprova a modalidade da vaga, e a graduação em outra área vem depois, sem substituí-lo. Cursos livres, como um de CLP ou de redes industriais, vão para certificações, com o nome exato e a carga horária, e só se estiverem concluídos.
Exemplo pronto
Veja um currículo de Técnico em Automação Industrial que passa no ATS
CLP, SCADA e inversores de frequência em linhas automatizadas, com paradas e malhas medidas em número.. Score ATS 92, renderizado nos mesmos modelos do editor, com o botão para criar o seu a partir dele.
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