O rirekisho é um formulário padrão que, no Japão, funciona como o primeiro contato escrito com a empresa. Ele tem campos fixos para dados pessoais, foto, formação e histórico de trabalho, e segue regras de preenchimento que o recrutador conhece de cor. Quem é brasileiro, descendente ou não, precisa preencher os campos sem improvisar e descrever a experiência brasileira de um jeito que o leitor japonês entenda. Preencher certo significa seguir o formulário à risca, datas e campos incluídos, e só então escrever o conteúdo.

O que é o rirekisho e o shokumu keirekisho?

O rirekisho é a folha de histórico pessoal e escolar. Ele registra quem você é, onde estudou e quais foram os seus empregos em ordem cronológica. O shokumu keirekisho (職務経歴書) é o documento de experiência profissional, que detalha funções, projetos e responsabilidades. Nem toda vaga pede os dois, mas o rirekisho é o mais comum e o que a empresa arquiva.

Pense no rirekisho como o formulário de identidade e na shokumu keirekisho como a descrição do trabalho. A primeira cabe numa folha, a segunda pode ter duas ou três, dependendo da vaga. Quando a empresa pede os dois, o rirekisho traz o resumo de datas, e o outro documento traz a história.

Quais campos o rirekisho pede, e em que ordem?

A ordem dos campos segue a ordem da vida: começa pelos dados pessoais, depois a escola, depois o trabalho, e fecha com licenças e certificações. Não invente uma ordem diferente, porque o recrutador procura cada campo no mesmo lugar em todas as candidaturas. A tabela resume o que costuma aparecer.

CampoO que escreverCuidado
Nome e furiganaNome completo com a leitura em kanaEscreva o nome como ele aparece no passaporte
Data de nascimento e sexoData no formato do formulárioVeja a seção sobre calendário
Endereço e telefoneEndereço atual, com CEP e paísSe você ainda está no Brasil, pergunte à empresa como preencher o endereço
Histórico escolarEscola, do ensino básico ao último curso concluídoUma linha por instituição, com o início e a conclusão
Histórico profissionalEmpresa, período e cargo, em ordem cronológicaEmpregos curtos também entram
Licenças e certificaçõesHabilitações, idiomas e cursos com dataSó o que você consegue comprovar

Lacunas aparecem mal. Se houver um período sem trabalho, preencha com o que aconteceu, como estudo ou cuidado da família, em uma linha curta. Um espaço vazio costuma gerar pergunta na entrevista, e a resposta fica melhor quando já está no papel. Se você fez bicos ou trabalhou por agência, registre o período e o tipo de trabalho, sem inventar um nome de empregador que não existe.

Como preencher as datas: calendário japonês ou ocidental?

O formulário pode pedir o calendário ocidental (seireki) ou o calendário japonês por era (wareki). Muitas empresas aceitam os dois, mas o campo indica qual usar. Escolha o que o formulário pede e mantenha o mesmo formato do início ao fim do documento. Misturar os dois é um dos erros mais fáceis de evitar e mais visíveis para quem revisa.

Para converter um ano, use uma tabela de correspondência oficial ou uma ferramenta confiável e confira duas vezes. Um erro de ano na data de nascimento ou na formação parece descuido, mesmo quando não é.

Foto, carimbo e assinatura: o que o formulário exige?

A foto costuma ser de frente, com roupa social, fundo neutro e rosto visível. O tamanho padrão do espaço no formulário é de cerca de 4 por 3 centímetros, e a foto precisa estar presa de forma que não cubra os campos. Se você levar a foto impressa, escreva o nome no verso, como o formulário orienta.

O carimbo pessoal (hanko, ou inkan) aparece em alguns formulários, e a assinatura à mão em outros. Não há uma regra única. Quando o campo está no formulário, preencha. Quando não existe, não acrescente. Confirme com a empresa se a assinatura deve ser manuscrita, porque isso muda o modo de preenchimento.

Como descrever a experiência brasileira no shokumu keirekisho?

O leitor japonês não conhece a empresa brasileira, o cargo nem o porte da operação. Por isso cada emprego precisa de uma frase de contexto, com setor, tamanho e o tipo de cliente, e depois as responsabilidades com resultado. A estrutura é simples, e o trabalho está em escolher o que mostrar. Um modelo com dados inventados, em português, para você organizar antes de traduzir:

Cargo: Auxiliar de logística. Empresa: distribuidora de alimentos, São Paulo, cerca de 120 funcionários. Período: 2022 a 2024. Responsabilidades: conferência de cerca de 300 volumes por turno, controle de estoque com planilha e treinamento de dois novos colaboradores no uso do sistema.

Exemplo inventado, para mostrar a estrutura. Os números estão no tamanho da operação e na responsabilidade, não em adjetivos. Traduza cada item para o japonês com ajuda de quem domina o idioma, e revise a versão final com um falante nativo. Tradução automática sem revisão costuma trocar o sentido de termos técnicos.

Haken ou contratação direta: o que muda no currículo?

No Japão, boa parte das vagas de entrada é feita por empreiteiras de trabalho temporário, conhecidas como haken (派遣), em que a pessoa é contratada pela agência e enviada para uma empresa cliente. Há também a contratação direta, com vínculo na própria empresa. Os dois caminhos usam o rirekisho, mas o histórico ganha outro peso.

Se a vaga é de haken, mostre disponibilidade, a experiência com o tipo de tarefa e a sua flexibilidade de horário. Se é contratação direta, pesa mais o tempo de casa, a formação e a continuidade do histórico. Em qualquer caso, não esconda que o emprego anterior foi por agência: o recrutador conhece o modelo e percebe a omissão.

Qual é o peso do idioma e do JLPT no currículo?

Para a maioria das vagas no Japão, o nível de japonês é a primeira pergunta que o recrutador faz. O JLPT é a escala de referência, e o nível mais básico é o N5, enquanto o N1 é o mais alto. Quem não tem certificado pode descrever o uso do idioma com fatos, como atendimento, leitura de manuais ou conversa com colegas.

Se você está procurando trabalho no Brasil para empresas com operação no Japão, a regra é a mesma: informe o nível real. O guia sobre nível de idioma no currículo mostra como escrever uma escala honesta e como comprovar cada faixa.

O sistema de triagem tem peso no rirekisho?

O rirekisho é um formulário lido por uma pessoa, e o que pesa é o campo preenchido com clareza. A lógica de filtro por palavra-chave, comum em candidaturas online no Brasil, tem menos peso nessa etapa. Ainda assim, se você envia o mesmo histórico em português para uma vaga no Brasil, o texto precisa cobrir os termos do anúncio. Para essa conferência, a análise gratuita do /ats mostra quais palavras da vaga aparecem no seu texto e quais faltam, além do título e dos requisitos.

Para quem está fora do Brasil e escreve em outros idiomas, o caminho muda. Os termos de cada vaga são o que deve guiar a escrita, e o formulário japonês continua sendo o padrão. Reúna os documentos antes de começar, porque a empresa costuma pedir cópias de diplomas e de certificados junto com o formulário.

Quando vale pedir ajuda para preencher o rirekisho?

Vale pedir ajuda sempre que houver campo que você não entende, data que não converte com segurança ou história de trabalho que precisa de tradução cuidadosa. O formulário é curto, mas um erro nele custa a primeira impressão. Peça revisão a alguém que fale japonês e conheça o formato, e mantenha os fatos do seu histórico como estão, porque a entrevista começa pelo que está escrito. Para o currículo em português que você usa no Brasil, o currículo para imigrante no Brasil trata de como registrar estudo e trabalho feitos fora, com o mesmo cuidado de fatos.

Se o destino da busca mudar, o formato também muda. O guia de currículo para o Canadá mostra uma estrutura de uma página para o mesmo tipo de histórico, e o guia de currículo em espanhol cobre as vagas da América Latina. Cada país tem o seu padrão, e ler o modelo local antes de escrever economiza uma reescrita inteira.


Perguntas frequentes

O que é um rirekisho?

Rirekisho (履歴書) é o formulário padrão de histórico pessoal usado no Japão em candidaturas. Ele traz dados pessoais, foto, formação e histórico de trabalho em uma folha de formato fixo, e é o documento que o recrutador lê primeiro. Ao lado dele costuma existir o shokumu keirekisho, que detalha a experiência de trabalho com mais profundidade.

Existe rirekisho em PDF para preencher no computador?

Existem modelos em PDF e alguns processos aceitam o formulário digital, mas muitas empresas ainda pedem a versão impressa, escrita à mão ou com um modelo específico. O formulário padrão é vendido em papelarias e lojas de conveniência no Japão. Antes de preencher no computador, confirme com a empresa qual formato ela aceita, porque a escolha errada pode atrasar a candidatura.

Dá para preencher o rirekisho em inglês?

Nem sempre. O formulário japonês tem campos em japonês, e a maioria das empresas espera que o documento seja preenchido nesse idioma. Algumas vagas em empresas internacionais aceitam inglês, mas isso aparece no próprio anúncio. Se a vaga não disser nada, pergunte antes de enviar, e revise a versão em japonês com alguém que fale o idioma.

Brasileiro precisa colocar foto no rirekisho?

Em geral, sim. O rirekisho padrão tem um espaço reservado para a foto, com tamanho de cerca de 4 por 3 centímetros, e a foto costuma ser de frente, com roupa social e fundo neutro. A regra vale para candidatos de qualquer origem. Confirme no próprio anúncio ou com a empresa se o formulário pede foto, porque algumas vagas também pedem o formato específico.

Qual nível de japonês colocar no currículo para o Japão?

Use a escala oficial do JLPT, que vai de N5, o mais básico, até N1, o mais alto. Informe o nível que você realmente tem e a data em que prestou o exame, se prestou. Se não tem certificado, descreva o uso do idioma com fatos, como atendimento em japonês, e não crie uma nota. O recrutador confere o nível na entrevista, e um exagero aparece ali.

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