Gestão de contratos no currículo costuma ser lida como habilidade de advogado, e por isso muita gente de administração, compras, operações ou RH deixa a linha de fora. Só que boa parte da função é administrativa: saber quais contratos vencem em cada mês, quanto custa cada um, qual aditivo foi assinado e o que a outra parte entregou. Escrever gestão de contratos com força é mostrar a carteira que você acompanhava, os prazos que cumpria e o que mudou quando você interveio. Este guia mostra como fazer isso em qualquer área.

Quantos contratos você administrava, e de que tipo?

O recrutador começa pelo tamanho da carteira. Um número de contratos ativos e o tipo deles dizem mais do que a expressão “administração de contratos”, que todo mundo escreve.

  • Volume. Quantos contratos estavam sob sua responsabilidade ao mesmo tempo. Se a carteira mudava de tamanho, escreva a faixa, como entre 20 e 35.
  • Tipo. Fornecedor, prestação de serviço, locação ou cliente. Cada tipo tem um tipo de controle, e o recrutador pergunta sobre isso.
  • Vigência. O período de cada contrato e a concentração de vencimentos. Um portfólio com vencimentos no mesmo mês exige planejamento, e essa informação vale a pena.

Escolha os dados que caracterizam a carteira e deixe os demais de fora. Três atributos bem escolhidos já mostram o tamanho do trabalho.

Antes: Gestão de contratos de fornecedores.

Depois: Administrava uma carteira de 35 contratos de fornecedores e prestadores de serviço, com vigências escalonadas, e mantinha o calendário de vencimentos com aviso de 90 dias de antecedência.

Renovação e aditivo: o que a linha deve dizer

Renovação é quando o contrato chega ao fim e é prorrogado ou refeito. Aditivo é a alteração formal de um contrato já assinado, como um novo valor, um novo escopo ou uma nova data. Os dois são trabalhos que exigem prazo, e é aí que a gestão aparece.

Antes: Cuidava de renovações e aditivos.

Depois: Conduzia as renovações com 60 dias de antecedência, negociava o reajuste com o fornecedor e encaminhava o aditivo para assinatura antes do vencimento, para que nenhum serviço ficasse sem contrato vigente.

A segunda versão mostra a antecedência, a negociação e o resultado. O último ponto, evitar serviço sem contrato vigente, é o que o gestor valoriza, porque é o risco que a área quer evitar.

Redigir, revisar ou só preencher o modelo?

Esta é a parte em que a linha costuma passar do ponto. Há três níveis de envolvimento com o texto do contrato, e cada um tem um verbo próprio. Quem preencheu um modelo padrão com dados da negociação não redigiu. Quem revisou as cláusulas com o jurídico revisou, e isso já é trabalho. Quem montou a minuta do zero, com a base do jurídico ou sem ela, redigiu.

Escolher o verbo certo protege você na entrevista. Um contrato redigido por outra pessoa e apenas conferido por você é revisão, e a pergunta seguinte será sobre as cláusulas que você avaliou. Para quem chega à área de contratos por outro caminho, o guia de currículo de analista de contratos é a leitura direta para quem vem de outro caminho.

Antes: Elaboração de contratos para a empresa.

Depois: Revisei as cláusulas de prazo, multa e reajuste de contratos de prestação de serviço com o jurídico, e preenchi o modelo padrão com os dados de cada negociação.

Se a vaga pede proteção de dados nos contratos, o guia de currículo de advogado de compliance e proteção de dados cobre o lado de compliance e de dados desse trabalho.

SLA e medição: o contrato só vale se alguém mede a entrega

SLA, ou acordo de nível de serviço, é a meta de entrega com a qual o contrato se compara. Quem gerencia contrato de serviço costuma medir a entrega do fornecedor todo mês e cobrar a penalidade quando ela não acontece. Essa medição é um trabalho contínuo, e merece uma linha.

Antes: Acompanhava fornecedores pelo SLA.

Depois: Medi mensalmente o prazo de entrega de três fornecedores contra o SLA contratado e registrei as falhas que geraram desconto na fatura, o que levou à revisão de um dos contratos.

Se o contrato não tinha SLA formal, escreva a medição que você fazia, como o tempo de resposta ou o número de chamados, e a meta que a área usava. Assim a linha mostra o controle sem inventar um acordo que não existia.

Contrato público: a Lei nº 14.133/2021 é a referência

Em contratos com órgãos públicos, a regra principal é a Lei nº 14.133/2021, a Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Ela substituiu a lei anterior, e as vagas da área costumam citá-la. Se você trabalhou com contratos públicos, a linha deve dizer em qual etapa atuava, como publicação, acompanhamento de execução ou aditivo, e onde registrava os atos, como no PNCP, o portal nacional de contratações públicas. Para o texto da norma, use o texto da lei no Planalto, e cite a Lei nº 14.133/2021 pelo número quando a vaga pedir. Se a sua rotina era a proposta e a habilitação do lado do fornecedor, o currículo de analista de licitações mostra como escrever pregão e edital.

Essa especificidade vale mais que a palavra licitação sozinha. Um recrutador de órgão público procura quem sabe o que é a fase de execução e quem assina o aditivo. Para quem está começando nessa área, o guia de currículo para concurso e processo seletivo simplificado é o ponto de partida mais direto. Se você fez essa gestão como servidor e agora mira uma empresa, o currículo de servidor público para a iniciativa privada mostra como traduzir o cargo e o órgão.

Sem cargo de contratos: o que escrever se você guardava os arquivos

Há quem tenha sido responsável pelo arquivo de contratos da área sem nenhum cargo com esse nome. Esse trabalho é de controle documental e conta. A linha precisa mostrar a organização, não só a guarda: como os contratos eram localizados, com que critério os vencimentos eram avisados e quem recebia o alerta.

Escreva o que a organização permitia fazer. “Mantinha o acervo de contratos organizado por fornecedor, com busca por vigência e aviso de vencimento para o gestor da área” é uma linha verdadeira e útil. A palavra gestão só entra se você decidia algo sobre os contratos, como prorrogar ou não.

Uma linha de contrato precisa mostrar o prazo que você cumpria

A ideia central é esta: gestão de contratos convence quando mostra a carteira, o prazo e a intervenção que você fez. Sem a carteira, o leitor não sabe o tamanho do trabalho. Sem o prazo, não sabe se houve controle. Sem a intervenção, não sabe se você decidia algo. Quando um deles falta, a entrevista começa pela pergunta sem resposta.

Antes de enviar, copie da vaga os termos de contrato que ela usa, como vigência, aditivo, reajuste, SLA ou medição. Cole a vaga e o currículo na análise gratuita do AjustaCV. Ela não exige cadastro e mostra quais termos da vaga o seu texto já tem e quais faltam. Se a vaga pede gestão de projetos com contratos envolvidos, o guia de currículo de gerente de projetos cobre o caso de quem combina contrato e projeto.


Perguntas frequentes

Gestão de contratos é função jurídica?

Não necessariamente. Uma parte do trabalho é jurídica, como redigir cláusulas e avaliar riscos, mas outra é administrativa: controlar vigências, renovações, reajustes, aditivos e valores, e manter o arquivo em dia. Muitas vagas de administração, compras, operações e RH pedem essa parte administrativa. Escreva o que você fazia, e não o título que a empresa dava ao setor.

Preciso ser advogado para escrever gestão de contratos?

Não. Quem acompanha prazos, valores e aditivos faz gestão de contratos sem precisar de formação jurídica. A condição é descrever o trabalho com precisão e não dizer que redigiu ou interpretou cláusulas quando só as seguia. Se você revisava cláusulas com o jurídico, escreva essa revisão como revisão. A diferença é o que o recrutador checa na entrevista.

Como mostrar contratos com valor confidencial?

Use faixas, percentuais ou a quantidade de contratos no lugar do valor exato. “Administrava 40 contratos de fornecedores, com vigências escalonadas ao longo do ano” não revela a conta da empresa e mostra o tamanho da carteira. Se o valor for essencial para a vaga, descreva a variação que você negociou, em percentual, sem a cifra.

Controle de vencimentos em planilha conta como gestão de contratos?

Conta, desde que a planilha tenha função. Um controle que avisa com antecedência o vencimento, registra o reajuste e leva ao aditivo ou à renovação é gestão de contratos em formato simples. Escreva a frequência da revisão e a antecedência do aviso. Uma planilha usada só como arquivo de nomes não sustenta a linha.

Quais termos de contratos as vagas costumam pedir?

Vigência, aditivo, renovação, reajuste, SLA (acordo de nível de serviço), medição e fiscalização do contrato são os mais comuns. Cada um pede um tipo de trabalho diferente. Liste no currículo só os que você executou, com o que fez em cada um, e confira na vaga se os termos aparecem com o mesmo sentido.

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