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Currículo depois do OnlyFans: como descrever o período sem se expor

·8 min de leitura

Seu currículo provavelmente para em 2023, e depois disso existe um buraco que você não sabe como preencher. Não é falta de experiência, é falta de uma forma segura de escrever a experiência que você teve. Você geriu uma base de clientes, produziu conteúdo todo dia, cuidou de atendimento e de precificação, só que tudo isso aconteceu num lugar que não pode aparecer no papel.

Este guia mostra três formas honestas de descrever esse período, com exemplos completos de bullets antes e depois, quais habilidades reais mapeiam para quais termos de vaga, e o que nunca deve entrar no currículo.

Regra do Espelho: se uma frase do currículo, colocada ao lado de um print da tela do computador, revela onde você trabalhava, ela não pode ficar no currículo. O teste não é se a frase é verdadeira, é se ela aponta para o lugar específico.

Um buraco de anos no currículo levanta mais dúvida do que uma linha honesta e genérica

Quem avalia currículo desconfia mais de um intervalo sem explicação do que de uma experiência autônoma bem descrita. Deixar 2023 a 2026 em branco sugere desemprego prolongado ou algo escondido, e as duas leituras trabalham contra você.

Preencher esse período com uma descrição de trabalho autônomo real resolve o problema do buraco sem exigir que você revele detalhe nenhum sobre onde ou como o trabalho foi feito. O restante deste guia mostra como escrever essa linha.

Três formas honestas de nomear o período, sem citar plataforma nem nome artístico

Existem três framings que descrevem o mesmo período de formas levemente diferentes, dependendo de qual parte do trabalho foi mais forte na sua rotina. Escolha a que descreve com mais precisão o que você de fato fazia na maior parte do tempo.

  • Produtora de conteúdo digital autônoma (MEI): use se a maior parte do seu tempo era produção e edição de conteúdo, foto e vídeo, roteiro e planejamento de postagem.
  • Gestão de comunidade paga e assinaturas: use se a maior parte do seu tempo era atendimento direto, retenção de assinantes e relacionamento com a base de clientes.
  • Criadora de conteúdo e marketing em redes sociais (autônoma): use se você também cuidava de tráfego, divulgação, parcerias e crescimento de audiência em outras redes.

Nenhuma das três cita a plataforma, o nome artístico ou qualquer link, e as três são descrições verdadeiras de um trabalho autônomo real, do tipo que qualquer recrutador já viu em outros formatos.

Cada habilidade real do período tem um termo equivalente que o ATS reconhece

O trabalho de gerir uma conta própria envolve mais competências comercializáveis do que parece à primeira vista, e a tarefa aqui é traduzir cada uma para o termo que aparece em vaga real, não inventar competência que você não teve.

  • Gestão de redes sociais: planejamento de conteúdo, calendário editorial, publicação e resposta a comentários e mensagens.
  • Produção de conteúdo: criação de roteiro, captação de foto e vídeo, edição em aplicativos de edição, adaptação de formato por rede.
  • Atendimento ao cliente e retenção de assinantes:resposta direta a cliente, gestão de reclamação, estratégia para manter assinatura ativa mês a mês.
  • Precificação e análise de métricas: definição de preço de pacote ou assinatura, acompanhamento de taxa de conversão e de cancelamento.
  • Gestão financeira como MEI: emissão de nota fiscal, controle de caixa, organização de recebimento e declaração mensal.

O antes e depois mostra a diferença entre um currículo vago e um currículo que passa no parser

A versão vaga tenta esconder o período inteiro atrás de uma frase genérica. A versão específica usa os termos exatos que uma vaga de marketing, atendimento ou administrativo pede, sem citar nada que identifique a origem.

Antes: Experiência autônoma diversa entre 2023 e 2026.
Depois: Produtora de Conteúdo Digital Autônoma (MEI) | 2023 a 2026 | Planejamento e produção de conteúdo para redes sociais, atendimento e retenção de base de clientes recorrente, análise de métricas de engajamento e conversão, gestão financeira como MEI com emissão de nota e controle de caixa.

Antes: Trabalhei sozinha administrando minhas próprias redes por alguns anos.
Depois: Gestão de Comunidade Paga e Assinaturas (autônoma) | Atendimento direto a mais de 200 clientes ativos, estratégia de retenção mensal, negociação de parceria com outras criadoras para divulgação cruzada.

O que nunca entra no currículo, mesmo que pareça inofensivo

Alguns detalhes parecem pequenos, mas cada um deles é uma pista que junta as demais e aponta para o lugar exato. A regra é simples: se não é necessário para descrever a habilidade, não vai no papel.

  • Nome da plataforma: Privacy, OnlyFans ou qualquer nome comercial de plataforma de conteúdo por assinatura.
  • Nome artístico: qualquer variação do nome usado publicamente que não seja o seu nome civil.
  • Links: perfil, bio, ou qualquer URL que leve de volta à conta.
  • Foto associada: se você usa foto no currículo, use uma foto profissional atual, nunca uma reaproveitada de material de divulgação.

Para o restante dos dados pessoais que também merecem cuidado no currículo, independente desse contexto, veja quais dados pessoais evitar no currículo pela LGPD.

O MEI é a âncora que dá formalidade ao período, mesmo aberto depois

Currículo com CNPJ de MEI ligado ao período pesa mais do que currículo autônomo sem nenhum registro, porque dá uma data de abertura verificável e um enquadramento fiscal reconhecido. Se você ainda não tinha, é possível abrir o MEI agora e usar a data de abertura mais próxima do início real da atividade, desde que condizente.

Para quem migra de MEI para uma vaga CLT e não sabe como descrever esse tipo de experiência em geral, o guia completo está em currículo de PJ para CLT: como escrever a experiência, e os princípios gerais de transição de carreira estão em como estruturar um currículo de transição de carreira.

O que fazer agora com o seu currículo de criadora

A linha que descreve esse período precisa ser verdadeira, específica o suficiente para o ATS reconhecer as habilidades, e genérica o suficiente para não revelar onde o trabalho aconteceu. Deixar o período em branco custa mais candidaturas do que escrevê-lo bem.

Depois de escrever a linha, rode a vaga que você quer aplicar na análise gratuita em /ats para ver se os termos certos já aparecem no seu texto. Se o score vier baixo, a otimização completa custa R$ 7,80 via PIX em /checkout.


Perguntas frequentes

Preciso mentir sobre o que fiz nesses anos?

Não, e mentir cria mais risco do que resolve. A saída é descrever o trabalho real de forma verdadeira e neutra, como produção de conteúdo digital autônoma ou gestão de redes sociais, sem citar a plataforma nem o nome artístico. Isso não é omissão desonesta, é a mesma discrição que qualquer pessoa aplicaria a um trabalho anterior irrelevante para a vaga atual.

Posso colocar o nome da plataforma no currículo?

Não. O nome da plataforma, o nome artístico e qualquer link de perfil não têm função nenhuma no currículo e só criam risco de exposição, inclusive para um recrutador que decida pesquisar o termo. O que importa para o ATS e para quem lê depois é a habilidade descrita, não onde ela foi exercida.

Como escrevo isso se eu não tinha MEI aberto?

Sem MEI, a descrição correta é trabalho autônomo, sem tempo verbal de emprego formal, algo como Produção de conteúdo digital e gestão de redes sociais (autônoma). Vale abrir o MEI agora, mesmo depois de encerrada a atividade, porque ele formaliza o período retroativo e dá mais peso à entrada no currículo.

E se o recrutador perguntar o nome da empresa desse período?

Trabalho autônomo não tem empregador, então a resposta natural é dizer que você trabalhava por conta própria, como MEI, prestando serviço de gestão de conteúdo e redes sociais para a própria base de clientes. Essa resposta é verdadeira e não exige detalhar qual era o produto ou serviço vendido.

Esse período conta como experiência profissional de verdade para o ATS?

Sim, desde que descrito com verbos de ação e termos que aparecem em vagas reais, como gestão de redes sociais, atendimento ao cliente, retenção de assinantes e análise de métricas. O parser não distingue trabalho autônomo de trabalho CLT, ele reconhece termos e datas, então o que decide é o vocabulário usado, não o vínculo empregatício.

Vale colocar números de faturamento ou de seguidores?

Vale um número relativo e genérico, como crescimento percentual de base de assinantes ou de engajamento, sem citar valor de faturamento nem plataforma. Um número concreto sem contexto de plataforma prova capacidade de gestão sem abrir a porta para identificação.

Quanto custa deixar esse currículo pronto para o ATS?

A análise ATS gratuita da AjustaCV, em /ats, mostra o score atual e quais termos da vaga estão faltando, sem custo. A otimização completa custa R$ 7,80 via PIX, com entrega por e-mail em minutos, e o reajuste para outra vaga custa R$ 3,40.

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