Um currículo de analista de sistemas passa na triagem quando separa o trabalho de levantar requisitos do trabalho de sustentar sistemas que já estão em uso, e mostra um artefato ou um número para cada um. Um texto que só empilha linguagens e ferramentas não diz o que o analista entregou. Este guia mostra como ler a vaga de analista de sistemas, quais termos a triagem procura, como escrever requisitos, UML, sustentação e stack com resultado, e onde entram os termos de nuvem. Veja o exemplo de currículo de analista de sistemas e as palavras-chave da função.
A vaga é de levantamento ou de sustentação, e a descrição diz qual
Sob o mesmo nome, há duas vagas. Em uma, o analista conversa com as áreas de negócio, transforma a necessidade em requisitos e documenta as regras. Na outra, ele mantém um sistema que já roda, atende demandas de correção e evolução e garante que o que estava funcionando continue funcionando. A descrição costuma começar pela primeira ou pela segunda, e o currículo deve começar pela mesma.
Leia o anúncio e marque as palavras que se repetem: requisitos, levantamento, regras de negócio, sustentação, chamados, correção. Se o conjunto for de levantamento, a primeira seção da experiência fala de áreas atendidas e de documentos. Se for de sustentação, fala de sistemas mantidos e de prazos cumpridos.
Levantamento de requisitos se prova com artefato, não com reunião
“Levantamento de requisitos” é o termo mais comum da função, e a expressão sozinha não diz quanto você levantou. O recrutador quer saber para quantas áreas, em quantos sistemas e com que documento o resultado ficou registrado. O documento é a prova.
- Casos de uso em UML: diga quantos foram documentados e para qual sistema. Um número de casos de uso mostra escopo, e um sistema nomeado mostra onde.
- Regras de negócio: diga quantas regras foram formalizadas e com que área elas foram validadas. Regra validada por quem usa o processo vale mais do que regra escrita sozinho.
- Histórias ou requisitos funcionais: se o time usava outro formato, como histórias de usuário, escreva-o pelo nome e com o número entregue por sprint.
Antes: Levantamento de requisitos e documentação de regras de negócio para sistemas corporativos.
Depois: Levantei requisitos com nove áreas de negócio e documentei as regras em 60 casos de uso em UML, validados pelos responsáveis de cada processo antes do desenvolvimento.
Os números do exemplo são ilustrativos. O que muda entre as duas versões é a presença de área, artefato e validação. Se você tem menos casos de uso, escreva o número menor. Um levantamento de quatro áreas, com documentos publicados, vale mais que um “amplo levantamento” sem número. Também vale dizer quem validou o documento e em que etapa do projeto ele entrou, porque isso mostra se o levantamento chegou ao desenvolvimento ou ficou parado no papel.
Sustentação se mede em sistema, chamado e prazo, não em “dar suporte”
Na vaga de sustentação, o termo central é o sistema mantido. Escreva quantos sistemas você sustentou, em que linguagem e com que ritmo de demandas. Depois escreva o resultado no prazo: chamados resolvidos dentro do acordo de nível de serviço, ou demandas entregues na sprint.
Quem atende chamado de primeira linha tem um vocabulário próprio, com níveis e prazos, e o currículo de analista de suporte trata dele. Aqui o foco é o analista que corrige, altera e garante a lógica do sistema. Se você fez as duas coisas, separe as duas na experiência, com volume diferente em cada.
A regra de honestidade vale aqui também. Se você entrou num sistema em andamento e assumiu a manutenção depois de alguém, escreva que assumiu. Não escreva que criou o que estava pronto.
Se o trabalho de sustentação incluía priorizar demandas, diga como. Uma fila ordenada por impacto no cliente, com o critério escrito, mostra julgamento técnico, que é o que a vaga de sustentação mais quer ver além da correção em si.
Stack: liste a ferramenta junto com o que ela entregou
Uma lista de linguagens é o primeiro ponto de contato da triagem com o seu texto, e também o mais fácil de inflar. A vaga pede JavaScript, TypeScript, React, SQL, Git. Se você usou todos em produção, escreva todos. Se usou quatro e estudou um, escreva os quatro e o quinto no bloco de cursos.
Ligue cada linguagem a uma entrega. A ligação é o que transforma a palavra em experiência, porque mostra onde ela foi usada e para quê. Uma linguagem sem entrega ao lado continua sendo uma palavra, por mais vezes que apareça no texto.
Antes: Conhecimento em JavaScript, React, SQL e Git.
Depois: Desenvolvi 18 telas em React e JavaScript para um sistema de estoque, com consultas em SQL para diagnosticar falhas de sustentação e versionamento no Git.
O currículo de analista de dados trata a parte de SQL com mais profundidade. Se a vaga for de sistemas e pedir o banco de dados, a regra é a mesma: diga qual banco, qual tabela ou qual tipo de consulta, e para qual finalidade.
API REST e nuvem: escreva o serviço, não só o protocolo
API REST aparece em quase todas as vagas de sistemas, e a sigla sozinha diz pouco. O que a vaga quer saber é se você criou ou manteve endpoints, para quem e com que volume. Escreva o número de endpoints e quem os consumia: um aplicativo, um parceiro, o próprio front-end do sistema.
Os termos de nuvem entram do mesmo jeito. Nomeie o serviço, como AWS Lambda ou S3, e a mudança que você fez nele. Uma migração de rotinas para a nuvem, com o custo reduzido, é uma frase que a entrevista consegue continuar. O guia de AWS, Azure e nuvem mostra como separar serviço, certificação e experiência real. E a API REST no currículo tem o vocabulário dos endpoints.
Quem vem de outra área de tecnologia: escreva a ponte
Analista de sistemas é um cargo que muita gente chega por outra porta: suporte, desenvolvimento, dados ou operação. O currículo de quem vem de fora precisa mostrar a ponte entre o que fez antes e o levantamento ou a sustentação de sistema. A ponte é uma frase com o artefato que você produziu, mesmo que o cargo anterior tivesse outro nome.
O currículo de gerente de projetos mostra como escrever entrega com prazo e escopo, que é o outro lado dessa ponte quando o trabalho passa por projeto. Se a sua ponte é a documentação, escreva a documentação como entrega, com número e destino.
O que fazer com o seu currículo de analista de sistemas esta semana
A ideia central é uma só: diga se a vaga é de levantamento ou de sustentação, e prove cada termo com um artefato, um sistema ou um prazo. Sem isso, o currículo parece com o de qualquer analista júnior que estudou as mesmas siglas, e a entrevista começa pelo que você não conseguiu explicar. Antes de enviar, cole a descrição da vaga na análise ATS gratuita. Ela não exige cadastro, compara o seu currículo com o texto da vaga e mostra quais termos dela já estão no documento e quais faltam. Para cada termo faltante, faça a pergunta simples: eu fiz isso? Se fez, escreva a entrega. Se não fez, deixe de fora e planeje uma prova antes da próxima candidatura.
Perguntas frequentes
O que o ATS procura em um currículo de analista de sistemas?
Procura os termos da função como a vaga os escreve: levantamento de requisitos, regras de negócio, UML, sustentação de sistemas, e a stack que a vaga pede, como JavaScript, TypeScript, SQL, React ou API REST. Procura também o nome dos serviços de nuvem, quando a vaga os cita. Um texto que só lista linguagens, sem dizer o que o analista entregou, não casa com a descrição do trabalho.
Analista de sistemas precisa saber programar?
Depende da vaga, e a própria descrição diz. Quando ela pede JavaScript, Python ou SQL, nomeie a linguagem e o trabalho em que ela foi usada. Quando a vaga é de levantamento e documentação, o termo central são requisitos e regras de negócio, e o currículo deve começar por eles. Não encha a seção de stack com ferramentas que você só conhece de nome.
UML se escreve como habilidade ou como entrega?
Como entrega: quantos casos de uso ou diagramas você produziu, para qual sistema e com qual área de negócio validando. Uma sigla sozinha na lista de habilidades diz que você conhece a notação, não que a usou. Se a vaga pede UML e você só estudou, escreva o curso com a carga horária e leve à entrevista um diagrama feito por você.
Qual a diferença entre analista de sistemas e analista de suporte no currículo?
O analista de sistemas costuma levantar o que o sistema deve fazer e modelar essa lógica, enquanto o analista de suporte atende chamados de quem usa e cuida do prazo de resposta. As vagas misturam os dois, mas o currículo precisa deixar claro qual foi o seu trabalho. Se a vaga for de suporte, o guia de analista de suporte tem o vocabulário de níveis e prazos.
Certificação de nuvem entra no currículo sem experiência com a nuvem em produção?
Entra na seção de certificações, com o nome exato da prova. Não escreva que administrou a nuvem se você só fez a certificação. A vaga pode perguntar sobre o serviço, e a certificação sozinha não responde essa pergunta. Se você usou o serviço em um projeto de estudo, descreva o projeto, e não a prova.
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