AWS no currículo costuma aparecer como uma palavra que cobre tudo, ao lado de nuvem e de cloud. A vaga, porém, quer saber qual serviço você configurou, em que escala ele rodou e o que custava mantê-lo. Este guia mostra como nomear os serviços que você usou, como escrever uma certificação com o nome oficial, como descrever escala e custo sem inventar números e o que fazer quando seu contato com a nuvem foi só de estudo.

AWS sem serviço nomeado é só a categoria, e a vaga procura o serviço

Cloud é a categoria. A vaga de back-end ou de dados pede os serviços que sustentam a aplicação, e cada um deles é um termo de busca próprio que mostra uma decisão diferente de arquitetura. Escreva apenas os que você configurou ou operou, e explique em uma frase o papel de cada um:

  • EC2. Servidores virtuais. Cite se você escolheu o tipo de instância, configurou o grupo de segurança ou automatizou a criação das máquinas.
  • S3. Armazenamento de objetos, usado para arquivos, backups e exportações. Cite a política de acesso ou a regra de ciclo de vida que você definiu, e não apenas que a aplicação gravava arquivos ali.
  • Lambda. Funções que rodam sob demanda, sem servidor para manter. Cite o gatilho e a tarefa que a função cumpria, como processar um arquivo assim que ele chega ao bucket.
  • RDS e SQS. Banco de dados gerenciado e fila de mensagens. Cite o motor do banco e o problema que a fila resolvia, como separar o registro do pedido do envio da notificação.

Se a aplicação roda numa máquina EC2 e você nunca mexeu na configuração dela, a linha correta fala da aplicação, com a nuvem como o lugar onde ela roda. Não transforme o uso de um serviço em experiência de arquitetura.

Antes: Experiência com AWS e serviços de nuvem.

Depois: Migrei o armazenamento de anexos do sistema de atendimento para o S3, com política de acesso por cliente e regra de ciclo de vida que move arquivos antigos para uma classe de custo menor.

Certificação AWS: escreva o nome oficial, e só depois do exame

A AWS tem certificações com nomes oficiais e níveis definidos, e o recrutador confere o nome antes de ler qualquer sigla. Duas aparecem com frequência em vagas de cloud. A AWS Certified Cloud Practitioner é a de nível fundamental, e a AWS Certified Solutions Architect Associate é a de arquitetura, voltada ao desenho de sistemas.

Escreva o nome completo, como a emissora imprime no certificado. Se a prova ainda não foi feita, escreva em preparação, numa linha separada das certificações obtidas. Quem lista uma certificação sem tê-la recebe, na entrevista, a pergunta que não consegue responder. Se a vaga pede a certificação como requisito literal, o guia sobre como comprovar um requisito obrigatório mostra como tratar essa parte.

Azure segue a mesma lógica, e a certificação de entrada tem nome próprio

Quem trabalhou com Azure descreve os serviços do mesmo jeito: máquinas virtuais, armazenamento, funções e bancos gerenciados, com o nome que o portal usa. A entrada oficial da Microsoft é a Microsoft Certified: Azure Fundamentals, cujo exame é o AZ-900 e que é de nível iniciante. Ele comprova conceitos de nuvem, não a operação de um ambiente. Escreva a certificação com esse nome, e não a use como prova de que você administra um ambiente Azure.

Escala e custo se descrevem com a carga que o serviço aguentava

A vaga de cloud quer saber o tamanho do problema: quantas requisições, quantos usuários, quanto dado armazenado e o que a conta mensal representava. Sem esses números, a palavra escalável não diz nada. Você não precisa de métrica de empresa grande. Um volume pequeno descrito com precisão vale mais do que uma escala inventada.

Antes: Aplicação escalável na AWS com alta disponibilidade.

Depois: Mantive a API de agendamentos em EC2, atrás de um balanceador, com dois servidores em zonas diferentes. Ela atendia cerca de 2 mil requisições por hora no pico, e a conta mensal de servidores caiu depois que troquei o tamanho das instâncias.

Custo é a pergunta que mais separa quem operou de quem só usou. Se você reduziu gasto, escreva o mecanismo: instância reservada, desligamento de ambiente de homologação fora do horário comercial ou regra que move arquivos para armazenamento mais barato. Se a conta não caiu, não escreva que caiu.

Permissão, rede e região aparecem quando você desenhou a configuração

Perguntas sobre nuvem continuam depois do nome do serviço: quem pode acessar o quê, por onde o tráfego passa e em qual região os dados ficam. Se você configurou esses pontos, cite-os como parte da entrega. Permissão mínima por função no IAM, banco numa sub-rede privada e escolha de região por requisito de latência são decisões que valem uma linha cada.

Antes: Configuração de segurança na nuvem.

Depois: Defini as permissões IAM do time de dados com acesso só de leitura ao bucket de relatórios, e isolei o banco numa sub-rede privada, sem acesso direto da internet.

Se a permissão veio pronta do administrador da conta, diga isso ou não fale dela. Atribuir a si uma configuração que outra pessoa fez é o tipo de detalhe que a entrevista técnica revela em duas perguntas.

Conta de estudo e laboratório não são uso em produção

Conta gratuita, laboratório de curso e sandbox de treinamento servem para praticar, e nenhum deles é ambiente de produção. Quem fez o curso pode escrever que praticou os serviços, com o nome do laboratório, e a linha fica honesta. Para ter algo real para descrever, faça um projeto pequeno que alguém consiga acessar: uma aplicação em contêiner num serviço de nuvem, com banco gerenciado e um bucket com regra de acesso definida.

O guia de Docker e Kubernetes no currículo mostra como descrever o contêiner desse projeto, e o currículo de engenheiro de software sênior mostra como a nuvem entra num perfil com mais tempo de código. Quem vem de infraestrutura tradicional encontra o caminho no currículo de DevOps.

O que fazer agora com o seu currículo

Procure a palavra AWS ou Azure no seu texto e confira se ela aparece junto do serviço, da carga e da decisão que você tomou. Se a palavra está sozinha, reescreva a linha inteira, e não só a palavra. A regra que resume o guia é nomear o serviço, escrever a carga, explicar a decisão e só então listar a certificação.

Se o texto tem só a categoria, a vaga que pede o serviço perde a correspondência, porque a palavra que ela procura não está lá. Para conferir os termos da vaga antes de enviar, cole a descrição na análise ATS gratuita. Ela não pede cadastro e mostra quais termos da vaga o seu currículo já tem e quais faltam. Se a vaga for de desenvolvimento, compare também com as palavras-chave de desenvolvedor full stack.


Perguntas frequentes

AWS no currículo sem certificação ainda vale a pena?

Vale, desde que a linha descreva um trabalho real. Certificação prova conhecimento, e experiência prova outra coisa. Se você configurou serviços em produção ou num projeto com uso de verdade, descreva os serviços e a decisão que tomou, e cite a certificação só quando a tiver. Se a vaga exige a certificação como requisito literal, a experiência ajuda, mas não substitui o exame.

Como escrever AWS Cloud Practitioner no currículo?

Com o nome oficial, AWS Certified Cloud Practitioner, na seção de certificações e com a AWS como emissora. Escreva só depois de aprovado. Se ainda estuda, escreva em preparação, em uma linha separada das certificações obtidas. O nome completo é o que o recrutador procura, e uma sigla sozinha pode não ser reconhecida.

Preciso citar todos os serviços da AWS que já usei?

Não. Cite os que aparecem na vaga e os que você configurou de fato. Uma lista de dez ou doze serviços soa como catálogo, e a entrevista vai pedir que você explique cada um. Escolha três ou quatro, descreva o papel de cada um e deixe o restante de fora, ou resuma as ferramentas gerais numa frase.

AWS e Azure podem aparecer no mesmo currículo?

Podem, quando você usou os dois, mas separe por projeto ou por empresa para o recrutador ver onde cada um foi aplicado. Se usou os dois só em estudo, diga isso. Uma linha com os dois provedores e nenhum contexto deixa sem resposta a pergunta de qual deles você opera no dia a dia.

Cloud computing é a mesma coisa que AWS no currículo?

Não. Cloud computing é a categoria, que reúne servidores sob demanda, armazenamento e serviços gerenciados entregues pela internet. AWS e Azure são provedores dessa categoria. Uma vaga que pede cloud aceita experiência com qualquer provedor, mas uma vaga que pede AWS quer o provedor citado. Escreva o provedor sempre que ele foi usado.

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