Networking para conseguir emprego é manter conversas com pessoas que já conhecem o seu trabalho ou a sua área, e pedir indicação quando fizer sentido. Não é ir a eventos para trocar cartões. Quem é introvertido ou não tem contatos pode fazer isso sem sair de casa: liste umas 30 pessoas com quem já houve algum vínculo, mande uma mensagem de reconexão que não pede emprego, marque conversas de 15 minutos e registre tudo numa planilha, com um ritmo pequeno e constante.
Networking é uma lista de conversas, não um evento
A ideia de networking que assusta é a da sala cheia de desconhecidos. Ela existe, mas não é o único caminho. Indicações costumam nascer de gente que já conhece você de algum lugar: colega de estágio, professor, ex-chefe, vizinho que trabalha numa empresa do setor. Por isso o método começa com uma lista de nomes, não com uma agenda de eventos. Você não precisa conhecer ninguém novo para começar. Precisa reabrir conversas que ficaram paradas.
Quem entra na lista de networking se eu não conheço ninguém?
Entra quem já teve algum contato com você, mesmo fraco. Escreva os nomes agrupados por origem, um por linha, e não se preocupe se algum grupo parecer pequeno demais.
- Escola, faculdade e cursos: quem fez o curso de Excel com você, quem dividiu grupo de trabalho, quem estagiou no mesmo prédio.
- Professores e coordenadores: quem escreveu uma carta, orientou um trabalho ou ajudou em algum momento difícil.
- Trabalhos anteriores, inclusive bicos: quem trabalhou com você na loja, na obra, no call center ou no evento temporário.
- Fornecedores e clientes: o vendedor da papelaria que você vê sempre, o entregador que atende o seu bairro.
- Família e amigos dos pais: tios, primos e conhecidos que trabalham em empresas ou conhecem quem trabalha.
- Grupos que você já frequenta: igreja, time, grupo de voluntariado, associação de moradores.
Escreva trinta nomes, mesmo que alguns sejam fracos. Parte da lista você nunca vai procurar, e tudo bem. O objetivo é perceber que você tem mais pontes do que imagina.
A mensagem de reconexão não pede emprego na primeira frase
Quem recebe um pedido de emprego de alguém que não fala há anos sente que foi usado, e a resposta costuma ser educada e curta. Por isso a primeira mensagem só reabre a conversa. Ela tem quatro partes, nesta ordem:
- Um vínculo real, citado com uma frase: a turma, o projeto, o lugar.
- Uma frase sobre o que você está fazendo agora.
- Uma pergunta sobre o trabalho ou a empresa da pessoa.
- Um pedido pequeno, de conversa curta, para depois que ela responder.
Carla e a Acme Logística são invenções para este exemplo, e mostram a forma da mensagem:
Oi, Carla, tudo bem? Lembrei das nossas aulas de planejamento na faculdade. Estou procurando uma vaga de assistente de operações e vi que você está na Acme Logística há uns dois anos. Como foi a sua entrada lá? Se tiver 15 minutos numa dessas semanas, eu agradeço muito.
Depois da resposta, agradeça e proponha a conversa. Se não houver retorno, espere uma semana antes de mandar outra mensagem, e não mande cobrança. Silêncio costuma ser caixa de entrada cheia, não recusa. Passe para o próximo nome da lista.
O que perguntar numa conversa de 15 minutos?
Pergunte sobre o trabalho da pessoa, não sobre vagas. A conversa vira indicação quando a outra pessoa sente que ajudou alguém interessante, e isso acontece quando ela fala de si com alguma profundidade. Algumas perguntas que funcionam:
- Como é o dia a dia da área dela e o que mudou desde que ela entrou.
- Quais habilidades ela vê faltando em quem está entrando agora.
- Quem mais na área vale conversar, e se ela se sente à vontade para apresentar alguém.
- Qual seria o primeiro passo se você começasse na área hoje.
Anote o que ela disse. Na semana seguinte, mande um agradecimento com uma frase sobre o que você fez com o conselho, como um curso que começou ou uma vaga que estudou. É esse retorno que faz a pessoa lembrar de você quando surgir uma oportunidade. E respeite o relógio: se combinaram 15 minutos, encerre em 15.
Quanto networking fazer por semana quando a energia é pouca?
Um plano que cabe na semana dura mais que um plano ambicioso que termina na terceira semana. Para quem trabalha, estuda ou cuida de casa, três conversas e uma série de mensagens curtas já formam um hábito. A tabela mostra uma semana típica, com cerca de uma hora e meia de trabalho distribuída em três dias.
| Dia | O que fazer | Tempo |
|---|---|---|
| Segunda | Escolher três nomes da lista e escrever as mensagens | 30 minutos |
| Quarta | Enviar as mensagens e responder quem respondeu | 20 minutos |
| Sexta | Agendar as conversas, fazer as que já estavam marcadas e atualizar a planilha | 40 minutos |
Se uma semana ficar cheia, não compense mandando dez mensagens na seguinte. Mantenha o mínimo e siga.
Como registrar os contatos sem transformar o networking em burocracia
O registro impede duas falhas comuns: mandar duas vezes a mesma mensagem e esquecer quem prometeu indicar você. Use cinco colunas e não acrescente mais que isso:
- Nome e vínculo, escrito como vocês se conhecem.
- Empresa e cargo atual da pessoa.
- Data da última mensagem ou conversa.
- Próximo passo, com uma data.
- Uma observação curta, como um assunto que ela mencionou.
Se você já controla candidaturas em planilha, junte as duas em um único arquivo. A planilha para organizar candidaturas serve de base. Quem prefere um quadro pronto pode usar o controle de candidaturas gratuito do AjustaCV, que separa as vagas por etapa.
Quando a conversa vira candidatura, o currículo precisa estar pronto
Quando alguém oferece indicar você, a próxima pergunta costuma ser pelo currículo ou pelo nome da vaga. Tenha a versão para aquela vaga pronta antes da conversa, não depois. Antes de enviar, cole o texto da vaga e o seu currículo na análise gratuita do AjustaCV: ela mostra a pontuação por categoria, as palavras-chave da vaga que aparecem e as que faltam, e se o título bate com o cargo. Não exige cadastro.
Muitas vagas nem chegam a ser anunciadas, e o mercado oculto de trabalho depende justamente dessas conversas. Para quem quer ser encontrado por recrutadores sem mandar mensagem fria, o guia de LinkedIn e networking com recrutadores mostra como o perfil entra nesse processo.
E se ninguém responder a mensagem?
Vai acontecer com a maioria das mensagens, e não é sinal de que o método falhou. Quem não responde está, quase sempre, sem tempo ou com a caixa de entrada cheia. Quando a mensagem fica sem resposta, faça uma revisão rápida antes de desistir do contato:
- A mensagem tinha uma pergunta fácil de responder ou exigia um texto longo?
- Ela foi enviada por um canal que a pessoa usa, como o LinkedIn ou o WhatsApp de contatos antigos?
- Você citou um vínculo que ela reconhece sem precisar pensar muito?
Se a resposta for não para as três perguntas, reescreva a mensagem mais curta e mande uma única vez. Se ainda assim não houver retorno, marque o contato como pendente na planilha, com a data, e siga para o próximo nome. Quando a conversa acontece depois de meses, ela costuma ser mais natural, porque nenhum dos dois está cobrando nada.
Networking começa pelas pessoas que já conhecem você
A decisão é simples: escreva a lista de trinta nomes hoje, mande a primeira mensagem nesta semana e mantenha um ritmo que você consiga cumprir. Eventos e grupos podem entrar depois, como complemento, quando você já tiver algumas conversas em andamento. O primeiro passo é reabrir uma conversa, e o segundo é marcar uma data para a próxima. Quando a conversa render uma vaga, e ela pode render, o currículo precisa estar pronto para a pessoa que está olhando por você. Se a indicação virar entrevista, a lista de perguntas para fazer no fim da entrevista ajuda a transformar a conversa em informação para decidir.
Perguntas frequentes
Como fazer networking se sou tímido?
Comece por mensagens escritas, não por eventos. Quem é tímido costuma se sair melhor num texto curto, com tempo para pensar, do que numa sala cheia. Monte uma lista de pessoas que já conhecem o seu trabalho, mande uma mensagem de reconexão por vez e marque conversas curtas de 15 minutos. Timidez não impede nenhuma dessas etapas. Ela só pede um ritmo mais lento e um roteiro pronto para não improvisar.
Networking funciona para quem está sem experiência de trabalho?
Funciona, e às vezes funciona melhor. Quem está começando não tem uma rede profissional grande, mas tem colegas de escola, professores, colegas de curso e familiares que conhecem gente de empresas. Peça para essas pessoas uma conversa sobre a área, não uma vaga. Quando você mostra interesse real e chega preparado, a conversa costuma render uma indicação ou o nome de alguém para procurar.
Quantas pessoas devo procurar por semana no networking?
Três conversas por semana já formam um hábito que cabe na rotina de quem trabalha ou estuda. Mande mais mensagens do que conversas, porque nem todo mundo responde. O número importa menos que a constância: uma semana de dez mensagens seguida de três semanas paradas produz menos resultado que um ritmo pequeno mantido por meses.
Preciso pedir emprego logo na primeira mensagem?
Não. Pedir emprego logo de cara faz a pessoa sentir que foi usada, e a conversa acaba antes de começar. A primeira mensagem deve citar um vínculo real, dizer em uma frase o que você está fazendo e fazer uma pergunta sobre o trabalho dela. Se a conversa acontecer e houver uma vaga ou uma área de interesse, você pode perguntar com naturalidade se ela conhece alguém que contrate.
Vale a pena ir a eventos de networking para conseguir emprego?
Vale como complemento, depois que você já tem algumas conversas em andamento. Um evento sozinho costuma gerar muitos cartões e poucos retornos, porque a conversa é curta e ninguém se lembra de quem foi apresentado. Quando você já conhece algumas pessoas da área, ir a um encontro vira uma forma de reencontrá-las e conhecer as conhecidas delas, o que é bem mais útil.
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