O currículo de soldador que diz “soldador com 9 anos de experiência” é lido como soldador de serralheria, mesmo que a pessoa saiba mais do que isso. A vaga de caldeiraria e montagem industrial procura processos com sigla, posições com código, materiais e a norma em que você foi qualificado. O currículo de soldador que passa nomeia o processo, a posição, o material e o certificado de qualificação, e separa isso do curso.

Serralheria, caldeiraria e montagem industrial são três currículos diferentes

Serralheria trabalha com estrutura leve, portões, grades e chapa fina, em geral com MIG/MAG. Caldeiraria produz tanques, vasos, dutos e estruturas em chapa mais grossa, com processos e documentos mais rígidos. Montagem industrial leva a soldagem para o campo, com tubulação, estrutura e trabalho em altura. Edson (nome de exemplo), com nove anos de MIG numa serralheria, tem a base, mas o filtro da caldeiraria usa outras palavras.

Quem quer crescer pela via técnica encontra o vocabulário das áreas vizinhas em currículo técnico em mecânica e em currículo de engenheiro mecânico, áreas com as quais o soldador conversa todos os dias.

Nomeie o processo pelo nome técnico e pela sigla

A vaga escreve o processo de duas formas, e o currículo deve trazer as duas para bater com o filtro, seja ele um ATS ou uma pessoa.

Nome na oficinaNome técnico e sigla
EletrodoEletrodo revestido, SMAW
MIG e MAGMIG/MAG, GMAW (gás inerte no MIG, gás ativo no MAG)
TIGTIG, GTAW
Arame tubularArame tubular, FCAW

“Soldador MIG/MAG (GMAW)” alcança as duas buscas com uma linha. E se você faz mais de um processo, liste todos, cada um com o material em que o usa. Vaga de montagem industrial costuma juntar mais de um processo no mesmo posto, e o currículo com um só processo listado fica de fora da busca pelos outros.

Posição, material e espessura decidem se você entra no teste

Uma vaga qualificada diz: “soldador TIG e eletrodo revestido, 6G, aço carbono e inox”. As posições em chapa vão de 1G (plana) a 4G (sobrecabeça), passando por 2G (horizontal) e 3G (vertical). Em tubo, 5G é o tubo fixo na horizontal e 6G, o inclinado a 45 graus, a mais exigente. O material (aço carbono, inox, alumínio) e a faixa de espessura ou diâmetro completam o conjunto.

Antes:“Soldador com 9 anos de experiência em serralheria, sabe soldar vários materiais.”

Depois:“Soldador MIG/MAG (GMAW) há 9 anos em aço carbono e inox, chapa de 3 a 12 mm, posições 1G a 3G, leitura de desenho, montagem de estruturas de até 6 toneladas.”

Os valores são um exemplo. O que importa é o formato: processo, material, espessura, posição, produto. Se você só soldou em posição plana, diga que soldou em plana. A posição que você não domina vai aparecer no teste.

Qualificação é um certificado com norma e data, e curso é outra coisa

As normas que aparecem nas vagas são a ASME IX (Seção IX do código de caldeiras e vasos de pressão da ASME, que trata da qualificação de procedimentos e de soldadores) e a AWS D1.1 (código de soldagem estrutural em aço). Contratantes maiores também têm normas e documentação próprias: a N-2301 da Petrobras, por exemplo, trata da documentação técnica de soldagem, incluindo o registro da qualificação de soldadores.

Um soldador qualificado escreve assim: “Qualificado ASME IX, processo GTAW, tubo, posição 6G, aço carbono, certificado de 2026”. O curso (do Senai, por exemplo) vai numa seção separada de cursos, com carga horária. Misturar os dois faz o recrutador achar que o curso é a qualificação, e quando pede o certificado descobre que não é. Também informe se a qualificação continua ativa, porque ela depende de o soldador seguir soldando com aquele processo, e o prazo exato vem da norma e do contratante.

Leitura de desenho e cursos de segurança fecham o perfil de campo

A vaga de caldeiraria e montagem pede leitura de desenho de fabricação e de isométrico (o desenho de tubulação), incluindo simbologia de soldagem. Escreva isso como uma habilidade separada, com o tipo de desenho que você lê. Para trabalho em altura, cite o curso da NR-35 com a data. Em obra de construção, a NR-18 determina que soldagem e corte a quente sejam feitos por trabalhadores qualificados, e a NR-34, que regula trabalho a quente, aplica-se à indústria de construção e reparo naval, então cite só se você atuou em estaleiro.

Para quem pensa em migrar para plataformas e embarcações, os cursos exigidos são outros, e estão em currículo offshore.

Cada segmento repete um conjunto próprio de palavras

  • Serralheria: portões, esquadrias, estrutura leve, corte e dobra de chapa, acabamento. É o segmento em que soldar e montar costumam ser a mesma pessoa.
  • Caldeiraria: tanques, vasos de pressão, dutos, chapa grossa, calandragem, traçagem, ponteamento, desenho de fabricação. A caldeiraria também confere a EPS e o relatório de qualificação.
  • Montagem industrial: tubulação, spools, estrutura em campo, isométrico, trabalho em altura, parada de manutenção. Aqui a disponibilidade para obra e viagem pesa como requisito.

Escolha o segmento em que quer entrar e escreva suas experiências nesse vocabulário, sem inventar o que não fez.

O currículo de soldador vale pelo processo, pela posição e pelo certificado que você prova

A regra é escrever o que o teste vai confirmar: processo com sigla, posição com código, material, espessura e qualificação com norma e data, separada do curso. Quem mistura tudo em “soldador experiente” fica na fila das vagas de serralheria, mesmo com currículo para caldeiraria. Para Edson, é a diferença entre esperar o telefone e ser chamado para o teste. Antes de mandar o próximo currículo, cole a vaga e o currículo na análise gratuita do AjustaCV: a leitura é a que um ATS faria e mostra quais siglas faltam. A otimização completa custa R$ 7,80 via PIX em /checkout.


Perguntas frequentes

Qual a diferença entre curso de soldador e qualificação de soldador?

O curso ensina a soldar e dá um certificado de conclusão. A qualificação é um teste feito com um procedimento de soldagem (EPS) específico, avaliado segundo uma norma como a ASME IX ou a AWS D1.1, que resulta em um certificado de qualificação do soldador para um processo, uma posição, um material e uma faixa de espessura. Vagas de caldeiraria pedem a qualificação, e o curso sozinho não a substitui.

O que significam 1G, 2G, 3G, 4G, 5G e 6G no currículo de soldador?

São as posições de soldagem de junta em chanfro. Em chapa: 1G é a posição plana, 2G a horizontal, 3G a vertical e 4G a sobrecabeça. Em tubo, 5G é o tubo fixo na horizontal e 6G o tubo inclinado a 45 graus, a mais difícil. A vaga usa esses códigos como filtro, e um soldador qualificado deve listar a posição exata em que passou no teste.

Soldador MIG de serralheria consegue vaga em caldeiraria?

Consegue, mas o currículo precisa mostrar o que se transfere e assumir o que falta. Nove anos de MIG/MAG em estrutura leve provam domínio do processo. A caldeiraria pede, além disso, leitura de desenho, chapa mais grossa, e muitas vezes eletrodo revestido ou TIG com qualificação em norma. Escreva o que você já soldou e o que está fazendo para se qualificar.

Preciso de NR-35 para trabalhar como soldador?

Só se a vaga envolver trabalho em altura, como estrutura metálica, plataformas e montagem industrial. A NR-35 trata do trabalho em altura, e o soldador que atua em montagem costuma precisar do curso, com o certificado e a data no currículo. Para soldador de bancada em oficina ou serralheria, a exigência é menos comum. Leia a vaga e ponha o curso só quando ele for relevante.

Posso colocar ASME IX no currículo sem ter sido qualificado?

Não. ASME IX e AWS D1.1 são normas de qualificação, e escrever o nome delas no currículo diz ao recrutador que você foi qualificado por elas, com certificado. O que se pode escrever é o que aconteceu de fato: “conhecimento de EPS conforme ASME IX” ou “qualificação em andamento”. O certificado é conferido e a mentira aparece no teste ou na documentação.

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