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Currículo de engenheiro de machine learning e de IA: o que o ATS pede

·8 min de leitura

Nos últimos dois anos, o título engenheiro de IA passou a aparecer em vagas que, na descrição, pedem exatamente o que sempre se pediu de um engenheiro de machine learning: colocar modelo em produção, manter pipeline de dados e garantir que o sistema continue funcionando depois do lançamento. A diferença é que agora a vaga também cita RAG, embeddings e fine-tuning, e muito currículo de desenvolvedor ou cientista de dados que se candidata a essas vagas ainda fala só em modelo de aprendizado de máquina, sem nenhum desses termos.

Este guia separa o que realmente se pede nessas vagas do que é hype de LLM sem aplicação prática, mostra os termos técnicos que o ATS procura e como descrever um projeto de IA pela prova de resultado, não pela lista de tecnologias da moda.

Regra da Prova sobre o Hype: todo termo de IA citado no currículo precisa estar amarrado a um projeto que você consegue explicar em detalhe na entrevista. Citar LLM, RAG e fine-tuning sem conseguir descrever uma decisão técnica tomada em cada um custa mais caro do que não ter citado nada.

Engenheiro de IA nas vagas brasileiras é, na prática, engenheiro de machine learning com LLM na stack

Poucas empresas no Brasil treinam modelos de linguagem do zero. A maioria aplica modelos já existentes, via API ou hospedados, a problemas específicos do próprio negócio. Isso muda o que a vaga realmente cobra: menos pesquisa de modelo, mais engenharia de sistema em torno dele.

Antes: Desenvolvedor com interesse em inteligência artificial e modelos de linguagem.
Depois: Engenheiro de IA | RAG e fine-tuning aplicados a atendimento automatizado, com embeddings em banco vetorial e deploy em nuvem.

A segunda versão nomeia exatamente o que a maioria das vagas brasileiras da área pede hoje, em vez de uma frase genérica sobre interesse no assunto.

RAG, embeddings e fine-tuning são os três termos que mais aparecem em vaga de IA no Brasil hoje

Esses três termos descrevem as formas mais comuns de adaptar um modelo de linguagem a um problema específico sem treinar um modelo do zero, e por isso dominam as descrições de vaga.

  • RAG: buscar informação relevante antes de gerar a resposta. Cite se você já implementou esse padrão, mesmo que de forma simples.
  • Embeddings: a representação numérica de texto usada para busca semântica. Cite o modelo de embedding usado, não apenas o termo.
  • Fine-tuning: ajustar um modelo existente com dados específicos do problema. Diferente de treinar do zero, e a vaga costuma diferenciar os dois.
  • Banco de dados vetorial: cite o produto usado, como Pinecone, Weaviate ou pgvector, em vez do termo genérico.
  • Serving de modelo: a infraestrutura que expõe o modelo em produção, como uma API. Cite se você já colocou um modelo, de qualquer tipo, em produção real.

PyTorch, TensorFlow e a linguagem de deploy nomeiam a competência técnica que sustenta o resto

LLM e RAG sozinhos não provam capacidade de engenharia. A vaga quer ver também a base: a biblioteca usada para treinar ou ajustar modelos, e a infraestrutura de nuvem usada para colocar tudo em produção.

Antes: Experiência com projetos de inteligência artificial e modelos de linguagem.
Depois: Ajustei modelo de linguagem com fine-tuning em PyTorch para classificação de tickets de suporte, servido via API em GPU na nuvem, reduzindo tempo médio de triagem manual.

A segunda versão mostra a técnica, a ferramenta e o resultado na mesma frase, o formato que tanto o parser quanto o recrutador procuram.

Separar hype de prova é o que decide a entrevista técnica, não a triagem automática

Passar pela triagem citando os termos certos é só metade do trabalho. A entrevista técnica de vaga de IA costuma pedir para detalhar uma decisão real: por que RAG e não fine-tuning, por que esse modelo de embedding e não outro, como foi medida a qualidade da resposta gerada.

Um projeto próprio, com repositório público e uma explicação escrita das decisões tomadas, prepara você para essas perguntas de um jeito que nenhum curso concluído sozinho prepara. Construa um caso de uso completo, mesmo que pequeno, do dado bruto até a resposta gerada.

Quem vem de desenvolvimento tradicional entra pela engenharia do sistema, não pela teoria do modelo

Desenvolvedores que migram para engenharia de IA costumam ter vantagem exatamente na parte que muita vaga cobra mais: construir a API, gerenciar a infraestrutura, lidar com latência e custo de chamadas a modelo. Vale destacar essa base de engenharia de software no currículo, não só o conhecimento novo de IA. Para revisar como estruturar a experiência de desenvolvimento em geral, veja o guia de currículo para profissionais de TI, e para o vocabulário completo esperado nessa e em outras áreas técnicas, a lista de palavras-chave por área.

O que fazer agora com o seu currículo de engenheiro de IA

Se o seu currículo cita inteligência artificial de forma genérica, sem nomear RAG, embeddings, fine-tuning ou a biblioteca usada, ele está competindo em desvantagem contra candidatos que aprenderam a mesma coisa e escreveram com o vocabulário exato da vaga. A área muda rápido, e o currículo precisa acompanhar o termo do momento sem virar lista de palavras da moda sem prova por trás.

Rode a análise gratuita em /ats com a vaga colada para ver quais termos técnicos estão faltando no seu texto atual. Se o score vier baixo, a otimização completa custa R$ 7,80 via PIX em /checkout. Se a vaga que você busca é mais de infraestrutura do que de modelo, o vocabulário muda e está em o guia de currículo para DevOps, cloud e SRE.


Perguntas frequentes

Engenheiro de IA e engenheiro de machine learning são a mesma vaga?

Na prática, sim, na maioria das vagas brasileiras. Engenheiro de IA é o título que ganhou força com a popularização de LLMs, mas as responsabilidades, colocar modelo em produção, construir pipeline de dados para treinamento e manter a infraestrutura de serving, são as mesmas historicamente atribuídas a engenheiro de machine learning. Use o título exato que aparece na vaga que você está aplicando.

Preciso ter treinado um LLM do zero para conseguir vaga de engenharia de IA?

Não. A grande maioria das vagas brasileiras de engenharia de IA envolve aplicar modelos já existentes, com técnicas como RAG e fine-tuning, não treinar um modelo de linguagem do zero, o que exige infraestrutura que pouquíssimas empresas no Brasil possuem. Descrever esse tipo de aplicação prática pesa mais do que citar treinamento que você nunca fez.

O que é RAG e por que preciso citar esse termo no currículo?

RAG, ou geração aumentada por recuperação, é a técnica de buscar informação relevante em uma base de dados antes de gerar a resposta de um modelo de linguagem, usada para reduzir alucinação e trazer conhecimento atualizado. É um dos termos mais citados em vaga de engenharia de IA no Brasil hoje, e sua ausência no currículo sugere falta de experiência prática com LLM em produção.

Como provar experiência com IA sem ter trabalhado em empresa de tecnologia de ponta?

Construa um projeto público que aplique um modelo real a um problema concreto, como um sistema de perguntas e respostas sobre um conjunto de documentos usando RAG, com o código publicado e uma explicação das decisões técnicas tomadas. Isso vale mais do que citar cursos sobre IA generativa sem nenhuma aplicação mostrada.

Preciso citar banco de dados vetorial no currículo de engenharia de IA?

Sim, se você trabalhou com busca semântica ou RAG, porque o banco de dados vetorial é a peça que armazena e recupera as informações usadas pelo modelo. Cite o nome comercial usado, como Pinecone, Weaviate ou pgvector, em vez do termo genérico busca vetorial.

PyTorch ou TensorFlow, qual devo citar no currículo?

Cite o que você realmente usou. PyTorch é hoje o mais citado em vaga de pesquisa aplicada e em empresas que trabalham com modelos de linguagem, enquanto TensorFlow ainda aparece em times mais antigos ou ligados a visão computacional. Citar os dois sem ter usado nenhum de fato é facilmente descoberto na entrevista técnica.

Quanto custa deixar o currículo de engenheiro de IA pronto para o ATS?

A análise ATS gratuita da AjustaCV, em /ats, mostra o score atual e quais termos da vaga estão faltando, sem custo. A otimização completa custa R$ 7,80 via PIX, com entrega por e-mail em minutos, e o reajuste para outra vaga custa R$ 3,40.

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