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Currículo em Primeira ou Terceira Pessoa: o Que o ATS Prefere

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A pessoa apaga eu sou responsável por, digita ele é responsável por, relê, apaga de novo. Nenhuma das duas frases soa certa, e não tem regra escrita explicando por que. A dúvida entre primeira e terceira pessoa aparece bem nesse ponto: quando alguém tenta decidir qual pronome cabe no currículo e descobre que a resposta certa não usa pronome nenhum.

O currículo brasileiro em 2026 não se escreve em primeira nem em terceira pessoa completas: escreve se com sujeito oculto, mantendo o verbo na forma de primeira pessoa (liderei, reduzi, implementei) mas sem o pronome eu antes dele. É esse padrão, e não a terceira pessoa, que soa mais natural e mais direto para quem lê currículos todos os dias.

Este guia mostra qual é de fato o padrão usado no currículo brasileiro, por que o parser do ATS não distingue entre os dois estilos, onde a diferença aparece na leitura humana, e como o campo Sobre do LinkedIn pede um tratamento diferente do restante do currículo.

Regra do Sujeito Oculto: o português permite omitir o pronome porque o verbo já indica quem age. Liderei já diz eu liderei sem precisar da palavra eu. Escrever ele liderou troca essa economia natural da língua por uma distância artificial que nenhum recrutador brasileiro espera encontrar em um currículo.

O currículo brasileiro não é escrito nem em primeira nem em terceira pessoa completas

Primeira pessoa completa seria eu liderei uma equipe de oito pessoas. Terceira pessoa completa seria o profissional liderou uma equipe de oito pessoas. Nenhuma das duas é o que aparece nos currículos que passam bem em processo seletivo no Brasil. O que aparece é liderei uma equipe de oito pessoas, sem pronome algum.

Essa forma existe porque o português é uma língua de sujeito oculto: a terminação do verbo já entrega a informação que o inglês precisa de um pronome para carregar. Em inglês, led a team of eight exige o I antes, porque led sozinho não indica pessoa. Em português, liderei já resolve isso sozinho, e repetir eu antes é redundância, não clareza.

Por que o parser do ATS não se importa com a pessoa gramatical da frase

O mecanismo que faz a triagem automática lê o texto do currículo procurando termos que correspondam à vaga: nome de ferramenta, sigla de certificação, nome de cargo, verbo de ação junto de um número. Ele não analisa concordância verbal, não distingue eu liderei de o profissional liderou, e não pontua a frase de forma diferente por causa do pronome.

O detalhe técnico de como esse mecanismo separa o texto em campos e credencia cada trecho está em anatomia do parser: como o ATS lê um currículo. Para o que importa aqui, a conclusão é direta: escolher entre os dois estilos não muda o score da triagem automática em nenhuma plataforma usada no Brasil.

O recrutador humano nota a pessoa gramatical, mesmo quando o sistema não nota

A etapa que a pessoa gramatical afeta é a leitura humana, depois que o currículo já passou pela triagem. Um texto em terceira pessoa completa, como o profissional é responsável por gestão de equipe, soa como um trecho copiado de uma descrição de cargo escrita por RH, não como um relato de quem viveu a experiência. É a mesma observação que a própria Gupy registra ao comentar o campo de experiência: escrever na primeira pessoa, com verbos de ação, tende a produzir frases mais concretas do que um texto em terceira pessoa, que costuma indicar um parágrafo genérico reaproveitado de outro lugar. O detalhe completo de como preencher esse campo está em o que colocar no campo experiência da Gupy.

Antes: A profissional é responsável pela gestão financeira da filial e pelo controle de fluxo de caixa mensal.
Depois: Geri o financeiro da filial e reduzi o prazo de fechamento do fluxo de caixa mensal de 10 para 4 dias úteis.

A segunda versão não é apenas mais curta. Ela troca uma descrição de função por um relato de ação com resultado, o que é o objetivo real de qualquer bullet de experiência, com ou sem pronome.

Os campos da Gupy pedem ação e resultado, o Sobre do LinkedIn pede narrativa em primeira pessoa

Os dois formatos parecem o mesmo tipo de texto, mas cumprem funções diferentes. Um bloco de experiência em uma plataforma como Gupy existe para provar o que a pessoa fez em um cargo específico, e por isso funciona melhor como uma sequência de frases curtas, cada uma com verbo de ação e resultado. O campo Sobre do LinkedIn existe para apresentar a trajetória inteira em tom de conversa, e por isso aceita, e até pede, um texto mais corrido, ainda em primeira pessoa com sujeito oculto, mas com frases conectadas em vez de fragmentadas em bullets.

Antes (Sobre do LinkedIn copiado do bloco de experiência): Liderança de equipe de vendas. Gestão de metas trimestrais. Responsável por treinamento de novos vendedores.
Depois (Sobre reescrito como narrativa): Lidero equipes de vendas há seis anos, com foco em transformar meta trimestral em rotina de time, não em cobrança isolada. Treinei mais de vinte vendedores nesse período, e a maior parte segue na empresa depois de dois anos.

Para o restante do perfil, da foto ao título abaixo do nome, o guia completo está em como otimizar o perfil do LinkedIn.

Antes e depois: como a mesma experiência muda ao trocar pronome por verbo direto

O erro mais comum não é escolher primeira ou terceira pessoa. É deixar um resto de sujeito na frase, seja o pronome, seja o verbo auxiliar ser ou estar, que empurra a frase para descrição de cargo em vez de relato de ação.

Antes: Sou responsável pelo atendimento aos clientes e pela resolução de reclamações.
Depois: Atendi uma carteira de 40 clientes e resolvi reclamações em até 24 horas, com nota de satisfação acima de 90%.

Antes: O candidato tem experiência em elaboração de relatórios financeiros mensais.
Depois: Elaborei relatórios financeiros mensais para a diretoria, com prazo de entrega reduzido de 5 para 2 dias úteis.

Repare que nenhuma das versões depois usa eu. O que muda é o verbo: sair de é responsável por, que é uma descrição de função, para atendi, resolvi, elaborei, que são relatos de ação encerrada. A lista completa de verbos por área, incluindo quais soam fracos demais para um currículo, está em verbos de ação para currículo em português.

Misturar estilos dentro do mesmo currículo custa mais do que escolher um estilo só

Um currículo com liderei uma equipe em uma experiência e o profissional é responsável por processos na experiência seguinte não erra por causa de qual estilo cada frase usa isoladamente. Erra porque os dois estilos convivem no mesmo documento, e essa inconsistência é o que o olho humano capta primeiro, antes mesmo de ler o conteúdo de cada bullet.

A correção é mecânica: escolha o sujeito oculto em primeira pessoa como padrão único, revise cada bloco de experiência procurando qualquer é responsável por, tem experiência em ou atua como, e reescreva como um verbo de ação direto. Para ver o documento inteiro reescrito lado a lado, com o mesmo tipo de correção aplicada em outras seções, veja currículo antes e depois: exemplos completos.

O que fazer agora com o seu currículo

Se alguma experiência do seu currículo ainda começa com sou responsável por, é responsável por ou tem experiência em, ela está escrita como descrição de cargo, não como relato de ação, e é isso que o recrutador nota, não o pronome em si. Trocar esse padrão em todo o documento é uma revisão de uma tarde, e o ganho aparece na primeira impressão de quem lê, não no score do parser.

Rode a análise gratuita em /ats com a vaga colada para ver quais termos técnicos ainda faltam além desse ajuste de tom. Se o score vier baixo, a otimização completa custa R$ 7,80 via PIX em /checkout, e o reajuste para outra vaga sai por R$ 3,40.


Perguntas frequentes

Devo escrever meu currículo em primeira ou terceira pessoa?

Nenhuma das duas por completo. O padrão que funciona no Brasil é o sujeito oculto: mantém o verbo conjugado como se fosse primeira pessoa, mas retira o pronome. Em vez de eu liderei ou ele liderou, escreve se apenas liderei, e a frase soa natural em português porque a língua já permite omitir o sujeito quando o verbo o revela.

O ATS penaliza currículo escrito em primeira pessoa, com eu ou sou?

Não. O parser extrai palavras chave e datas, não analisa concordância verbal nem pessoa gramatical. A penalização vem depois, quando um recrutador lê o texto e nota um tom que soa menos direto do que o resto do mercado costuma escrever. O problema é de leitura humana, não de leitura automática.

Por que currículos em português quase nunca usam a palavra eu nas frases?

Porque o português é uma língua que permite sujeito oculto: a conjugação verbal já indica quem pratica a ação, então repetir eu antes de cada verbo soa redundante e cansativo em um texto de uma página. Essa regra vale para qualquer texto em português, e no currículo ela também corta um pronome desnecessário em cada linha.

Escrever em terceira pessoa deixa o currículo mais formal e profissional?

Não necessariamente. A própria Gupy trata a escolha como uma questão de estilo pessoal, não de regra fixa, mas alerta que um texto em terceira pessoa completa, como ele liderou uma equipe, costuma soar copiado de uma descrição de cargo genérica em vez de escrito pela pessoa que viveu a experiência.

Como escrever o campo Sobre do LinkedIn: primeira ou terceira pessoa?

Em primeira pessoa, com sujeito oculto e tom de narrativa, porque o Sobre é um espaço de texto corrido pensado para soar como a própria pessoa falando de si. É o oposto do padrão usado nos blocos de experiência de um currículo, que priorizam frases curtas de ação e resultado.

Posso misturar primeira e terceira pessoa no mesmo currículo?

Não. Misturar liderei uma equipe em uma linha e o profissional é responsável por processos na linha seguinte cria uma inconsistência de tom que qualquer recrutador nota em segundos, mesmo sem conseguir nomear o motivo. Escolha o sujeito oculto em primeira pessoa e mantenha em todo o documento.

Quanto custa corrigir esse tipo de inconsistência no currículo?

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