Six Sigma e Lean aparecem em vagas de engenharia, logística e produção, e a faixa de Six Sigma costuma ser a primeira coisa que o candidato escreve no currículo. A faixa diz pouco sozinha. Quem lê a vaga quer saber qual problema você mediu, que mudança fez e quanto ela resolveu. Este guia mostra como escrever a formação, o projeto e o resultado de forma que cada um prove o outro.

O que a faixa de Six Sigma prova, e quem a emitiu?

As faixas, como Yellow, Green e Black Belt, não têm um padrão oficial único. Cada instituto define a sua carga horária, a sua prova e o seu critério para aprovar um projeto. Por isso, o nome da faixa diz pouco se o recrutador não conhece o emissor. Escreva a faixa junto com a instituição que a concedeu e o ano em que concluiu.

Antes: Six Sigma Green Belt.

Depois: Green Belt em Six Sigma, pelo instituto de treinamento em que concluí o programa, com projeto de redução de defeitos entregue na linha de embalagem.

A faixa sem projeto é formação. Se você fez o treinamento e não aplicou o método, escreva em formação ou em cursos, e não na seção de experiência. A diferença parece detalhe, mas a entrevista costuma começar pela pergunta sobre o projeto, e quem listou a faixa como experiência precisa ter o que contar.

Um projeto DMAIC concluído vale mais do que a faixa?

Vale, porque é o projeto que mostra o uso do método. O DMAIC é a estrutura de projeto do Six Sigma em cinco etapas: definir o problema, medir a situação atual, analisar as causas, melhorar o processo e controlar para que a melhoria se mantenha. Se você conduziu essas etapas num caso real, o projeto é a sua prova principal.

Escreva o projeto pelo problema, pela medida e pelo controle, que são as partes que o recrutador confere. A etapa de análise pode entrar como explicação, mas o centro da linha é o que mudou e como você sabe que a mudança se manteve.

Antes: Liderei projeto Six Sigma para reduzir defeitos.

Depois: Conduzi um projeto DMAIC sobre defeitos de selagem na embalagem. A taxa caiu de 4,2% para 1,6% em três meses, e a checagem de temperatura entrou no controle de rotina do turno.

Como escrever o ganho sem inventar a economia?

O ganho financeiro é o número mais tentador e o mais fácil de perder credibilidade. Se você não tem a planilha de custo validada pela área, não cite um valor em reais como se fosse fato. Diga qual foi a base do cálculo e quem a validou, ou escreva o ganho em unidades que você registrou.

  • Redução de defeitos. Use a taxa antes e depois, no mesmo período de medição. É o dado mais limpo que um projeto de qualidade produz.
  • Tempo de ciclo. Se a etapa passou a levar menos tempo, escreva a diferença em minutos por lote, e a frequência dos lotes.
  • Custo estimado. Multiplique o número de defeitos evitados pelo custo unitário do refugo, e escreva que o valor é estimado, com a base do cálculo ao lado.

Se a economia foi validada pela controladoria, cite-a como validada. Se não foi, a linha continua forte com a taxa e o tempo de ciclo, e a estimativa pode aparecer na entrevista, com a conta.

Lean fora da indústria: o que o recrutador procura?

Lean descreve a eliminação de desperdício em qualquer fluxo: espera, retrabalho, transporte desnecessário, estoque parado e etapas repetidas. Em escritório e serviço, o desperdício é quase sempre uma fila de aprovação ou uma informação digitada duas vezes. Essa leitura ajuda quem trabalha em compras, administrativo ou atendimento a escrever o Lean sem ter trabalhado numa linha.

Antes: Apliquei conceitos de Lean nos processos do setor administrativo.

Depois: Mapeei o fluxo de aprovação de compras e encontrei três etapas de espera sem decisão. Removi a aprovação dupla para pedidos abaixo de um valor definido, e o prazo de liberação passou de cinco dias para dois.

Mapear o fluxo é o trabalho que o recrutador quer ver nomeado. Se o seu caso foi assim, o texto deve mostrar a etapa que você encontrou, não apenas a palavra Lean. Para outras formas de descrever resultado sem chão de fábrica, o guia sobre experiência com resultados e números mostra como organizar essa linha.

O que fazer quando a vaga pede Lean ou Six Sigma e você só estudou?

Escreva o que você fez, e não o que a vaga pede. Estudar o método é formação, e isso cabe numa seção própria. A experiência precisa de uma aplicação, mesmo pequena. Se você ainda não aplicou, há um caminho honesto: escolha um processo do seu trabalho atual, como um controle de erros ou uma fila que atrasa, mapeie-o com as ferramentas que estudou e registre a medida antes e depois.

Essa aplicação pequena vale mais do que um certificado sem uso. Se a vaga é de engenharia de produção e pede as ferramentas do método, compare o seu texto com as palavras-chave de engenheiro de produção e veja o que a sua experiência já cobre. A parte da vaga que você não cobre ainda é a que deve virar o próximo projeto. Se o cargo é de engenharia de produção, o guia de currículo de engenheiro de produção mostra quais termos de PCP e de indicadores o recrutador costuma procurar junto com o método.

Quando a aplicação for de melhoria de processo sem o nome do método, a forma de escrever é a mesma que você usaria para qualquer melhoria. O guia sobre melhoria contínua no currículo mostra como medir antes e depois e como descrever o ciclo sem depender da sigla.


O que confirmar antes de enviar o currículo com Lean ou Six Sigma?

A regra que resume o guia: a faixa só ganha peso quando vem acompanhada de um projeto, de uma medida e do emissor da formação. Sem essas partes, o termo entra como palavra solta, e a vaga técnica o trata como tal. O risco não é só a reprovação na triagem. Se a entrevista pedir os dados do projeto e eles não existirem, a conversa perde a credibilidade do resto do currículo.

Antes de enviar, confira se cada projeto tem o problema, a taxa ou o tempo antes e depois, e o que foi controlado. Depois compare com o texto da vaga. Se ela pede Lean, Six Sigma ou DMAIC, use o termo que o anúncio usa e só cite o método se você o aplicou. Para ver isso com o texto real do anúncio, cole a vaga e o currículo na análise gratuita do AjustaCV. Ela não pede cadastro e compara os termos da vaga com o seu currículo, mostrando quais já estão nele e quais faltam.

Perguntas frequentes

Green Belt no currículo precisa de certificado?

Precisa de um certificado de quem você de fato concluiu, com o nome da instituição que emitiu. Não existe um órgão único que defina a faixa, e cada instituto tem o seu critério de carga horária e de prova. Escreva a faixa com o emissor e o ano em que concluiu, e só se você entregou um projeto. Um certificado sem projeto costuma virar a pergunta mais difícil da entrevista.

Yellow Belt conta como certificação?

Conta como formação, e a linha deve dizer isso. Quem fez o treinamento de base conhece o vocabulário e as ferramentas básicas, mas não liderou um projeto de melhoria. Se você aplicou alguma ferramenta no trabalho, como um diagrama de causa e efeito ou uma coleta de dados, descreva a aplicação junto com o treinamento, para que o recrutador veja o uso.

Preciso ter feito um projeto para colocar Six Sigma no currículo?

Para a faixa Green ou Black, o projeto é o que sustenta a linha. Se você só fez o curso, escreva o curso, sem dizer que aplicou o método. Em vagas de engenharia e produção, a frase que o recrutador procura é a de um problema medido e uma mudança com resultado. Sem projeto, a formação continua válida, mas a linha de experiência fica vazia.

Lean serve para quem trabalha fora da fábrica?

Serve. A ideia do Lean é eliminar o que não agrega valor ao cliente, como espera, retrabalho e etapas duplicadas. Esse mapa aparece num fluxo de aprovação de contratos, numa fila de atendimento ou num processo de compras. Quem trabalha nessas áreas pode escrever o Lean pelo que eliminou no fluxo, sem precisar de chão de fábrica.

Como citar um projeto de Six Sigma sem expor dados da empresa?

Use percentuais e intervalos de tempo em vez de valores absolutos, e descreva o problema pelo tipo, como defeito na etapa de embalagem. Se o ganho financeiro for confidencial, escreva a redução do índice de defeitos e o tempo de ciclo. O que importa para o recrutador é o método e a variação medida, não o valor exato da economia.

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