Um técnico em informática que escreve “conhecimento em informática” no currículo está descrevendo o que todo candidato diz. A vaga pede o que ele resolve: chamado fechado, computador que voltou a funcionar, rede que deixou de cair, usuário que parou de depender do técnico para imprimir. Para o currículo de técnico em informática, a regra é nomear as ferramentas da vaga e medir o atendimento. Este guia mostra as seções, os termos e os erros que mais custam a vaga.
A ordem de leitura é quase sempre a mesma: o título, o ambiente de trabalho, o tipo de atendimento e só depois a formação. Quem está começando na área precisa apenas inverter o peso entre experiência e projeto, sem mudar a ordem das perguntas.
O que a triagem procura primeiro em um técnico de informática?
Procura o ambiente em que você trabalhou. Uma vaga de suporte lista sistemas operacionais, ferramentas de chamado e a quantidade de usuários, e o currículo precisa devolver essas informações logo na experiência. Um texto que começa pela sua formação e só depois fala de equipamento faz o leitor procurar o que deveria estar no primeiro olhar.
Por isso, a primeira linha de cada cargo deve dizer onde você trabalhou e para quantas pessoas, e as linhas seguintes dizem o que você fez nesse ambiente. Um currículo pronto de técnico em informática mostra esse formato em um exemplo para comparar com o seu.
O título diz qual função você exerce, e ele conta
Técnico de suporte, técnico de manutenção e técnico de infraestrutura são funções com entregas diferentes. O título errado faz o currículo parecer de outra vaga, e a leitura para na primeira palavra. Se você atende usuários e abre chamados, escreva suporte. Se você troca peças e monta máquinas, escreva manutenção. Se você administra servidores e rede, escreva infraestrutura. Quem quer as três coisas deve escolher a que a vaga pede, e deixar as outras para as linhas da experiência.
Antes: Técnico em informática com experiência em atendimento.
Depois: Técnico de suporte em informática, com atendimento de primeiro e segundo nível em ambiente Windows e Office 365.
A diferença entre os dois textos está em dizer a função e o ambiente. Os casos de título errado em outras áreas técnicas seguem a mesma lógica, como mostra o caso do técnico em mecânica e eletrotécnica, em que o nome do curso não basta para a vaga.
Quais ferramentas escrever, e como agrupá-las?
Liste as ferramentas que você usou no trabalho, não as que apenas viu em um vídeo. Agrupe por função, para o leitor achar cada uma no lugar certo e para a leitura automática reconhecer o nome da ferramenta. A lista de palavras que a área costuma pedir está em palavras-chave para técnico em informática.
- Sistemas operacionais, como Windows, Linux ou macOS. Se a vaga pede uma versão específica e você a usou, escreva a versão. Se configurou máquinas em série, diga quantas.
- Rede e servidores, como Active Directory, DHCP, DNS ou Windows Server. Só entram se você administrou ou ajudou a administrar. Uma rede doméstica pode ser citada em projetos, não na experiência.
- Chamados e inventário, como GLPI, Movidesk ou a ferramenta de chamados do seu emprego. Escreva o nome exato, porque a vaga costuma citar uma delas pelo nome, e a sigla genérica não casa com ela.
- Produtividade, com o pacote Office e as funções que você realmente usou. Ter “Excel” na lista não diz se você faz tabela dinâmica ou só soma coluna. O texto sobre pacote Office e os níveis de Excel mostra como separar um do outro.
Como medir o atendimento sem inventar número?
Boa parte do trabalho de técnico é repetitiva, e é aí que o número aparece. Chamados por dia, tempo médio de solução, usuários atendidos e computadores configurados são medidas que você provavelmente tem, mesmo sem relatório formal. Se não existe registro, faça uma estimativa honesta, diga que é estimativa e tenha uma explicação pronta para a entrevista.
Antes: Realizei atendimento a usuários e manutenção de computadores.
Depois: Atendi em média 25 chamados por dia de primeiro nível para 180 usuários, com solução no primeiro contato em cerca de 7 de cada 10 casos.
O segundo texto diz quanto você atendia, para quantas pessoas e com que resultado. O primeiro diz apenas a rotina, que todo técnico tem. Se o seu trabalho também inclui acompanhar prazos e níveis de atendimento, a parte de processo pode ser lida em o currículo de analista de suporte, que trata dessa diferença. Se o próximo passo que você quer é segurança, o currículo de cibersegurança mostra o caminho do suporte técnico até analista de SOC.
Quando o currículo é de quem está começando?
Estágio, curso técnico e projeto pessoal contam, desde que o texto diga o que foi feito. Um estágio com chamados atendidos e computadores configurados é experiência. Um laboratório montado em casa, com o nome certo das ferramentas e a descrição do que foi configurado, também serve como prova de prática, mas precisa ser descrito como projeto e não como emprego.
O maior erro de quem começa é encher a seção de experiência com termos que nunca praticou. Se a vaga pede Windows Server e você não administrou um, escreva que estuda o assunto e o que praticou em laboratório. A palavra no lugar da experiência é o tipo de frase que a entrevista desmonta na primeira pergunta.
Quando a certificação entra no currículo?
Entra só quando existe o certificado. Certificações de fabricante ou de ferramenta são as palavras mais fáceis de conferir, e um recrutador costuma perguntar sobre elas logo no começo da conversa. Liste o nome oficial da certificação, com a instituição que a emitiu, e deixe de fora qualquer curso que você ainda não concluiu.
Quais erros mais derrubam o currículo de técnico em informática?
Alguns erros aparecem tanto que vale conferir um por um antes de enviar. Eles não dependem da ferramenta que você usou, e sim da forma como o texto foi escrito.
- Um resumo genérico, do tipo “profissional dedicado e proativo”. Essa frase serve para qualquer função, e a vaga de suporte pede o ambiente e o atendimento, que o resumo não traz.
- Ferramentas em uma lista única, sem função. Quando tudo está junto, o leitor não sabe o que você sabe fazer e o que apenas conhece pelo nome.
- Projeto pessoal escrito como emprego. Isso aparece na entrevista e desmonta a credibilidade do resto do texto, mesmo que o projeto fosse bom.
- Atividades no lugar de resultados. “Responsável pelo suporte” diz a função, mas não o que mudou depois que você assumiu o posto.
O que fazer antes de enviar o currículo de técnico em informática?
A regra que resume o guia: escreva a função, o ambiente e o atendimento com número, e só cite a ferramenta que você de fato usou. Quando isso falta, o currículo fica parecido com o de quem leu um manual e nunca abriu um chamado.
A consequência é simples. Se o texto não mostra o ambiente e a medida, a leitura fica com a parte genérica, e a vaga vai para quem escreveu com mais precisão, mesmo com menos experiência. Antes de enviar, cole o texto da vaga na análise gratuita do AjustaCV. Ela compara o seu currículo com o texto da vaga e mostra quais termos ele já tem e quais faltam, sem cadastro. Use o resultado para achar as lacunas, e preencha-as só com o que você fez.
Perguntas frequentes
O que o ATS procura em um currículo de técnico em informática?
Procura os nomes que a vaga usa para o ambiente de trabalho, como Windows, Active Directory, GLPI ou Office, escritos da mesma forma que aparecem no anúncio. Procura também o tipo de atendimento que você fez, suporte de primeiro nível, manutenção ou infraestrutura. Um texto que diz só “conhecimento em informática” não corresponde a nenhuma dessas buscas, mesmo que o candidato saiba tudo o que a vaga pede.
Técnico em informática e analista de suporte são a mesma vaga?
Não exatamente. O técnico costuma atender, instalar e manter equipamentos e redes no dia a dia. O analista de suporte costuma responder pelo processo: níveis de atendimento, prazos de solução e escalonamento. Se você fez o trabalho de técnico, não troque o título por analista só para parecer mais alto. Escreva a função que você exerceu e, se houver, a parte de processo que você também cuidou.
Preciso de certificação para escrever técnico em informática?
Não há uma certificação que todo currículo da área precise citar. Se a vaga pede uma, escreva o nome oficial e só se você tiver o certificado. Se não tiver, descreva o curso ou o treinamento que fez e o que praticou, e deixe a palavra da certificação fora da seção de experiência, onde ela passaria como fato consumado.
Estágio conta como experiência no currículo de técnico em informática?
Conta, e costuma ser a primeira experiência da área. Descreva o que você fez no estágio com número, como chamados atendidos por semana, computadores configurados ou usuários apoiados. Atividades genéricas, como “auxílio na área de TI”, dizem o que se esperava de você, e não o que você entregou.
Como escrever um projeto pessoal de laboratório no currículo?
Descreva o projeto como uma entrega: o que foi montado, em qual sistema, com quais ferramentas e para quem. Um servidor de arquivos configurado com permissões por usuário é uma entrega real, desde que você tenha feito. Coloque o projeto em uma seção própria, com a indicação de que é projeto pessoal, e nunca como emprego.
Exemplo pronto
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