Ajustar currículo

O que Colocar no Campo Experiência da Gupy: Guia Campo a Campo

·9 min de leitura

O campo de experiência da Gupy deve conter, para cada cargo, o escopo do que você fez (com quem, quantas pessoas ou qual volume), a ação que você executou e o resultado dessa ação, de preferência com um número. A própria Gupy recomenda mostrar resultado em vez de apenas descrever tarefa, com o exemplo “aumentei as vendas em 20% em 6 meses” no lugar de uma frase que só diz que a pessoa “era responsável por vendas”. Não é um resumo do que o cargo geralmente faz, é o registro do que você especificamente fez naquele cargo.

Este artigo cobre campo a campo o que colocar: o cargo, a empresa, as datas, o tipo de contratação e, principalmente, a caixa de descrição, que é onde a evidência de fato mora. Também mostra dois exemplos completos, para um cargo operacional e um administrativo, e o que fazer com vínculos curtos, trabalho PJ e cargos repetidos na mesma empresa. A AjustaCV não preenche o formulário da Gupy por você, mas o mesmo raciocínio de escopo, ação e resultado é o que ela aplica ao reescrever um currículo para bater com uma vaga.

Cargo: use o nome que o mercado reconhece, não o nome interno da empresa

No campo de cargo, escreva o título pelo qual a função é conhecida no mercado, não uma nomenclatura interna da empresa como “Analista II” ou um nome de trilha de carreira que só faz sentido dentro daquela organização. O cruzamento que a Gupy faz é entre o que você escreve e o que uma vaga nova pede, e uma vaga nunca vai pedir “Analista II”, vai pedir “Analista de Marketing Pleno” ou algo equivalente e reconhecível.

Se o cargo interno tiver um nome muito específico, escreva o nome de mercado no campo de cargo e, se quiser preservar o título oficial, mencione-o uma vez dentro da descrição, algo como “cargo formalmente registrado como Analista II”. Isso evita perder a precisão sem sacrificar o reconhecimento do cargo por quem está lendo do outro lado.

Esse cuidado com o nome do cargo não é uma particularidade da Gupy: é um princípio que vale para qualquer sistema de recrutamento que compare campos estruturados contra o texto de uma vaga, porque todos eles dependem do mesmo tipo de correspondência entre o que está escrito e o que está sendo buscado.

Empresa, datas e tipo de contratação: o que um espaço em branco custa

A Gupy recomenda registrar as datas no formato mês/ano ao lado do título do cargo, e não dentro da descrição, porque colocar datas soltas no meio do texto pode levar a inteligência artificial a interpretar como se fossem dois cargos diferentes em vez de um só. O campo de data existe justamente para isso: mantenha a informação de período nele, e reserve a descrição para o que você fez.

Deixar a data de término em branco quando o cargo já acabou, ou deixar um intervalo de meses entre uma experiência e outra sem nenhuma entrada correspondente, tende a ser lido como uma linha do tempo incerta, não como algo neutro. Se esse intervalo foi preenchido por estudo, um projeto pessoal ou uma pausa por outro motivo, vale registrar como uma entrada própria, com o período correto, em vez de deixar o buraco.

No tipo de contratação, declare CLT, PJ, estágio ou freelance como realmente foi. Isso não derruba a compatibilidade, e omitir ou generalizar o vínculo tende a gerar mais dúvida do que a informação em si.

A caixa de descrição não é um resumo do cargo, é onde mora a evidência

O erro mais comum é tratar a caixa de descrição como um resumo do que aquele cargo normalmente envolve, o tipo de frase que poderia descrever qualquer pessoa que já ocupou aquela função em qualquer empresa. A função da caixa é outra: é o lugar onde a experiência de uma vaga futura encontra prova de que você já fez aquilo. Quando uma vaga nova pedir “atendimento ao cliente” ou “gestão de estoque”, é a descrição desta experiência que precisa conter a frase que comprova isso, não apenas o título do cargo.

A própria Gupy recomenda citar ferramentas, sistemas e técnicas usadas de forma objetiva, no lugar de frases genéricas, e demonstrar habilidades com uma situação concreta em vez de apenas afirmar que as possui. Isso é consistente com o que os artigos sobre a IA Gaia já explicam sobre como o sistema cruza experiência com requisito: uma afirmação de competência sem uma situação por trás não tem com o que ser comparada.

A Estrutura Escopo-Ação-Resultado por linha

Para transformar isso em um hábito de escrita, aplique a mesma estrutura em cada linha da descrição, uma linha por atividade relevante.

A Estrutura Escopo-Ação-Resultado por linha diz que cada linha da descrição de uma experiência precisa conter três elementos: o escopo (com quem, quantas pessoas, qual volume ou orçamento você lidava), a ação (o verbo que descreve o que você fez, não o que o cargo em geral envolve) e o resultado (o efeito dessa ação, de preferência numérico). Uma linha que tem apenas o escopo e a ação, sem resultado, ainda é aceitável quando o resultado não é mensurável; uma linha sem escopo nem resultado é apenas uma lista de tarefa.

A estrutura tem essa ordem porque cada elemento resolve uma pergunta diferente de quem está comparando seu currículo com uma vaga: o escopo mostra a complexidade real do que você fez, a ação mostra que foi você quem fez (não a equipe ou o cargo em abstrato), e o resultado mostra o efeito, que é o que separa alguém que executou uma tarefa de alguém que resolveu um problema.

Exemplo preenchido: um cargo operacional

Para um cargo de operador de logística, uma descrição fraca diz apenas “responsável pela separação e conferência de mercadorias no estoque”. Aplicando a estrutura:

“Separei e conferi pedidos em um centro de distribuição com volume médio de 800 itens por turno, usando leitor de código de barras e sistema WMS. Reduzi o índice de erros de separação de 3,2% para 0,9% em quatro meses após propor uma nova ordem de conferência dupla para os itens de maior valor.”

O volume (800 itens por turno), a ferramenta (sistema WMS) e o resultado (queda de 3,2% para 0,9% em erros) dão à Gupy e a qualquer recrutador humano algo concreto para comparar com uma vaga que peça experiência em logística, controle de estoque ou uso de sistema WMS.

Exemplo preenchido: um cargo administrativo/analista

Para um cargo de analista administrativo, uma descrição fraca diz “apoio administrativo ao setor financeiro, incluindo controle de planilhas e organização de documentos”. Aplicando a estrutura:

“Controlei o contas a pagar de um setor com cerca de 200 lançamentos mensais em planilhas Excel, migrando parte do processo para um sistema ERP. Reduzi o tempo de fechamento mensal de 5 para 2 dias úteis ao padronizar a conferência de notas fiscais antes do envio para aprovação.”

Aqui o escopo (200 lançamentos mensais), a ferramenta (Excel migrando para ERP) e o resultado (fechamento de 5 para 2 dias) fazem o mesmo trabalho: dão à descrição algo que uma vaga de analista financeiro ou administrativo consegue reconhecer como equivalente ao que ela pede.

Três formas comuns de desperdiçar o campo de experiência

  • Copiar a descrição oficial da vaga do cargo passado: a descrição que o RH publicou para contratar alguém para aquele cargo descreve o cargo em geral, não o que você especificamente fez nele. Reescreva com suas próprias atividades e números.
  • Escrever em terceira pessoa, como um anúncio de vaga: frases como “responsável por gerenciar a equipe e os processos do setor” soam copiadas porque, na maioria das vezes, são. Escrever na primeira pessoa, com verbo de ação, normalmente produz uma frase mais específica por si só.
  • Listar tarefas sem escopo nem resultado: “atendimento ao cliente, emissão de notas fiscais, controle de estoque” é uma lista, não uma descrição. Sem volume, contexto ou efeito, não há o que comparar com o requisito de uma vaga.

Vínculos curtos, trabalho PJ e dois cargos na mesma empresa

Um vínculo curto (poucos meses) não precisa ser omitido. Descreva-o com o mesmo padrão de escopo, ação e resultado das experiências maiores; se o resultado ainda não tinha se concretizado no tempo em que você ficou no cargo, descreva a ação e o escopo mesmo assim. Um vínculo curto some é mais suspeito do que um vínculo curto explicado.

Trabalho PJ ou freelance conta como experiência. A própria Gupy afirma que experiência não se limita a um vínculo formal com carteira assinada, citando inclusive trabalho voluntário como algo que pode compor o perfil. Para quem migra de PJ para CLT ou o contrário, vale aprofundar em como escrever a experiência PJ para uma vaga CLT.

Quando você teve dois cargos diferentes na mesma empresa, como uma promoção de analista para coordenador, registre os dois como experiências separadas, cada uma com seu próprio período e sua própria descrição. Isso evita que os dois cargos se misturem em uma única descrição genérica e, ao mesmo tempo, mostra a progressão como um sinal a mais a favor do candidato.

O que fazer com isso agora

O ponto mais importante deste artigo é que a caixa de descrição existe para provar requisitos de vagas futuras, não para resumir o cargo que você já ocupou. Preencher esse campo com uma frase genérica custa mais do que parece: a própria Gupy declara considerar os campos de experiência e habilidades na ordenação de currículos, então uma descrição vazia ou genérica reduz a compatibilidade com qualquer vaga nova, não só com uma específica. Reescreva cada experiência com escopo, ação e resultado antes de submeter a próxima candidatura, e veja como o mesmo parser lê o que você escreveu usando a anatomia de como um parser de ATS lê um currículo. A análise gratuita em /ats mostra, campo a campo, o que já está sendo lido como evidência no seu currículo atual e o que ainda está soando como resumo de cargo.


Perguntas frequentes

O que colocar no campo experiência da Gupy?

No campo de descrição de cada experiência, coloque o escopo do que você fez (com quem, quantas pessoas, qual volume), a ação concreta (o verbo do que você executou) e o resultado, de preferência com número. A Gupy recomenda mostrar resultado em vez de apenas listar tarefa, com o exemplo próprio de 'aumentei as vendas em 20% em 6 meses' em vez de descrever só a atividade.

Posso copiar a descrição oficial da vaga no campo de experiência?

Não deveria. O campo de experiência descreve o que você fez no passado, não o que uma vaga futura pede; copiar a descrição oficial de um cargo passado sem reescrevê-la com suas próprias atividades e resultados deixa o texto genérico e sem a evidência que compara com os requisitos de uma vaga nova.

Como preencher o campo experiência quando tive vários cargos na mesma empresa?

Registre cada cargo como uma experiência separada, com o título e o período de cada um, mesmo sendo a mesma empresa. Isso evita que a Gupy interprete os dois cargos como uma única experiência genérica e permite mostrar a progressão, o que também é um sinal de crescimento que pesa a favor do candidato.

Trabalho PJ ou freelance conta como experiência na Gupy?

Sim. A Gupy afirma que experiência não se limita a um vínculo formal com carteira assinada, incluindo trabalho voluntário e outras formas de atuação. O importante é descrever o trabalho PJ ou freelance com o mesmo padrão de escopo, ação e resultado usado nas experiências CLT, em vez de omiti-lo por não ser um vínculo formal.

O que fazer se tenho um período sem trabalhar no currículo da Gupy?

Não deixe a data corrente sem explicação nem o campo em branco. Se o período foi de estudo, cuidado familiar ou projeto pessoal, registre isso como uma entrada com o período correto, porque um intervalo de tempo sem nenhuma entrada tende a ser lido como incerteza sobre a linha do tempo, não como algo neutro.

Devo usar o cargo oficial da empresa ou um nome mais comum de mercado no campo experiência?

Use o nome de mercado quando o cargo interno da empresa for muito específico ou incomum. Um título como 'Analista II' ou um nome de trilha interna de carreira não corresponde a nenhum requisito de vaga; um título de mercado como 'Analista de Marketing Pleno' corresponde diretamente ao que a maioria das vagas usa para descrever a posição.

Escrever em terceira pessoa no campo de experiência da Gupy é um problema?

Não impede a leitura, mas costuma sinalizar um texto copiado de uma descrição de cargo genérica, publicada por RH, em vez de escrito pela própria pessoa sobre o que ela fez. Escrever na primeira pessoa, com verbos de ação, tende a produzir frases mais concretas e mais fáceis de cruzar com os requisitos de uma vaga.

Quer otimizar seu currículo para uma vaga específica?

O AjustaCV reescreve seu currículo para passar nos filtros ATS da vaga que você escolher. Pronto em minutos.

AJUSTAR MEU CURRÍCULO — R$7,80